quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Portas (de A a Z)


As portas, afinal o que são?
Pontos de passagem, barreiras?
Pontos de passagem entre o cá e o lá, barreiras fechadas possíveis de abrir do cá para o lá.
Prefiro pensar que são pontos, ou melhor, pontes de passagem. Do outro lado, mistérios se abrem, folheiam-se páginas de livros, de álbuns, de memórias…
São as páginas das vidas dos outros, às vezes alheias, às vezes tão como as nossas…
Ao longo destes anos, olhando através da lente, sempre tive a ideia de ter captado muitas portas. Ilusão. Poucas portas afinal registei, por mais que tenha tentado sempre preferi as janelas… vá-se lá saber por que inconsciente impulso…


Bate-se ou tilinta-se à porta e... quem sabe?

(Andreus , Portugal)




Alguém sorria, porque acabou de passear na "Feira da Ladra".



Brighton, Inglaterra


Ou venha alguém zangado, pouco hospitaleiro...



Chinon, França



Ou não, porque as flores simpaticamente dão sorte a quem dela precisa...



Dinan, França




O passado também espreita, algum sultão ou princesa apaixonados, perdidos...


Granada, Espanha


Um cheiro antigo a maresia... a esposa aguardando o marinheiro.

Marken, Holanda



Nas portas há sempre um número, ou um número e meio...


Porto Covo, Portugal


Ou matronas esquecidas preparando toiletes de procissão...



Ronda, Espanha



Nalgum 53...


Strasbourg, França


Ou encondido em caves de mistérios...

Veere, Holanda



Com ar maroto de criança a brincar nas ondas do circo.


Veere, na Zeeland, Holanda

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Breve sumário da História de Lisboa (em azulejos e outras marcas que tais)





O mote foi o “Breve Sumário da História de Deus”, pelo TNSJ, do Porto (pois então!), no cartaz e palco do TND. Maria II, em Lisboa, como não podia deixar de ser.
Apesar da curta duração da viagem (menos de 24 horas), o mote deu pano para mangas.
Primeiro: estacionamento na nossa “quinta” à beira- rio (frente à residência cor-de-rosa do Presidente de todos nós - salvo seja!).




Logo, logo, um segundo pequeno-almoço saborearando os pastéis mais lisboetas de sempre.



Pastelaria "Belém"




Dali, um salto sobre as rodas de um moderno eléctrico até à Praça da Figueira, para calcorrear ruas e avenidas.
Logo uns metros mais à fentre um testemunho terrífico e agreste do passado: a igreja de S. Domingos, lateral ao Teatro Nacional.
Os destroços do interior, qual cenário dantesco, reportam a um imenso incêndio, em 1954.
Antes disso, no célebre terramoto de 1755, já a igreja tinha desabado.
A estes relatos de catástrofes naturais, associam-se ainda outros menos natura pela mão da Santa Inquisição, como autos-de – fé , onde milhares de judeus foram chacinados. Reza a história que na praça em frente da Igreja,em 1506, centenas de judeus foram queimados por causa de quatro deles que tiveram a ousadia de afirmar que um certo raio de luz, ao incidir na custódia da Igreja, teria sido fruto de fenómenos científicos e pragmaticamente explicáveis e não de um milagre. Por causa dessas blasfémias (note-se: de quatro alminhas!), milhares foram perseguidos e queimados. A homenagem ainda lá está, no dito largo .





A marca está lá e, felizmente, para amenizar o cenário e as recordaçõe s dantescas, outras marcas suavizam as mágoas…








Ainda antes do almoço, nem a propósito, a fábrica que está na origem de muitas destas imagens…










Para ganhar calorias, digo, energias, nada como um almoço num outro marco histórico da “azulejaria” lisboeta: a Portugália, outrora sede da fábrica Germânia, antes ainda cerveja Imperial. Influência germânica, num edificio Estado Novo.









Sala de refeições




A bica, essa, toma-se depois do passeio digestivo, já mais abaixo, no Hard Rock lisboeta, um marco actual de cultura e lazer, um café quase museu…

Hard Rock café




E depois há outros museus fora do tempo como a Casa do Alentejo. No rés-do-chão ecos mouriscos, mas, subindo ao 1º andar mergulha-se no estado d’alma alentejano.




rés-do-chão


Consulta-se o cardápio e apetece ficar, miram-se os azulejos e tudo respira a planície húmida e cantada. No palco , ilusoriamente assente sobre uma “mesa”, apetece representar, nas cadeiras apetece descansar, nos sofás apetece uma sesta…



Sonhando com Inês de Castro...



Sala de refeições de motivos alentejanos


o bar genuinamente alentejano




Mais uns passos e está-se no Chiado, mais uma memória de outro incêndio, porém renovada, cosmopolita, arejada.
Para jantar, nada como outra memória do passado: café Gelo, por cujas paredes espreitam surrealistas e republicanos. Daqui partiu Manuel Buiça, a fim de cometer o atentado contra a família real. Aqui se juntavam intelectuais, como Fernando Pessoa e depois Mário Cesariny, entre outros.
Ao serão realiza-se o mote e as voltas terminam. É tempo de revisitar Gil Vicente, no seu (do TNSJ) “Breve Sumário da História de Deus”. Uma preciosa encenação de Nuno Carinhas, com um elenco que faz do texto e das personagens bíblicascas uma partituta na qual as palavras tocam límpidas e melodiosas.




Fecha-se o sumário deslizando no amarelo até à quinta, para dormir com Diabos vicentinos em anjos de sono transformados.



Não foi neste eléctrico, mas num idêntico





Ao acordar, o rio, o sol tímido, as pessoas domingueiras em ténis, sapatilhas, fitness e biclas.
Foi um breve passeio transformado em breve sumário!





sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Janelas


Poeticamente falando, “os olhos são as janelas da alma” logo, o que são as janelas? Os olhos de quem vive dentro das casas? Ou seja, o espelho da alma dos seus habitantes?
Seja o que for ou como for, as janelas sempre me fascinaram e, em cada viagem, irresistivelmente, a lente capta sempre uma ou outra janela, ou até mesmo muitas janelas. Cada uma espelhando uma alma diferente, com a sua diferente cor, um singular morador, uma alma singular.



Astúrias sempre em flor




Roupa que fala, Porto





Sorte à espreita, Tommerup, Dinamarca



Olhos que espiam, Odense, Dinamarca

sardinheiras às riscas, Odense, Dinamarca




Um olho e sobrancelha, Tommerup, Dinamarca



Janelas sevilhanas, Sevilha, claro!



Londres

Arco-íris, Londres



Alegria, Lazarim , POrtugal



o olho do Bardo, Stratford, Inglaterra



Kager Plasser, Holanda


Grazalema, a sinfonia das flores



Gibraltar espanhola

Dinan



Concarneau


Colmar


Brigthon


Tantos olhos...Barcelona

a árvore à frente dos olhos, Amesterdão



Borboletas em flor, Alsácia

Algures no vale do Mosel , Alemanha





Suavidade, Évora, Portugal

Marvão, uma linha !

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ideias para Marrocos??!!

Eu sei que ainda estamos em JAneiro e anda tudo a pensar em cenários cobertos de branco, no frio e tal. MAs por aqui , apesar do frio, não neva. Chove, isso sim. Chove tanto que o Alqueva já atingiu a capacidade máxima e no emprego precisava de galochas. A água é tanta que só me apetece gritar aos deuses e ordenar-lhes coisas feias.
Efeito contrário, ando já a pensar nas férias da Páscoa. Porquê? Porque os planos prendem-se mais com areias, dunas , desertos.

É isso mesmo, a casinha tem que começar a arranjar-se para a sua estreia em Marrocos.
Alguém desse lado do écran tem sugestões de sítios de pernoita? Locais interessantes de visitas? Pistas concretas para autocaravanistas? Detalhes?
Cá fico à espera enquanto o tempo passa e a chuva cai.

(Não é Marrocos, mas podia ser... é só uma miragem já aqui ao lado, na fronteira mais próxima...)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Falta de água em Évora, água poupada em Autocaravana

Em Évora não há água, mas quem já vive a experiência , há quase uma década, de ser autocaravanista, sabe muito bem como fazer render aquele que bem pode ser um bem escasso. No caso, hoje, nem escasso é, é inexistente. Aliás, minto, nos degraus do meu quintal alguns baldes e alguidares vão recebendo as gotas e goteiras generosas da chuva. Com elas lavei a loiça, tal como na autocaravana: aquecendo-a no fogão, vazando-a numa bacia pequena e lavando sem usar a água loucamente a jorrar da torneira.
Para o autoclismo, a água da chuva que vai lá fora enchendo o balde do chão. A mesma aproveita-se para lavar mosaicos, no caso de precisarem.
O pior são mesmo os banhos, mas, mais uma vez, a casinha existe e socorreu-nos: por que não um banho rápido mas refrescante e higiénico nas casasobrerodas?

Por enquanto, 24 horas sem água fizeram-nos viajar cá dentro, nos modos de agir e na curta visita às paredes que nos transportam por tantos mares, rios, montanhas, céus, sonhos, verões, invernos, sóis, chuvas...


E o Alqueva aqui tão perto...


O pior mesmo é se a chuva acaba e a água não chega...
MAS há sempre a hipótese de, no fim-de-semana partir, porque nem tudo é uma cidade condenada à falta de água e ao excesso de alumínio...