terça-feira, 17 de março de 2009

Sol! Sol! Sol!



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Apetece praia, apetece rolar, apetece autocaravanar. A Páscoa está para breve, resta saber se o sol continua a chamar-nos, a aquecer-nos, a Estar.
Contudo, com ele ou sem ele, já tivemos umas boas Páscoas. Quase todas com destino a Espanha, com sol, com chuva, com neve e sempre, sempre na peugada da procissão, umas vezes desencontrando-nos delas, outras perdendo-as, por motivos como por exemplo, a chuva.
A Semana Santa em Espanha, quer se seja crente ou não, acaba sempre por exercer aquele fascínio. Visto de determinado prisma, é um espectáculo - como já o era no Barroco – de luz, som e cheiros: das pessoas perfiladas a olhar, das matronas envoltas em xailes, dos andores de toneladas ricamente ornamentados, dos Santos sofredores, dos encapuçados assustadores, dos cheiros de torrão, amendoins e cerveja a conviver com o incenso e as velas…
Em 2004 (mais precisamente a 7 de Abril, numa noite maravilhosamente amena de primaveril, depois de termos passeado durante o dia em Cáceres), decidimo-nos à noite por Trujillo.


(Fotos de outra Páscoa em Trujillo, sem sol...)




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O embate foi tão forte que, sempre que possível (por exemplo, a caminho de Madrid), fazemos desta simpática vila paragem obrigatória. A praça principal estava ruidosamente animada, como só os espanhóis conseguem. Assim o estava porque nos cafés das suas esplanadas (onde se comem uns revueltos com esparregos divinais!), todos se preparavam para ver a procissão passar. Só que a procissão não só passa, como Está. Numa volta rectangular, cada congregação sai dum canto da praça, e em cada um deles, uma matrona que vai no desfile, entoa um magnífico cântico, que ecoa como se usasse microfone …e do outro extremo responde outra voz sopraníssima… Certamente que como esta, poucas procissões haverá.
Nessa Páscoa, percorrendo a zona de LA Vera, descobrimos ainda outras tradições cristãs: em Valverde de La Vera, as ruas vestem-se de enfeites para que a Nossa Srª receba Jesus, noutra localidade (?), onde não chegámos a ir, Cristo é personificado por um homem que caminha praticamente nu, com uma cruz às costas (a festa chama-se Empalao).


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Outras procissões, sempre recomendadas por qualquer guia espanhol, são por exemplo em Toledo. Em 2005 estivemos lá, e durante toda a noite, desde o fim da tarde, que o mundo todo se concentra por aquelas ruas, em magotes apertados ou sentados em bancadas, nas quais se paga bilhete.



(Toledo: ao lado da muralha, sem proibições...)


(Toledo)




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Em Granada (2002) o mesmo, correndo-se o risco de os autocarros atrasarem horas e horas e de nunca mais se chegar ao Camping (creio que o mais cómodo em Granada é mesmo pernoitar no Camping “Sierra Nevada” - é pequeno, mas cómodo e simpático).
Em 2006, em Sevilha passámos ao lado da procissão, mas já se sabe que aí a tradição é de peso!

(Sevilha)
Optámos por conhecer outra tradição, num Domingo de Ramos, em Chipiona (ao lado do mar). Ao som dos sinos das 10.00 fomos comprar pão e acabámos na Igreja Maior. Toda a população acorria ao chamamento, em busca dos ramos de palma e oliveira, alguns são benzidos pelos “donos” na pia da Igreja. Os andores descansam nas capelinhas, para a próxima procissão e são gigantescos!!!





(Chipiona, matriz)

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Em Ronda (vila monumental e invulgar, a não perder!!!), quando chegámos tinha passado a procissão, esperámos pela próxima , choveu e foi cancelada, aguardámos pela seguinte – caiu um dilúvio … não vimos nenhuma… acontece.



Ronda




-->Em 2007, já escaldados de nos desencontramos dos eventos, aprendemos a perguntar aos espanhóis os horários. Em Zafra, assistimos também à bênção dos ramos no Convento dos Remédios e uma pequena procissão, nada comparável à monumentalidade de Toledo ou Granada.

Granada


Granada , à espera dos andores para os carregar... na cabeça...



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Em Córdova, com chuva ou sem ela, as procissões esbarravam connosco, desta vez com bastantes confrarias que levam horas e horas a desfilar. Depois de tantos (des)encontros e bátegas de água, o melhor mesmo é escolher-se uma só procissão, fixar o itinerário nesse ponto, esperar e ver, uma vez!



Córdova







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Acima de tudo, mesmo sem procissões, Espanha – especialmente com sol – nos gusta!




quarta-feira, 11 de março de 2009

Lida doméstica em AC




Um dos aspectos que volta e meia incomoda e até agora não soubemos como resolver, é o mau cheiro do depósito de águas sujas que penetra no interior da casinha. Experimentámos lavá-lo com lixívia, despejando para os canos um bom pedaço do dito líquido.
Um companheiro em Porto Côvo aconselhou-nos a não repetir, dado que a lixívia é corrosiva e sugeriu-nos um produto de limpeza próprio para o efeito. Experimentámos, mas não resulta: disfarça o odor, mas não nos parece que lave adequadamente. Na net , até agora, não encontrámos outras soluções.
Deixamos aqui o apelo: quem tiver uma solução mais milagrosa que dê pistas.
Obrigada.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Uma voltinha pelo Oeste (Carnaval 2009)





Às vezes até para passear é preciso inspiração, pois não vale a ideia de que qualquer sítio serve. Às vezes depende do estado de espírito, de com quem se vai, da aura, sei lá…
Certo é que desta vez não havia um sítio especial, tanto podia ser a norte como a sul, e nem tanto, porque à partida seria sempre acima de Lisboa e provavelmente só até ao Porto.
Lisboa, por contingências familiares, foi o primeiro pouso. Umas horas de convívio com um velho amigo e tudo a propósito de um certo jogo que, contrariamente ao futebol, levou à derrota do Sporting, o que é sempre bom de se ver.






Por falar em maré de amigos, optámos por fazer a ronda indo até à Figueira da Foz, pescando uns para o resto dos dias de passeio e apanhando, por tabela, um Carnaval nada português e muito menos brasileiro. É assim como que “um metade em um”, já que não deixando de se ser português (com pouca vivacidade e alegria) se tenta imitar o Brasil do lado de fora (nos trajes – ou melhor, poucos trajes – e na música de fundo. Para compensar a falta de qualquer coisinha, havia sol. Havia ainda um Parque das Gaivotas repleto de dezenas e dezenas de AC, o que me fez interrogar os meus botões: “Com tanta depósito e sanita química, e sem torneiras ou despejos perto, onde vão tantas despejar o que não pode ser ali despejado?”


(Parque das Gaivotas, Fig. da Foz)




Quanto a nós, optámos não pelo norte, mas pelo sul, porque os dias disponíveis já estavam em contagem decrescente. Assim, despejámos na zona para AC na Batalha, já que o propósito era histórico e cultural: Santa Maria da Vitória.
Antes porém, porque a hora e as barrigas o ditavam, com ovos e espargos, ali mesmo celebrámos um belo e verde petisco. Ficou-nos a dúvida: será por alguns considerado acampar ou pic-nic ilegal? Assim, para que não haja melindres, deixo à escolha duas opções:
Opção a)


Opção b)





Feita a visita histórica às paredes do passado, umas perfeitas outras ainda imperfeitas, continuámos na mesma onda, num desviozito a Porto de Mós, ao altaneiro castelo que, no topo da colina, mais parece de fadas ou de ilusão. A subida não nos valeu a entrada, já que em Portugal se fecham as portas em vez de se aproveitar os poucos recursos turísticos que possuímos. O castelo “da lego” pousou para a foto e, depois de um refrigerante na esplanada ao lado do rio Lena, lá partimos, para passar a noite, em direcção à Nazaré.


Mosteiro da Batalha





(Porto de Mós)




Do alto da estrada logo vimos algumas dezenas de AC em parques de estacionamento (perto dos Bombeiros) e estacionámos para ir ver o pôr-do-sol no mar. Nazaré animava-se com outras vestimentas: rapazes e raparigas, homens, mulheres e até idosos, em esplanadas, pela marginal, nas ruelas labirínticas do povoado festejavam o Carnaval, de modo natural, todos envergando outras peles. Regra geral, o sexo masculino alegremente vestindo-se do belo sexo, com saias e rendas da Nazaré. Outros com máscaras mais para o veneziano, outros com um chapéu ou uma veste longa, ou um casaco mais extravagante, ou até de Nazareno, só lhe faltando arrastar a cruz pelas ruelas íngremes.
O espírito era pois de alegria generalizada e como se estivessem todos a preparar-se para qualquer coisa. Nada programado, mais espontâneo do que uma hora marcada de desfile, totalmente diferente de escolas de samba ou dos nus de collants entre o frio português e o quente do Brasil.
Turistas e sem máscara preferimos rendermo-nos à boa mesa do restaurante Ti’ Adélia, saboreando o bom pescado nazareno.
Depois de uma noite dormida aos soluços, graças ao alarido das noitadas festivas dos mascarados, lá nos dispusemos a ver de perto, via teleférico, o sítio que deu nome ao dito cujo. Já que o castelo fechado de Porto de Mós, do qual foi alcaide D. Fuas Roupinho, tinha sido vislumbrado na véspera, havia que ir quase ao desfecho da história do herói lendário, quando esteve prestes a despenhar-se no vazio azul, não fora o milagre da Santa.










Dali saímos reconfortados, depois da descida a pé até à vila, para nos reencontrarmos com o resto do grupo (que viajava em carro), em S. Martinho do Porto. Só depois de almoçados e já em Óbidos, é que nos apercebemos que, só por uma unha negra, é que não havíamos sido assaltados. A fechadura do lado do condutor estava forçada, algum amigo do alheio havia tentado entrar na casa que não lhe pertencia. Feitas contas e análises quase que chegámos a uma conclusão, sendo o balanço muito feio já que pintava de negro o estacionamento na Nazaré. Felizmente que o epílogo se ficou por uma fechadura… fechada, mas que leva a pensar e a temer, leva…
Em Óbidos a vila preparava-se para o Festival de Chocolate, e como sempre, as ruas enchiam-se de turistas. Breve espreitadela à muralha e partida para as Caldas, onde não resistimos ao apelo da Sétima Arte. Em boa hora vimos o nomeado “O Estranho Caso de Benjamim Button”, uma adaptação de um pequeno conto de Fitzgerald, que vai mais longe que o livro. www.benjaminbutton.com
O argumento prende e a estranheza do tema leva-nos a questionar o que é isto da vida, do passar do tempo, do caminhar para a morte. Os efeitos da caracterização também dão que pensar, ver o Brad Pitt mais jovem ficou-me a martelar durante uns dias…








Apetecia ficar mais uns dias… para despedida, soube bem o descanso nocturno na Foz do Arelho e o passeio matinal até à beira-mar… apetecia mesmo ficar mais uns dias.



(Foz do Arelho)




sábado, 28 de fevereiro de 2009

Astúrias, reino da criação dos sonhos (Agosto de 2004)





Foi a nossa 21ª viagem, mas deveria ter sido a primeira, já que foi lá que nasceu o sonho de viajar de casaascostas, em cima de umas rodas que nos levassem a ser donos de um quintal, mata, praia, relva ou passeio, a norte, sul, este ou oeste, consoante a brisa, o sol ou outras estrelas.




3 de Agosto
Primeira paragem em Candeleda, pueblo típico espanhol, da província de Ávila, Castela e Leão. As ruas típicas, as portas largas, o micro-clima, o ar puro da montanha que escorre neve e ar fresco pelas ladeiras de pedra, tudo tem um toque que convida a ficar, o toque especial de La Vera.
Pernoita em Salamanca no camping de sempre, para um relax na piscina e um passeio nocturno à cidade imponente e viva.
4 de Agosto
De Salamanca a Arenal de Moris, uma directa amena e nas calmas. Optámos por um camping, onde uns amigos (os mesmos da tenda da viagem a França/Alemanha) já esperavam por nós.
Chovia, o que no seio do verde asturiano (e com um misto de arturiano celta) não admira. Apesar da chuva, o parque estava quase esgotado (de tendas e caravanas, porque a nossa AC era exemplar único). Ficámo-nos por uma tarde de lazer doméstico, à volta de jogos familiares e à noite um jantar místico, com delícias regionais e grelhados e regado com sidra, claro. Os nossos “conterrâneos” já haviam chegado há uns dias e o homem da família já tinha um curso intensivo prático de como vertê-la para os copos (deve-se verter com o braço bem no ar e o jorro deve atingir o centro copo numa distância sensivelmente de 1 metro).
Arenal de Moris é um lugarejo numa ponta longe de tudo, onde a terra acaba e o Atlântico se espraia, fomos lá à noite espreitá-lo.
A praia é fabulosa, uma extensão de areia e de mar dignas do nome e, sempre a acompanhá-la, ao lado ou no topo das íngremes penedias, belíssimas alcatifas verdes quase a entrar no mar.
5 de Agosto
Três de nós, afinal cansados da viagem da véspera, decidiram conhecer os arredores,
enquanto os restantes (cansados da pasmaceira da chuva e, por isso, cheios de energia) partiram para o célebre passeio pedestre da Ruta del Cares. Uns meros 13 km a pé, que os fez partir cedo e regressar por volta da meia-noite, depois de terem passado por tonturas, pés doridos e mais de 200 km por serras (de carro, óbvio!). Mas vinham felizes…



(Ruta del Cares)





Enquanto isso, o trio andou nas calmas em Lastres, pequeno pueblo piscatório, onde saboreou, no porto, umas gambas al alhinho e por Ribadesella, a vila anfitriã do campeonato internacional de canoagem, que se preparava para receber os milhares de turistas que dentro de horas invadiriam hotéis, pensões, campings, terrenos, estradas e até rotundas…
(Lastres)
6 de Agosto
Já ambientados à zona, deu para perceber que a estadia no parque não nos trazia mais ou menos regalias, por isso, sempre com a vantagem de se poupar dinheiro, estacionámos na falésia em frente ao camping e com vista grátis para o mar.
E foi no mar que passámos a manhã, incrivelmente mergulhando em águas muito menos frias do que aquilo que as más-línguas apregoam. O mar de Porto-Côvo não apresenta grande diferença, talvez mais frio do que aquele se apresentava.
À tarde, passeio cultural pelo Museu Jurásico, felizmente sem incidentes que fizessem justiça ao nome inspirado no filme.
Era véspera do campeonato de canoagem e sabendo de antemão que o trânsito ia ser tudo menos fluído, decidimos procurar um poiso para dormir, perto do rio, para que no dia seguinte desfrutássemos da passagem das piraguas, de máquinas fotográficas em riste para a reportagem. Mas se a ideia era boa, outros devem ter pensado o mesmo. Foi quando constatámos que residentes alugavam parcelas em terrenos particulares por preços exorbitantes (15€ numa relvita de um quintal e 30€ num camping improvisado com WC de plástico)e que malta menos abonada montava tendas até em rotundas, à beira das estradas. Em Arriondas, local de partida das canoas, era impossível. A meio do percurso, entre Arriondas e Ribadesella, quase à beira da estrada, havia um pequeno eirado ao lado de uma capela e foi lá que ficámos, ao lado de uma AC madrilena de família simpática com quem ainda jogámos raquetas e petanca. Dormiu-se mal com o barulho da estrada sempre em movimento.
7 de Agosto
Às 9.30 os nossos amigos portugueses já estavam a tomar o pequeno-almoço connosco, para irmos marcar lugar à beira-rio, com umas toalhitas de praia a ver a procissão passar.
Foram mais de 700 pirogas, com gente de todo o mundo, uns em grupo, outros sozinhos, uns dentro das canoas, outros a empurrá-las ou a perdê-las, outros com elas à cabeça. Um espectáculo único que, sem dúvida, merece ser visto.









Depois do esforço (só de ver!) e de um banho em família com alguns em cuecas, nada como um almoço verdadeiramente asturiano: fabada e javali, em Infiesto.
Infiesto tinha sido, há uns anos atrás, a aldeia onde tínhamos alugado uma casita rural, com uns quantos amigos no tal passeio onde o sonho nasceu.
Nesse ano tinha recebido uma feira medieval espantosa e, incrivelmente, embora com menos qualidade, naquele dia havia algo do género.






Demos ainda um salto a Nava para visitar o Museu de Sidra.
Pernoita no mesmo local, em Arenal de Moris.
8 de Agosto
Mais uma manhã na praia com banhos e construções na areia. A chuva, de vez em quando, espreitava e borrifava.
À hora de almoço ficámos sós, porque era hora dos nossos companheiros regressarem a casa. Para nós era apenas o início das férias.
Voltámos a Ribadesella, mas os resquícios da festa não eram muito simpáticos: lixo por todo o lado, especialmente garrafas. Ainda tentámos visitar a Gruta de Tito (por aquelas bandas é normal a proliferação de “cuevas”), mas estava fechada.
Partimos para Cangas de Onis, berço de Pelágio e da reconquista cristã. Pela segunda vez na vida, ali, tivemos de comprar capas de chuva, o que nos fez con, cluir que Cangas sem chuva, não existe.
À noite, a chuva (e o frio) continuaram, mas mesmo assim procurámos um restaurante de comida regional e provámos fabas com almejas. Contrariamente à quase restante Espanha, este reino é pródigo em boa comida.
A pernoita em Cangas tem um local próprio para AC, com as comodidades básicas (5€).
9 de Agosto
Passeio incontornável a Covadonga. Visita à gruta de Pelágio e à basílica. Quer se queira quer não, surge sempre a recordação e, com ela o respectivo momento narrativo aos mais novos, da história de “Eurico, o presbítero” e a sua Hermengarda, do velho Herculano.





Dali, visita aos lagos, para homenagearmos o local onde o sonho nasceu.
A sensação das alturas, do verde e das vacas, da canção do silêncio, das manchas castanhas por cima daquele verde imenso, dos pastores sem vacas e das vacas sem pastores, ali ao nosso lado….é irreal. Ficava-se ali uma eternidade se não fosse a parvoíce de estarmos quase sem água e, apesar de haver um parque de estacionamento próprio para AC, este não ter água.
Descemos a Cangas para dormirmos no mesmo local, o que implica que ainda temos de voltar aos lagos para pasmar uma ou duas noites no breu do silêncio montanhoso.




10 de Agosto
Uma ideia fixa ia-nos perseguindo desde o início das férias: percorrer o Sella numa das muitas canoas de aluguer da zona. Regressámos portanto a Arriondas para uma prospecção de mercado. É sempre caro, por isso decidimo-nos pela Escola Asturiana de Piraguismo que nos garantia um dia inteiro de aventura, com farnel e regresso ao local de partida num mini-bus e duche nos seus balneários.
Depois de uma lição teórico-prática de “como conduzir uma canoa”, a partida foi às 11.00, numa descida alucinante, madeira abaixo, tipo rápidos. “IUPI !!!!!!”, gritavam os garotos.
Mas cedo verificámos que não era tão fácil assim. A condução entre dois remadores é um baile que exige uma coordenação uníssona, que seria óptima de todos tivessem percebido convenientemente a lição! Até à primeira ponte, a piragua voltou-se várias vezes, foi para direcções indesejadas e, mais à frente, o normal era chocar com as dezenas de outras, igualmente amadoras, que connosco se cruzavam. De fazer subir a adrenalina e as gargalhadas, foram ainda os rápidos que de vez em quando surgiam sem aviso prévio e alguns ramos de árvores que se nos atravessavam à frente, obrigando-nos a baixar a cabeça. É claro que tudo isto num rio com uma profundidade até aos joelhos e com muitas praias para descansar, tomar banho ou almoçar.
Mesmo assim foram entre 14 a 16 kms em 5 horas, o que deu direito a dores musculares e um cansaço de rei . “ Foi giro e cansantivo”, registou o mais novo que pouco ou nada remou, qual príncipe na garupa de um cavalo, a observar a paisagem.
Pernoita em Arenas de Cabrales, num local simpático, mas sem água.





11 de Agosto
Passeio matinal pela simpática aldeia.
Dali a Bulnes não é longe. O objectivo era subir à aldeia isolada da civilização, no funicular de Bulnes. Muita gente, só conseguimos bilhete para as 13.30. Para fazer tempo fomos a pé até ao início do percurso da Ruta de Cares que apenas um da família tinha feito, uns dias antes. O rapaz pelos vistos não se importava de repetir, mas demos só uma espreitadela àquilo que é uma paisagem de respeito!
(Bulnes)
No funicular encontrámos uma velhota da aldeia, de 86 anos, que tinha vindo “cá abaixo” às compras. O único elo de ligação com a dita civilização é aquele funicular, antes dele era o isolamento. Agora os turistas embrenham-se, com as fatiotas e botas Coronel Tapioca por o mundo dos pobres e pastores, com o fito de ver e quase tocar o maior pico de todos, o Naranjo de Bulnes. Eu, sem botas mágicas e pouco amante de subidas, decidi-me por uma espreitadela longínqua e um gelado na única esplanada de Bulnes.




(o famoso Naranjo)





A lida doméstica (roupa suja) exigia camping, daí que insistimos com a recepcionista do C. de Viorno (perto de Potes) que estava esgotado. Acabou por nos instalar ao lado da recepção até ao dia seguinte. Valeu a pena, por apesar disso e do preço, o parque é um mimo, até tem quadros em ponto-cruz para assinalar os diferentes serviços (e muito asseio).
12 de Agosto
Potes é uma vila excepcional para estar e passear. Uma breve ida às compras e até parece que somos naturais “potenses”. Compram-se uns bifes de ternera como não existem em lugar nenhum deste Portugal continental, porque obviamente lhe faltam as abençoadas vacas lançadas todo o Inverno naqueles pastos naturais.




(Potes)




O camping fica no caminho para o Mosteiro Santo Torino de Liebana, por isso, apesar de a nossa religião estar mais próxima da natureza que de qualquer deus ou santo de altar, deixámo-nos encantar por uma missa e visita guiada ao santo Lenho, por um frade residente.
Tarde no relaxe, dividido entre a siesta e a piscina… e o bife no grelhador, claro!






13 de Agosto
De Potes até Fonte De é um salto. Queríamos subir até às nuvens e se há uns anos atrás éramos só três, agora, os quatro, mastigámos todo aquele algodão branco, ainda com mais euforia.







Tal como todos os outros que ali sobem, escrevemos os nossos nomes com as pedrinhas da montanha e deixámos lá o autógrafo. Dos putos para as nuvens.





Dias antes, uns ciclistas portugueses tinham-nos aconselhado Comillas. Demos uma espreitadela. Alguns palácios e uma casa apalaçada desenhada por Gaudi.







No dia seguinte havia um desfile de Carnaval em barcos (?!), mas a estadia não nos inspirou pelo que lá fomos nós ao encontro de uma das mais maravilhosas aldeias daquelas bandas: Santillana del Mar. Em Agosto, o cenário habitual é encontrar-se repleta de turistas, as ruas animam-se, e à noite há espectáculos de música na praça principal.
As AC também são muitas por lá, sendo que particulares vão entrando no negócio cobrando por estadias de uma ou 2 noites, em mini-parques de estacionamento. Por 2€ ficámos num deles.
14 de Agosto
Passeio matinal na vila encantada.






Ida à praia, desta vez Covejos, a conselho dos ciclistas. Boa água, azul, fria. Nudistas.
À tarde, Santander. Passeio à beira da baía e olhadela comercial.
Pernoita novamente em Santillana, noutro parque, por igualmente 2€.
Noite de música popular.
15 de Agosto
Ir às Cuevas de Altamira sem reserva prévia é complicado, assim, a solução foi um de nós acordar bem cedo e ir para a fila. Antes das sete já o homem da casa lá estava, e quando nos juntámos a ele ainda tinha 25 pessoas à frente!
A visita guiada (de apenas 30 min. ) é excelente, vale pelas palavras e pela animação em 3D, apesar de estarmos apenas na réplica da gruta. A original, lá está, atrás de umas grades, fechada.




À tarde novo passeio: o zoo do Parque Natural de Cabarceno. Trata-se de um zoo completamente diferente do habitual já que se pode (e deve) visitar dentro do próprio veículo, dada a sua extensão. O zoo alberga animais selvagens, cada qual no seu habitat, uns distantes dos outros e, nalguns casos, como o dos macacos, é possível tocar-lhes.
Numa das extremidades do zoo há um lago, onde aparcámos e dormimos, isolados, com uma paisagem africana de fundo, porque era perto da zona dos elefantes.





Parte II
Direcção Galiza
16 de Agosto
A partir de agora restavam-nos as imensas praias de toda a costa em direcção à Galiza.
S. Vicente de la Barquera - para uma mariscada que, por acaso, foi um logro.
Llanes - onde não por parámos por ser difícil estacionar, mas afigurou-se interessante.
Pernoita na praia de Esparsa.
17 de Agosto
Ida a Gijon, onde ficámos no Camping municipal de Deva. Tarde a pasmar.
18 de Agosto
Visita ao centro de Gijon: plaza mayor, passeo marítimo e Feira de Muestras das Asturias.
19 de Agosto
(Museu de Salinas)
Almoço em Cudillero, uma aldeia piscatória com as casinhas por uma encosta acima, qual presépio miniatura. Come-se pescado na praça, cada porta um restaurante. Um mercado fabuloso de peixe fresco, onde comprámos percebes. A meio do almoço, caiu uma trovoada que afugentou todos os turistas: “choveu tanto que o chão era quase mar” …
A chuva empurrou-nos pois até à fronteira Astúrias – Galiza. Lá em baixo, no Rio Eo, os barquinhos deslizavam como cascas de nozes. Pisámos a Galiza, mas rapidamente as saudades nos fizeram voltar atrás, a território asturiano. Escolhemos a Playa de Arna onde, no alto de uma enorme falésia estacionavam, coloridamente, dezenas de AC. Cães, cadelas e papagaios de papel coloriam a paisagem. À noite, o vento uivava de forma assustadora, mas pela manhã reinava a bonança interrompida pelo som de uma carrinha que apitava: era a carrinha do pão que vinha a Maomet. Que mais podíamos querer?


20 de Agosto
Playa das Catedrais, porque as rochas formam arcos sucessivos.
Ao longo desta costa não é difícil pernoitar, parar, fazer piqueniques; apesar das vivendas. Há chuveiros e WC.
Escolhemos a praia do Altar, onde almoçámos numa relva frente ao mar.
Depois da siesta, partimos rumo à Galiza, no caso La Coruña, camping Los Naranjos, a fim de recordarmos e jantarmos no restaurante do camping (de 5 estrelas), uma pizza verdadeiramente italiana.
21 de Agosto
Descobrimos que o sítio das Ac, em La Coruña é ao lado da torre romana.
Nada como conhecer a cidade num passeio de eléctrico ao longo do passeio marítimo. A qualquer momento se sai e entra-se noutra paragem, por exemplo, rumo à cidade velha.
Partida para Santiago. Em boa hora chegámos, porque se realizava um Festival de Rua. Passámos a tarde em duas ou três praças, sentados em escadas, a ver espectáculos de mímica excelentes!
Talvez não fosse mau dormir onde estávamos estacionados (parque João XX), mas a intuição disse-nos que não era muito seguro e optámos pelo camping do Monte do Gozo.
Foi pena estar frio, porque no outro dia podíamos ter aproveitado a piscina.
22 de Agosto
A chuva e o ar outonal às vezes tiram a vontade de ficar, daí que começámos a ir na direcção de “casa”. Ainda tentámos parar em O Grove ou Padron, mas nesta última havia mercado e o estacionamento estaca um caos. Se queríamos pimentos tivemos de parar mais à frente, em Villagarcia. Foi a despedida, com a garganta a arder.
Entrámos em Portugal, Vila Nova de Cerveira, para dar de caras com mais uma feira medieval com muitos vendedores espanhóis. Afinal era como se continuássemos em Espanha…
Passeio de burro, uma tenda com chás marroquinos (chá de “merda” e de “erva-bueña” (hortelã), carrossel de tracção à força humana, setas e arcos
Pernoita no parque da estação central.
De 23 a 26 de Agosto
Apesar de estar na hora de regressar a casa, o corpo continuava a pedir adiamentos. Despedir deste 2º lar é sempre complicado, mesmo quando parece que já precisamos de parar e de ter um tecto de telhas.
Por isso, fomos descendo devagar, passando por Mira (onde pela primeira vez apanhámos um susto, com jovens que durante a noite abanaram a casinha). Um salto ainda a Peniche para visitarmos uns amigos e termos o prazer de conhecer a Tasca do Joel.
Passagem ainda pela Ericeira.
Na altura, pelos vistos, ainda era possível pernoitar e estar frente à praia. Mais de 19 AC estavam por lá.
O passeio terminou de forma histórica com uma visita guiada ao Convento de Mafra.