quarta-feira, 12 de novembro de 2008

dia 13

13º dia:




(o 1º fólio das Obras Completas , de William Shakespeare)
Já acordados, tínhamos de confirmar se tudo não tinha passado de uma viagem – em sonhos – ao passado.Mas lá estavam as paredes ornadas de tiras de madeira, os telhados de colmo, os nomes a remeter para o “The Bard” e as suas peças e o seu teatro e até os seus rivais.
E então comprámos o bilhete completo e visitámos tudo: a sua casa de nascimento, a da sua morte, a da filha, a de Anne Hathway , a quinta da mãe (Mary Arden)…





É claro que as mais interessantes são a do seu nascimento e a de Anne. Não fora a chuva e a quinta teria sido mais cativante já que possuía pequenos compartimentos onde a História ganhava vida: ensinava-se a fazer queijos, velas, sapatos, e havia animais de quinta. De todos, conseguimos ter a nossa lição privada com falcões, o Hamlet!








Às 17horas (como em qualquer vila inglesa, suspeito) as lojas fecham e resta-nos percorrer as ruas quase desertas. Mas fora do centro há outros encantos: o rio repleto de cisnes, numa das margens o teatro (The Swan, infelizmente em obras).





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Na outra margem, perto da ponte, música ao vivo e logo os pares se aconchegam dançando ao ar fresco e húmido. Seria Outono?


Dias 11 e 12


11º dia: Trânsito caótico em Londres. Um inferno ao longo do percurso no number 7.
Portobello Road Market é um mundo dentro do mundo que é Londres. Lojas de bijuteria, antiguidades, artesanato, roupa em 2ª mão e a fashion contemporâena, legumes, fruta… e as cores garridas, a atmosfera descontraída… só faltava esbarrar num Hugh Grant a sair de um alfarrabista e ouvi-lo dizer, no seu cristalino sotaque inglês, “I’m sorry…”
Depois de um Museu da Ciência pouco cativante, nada como percorrer as ruas, ver de perto a respiração londrina, a azáfama de uma grande cidade…
E tentar comprar os souvenirs da praxe… para fechar o ciclo londrino.
12º dia: Novo dia, nova volta. Mais para norte: Oxford. Circular Londres é moroso e difícil: por incrível que pareça as auto-estradas são povoadas de rotundas.
Em Oxford foi difícil estacionar: barras contra as AC e estacionamento para residentes. Um polícia indicou-nos um Park&Ride ao lado do Ice Rike (Oxford – N51.74858 o W001. 26587 o )
Era domingo, os “College” estavam quase todos fechados, para celebrar casamentos…
(como este…)
O das filmagens de Harry Potter também (Church College), espreitámos porque o guarda, de amplo sorriso dourado devido a alguns dentes de ouro, nos deixou “to have a brief look”.
(o quad de Church College, um dos colégios maiores da cidade)
A cidade pululava, mas certamente que respirar o seu ambiente estudantil deve ter outras épocas mais aconselháveis do que Agosto… Para nós foi uma leve incursão.
Por isso, decidimo-nos por Stratford-upon-Avon, um pouco mais a norte.
Riverside Coach& Car (6,70£, 24 horas), onde estavam mais duas AC.
A vila, segundo o guia “À Descoberta de Grã-Bretanha”, pode ser uma desilusão, mas tal opinião não foi por nenhum de nós partilhada. Nem de dia, nem de noite. Após Londres e por todos os contrastes, é um destino sempre a eleger. Acho que nos deixámos contaminar pelo espírito shakesperiano…
De noite e de dia.

Dia 10 - Londres

10º dia: Mais museus


Evidentemente que Pablo Picasso não estava em Londres, tudo não passa da ilusão ceráfica do Madame Tussaud’s onde fui com as crianças, apesar dos preços astronómicos (25£ adulto, 21£ crianças). Tal como imaginava, a experiência é vulgar e um pouco deprimente, mas “se não fossemos nunca saberíamos” e acabámos por nos distrair fazendo como os “romanos”: tirando fotos e rindo alto, como se fosse uma surpresa alegre estar ali a conviver com estrelas.Descanso merecido no Regent’s Park, um jardim muito mais fabuloso do que Hyde Park. Os esquilos fizeram-nos companhia ao almoço.
Ponto alto do dia para quem, como nós, é fã incondicional do enigmático Sherlock Holmes: visita ao seu Museu, em 221 A Baker Street. Certamente que um dos poucos museus por essa Europa fora onde se pode andar sem vigilantes e mexer nos adereços. Chapéus de época, cachimbos, livros, o violino do detective, em tudo se pode tocar e usar.
Não saber onde acaba a ilusão ou começa a realidade é a sensação que nos domina, como se fosse uma cócega simpática ou um afago… é reconfortante.

(Os funcionários trajados à época)
Em Regent’s Garden (a uns metros do Museu), para repousar e sentir o perfume de outras eras…


Dia 9 - Londres

9º dia: Depois de termos reservado lugar noutro camping mais perto de Londres (Crystal Palace), mudámo-nos para lá.
Camping menos interessante do que o outro e ainda assim, longe do centro. Até Londres apanha-se o bus 3 e é uma hora ou mais de viagem (dependendo da hora e do trânsito). Mas tínhamos finalmente a possibilidade de ver London by night.
Hoje foi um dia consagrado a alguns museus, como o de História Natural.
E depois do lado histórico-cultural, o comércio em Oxford Street e Harrod’s (só uma espreitadela no mundo dos magnatas…).
A parte mais interessante do dia foi a ida a Hyde Park. Era suposto descansarmos no seio daquele imenso verde, mas demos de caras com uma brincadeira de negros (molhavam-se e molhavam os transeuntes com pistolas de água) que quase acabou em prisões: os polícias chegaram, os negros fizeram uma barreira e houve direito a palavras de ordem menos “polite” , a reforços com cães-polícias e identificações.
A confusão terminou em Speaker’s Corner, onde não pudemos ver o habitual orador pregando em praça pública.
Regressámos a Oxford Street. Depois Regent Street, Oxford Circus…

Dias 6 a 8

6º dia:
Partida para Londres. O parque de campismo que seria, eventualmente, mais perto do centro estava cheio. Dali, tivemos de fazer mais uns quilómetros, novamente para sul, até Red Hill, camping Alderstead Heath’s

Todos os campings em Inglaterra fazem parte do Caravaning Club. Paga-se uma parcela (“pitch”) que inclui, no caso, a AC, as pessoas e luz. No entanto se não se for sócio do Club inglês, paga-se o dobro da quantia mencionada no “pitch”.
Esta informação tinha-nos passado despercebida quando consultámos os sites.
Fica, portanto, muito caro. Com a desvantagem deste parque ficar a 3 Km da povoação onde se apanhava o comboio para Londres. Até a essa povoação temos de ir num mini-bus (partida: às 9.00, chegada: 20.00).
Perante tais horários, não pudemos ir à capital, pelo que aproveitámos o parque (que era lindíssimo), o descanso e lavámos roupa.
Jogo de xadrez gigante e até uma mãe e filhas raposas:



7º dia: finalmente Londres, depois de muita espera no parque para conseguir lugar no autocarro. Eram muitas turistas e poucos lugares, tiveram de fazer três viagens. Só chegámos a Londres às 10.30.
Londres é um mundo. As imagens falam por si…
(1ª visão depois de sairmos do metro: Tower Bridge)
(casa da Rainha na Torre de Londres)
8º dia: Arrefeceu durante a noite, incrível: menos 10º do que ontem. Voltámos a Londres, claro, desta vez mais cedo. Primeiro ponto: Big Ben. Depois os arredores: Houses of Parliament, Westminter Abbey.
Às 11.00 o render da guarda na casa deles:

Às 11.30 era o render da guarda em Buckingham Palace e os turistas invadiam o local. A polícia cercava o local, mandando-nos andar - “keep walking”-, gritavam para não pararmos em frente aos portões reais.

Não vimos a rainha, mas vislumbrámos o Prince Charles e sua amada Camila a saírem de St. James Palace, de carro.
Os pés já latejavam, o descanso foi bem merecido em Trafalguar Square junto aos leões, devorando fish&chips e comida rápida de supermercado (cadeia Tesco – às vezes há promoções matinais que se engolem). Tempo para uma espreitadela rápida pelas salas impressionistas e Vermeer na National Gallery.
Outros locais visitados:

(Picadilly e a sua animação diária: um “fakir” em andas-escadas, ou seriam escadas-andas??!!!)

(China Town, of course!)

(Waterloo Station, para reviver The Bourne Ultimatum)

Dias 1 a 5

Verão 2008: Inglaterra e Bretanha
De 22 de Julho a 16 de Agosto
Total Dias: 25


1º dia: como já vem sendo hábito, fizemos quase uma directa até à fronteira francesa, para depois estacionarmos e dormirmos descansados em Bidart (N43.43780o W001. 58730o ). Às 20.30h já lá estávamos e, como sempre, o parque de estacionamento estava cheio, até porque havia um espectáculo de pelota basca no recinto de festas. Pode-se sempre jogar uma partidinha de mini-golf, mas chegámos lá depois das 23.00 e já não deixavam entrar.
2º dia: Estrada, estrada, estrada… desde as 11.00, para pararmos por volta das 18.30 em Chinon. Ville fleurie, como lhe apelidam os franceses no roteiro Michelin (já não muito recente). É uma vila pacata, à beira-rio, com um castelo medieval.
(Vista do soberba do elevador: os telhados de ardósia).
Dois parques de estacionamento onde havia auto-caravanas (AC): um perto do castelo, o outro na Place Joanne d’Arcê. Estacionámos no primeiro e pernoitámos no segundo, já que era à beira-rio e a paisagem era mais serena.
Overnight: Place Joanne d’Arc (W.C., water, eau)
(No centro da vila algumas casas revestidas a madeira, já a evocar Inglaterra).
Ao que parece, foi em Chinon que Joanne d’Arc convenceu o delfim Carlos a deixá-la comandar um exército contra os ingleses, que então ocupavam a França.
3º dia: Afinal acordámos dentro do mercado de Chinon: mercado de roupa, sabonetes, cebolas, flores, sapatos… de tudo (felizmente a ASAE ainda não chegou a França…).
Viagem longa até à fronteira (Calais). No cais de embarque há um longo parque de estacionamento (estava cheio de AC). Comprámos bilhete para o dia seguinte e decidimos descansar. (O preço do bilhete oscila dependendo da hora e, atenção, as diferenças são bem grandes).
4º dia: Optando pela partida às 6:15 poupámos mais de 30€ (AC, 2 adultos, um jovem de 15 e uma criança de 9, pagámos 79€).
Acabou por ser divertido acordar cedo e logo cedo sermos revistados por dois polícias ingleses que queriam ver “the other two”. Esses dois estavam ainda em pijama, olhando estremunhados a “cena” bizarra que quase os acordava. O cruzeiro na P&O revelou-se inédito: era a nossa 1ª vez e tudo nos parecia outro mundo, incluindo os teenagers ingleses que falavam inglês numa velocidade de 33 rotações...
(Foto com o telemóvel, porque com a excitação até nos esquecemos da máquina na AC.
Ao fundo Inglaterra!!! Um monte branco de pedras, visão inesquecível!!!)
Pé na estrada (atenção! Do lado esquerdo!!!) até Canterbury, o um dos poucos locais ingleses onde há um parque de estacionamento que recebe AC. É um Play&Display: paga-se 2,50£, estaciona-se e vai-se até ao centro da vila num bus.
Nós fomos de bicicleta, mas o percurso de regresso não era propriamente como na Holanda…
Canterbury ( dos Canterbury Tales) é uma cidade simpática, antiga, de estilo medieval e vitoriano. Como tudo em Inglaterra, é preciso ter dinheiro para ver. A Catedral é um desses locais e, para início de festas, limitámo-nos a ver de fora e a espreitar.
(Catedral)
A cidade é ainda atravessada por um rio e, à semelhança de Veneza, tudo é pretexto para um passeio de barco.

Entre algumas indecisões, acabámos por decidir ir ainda para sul. O alvo era Brighton, mas o caminho foi mais longe do que tínhamos previsto, sobretudo porque as estradas mais rurais levam tempo…
Em Brighton seguimos as indicações dos sites consultados: (http://www.ukmotorhomes.net/ukaires.shtml e http://rutgerbooy.nl/Wildcamping_page_1.htm), mas sem coordenadas foi difícil encontrar o sítio onde eventualmente estariam AC. Brighton é uma cidade balnear, repleta de grandes mansões e hotéis, largas marginais pouco amigas de AC.
O sítio era uma ínfima rua mesmo em cima da praia Brighton&Hove, frente ao parking Alfred, interdito a Ac devido a uma barra de altura.
Na rua estavam 2 ou 3 carrinhas e disseram-nos que era seguro; a polícia passou e nada disse. OK.
A praia, de cascalho, as longas filas de barracas coloridas, os pic-nics na praia ao luar com barbecues portáteis… tudo respirava um outro ar, como se estivéssemos de repente em Reviver o Passado em Brideshead, ou seria A Mulher do Tenente Francês?

(ao longo da praia)

Brighton começou a fazer parte dos roteiros balneares a partir do momento em que um médico do séc. XVIII se lembrou de aconselhar água do mar para uma série de maleitas. Com a construção de casas estilo regência ou jorgiano, aquilo que era uma simples aldeia piscatória, tornou-se o espaço da elite e o local balnear da moda.
5º dia: Partimos do lado oeste e fomos estacionar do lado este, ao lado das mansões (com ticket, claro!). A cidade é de facto fantástica.
Pontos de visita obrigatórios: o Brighton Pier (local de diversão, com máquinas de moedas – até as crianças jogavam - carrosséis, cartomantes, chaisses-longues de aluguer para apanhar sol...










a oriental mandada construir pelo príncipe regente (futuro rei George IV), que funcionava como sede da sua intensa vida social.
Agora, as pessoas (de todos os cantos do mundo; de todas as idades; de todos os géneros) deitam-se na relva, sentam-se nas cadeiras de lona às riscas, conversam, fazem um pic-nic ligeiro (como nós que almoçámos fatias de pizza). E apetece sempre ficar mais um pouco…


Umas ruas mais acima, o ambiente é outro: feiras da ladra em ruas estreitas e coloridas, lojas de artesanato completamente diferentes do usual, gente jovem, um novo mundo...
The Lanes é a continuação de lojas interessantes (mas mais caras) e de um colorido alegre e contagiante.
À tarde procurámos estacionar em Madeira Drive (uma espécie de passeio marítimo), mas havia poucos lugares e uma caça à multa voraz. Percorremos um pouco da costa (muito difícil estacionar) e decidimo-nos por Lewes, uma pequena cidade, simpática e acolhedora. Fizemos um belo passeio à beira-rio, a pé.
Noite segura e silenciosa, sozinhos num parking, nas traseiras da igreja.


quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Lago do Alqueva em meados de Setembro


12, 13 e 14 de Setembro

Impressionante. É de facto o maior lago artificial da Europa, de tal modo que aquilo que era agreste, dourado e seco, é simplesmente azul.
Começámos por Monsaraz.
A vista das muralhas para o horizonte é essa: um vasto manto azul. Eram as festas da vila (touros, garraiada pela rua principal, música). Enfim, uma má noite para dormir naquilo que seria idílico noutra ocasião mais silenciosa.
Monsaraz tem estacionamento para caravanas e pode-se pernoitar sem problemas. (Overnight: quiet, tranquille). Água num dos parques de estacionamento (um bebedouro). (Water, eau).
Marinas e cais é o que não falta… A caminho para a Marina da Amieira, ainda é possível “acampar” no Cais de Monsaraz.

O nosso destino era a Marina da Amieira para assistirmos à “II Prova de Águas Abertas de Alqueva”, no domingo de manhã. Mas decidimos aproveitar o sítio desde a véspera. Como é novidade, havia muita gente, mas o espaço não deixa de ser fabuloso: muita água para contemplar, pescar, tomar banho (a temperatura estava agradável) e sempre a hipótese de um passeio pelo Alqueva num dos passeios (cruzeiros!) de barco do local (reserva no próprio dia). Também há a hipótese (a avaliar pelos preços, só para alguns) de alugar um iate e passar lá o fim-de-semana, com cama e “roupa lavada”.
Com o cair da tarde começou a instalar-se o silêncio e, durante a noite, completamente sozinhos, dormimos acompanhados de um silêncio ensurdecedor.
Overnight in Marina da Amieira: absolutely fantastic! Très agreable! Comple
tly silent! Silence absolute!
No domingo, as ditas provas: a equipa que apoiávamos (Aminata) não ganhou muitas medalhas, mas portou-se bem. O mais espectacular foi ver as águas cheias de toucas deslizantes de várias cores, quais pequenas bolinhas coloridas a enfeitar as águas.