sexta-feira, 9 de outubro de 2009

No reino da Dinamarca entre Vikings de tangas


Parte I – A grande cidade
Não estavam à espera que fizéssemos Portugal-Dinamarca-Portugal em apenas 5 dias, pois não? O que implica que fizemos batota desta vez, pois o meio de locomoção foi bem mais veloz, e esta viagem deveria, talvez, pertencer a outro blogue, mas não a outro a outro viajante.
5 dias, 4 noites ( não, não é o livro de Manuel Tiago!), numa grande aventura. Uma aventura dispendiosa para tão pouco tempo, viajada não pelos 4 protagonistas habituais, mas por 41 (às vezes 43)!!!!!!!! Comecemos por Copenhaga.
Habituados a palmilhar e a descobrir com algum tempo, habituados a contar apenas com o clã familiar; viciados em mapas, itinerários, passeios instintivos e sem olhar para quem nos segue, foi difícil gerir tempos e tantas almas, com ritmos e gostos diferentes. Saudades da Casinha? Dois deles nem tanto, os outros dois juraram que Dinamarca ficaria na rota da casascostas para daqui a uns anos, quiçá para o tempo dos “jubilados”…


Radhus


Palco comemorativo do comité aos Jogos Olimpicos

Radhaus (a Câmara), imponente e dourada foi a primeira visão sumptuosa que deu nas vistas, apesar de a 1ª impressão ficar logo associada a um mar de gente, de diferentes estilos e idades, pedalando as suas bikes. Quanto à primeira, tivemos oportunidade de a ver meio oculta atrás de um palco (comité de decisão dos Jogos Olímpicos de 2016) e, dois dias mais tarde, esplendidamente destapada. De noite, de dia.

A Stroget (passeio incontornável em Copenhaga), pela noite, fica-se como o passeio pedonal de poucos visitantes e certamente ainda menos danes. O frio outonal já se fazia sentir, longe dos 33º alentejanos que para trás ficavam. Apetecia um cachecol, umas luvas. Mesmo assim Nyhavn chamava por nós, e foi para lá que quase corremos.
mantas aconchegantes
porto de Nyhavn, o postal de Exª da cidade
O céu, no qual poisava uma lua opaca e redonda, faiscava de azul. As cores, mesmo na penumbra, eram as mesmas das fotos, da net, dos sonhos. O frio, não. Nem o silêncio dos raros transeuntes, longe do bulício imaginado das vozes, e dos pés a refrescar no canal… Nas esplanadas, mantas vermelhas da IKea, à espera de serem abraçadas pelos mais adeptos do ar livre.
O dia acordou chuvoso, com algumas abertas.



o amanhecer visto do quarto


Tempo escasso para ter de optar entre um leque variado de escolhas. Pequena Sereia? Está na China, informou o recepcionista. Ou seria Japão? Christiania ou o bairro gótico?
Percorrendo a Stroget (dizem eles que a maior rua pedonal da Europa), todos os caminhos vão dar a Roma, quer esta seja a City Hall, quer seja Nyhavn. Ou quer sejam outros pontos centrais, fáceis de calcorrear, perto e bom caminho.




Amagertorv (pela Stroget)



Stroget


Torre Redonda


Rosenborg Castle ali estava à mão de semear e já agora uma foto à socapa aos guardas reais, ali ao lado, no Museu Militar.




Rosenborg Castle

Royal Guards

Mesmo ali perto a estação de metro, porque com pouco tempo o melhor é rastejar qual doninha, para chegar ao outro lado do canal.



do outro lado do canal


Christiania fica do outro lado do canal. Uma cidade parada no tempo dentro da grande cidade. E tão fora dela… outros olhares, outros costumes, outro ritmo. Era de manhã, muitos dormiam ainda, mas a venda - legal, claro - de produtos menos lícitos noutros locais, já se fazia. O odor era ainda ténue. Fora isso nada de fotos, a proibição é um aviso repetido, logo à entrada se percebe que se entra noutro reino da Dinamarca, para na saída regressarmos à EU.




entrada

escola


saída

Nos céus o som dos helicópteros. A comitiva dos Jogos Olímpicos contribuía, certamente, para tornar Copenhaga mais ruidosa, menos “quiet.”
Mesmo assim, conseguimos passar ao lado de Black Diamond ( a Royal Library), logo pela manhã vedado aos peões. Estava na hora de almoço da força policial.




canal defronte à Royal Library


outra sereia




casas-barcos

Copenhaga reservava-nos ainda mais surpresas. O tempo voava, cada esquina teria mais a revelar, cada rua uma história, mas por ora bastava. Não sem um encontro meio combinado, meio por acaso: procurar num determinado local, dois rostos meio desconhecidos, de preto vestidos e com duas palavras-chave – “boina preta”. Ali estavam, pois, à saída do metro da Christianshavn dois portugueses conhecidos das viagens entre bloguistas, “- Muito prazer, vagabundos residentes em Copenhaga, muito gosto em conhecer-vos, afinal são de carne e osso, a casa torta da foto é esta aqui, olá, adeus, pena o tempo ser breve, fica para a próxima!”
A net tem destas coisas, liga portugueses na Dinamarca, mesmo quando jamais de viram.

um local de pernoita completamente diferente da AC!



estação de comboios

A 1ª noite e 1ª manhã esgotaram o seu tempo, “domingo à noite regressamos”, agora há que percorrer a pé, com os troleys deslizando atrás de nós, o caminho da Dan Hostel até à estação de comboios, edifício que vale a pena visitar em termos arquitectónicos e porque, para quem quer conhecer mais um pouco deste verde reino, o melhor é optar pela via férrea. Provavelmente, fazendo primeiro uma reserva, isto é, se desejar ir confortavelmente sentado…
Brevemente darei conta dessas aventuras de comboio até Fyn, a ilha ligada a Zealand, pela Ponte Great Bealt, rumo a uma pequena aldeia arrumada, pacata e palco de recepção para a vitória portuguesa destes Vikings em tanga!!!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

No reino da Dinamarca entre Vikings de tangas

Prefácio

Às vezes sonhamos durante anos com esta ou aquela viagem, para este ou aquele país. Uns atraem-nos tremendamente, outros nem tanto. Os primeiros ficam no top da lista à espera de uma oportunidade. Às vezes demora anos, mas finalmente chega. Foi o caso neste 1º de Outubro.


Só para aguçar outros apetites aqui ficam algumas imagens. As impressões e aventuras ficarão para breve.
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Copenhaga, o entardecer em Nyhavn


Radhus (City Hall)





Christiania, a "cidade" dentro e fora da Cidade


Canais e barcos e barcos-casas com pintores acrobatas


E a "grande " vedeta (Den Lille Havfrue, em dinamarquês)


O seu criador, em Odense

O bairro de Hans Christian Andersen, em Odense




A ponte para lá chegar, entre duas ilhas

O pretexto para tudo isto, mas sem os Vikings de tanga
(os mesmos são vedetas em:


http://www.tskfyn.dk




local de recepção dos Vikings - o lado antigo de Tommerup




o moderno em Tommerup

domingo, 27 de setembro de 2009

Passeio por uma noite





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Às vezes há fins-de-semana que duram pouco, tão pouco que nem cumprem 24 horas. Foi o caso deste final de Setembro.
Sexta à noite, às 21.00 horas portuguesas, entrávamos em Badajoz, depois de uma intensa e arrasante semana de trabalho. Mais estranho ainda: para dormir apenas uma noite!
Havia pois que viver intensamente as poucas horas que nos restavam ou deixar andar, fluindo o tempo como ele assim o desejasse ou o corpo o ditasse. Imperaram as duas últimas hipóteses.
Poisámos no pequeno parking ao lado da Ponte de Palmas e demos corda aos sapatos rumo à Alcazaba, monumento declarado Histórico-Artístico desde 1931, mas completamente desconhecido do comum alentejano. Com pena me enquadro no dito vulgo. Mea culpa! Porém, também apurámos que a zona envolvente – ruas e até a Plaza Alta – esteve escondida ao público durante muito tempo, votada ao abandono e cerrando portas para grupos marginais que por ali consumiam e “habitavam”. Tais despojos ainda se vêem. A reconstrução tem vindo a fazer-se, paulatinamente.
31º e os pés a inaugurarem a dita ponte, estando ela ali, há tantos e duradoiros anos, a ligar dois pedaços de terra, com o Guadiana a fluir, de maior ou menor caudal.
Lá em cima, o castelo espreitava. Alcazaba. Ao lado, a Plaza Alta, desde o século XVII.






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Praça e castelo engalanados para comemorara a festa, ao que parece na sua 3ª edição: Al Mossassa, a festa que irmana Badajoz e Marvão, por via do “galego” Ibn Marwa, fundador da primeira e nome na origem toponómica da segunda. Al Mossassa é pois um dos passos mágicos encontrados para reabilitar estes velhos muros e estas velhas paredes de tijolos vermelhos pintadas. Um mimo de Praça a levantar-se das cinzas, ressuscitando tons, cheiros e melodias árabes.
Noite, dia…
À noite, numas possíveis “Docas” ali ao lado da ponte, os adolescentes amontoavam-se, elas de super mini-saias e sandálias romanas, eles, de gel capilar abundante e brilhante. Eles e elas de copo em riste. O álcool como denominador comum.
Subindo até à Plaza Alta o silêncio. FRONTEIRA entre passado e presente.




delícias árabes...





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Deste lado árabe, chás, pitas e cuscus, incensos e o febril escaldante de 31º nocturnos. As muralhas árabes olhavam-nos. Subida à torre octogonal de EspantaPerros, a antiga torre de atalaia. Vista soberba da Praça e arredores nocturnos. Um teatro ao ar livre lá em baixo, no EL Campillo, “LA Osadia de Ibn Marwan”.
Do outro lado, nos Jardines de la Galera um concerto com a nossa guitarra, a portuguesa. O grupo, português, pois: “Meditherranios”.












Torre Espantaperros






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Do outro lado da “fronteira”, outra vez o ruído da gigante discoteca ao ar livre, dos copos, das vozes enérgicas e bem sonantes deste pueblo vigoroso, afinal de árabes descendente.
O corpo ditou-nos a sina do cansaço e para “casa” regressámos, sem tempo de escolher um bom local de descanso. Um bairro residencial calmo. Aparente. Ao lado outra ponte que se revelou – com o passar da noite – ruidosa, louca e de azáfama.
De dia, menos 3º e a Plaza Alta de cara lavada. Com menos ruídos e menos tecno.





Ponte de Palmas









Plaza Alta





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De repente, um frente a frente com uma espécie de seres mitológicos, quais elfos a espalhar música na Praça. Flautas, percussões, gaitas de foles… e vai-se a ver os elfos eram portugueses, uns “guardadores de rebanhos” de outras eras, lá das serras fantásticas. Com cartão de visita e um título sugestivo e encantatório:”Pifaradas Zabumbadas dos pastores de Álvaro Cardoso Pessoa” (www.angelfire.com/musicals/pifaradas)



os pastores portugueses








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Mais uns passos e a serra cola-se ao deserto: odaliscas e as suas ondulatórias danças do ventre, serpentes fartas e os seus bailes de beijos venenosos.




dança do ventre








dança das serpentes






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Sai-se por uma das mouriscas portas. As ruas vizinhas ainda respiram destroços. O apelo lê-se em lençóis brancos “Rehabilitación de Alcazaba”. Mesmo sem letras seria legível e urgente.








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A festa, essa, continuaria sem nós. O passeio terminava à hora de almoço. O nosso mais curto de todos. Mas Al Mossassa continuará e já ali bem perto, em Marvão, de 2 a 5 Outubro. Para quem poder aproveitar, aqui fica a sugestão.
Quanto a nós, daremos um salto mais longo, até ao reino de outros conquistadores, mais a norte, mais para o frio. Dinamarca espera-nos, outras crónicas se escreverão, sem árabes, sem calores, sem brancos tórridos e feiras (acho) de outras eras.