sábado, 5 de dezembro de 2009

Açorda alentejana em melamina




Quem pensa que o espírito prático necessário para viver em AC, se coaduna com louça de porcelana ou barro , está ligeiramente enganado. Eu por mim prefiro loiça de melamina, com alguma estética é certo, mas longe da porcelana.
Para a açorda dei o braço a torcer, porque o barro seria o mais adequado…
Naquele dia De fim de Outono, em pleno Alentejo, cercada de sobreiros, planície, sobreiros e muita água (?!!!!), só uma açorda poderia rimar com o cenário. Ainda se deu uma volta dentro do cenário à procura de poejos, mas nem vê-los…


Para quem pisar terras alentejanas e se decidir por uma receita económica e tradicional, aqui fica o testemunho:
Receita para 4 pessoas
Macerar 5/6 dentes de alho, uma mão cheia de sal e meio molho de coentros (à falta dos não encontrados poejos), num almofariz - no Alentejo denominado “Gral”. Apesar de não ser o Santo, aqui faz parte do ritual…
Cozer em muita água pescada ou bacalhau. Retirar depois de cozidos e escalfar um ovo por autocaravanista.
Cortar pão (duro!) alentejano em pequenas fatias finas – o pão aqui é o Rei!
Colocar a mistura numa terrina (na AC foi mesmo num tacho) e adicionar uma colher de sopa de azeite (alentejano!) por pessoa. Por fim, juntar o caldo a ferver.
No prato, colocam-se primeiro as fatias de pão e depois o caldo, o peixe e ovos. Acompanha-se com azeitonas (alentejanas!) e vinho tinto, alentejano, claro!
Variantes: no Verão em vez de pescada/bacalhau, a dita açorda vai bem com sardinhas e ainda uvas ou figos bem fresquinhos. O contraste quente / frio é soberbo!
Bom apetite!















segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Alentejo… um ano e pouco depois



Já lá vai um ano e alguns meses desde a primeira publicação, neste blogue, das crónicas de viajantedecasaascostas. Na altura começámos por curtas viagens pela planície alentejana, ainda com tempo ameno e aprazível para uns quantos banhos. Um dos locais visitados foi a Marina da Amieira




Um ano e pouco depois repetimos o roteiro, sem Monsaraz, sem tempo ameno e sem direito a banhos. Fizemo-lo agora, neste final de Novembro, e em vez de fecharmos a época balnear, inaugurámos a época das chuvas (na noite de sábado fomos embalados por forte chuvada e a manhã de domingo acordou bem regadinha). O Alqueva não transbordava, mas o barco de turismo bem que vogava nas águas do maior lago da Europa, sem clientes nem “remador”.




Um ano e pouco depois, aliás, as estratégias turísticas evoluíram - se dantes era um barquito de excursão, agora o barco de recreio já possui dois andares e os passeios no Alqueva lembram passeios no Nilo… (nunca fui ao Nilo, mas soou-me aqui como uma boa comparação, vejam o barco, a ver se não concordam com a imagem).




Coincidências temporais, também o CAB fazia um ano, daí alguns membros bloguistas se encontrarem justamente na Amieira, para mais uma reunião. Resolvemos, portanto, estar presentes e ouvir as novidades (http://www.cab-circulo.blogspot.com/)




Apesar de muitos portugueses terem aproveitado o fim-de-semana para umas mini-férias, nós nem isso lhe pudemos chamar, ficando-nos por uma breve noite só para respirarmos um pouco da planície molhada e daquela sensação de liberdade que é viajar em AC.
Uma liberdade efémera pincelada de campos dourados, azinheiras e chuva embaladora.





Ao lado da tela vivida, o cheiro genuíno de uma açorda alentejana… servida em pratos de melanina, porque isto de viver em AC “não é” o mesmo que estar entre paredes caiadas de branco e de rodapé ocre.
E ao fundo, bem perto, o som da viola…



sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Mais rimas


E na minha cidade veio parar,
estacionar e talvez pernoitar
um novo bloguista
deste reino autocaravanista.

Se o endereço escreverem
terão de esperar para o lerem.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Pernoitar a rimar

Se a minha cidade vier visitar:)
e nela quiser pernoitar
nesta Praça deve estacionar :):)




Se antes do deitar
precisar de "viajar"
dez "As" o vão ajudar :):):)



Legenda:

:) Évora; Alentejo, Portugal
:):) Rossio de S. Brás

:):):) Resolva você mesmo a charada

domingo, 22 de novembro de 2009

Memórias de praias cheias







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Estamos em casa, já a pensar numa lenha a crepitar na lareira, e sabe-se lá porquê, vem-nos à memória, não uma frase batida, mas uma imagem de sal e sol. É isso mesmo, uma praia… mais concretamente em Espanha, Galiza, Ribadeo, fronteira Galiza/Astúrias.
Conselho: se planear ir até às Astúrias, siga até ao Norte de Portugal, visite a Galiza e deixe o paraíso para o fim. A Galiza pode ser encantadora, mas nada que chegue aos calcanhares do Reino das Astúrias e eu prefiro deixar o melhor para o fim (apesar de ter começado por escrever sobre as Astúrias).
Mesmo assim, depois de atravessar o rio Eno há umas quantas praias a visitar. Talvez o Inverno não seja o tempo indicado, mas o mês de Agosto também se revelou pouco simpático.
Refiro-me à praia até onde as minhas memórias hoje voaram: Praia das Águas Santas, mais conhecida por Praia das Catedrais, devido às grutas e “arcos góticos” que a mãe-natureza ali tem vindo a formar.
Há uns seis anos atrás, numa calma e refrescante manhã de Agosto, lembro-me de ter pisado as suas areias com mais duas ou três vivalmas… este Agosto pensei que alguma calamidade tinha sucedido. Os estacionamentos estavam à cunha, e pela praia caminhavam, apanhavam sol e banhavam-se (mas mais a 1ª categoria) centenas de turistas e veraneantes. Acho que vi de tudo um pouco: gente com a lancheira, em pé, sentada, ou em cadeiras; gente vestida, em fato de banho e semi-nua; bicicletas; cães; e, sobretudo, MUITAS máquinas fotográficas e dificilmente um ângulo satisfatório no qual as rochas se deixassem fotografar sem gente dentro, ao lado, por cima, por baixo!
Suspeito que tudo isto porque a praia teve a sorte (ou azar, não sei) de ser classificada como Património Mundial.
Mesmo assim, hoje , com frio, e à beira do Inverno, lembrei-me dela. Mas é claro que, com a maré alta, no Inverno, só será possível não ter multidões. Não se pode ter tudo...







terça-feira, 17 de novembro de 2009

Deixem-me pedalar e outrar-me!!!


Como toda a gente sabe, ou quem não sabe desconfia ou já ouviu falar, de França para cima (já para não falar do imenso esforço que muitos Ayuntamientos estão a realizar em certas localidades espanholas, como Mérida, Sevilha, etc, etc), o meio de transporte por excelência é a bicicleta.
Na Holanda, a bicicleta tem a prioridade sobre, imagine-se, peões! Na Dinamarca (assim como na Holanda, claro), ao lado da via para os automóveis, há sempre uma via para as duas rodas.
Para quem desconhece, na Dinamarca paga-se 150% de imposto sobre o valor do carro! Nestes países a política é a das duas rodas e a da protecção do meio ambiente.



Atreladas à Casinha levo sempre, portanto, quatro bicicletas e faço “como em Roma: sou romana”, já que aqui, neste Alentejo (ou deserto, como dizia o outro) levo com os escapes nas vias respiratórias, sou insultada pelos peões, apupada por alguns homens, e os carros quase me esmagam porque para eles sou só duas rodas.




Nesses países há ainda uma profissão que eu gostaria de eleger. Mas tinha de ser lá. Refiro-me àquela profissão que lá usa as duas rodas (ou três), que pedala o santo dia debaixo de sol e de chuva, que contacta com as pessoas, que toca campainhas e dantes, há muito tempo atrás, era desejada por aqueles que estavam em casa e por eles esperavam. Agora, com o avanço das tecnologias nem por isso, agora só trazem as contas e possivelmente dívidas. Deixem-me, mesmo assim ser carteira, posso?!!!!



sábado, 14 de novembro de 2009

LimparPortugal

Não se trata de nenhuma viagem pessoal, mas brevemente dará azo a muitas viagens ou andanças em prol do ambiente , porque sem natureza de que servirão as viagens a pé, de bicicleta, de autocaravana , de..., de seja o que fôr?!..

O cartaz ainda não é o definitivo, nem tem aqui muita qualidade, mas é já uma luz....


para mais informações: www.limparportugal.org