quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Fabada (feijoada) Astur-alentejana


O prometido é devido (http://viajantedecasaascostas.blogspot.com/2009/09/mercados-e-mercaus.htm)

e, como tal, aqui vai a receita original de fabada (feijoada) astur-alentejana:

1 kg fabada asturiana

½ kilo entremeada

Um pedaço de bacon

100 g. toucinho alentejano salgado

Chouriço ibérico

Chouriço preto asturiano

Farinheira alentejana

2 cebolas

3 cenouras

4 alhos

Salsa

Azeite e banha

1 colher de sopa de açafrão

Cozer em água e sal a fabada (depois de demolhada durante mais de 12 horas), juntamente com a entremeada. A meio desta cozedura, juntar as restantes carnes e cenouras. Já quase no final da cozedura, acrescentar uma colher de sopa de açafrão.

Fazer um refogado com o alho, cebola, salsa, banha e azeite. Depois das carnes cozidas, retirar os enchidos para um prato e cortá-los aos pedaços, assim como as cenouras. Envolver a carne e feijões com o refogado.

À parte fazer um arroz solto, como acompanhamento.

Servir e acompanhar com um bom vinho tinto alentejano.

Nota: os feijões devem sofrer uma cozedura superior a uma hora!...







Bom apetite!

domingo, 18 de outubro de 2009

No reino da Dinamarca entre Vikings de tangas


Parte IV – Deslumbrante flora estrada fora…
O que quase nos mata na Dinamarca são as paisagens verdes-verdes, entrecortadas pelo azul das águas, sejam elas lagos, estreitos ou o Báltico.
O estreito Grande Belt
O verde não é o mesmo verde, a vegetação e árvores terão outros nomes, pena tenho de o meu léxico neste campo ser um livro de bolso mínimo.
Em duas horas e meia de viagem, mesmo cansada, foi impossível fechar olho, porque naquele momento estava ali, ao vivo, a possibilidade de ver outra Dinamarca, por dentro. E perceber que estávamos mesmo, de facto, numa ilha. E a atravessar uma, para entrar na outra…

(Ponte do Garnde Belt, a grande travessia...)
E tudo porque na viagem de regresso a Copenhaga, conseguimos, em vez do famigerado comboio, o aluguer de um bus que nos tirou de Tommerup à hora desejada e nos levou ao colo até à porta do Danhostel, na capital. E, claro, o mais importante, com a vantagem de irmos sentados e de olhos arregalados, comendo a paisagem.
Como em tudo na vida, “nem tudo são rosas”, porque imaginei logo que se fosse na autocaravana, cada pedaço de terra seria pisado a sério, cada local mais fascinante seria calcorreado a pé, de bicicleta… seria realmente tocado, tacteado… assim, detrás de uma vidraça, lá ficou a sensação que o mundo me passava à frente dos olhos através de um vidro opaco.
(Na AC, quem sabe se não pararíamos naquele camping, ali ao fundo, tão mal fotografado porque era visto a partir de um vidro, fechado...)
Não há dúvidas pois, Dinamarca não se fará esperar muito por uma certa casinha com rodas…
Entre o cenário natural, deslumbrante é também o engenho humano: a ponte Ponte do Grande Belt, construção de 18 km, sob a qual passam ferries e outras portentosas embarcações e sobre a qual deslizam veículos de quatro rodas e comboios. A portagem é qualquer coisa como 25 €… toca a juntar dinheiro se o que se pretende é revisitar este reino de caras coroas…


"Batem carros de aluguer, ao fundo,
Levando via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!"

Cesário Verde






quarta-feira, 14 de outubro de 2009

No reino da Dinamarca entre Vikings de tangas


Parte III – Dentro de um vidro embaciado em Odense
De Tommerup a Odense (a 3ª maior cidade da Dinamarca) são uns meros 20 e poucos Kms, com a facilidade de o percurso poder ser feito de comboio ou de autocarro.
De bibicleta também seria uma possibilidade...
Odense é uma atracção turística por ser o berço natal de Hans Christian Andersen, figura incontornável da literatura, da toponímia e do imaginário dinamarquês que transvazou terra e mares.
Porém, se o que se deseja é visitar a casa-museu do poeta e criador de contos, o melhor é sair cedo porque as portas fecham às 16.00. É claro que com um calendário repleto de jogos, estar a horas não pôde ser o nosso forte. Talvez o fosse se o tempo estivesse mais convidativo, mas naquele sábado de Outubro, o jovem dia 3 acordou outonal e chuvoso por aquelas terras escandinavas.



Museu fechado, guarda-chuva aberto

O passeio ficou assim confinado a uma “visita de médico”. As ruas passaram a correr ante os olhos nublados destes viajantes que misturaram as cores do bairro de Hans C. Andersen com as sombras da chuva e de um vento irritante. O quase invernoso vento ameaçava ainda virar folhas e guarda-chuvas. Nas ruas quase desertas, alguns afoitos turistas como nós, e imóveis no tempo, os motivos alusivos a Hans, o herói da cidade: placas das casas onde viveu, nasceu, personagens dos seus contos, e até o seu olhar húmido e sonhador a contemplar a Radhus e os alentejanos ensopados. Não estranhou, mesmo descalço conhece certamente - e bem - a chuva do clima do Norte. Nós queixámo-nos mais.

o soldadinho de chumbo bem nos chamou...



Radhus



Nem uma lembrança, os danes fecham portas sábado à tarde???!!!







Bairro de Hans C. Andersen



Mesmo com chuva, as flores sorriam...








Mas dentro de casa há sempre alguém que pode espreitar (reparem no espelho duplo entre a 1º e 2º vidraças)



A visita foi tão breve que ficou a sensação a pouco, a vertigem de ver tudo e nada dentro de um frasco opaco e embaciado.
Não há que saber, Odense fica na lista para outras viagens, com tempo, com sol, com casinhas de rodas.
Hans Christian Andersen que continue a sonhar na praça, nós por aqui também…





Símbolo comemorativo do escritor, em 2005


frente à gare de comboios

domingo, 11 de outubro de 2009

No reino da Dinamarca entre Vikings de tangas


Parte II – A aldeia
Viajar de comboio na Dinamarca no seio de um grupo de 41 pessoas, pode tornar-se uma tremenda aventura. Entre comprar bilhetes - uns adultos, outros meio bilhete, outros isentos; entre escolher a modalidade – individual, preço de grupo; entre pagar – com cartão , em “cash”; ganhámos logo ali um atraso de quase uma hora, inviabilizando, portanto, as boas intenções de partir no comboio das 14 p.m. Depois, já na linha de partida, confirmando qual era o comboio, porque ali ninguém anuncia em inglês, uma das funcionárias lembrou-nos, aos gritos, que não podíamos viajar sem reserva, como diabo um grupo tão grande comprou bilhete sem reserva, ainda por cima numa sexta à tarde? Sabíamos lá nós, tinham-nos vendido assim os bilhetes, ninguém nos explicou para que eram as reservas, nem tão pouco as mencionaram.
Já dentro do comboio, munidos do famoso bilhete, quase trinta euros por adulto, percebemos a que se referiam as reservas. Se pensávamos que podíamos ir em qualquer carruagem era mentira. Uma era a do silêncio, obviamente que não para pelintras que haviam pago 30 € (só???!!) por duas horas e meia de viagem. Na outra, a classe “normal”, se por acaso sonhávamos com o merecido descanso até ao destino, sentadinhos, depressa percebemos o significado da reserva. De cada vez que algum de nós se sentava, surgia o dono do assento, argumentando que aquele era o seu lugar. Não houve outro remédio se não sentar no chão, nas malas ou ir em pé. E foi praticamente assim até Odense, onde mudámos de linha rumo ao destino: Tommerup.
No meio do silêncio do verde, quase às 17.30, o céu já entrava no limiar do anoitecer. Felizmente aguardava-nos um dane da Organização, com um atrelado onde pudemos colocar a bagagem. Até ao sítio da pernoita ainda era bem 1Km.
As crianças instaladas na escola, os pais nas camaratas do centro desportivo – seriam assim as próximas duas noites - estava tudo a postos para o 1º jogo, entre os nossos do escalão U12 e uma equipa da Dinamarca. Mesmo cansados e vindos de longe, batemo-los em ambos os escalões. A noite estava ganha, felizmente que o jantar nos aguardava no refeitório da escola, um excelente pão dinamarquês e uma apetitosa lasanha.

"escola-dormitório"


bancos (pormenor de arrumação que pode fazer toda a diferença...)

arrumos da pré



hall de entrada da escola


cadeiras (pormenor de arrumação e limpeza)

Entre jogos, verde, chuva e um tímido sol, percorremos quase todas as ruas de Tommerup. O que fazem os danes? Onde se enfiam , que mal os vimos? Vimo-los, é certo, na piscina a assistir aos jogos, no fitness, pedalando manhãs e tardes inteiras, ou nos 2 campos de jogos de que dispõem. Fora isso, pressentíamo-los dentro das suas impecáveis vivendas, saboreando refeições e relaxando amenamente.



janela , pormenor


tecto

a casa mais rústica da aldeia


muitas macieiras há por ali...




e flores e cor

e mais flores...

A aldeia, 7.816 habitantes (dados de 2005), é uma estância de vivendas alinhadas ordeiramente, com relvados e jardins de invejar, em ruas asfaltadas de modo “Disney”, tudo tão certinho e limpinho, que julgávamos estar em qualquer reino da lego.
Como comércio, o essencial: 2 supermercados, uma farmácia, 2 boutiques, 2 lojas de roupa usada (uma delas da Cruz Vermelha), um quiosque, 2 take-aways (não fora as refeições encomendadas junto da organização, ainda estou para ver como e o que os pais comeriam…), uma ourivesaria, uma padaria/pastelaria, duas imobiliárias.






E depois a escola (da pré ao 9º ano) e o complexo desportivo (com piscina, fitness, campo de futebol e pavilhão para andebol, basquetebol…).




a escola (fachada mais antiga, hoje correspondente ao 1º ciclo)



o complexo desportivo


Segundo os adolescentes portugueses e os que lá vivem – “uma pasmaceira”. A alguns dos adultos, os amantes de sossego e de verde, pareceu “o paraíso”.
É claro que preferia ter tido tempo para Estar ali e ver mais campos, cidades, verdes....











Arus, por exemplo, no topo da Jutlândia, apenas a hora e meia dali; ou Helsingor, no topo da Zeeland, a uma hora de Copenhaga… Dinamarca é um país pequeno, mas não para quem tinha apenas 4 dias e meio, uma claque para apoiar e… em suma, para quem estava numa outra odisseia.



a odisseia era dentro de água... com Vikings de tanga

No final de domingo, a recompensa falou bem alto: dois primeiros lugares em ambos os escalões e os rostos de felicidade das nossas crianças, dos nossos filhos. Viva Portugal! Viva o Aminata!
http://www.tskfyn.dk




vitória escalão U12



vitória escalão U16


claque