domingo, 5 de julho de 2009

Os nossos vizinhos do lado



Os nossos vizinhos do lado, igualmente autocaravanistas, vão-se estrear além, além-fronteiras até terras de gauleses, franceses, nativos daquela língua que todos nós (nascidos no século passado) aprendíamos como 2ª língua e que agora, coitada, se vê preterida até por a de nuestros hermanos.
Ver o mapa gigante estendido na mesa destes estreantes de casinha às costas, partilhar roteiros e aventuras, aguçou-me o apetite de relembrar e eternizar uma viagem que já ficou lá tão para trás…
Com dois putos criados a ouvir as histórias de sempre adaptadas depois pela Disney, o parque temático francês do mesmo nome era algo que fazia parte dos seus sonhos. Ainda para mais quando os pais, quais criancinhas, o haviam conhecido antes deles e papagueavam, encantados, as delícias que por lá tinham provado.
Não havia pois outra alternativa: quando o mais novo ia comemorar os quatro anos, nada como presenteá-lo com uma viagem inesquecível. Durante dez dias, durante umas férias da Páscoa, ainda também estreantes (foi uma das nossas 1ªs grande viagens além-fronteiras), lá abraçámos França deslizando na nova vivenda.
Lembro-me que o primeiro dia foi uma directa até França para pernoitar em Hendaye, num parque de estacionamento repleto de Ac onde, anos mais tarde, já não era possível a mesma hospedagem.
Havia que devorar muitos quilómetros porque Paris é lá bem em cima, mas muitas horas de viagem não são um aperitivo doce, daí que antes disso parámos perto de Poitiers, num parque baptizado de Saint-Cyr, onde nos instalámos num camping simpático, junto a um lago com “praia” e desportos aquáticos, porque na época éramos tão, tão maçaricos que nem tínhamos percebido que França é o paraíso das zonas para AC! Daí ficou registado na memória gustativa um magnífico crepe au chocolat, num envolvente verde campestre.





Ao terceiro dia chegávamos a Paris preparadinhos para nos instalarmos no camping Bois de Bologne, mas não contávamos com a forte afluência que nos levou a mudar de planos e ter de procurar outro camping, do lado oposto de Paris, numa localidade chamada Tremblay. O camping era ladeado pelo rio Marne e estava infestado de AC italianas. Aproveitámos para um percurso de bicicleta ao longo do rio, deitando olhadelas para os barcos-casinhas ancorados ao longo do passeio.
De Tremblay até Paris ainda são uns gordos, mas fáceis 45 minutos. Fomos no dia seguinte, de comboio, numa visita relâmpago. É claro que Paris não merece que a contemplem apenas num só dia, mas outros dias virão e outras visitas já lhe haviam sido mais dedicadas.
Desta vez ficámo-nos por alguns pontos centrais só para que os mais jovens ficassem com umas luzes da cidade que se veste de Luz: arredores do Centre Georges Pompidou para que penetrassem no ambiente de animação, cor e ecletismo de gentes; Notre Dame da igreja até aos sinos porque o Corcunda era um mito real para o mais novo; Torre Eiffel para que o ex-libris se materializasse. Pelo meio, Quartier Latin para cheirar odores de várias cozinhas, o Seine sempre a luzir e uma chuva miudinha sempre a acompanhar-nos.




Lembro-me sempre que foi em Paris que vi pela primeira vez homens-estátua


E fontes que brincam



E uma livraria com o nome de do Grande Inglês




Seria esta a gárgula que tanto ajudou o Corcunda?






A visita foi breve, daquela vez não havia tempo para mais. Nada de Louvre, nem Orsay ou museu Picasso; nada de Montmartre e Place du Tertre, Moulin Rouge; nada de Champs Elysées; nada de galerias comerciais; apenas uma pincelada de luz ainda assim impressionista.
Finalmente era chegado o grande dia dedicado à infância de todos nós.




Eurodisney, claro!


A lenda do Rei Artur com novos protagonistas.



Espectáculo ao vivo: Pocahontas


Desfile pelas ruas




"-Quero um autógrafo!"


A noite, essa, foi passada tranquilamente no parque próprio para AC da própria Eurodisney.
E como a loucura aniversariante era contagiosa, depois da estrada até Marne la Valée, voltámos em sentido contrário e apanhámos outro monumento à infância e adolescência: parque Astérix, um mundo igualmente delirante de magia e encantamento, sobretudo para o mais novo, claro, para o qual, conhecer o Astérix e Obélix em carne e osso foi um prazer a dobrar.






O enquadramento também é artístico



E também há animações ao vivo



Carros que voam


A aldeia gaulesa


Romanos perdidos



Astérix não é, contudo, muito amigo das AC e depois de um dia esgotante de tropelias e correrias em veículos de 4 rodas, voadores e deslizantes, começámos o percurso de retorno, parando no Loire, em Chateâudun. Às 21,30 o simpático e hospitaleiro guarda-nocturno do camping, abriu-nos a porta e recebeu-nos mastigando. No dia seguinte, um camping caseiro e verdejante sorria-nos, assim como les baguettes debaixo do braço e um paqueno chatêau mesmo ao lado do muro da quintarola.
Era o dia do aniversário e foi passado aos saltos entre verde, pássaros tenores, burros, rios e castelos… com uma espada e capecete iguais aos do Astérix!!!
Chatêaudun é uma vila antiga e o seu Castelo (para nós palácio) é dos mais antigos do Loire. Um pouco de História para finalizar não era uma má prenda.






Para assinalar o dia eternamente nada com um “pic-nic sur l´herbe”sendo o protagonista da toalha um bolo com velas. Os meios eram os que estavam ali à mão de semear, ou seja, um bolo de Páscoa (com sabor a plástico!!!) de chocolate e ovos, do Intermarché mais próximo.





Estrada e costa abaixo, acabámos por entrar quase no mar, curvando pela zona da Baía de Arcachon até pararmos em Pyla sur Mer. Soubemos também na pele que em França as bombas de gasolina fecham ao Domingo e que, sem cartão francês para colocar gasóleo no sistema 24 horas, o melhor é parar e esperar… por segunda-feira.
Pyla são dunas gigantes, pára-pentes, mar azul e bons quilómetros para pedalar bicicletas




Dali a Portugal só para doidos varridos que não têm outro remédio, porque os dias de férias terminaram.



segunda-feira, 15 de junho de 2009

Que brasa!!!



Devido a contingências familiares não houve outro remédio se não ir até ao Algarve. Digo remédio porque tal destino só se escolhe, no seio desta família, por questões climatéricas ou “profissionais”. Foi o caso do grande fim-de-semana de 10 de Junho. Se assim não fosse teríamos optado pelo Norte, sinónimo de fresco, verde e outros pontos de interesse histórico-cultural.
Assim, (e também porque nos foi impossível ir lá durante a Feira Islâmica) ainda tentámos mergulhar no branco mouro das paredes de Mértola, mas o calor exalado pelas pedras da calçada, pelas paredes e até pelo rio, não nos deixaram inspirar devidamente o ar mourisco.
Percorremos os pontos estratégicos: cine-teatro, ermida árabe, castelo, ruas sinuosas e os seus museus (destaque para o edifício da Câmara e o seu museu com exemplares da romanização), para termos de obrigatoriamente parar debaixo de uma esplanada bebendo sofregamente uma imperial, já agora acompanhada de um pratinho de caracóis… Se a zona para AC era aquele terreno debaixo do duro sol, do outro lado da ponte, então Mértola também está a necessitar de uma inspiraçãozinha mais digna de receber AC. Nós optámos pela zona central onde param os autocarros, mas certamente só o conseguimos porque era feriado.

(Ermida árabe)


( o espelho cálido do rio)


(o tempo parado)



Com tanto calor, as alternativas eram poucas, daí optarmos por arrepiar caminho e dar um salto até à praia fluvial das Minas de S. Domingos. O local estava apinhado de gente, uns no banho, outros na esplanada, outros ainda (AC portuguesas e estrangeiras) desfrutando de um campismo pasmaceiro e soalheiro. Alguns autocaravanistas abusavam da sorte do terreno paradisíaco, estacionando na horizontal com vista para as águas… na manhã seguinte, a GNR, de modo “polite”, lá foi pedindo para estacionarem de modo a ocupar apenas um lugar… será que daqui a um ano ainda poderão (poderei) estacionar por aquelas bandas? Não ficámos para obter resposta a tal questão tão retórica e rumámos até ao inevitável, incontornável Algarve.
Durante o grande fim-de-semana e pequenas mini-férias os poisos foram vários e sempre o mal foi o mesmo: muito calor e multidão.
Primeiro, Vila Real de S.to António para um almoço caseiro frente ao rio onde o ferry Espanha-Portugal desliza cima-abaixo, mas a modorra abrasadora fez-nos dormitar embalados pelas águas, veleiros, águas, veleiros… depois de ligeiramente acordados, lá houve tempo para um passeio escaldante na baixa pombalina e para mais uns gelados e sumos e gelos…



(Espanha ao fundo)



Guadiana viajante


Felizmente, ainda deu para um mergulhito nas águas geladas (??!!) da praia de Manta Rota. Estacionamento não é fácil e sinais portuguesmente incorrectos como este abundam:




Apesar deles as AC são muitas e lá vão ficando de dia e de noite. Nós também aproveitámos a boleia nocturna e no dia seguinte novo mergulho. Afinal o esforço não era grande, bastava percorrer a passadeira de madeira, atirarmo-nos para a areia quente e de vez em quando (ou não) mergulhar no mar de sargaços gélido de cortar a respiração.
Para o almoço não houve coragem de permanecer debaixo do sol tórrido e lá partimos para Tavira debaixo da primeira sombra encontrada. Contrariamente aos hábitos de férias de Verão, até partimos rumo a um centro comercial na demanda de ar condicionado, o que deu azo a uma ida ao cinema. Em foco “Anjos e Demónios” que não vi, porque optei por uma sesta suada ao lado do Pingo Doce de Tavira. À noite um passeio na busca da brisa perdida, para depois remarmos novamente até Manta Rota, já que os mosquitos de Tavira , no possível lugar de pernoita , ameaçavam roer-nos até a alma.
No dia seguinte, novo salto para dentro de águas, desta vez menos gélidas. Pudera, o ar pesado e doente de calor persistia.
À tarde, a vida “profissional” lá nos encaminhou até aos ares ainda mais quentes do interior algarvio: Loulé. Felizmente a piscina (naquele dia apenas para atletas) era uma visão refrescante, imagino para quem lá mergulhou... ao que parece com água aquecida…








O fim-de-semana continuava interminavelmente quente, mas promissor em novos destinos. De Loulé mais alguns quilómetros on the road até Portimão.
Ar: trovoada a sobrevoar, céu ameaçador, gotas promissoras, vento tipo furacão na marginal.
Jantar gordo de pizzas na La Gioconda.
O último dia acordava ainda mais ameaçador: um bafo cálido, um céu cinzento. Passeio afinal suado e quente pelo centro decadente de Portimão e almoço consolador com mais elementos da família numa “tasca” onde as sardinhas apaziguam almas.





Regresso a casa debaixo de ameaças escuras mas felizmente sem as receadas filas intermináveis pelo alcatrão afora.
All garve tem tudo a mais… sol, calor, pessoas, estrangeiros, anúncios luminosos, vendilhões… falta-lhe aquele toque pessoal que faria dele Único. A costa alentejana, apesar de, nalguns casos, maltratar os viajantes itinerantes apreciadores do que é mais selvagem e genuíno, é mais All.
All entejo, pois seja!


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Acabou o que era bom


O que é bom, depressa acaba.

Cá ficamos à espera da BIME 2011, na esperança de que as políticas deste país não se esqueçam de que a cultura também é alimento.

Desta BIME guardo as imagens:



(Anima Sonho , BRasil)






(Anima Sonho e a sua famosa Berenice)


(O Homem e o Peixe I e II)



Dragão a lançar fogo num dia de algum fresco e alguma chuva - Bélgica)



Teatr Viti Marcika, R. Checa


Mamulengo Presepada (Brasil)

Ainda este mês Évora será palco da Tradicional Feira de S. João, espaço de lazer, gastronomia de requinte alentejano, artesanato, espectáculos (música, teatro, escolas...)...

mas a minha cabeça já está nas férias...

a carrinha dos checos prova que o teatro se alia bem ao autocaravanismo... e por que não um salto até à República Checa?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Ainda quer mais pretextos?


Num micro palco, com micro bonecos, MicKropodium (Hungria) é uma companhia húngara que deixa sem palavras aqueles que assistem, deleitados, a uma manipulação suave, ímpar, singular.
Mais do que tudo é a poesia dos bonecos e da simplicidade (difícil mestria do marionetista) dos seus bailados.






Ocorre-me sempre, ao ver esta companhia (Los Duendes), que os meus filhos têm crescido a ver os seus títeres doces e fantásticos e os seus “titeriteros” de voz doce e embaladora.





Los Duendes (SP)


Mesmo sem imagens, não posso deixar de escrever rasgados elogios sobre dois espectáculos maravilhosos que, mais uma vez, marcaram a minha memória de eterna apaixonada destas lides.
Um, a demonstrar que o nosso Portugal, nestas coisas de criatividade e poesia visual, não fica nada atrás de grandes nomes internacionais, bem pelo contrário… num país onde a cultura e a educação artística têm sina de ser, ad eternum , parentes pobres, mesmo assim alguns conseguem ser brilhantes. Refiro-me ao Teatro de Marionetas do Porto, ontem em Évora, na BIME, com o espectáculo “ Wonderland". .
Outro, são os imbatíveis nuestros hermanos que, nestas coisas das marionetas, revelam uma aura e talentos especiais. La Canija, companhia espanhola, munida de uma pequena marotte a dançar à sevilhana e a tirar roupa de uma máquina de lavar roupa miniatura, fez as delícias na Sala Estúdio do Garcia. Amanhã vou repetir a dose no Intensidez Biblio-Café, uma livraria-café em Évora que se tem vindo a coser lindamente a várias iniciativas culturais na nossa terra.




(E ainda a Mostra Autobiográfica de Marionetas de um outro mestre português das marionetas: Delphim Miranda)


( E o carrossel Manège Magique, instalado no Largo 1º de Maio , a fazer as delícias dos mais pequenos)

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Cá está o pretexto para viajar até Évora



A BIME teve início ontem, às 17.00 horas.

Os bombos fizeram-se ouvir e a festa começou, guiados pelos anfitriões, Mestre Salas e Padre Chancas.
Desde a sua nobre casa (Teatro Garcia de Resende) até aos Paços do Concelho , os dois personagens gigantões, seguidos pelos animados Gigabombos do Imaginário (mais uma associação cultural eborense a colorir a cidade)e pelos marionetistas, actores e apaixonados pelos Bonecos, foram desfilando e animando o percurso pelo centro histórico e comercial.

"Depois de muitas tormentas aqui está a festa das marionetas":



quarta-feira, 27 de maio de 2009

Que tal um bom motivo para viajar até Évora?


(Rod Burnett, Inglaterra)


Que tal um bom motivo para viajar até Évora? Aqui está ele: a Bienal Internacional de Marionetas de Évora. De 2 a 7 de Junho realiza-se a 11ª edição da festa dos bonecos. Um bom motivo para visitar Évora, cidade Património da Humanidade (e cidade solarenga ), ainda com alguns poisos para AC.
Para mais detalhes sobre o programa das festas, aqui vai o endereço:
http://www.cendrev.com/admin/content/anexos_bime/calendario.pdf
E para aguçar o apetite, nada como recordar alguns espectáculos das edições anteriores.
Los Duendes e Teatro Hugo e Inês são duas das companhias que têm acompanhado todas as primaveras da BIME, desde o seu nascimento. Este ano cá estão elas novamente, Hugo e Inês fecham o festival no domingo, dia 7. Aquela dose de humor negro, na qual lágrimas e risos fazem transbordar o copo do público presente, fazem-nos sempre repeti-la com prazer. Eu, por mim, não me canso de reviver essas sensações/ memórias.




Teatro e Marionetas de Mandrágoa (Portugal)



El Circo Malvarrosa (Espanha)

Companhia Jordi Bertran (Espanha)



TFA (Portugal)



Los Duendes (Espanha)



Teatr Viti Marcika (Rep. Checa)


Anima Sonho (Brasil)

domingo, 17 de maio de 2009

Barcelona é festa








Barcelona tem outras cores, outras formas, outro ambiente, outra vida. Até certos sinais de trânsito são diferentes, reflexo de outro modo de viver, de outra forma de estar.
Em 2004 demos lá um salto, durante umas férias das Páscoa. É claro que daqui até lá, podíamos ter chegado num fôlego de um só dia de viagem, mas naquela vez o objectivo era ir respirando devagar noutras paragens.
Trujillo, já referida de outras viagens, foi a primeira paragem para um almoço tipicamene espanhol (revuelto com esparregos), que se tornou até hoje, num prato eleito desta família, basta haver esparregos, basta haver viagens e apetite. Toledo foi a paragem nocturna para, com vem sendo mania das férias da Páscoa, assistir a uma procissão andaluza. Na altura ainda era possível (agora não sei, mas ouvi rumores em contrário) pernoitar num parque de estacionamento, frente à Estação de Autocarros , naquela noite pleno de AC.
Tínhamos também em mente uma ida a Tarragona, cidade que desconhecíamos, e que se revelou paragem obrigatória. Tarragona é um recuo no tempo até à civilização romana e foi basicamente por aí que nos ficámos: Fórum Romano, Circo, Anfiteatro.





Em volta espreitam imensas praias, nas quais naquela altura do ano não é difícil estacionar e até pernoitar, como a playa Arrabassada. Aí almoçámos nós e apanhámos algum sol, quais lagartos, para acabarmos pernoitando noutra localidade já na direcção de Barcelona: Vilanova i la Geltéu. Na praia de Farol é proibido mas tolerado (expressão estúpida, mas que no panorama geral de discriminação, até é adequada), e foi onde ficámos na companhia de outras, estrangeiras.
Barcelona tem um senão: estar-se seguro e conseguir um local de pernoita. Há sempre a hipótese de ficar num Camping, todos eles com acesso a praias “privativas”, mas quando o objectivo é viver a cidade, não é nada prático, porque ficam longe e são caros.
Muitas AC vão ficando ao longo da linha da praia, no Paseo, mas os lugares são escassos e a avenida barulhenta. Em 2004 tivemos ainda assim muita sorte, porque o parque de estacionamento de Gracias (vigiado e pago) ainda existia. Caro (20€ por dia), mas com segurança. Anos mais tarde, estava em obras e ficámos num outro parque, agora não faço ideia. (ver "Parte II- Mais um castelo"...). Será que já há outras soluções, ou nem estas existem?
Perto de Gracias existe uma paragem de metro, pelo que tudo fica central e de fácil acesso.




Assim que se chega, é-se logo banhado de animação na zona da Sé e, a partir daí, apetece andar a pé e comer tudo com a visão: Bairro Gótico, Ramblas, Cólon, Aquarium, praça da Catalunha. Para cima e para baixo e as horas de um dia não chegam para abarcar tanta diversidade, luz e cor; assim como os pés não aguentam tanto chão, apesar de ali ser quase tudo plano.




(Las Ramblas)



-->Barcelona é também a sua original arquitectura e, claro, Gaudí, sempre a chamar-nos. Como uma visita completa exige bolsas recheadas, o melhor é repetir Barcelona e repartir Gaudí em fatias. Desta vez, calhou-nos a fatia Casa Bartó e a sempre em construção Sagrada Família.





(Casa Bartó)


(Sagrada Família)






Calcorrear Barcelona é também parar para apreciar as suas tapas, em grandes restaurantes onde as ditas cujas nos acenam de umas montrinhas enfeitadas à maneira. O Qu-Qu é um deles ou o Tapa-Tapa, no Passeio de Gracia. Pã torrado barrado com tomate é de comer e chorar por mais.
Outra hipótese mais castiça é dar um salto até à Barceloneta e tirar um petisco num dos bares/ tabernas típicos.
Depois há ainda os Museus: o do Botão, para onde espreito sempre e onde namoro sempre os botões na loja de souvenirs, na mesma rua o “de” Picasso (a sua visita ficaria para outra ocasião, apesar da forte tentação), o de Chocolate, imagine-se!



O sol é outro em Barcelona, em pleno mês de Março/Abril respirava-se Verão. Nada para retemperar energias como um passeio pedonal desde a praia Torres Marfre até H. Ars e Cólon.








Há certas ruas onde apetece ficar eternamente, voltar à direita, ir ao sabor das fachadas, dos ruídos, da sombra, do sol. Na zona à volta do Museu Picasso vamo-nos esquecendo do tempo… Acorda-se depois para “una copa” no bar na Calle Princesa, onde, mesmo lá, se ficamos outra vez, pasmados, a olhar em redor, até para as pessoas que também elas parecem diferentes.





Como acontece muitas vezes em outras cidades, em Barcelona apetece andar sem rumo, sem horários, sem obrigações, invejando quem lá mora e fingindo conhecer todos os recantos, como se lá morássemos há muito. Mas como não somos, e nem um terço da cidade ficamos a conhecer, há sempre mais para a próxima.
Naquela Páscoa foi assim, havia ainda que contar com o caminho de regresso a casa e não queríamos acelerar. Havia ainda mais praias para descobrir e gozar a vida em AC, nas calmas. Deltebre, por exemplo, é uma imensidão de dunas fascinantes ou, num estilo diferente, St. Charles de la Rápita. Aí, já preparados para pernoitar, à hora do jantar, fomos interrompidos pela polícia que nos veio, literalmente, bater à porta. Vinha avisar que não podíamos ali estar. “Onde está a proibição? Somos um veículo estacionado, não estamos a acampar.” Lá fomos argumentando, mas de nada serviu, a força de lei era mais forte com a ameaça de uma multa se ali continuássemos. Um francês ao lado resolveu a confusão, fazendo-nos sinal para o seguirmos e assim, em excursão, lá fomos. Seguiram-nos ainda uns holandeses, e lá fomos, em fila indiana até um recanto ao lado de uma zona residencial, ao lado de uma pequena praia.
Até Toledo, passámos ainda por outras praias como Carret de Berengeure e já mais para o interior, por Sagunt, uma vila romana à espera de muita restauração.




(Sagunt)





Toledo, outra vez, para que o ciclo ficasse perfeito. E para acabar com chave de ouro: Museu El Greco.