quarta-feira, 14 de abril de 2010

Dia 1 – Marrocos by night


Itinerário em Marrocos


Adeus Gibraltar!

Ficou-me na memória uma frase do Guide du Gandini: “deixa a tua mentalidade de europeu em Espanha e na passagem por Algeciras, recuperá-la-ás”.
Parecia um conselho fácil, mas veio a verificar-se de díficil concretização. Talvez se eu fosse como o normal dos autocaravanistas, que estão lá no mínimo um mês, chegasse a concretizar o lema, quiçá? Não o conseguindo, apreciei Marrocos pelo cenário natural, pelo exotismo dos usos e costumes, mas nunca me largou a sensação incómoda de que tudo é demasiado pobre, duma pobreza que indigna e cria outra pobreza ainda, maior do que a física.
1ª visão de terras marroquinas

A diferença de culturas e mundos é tão abismal que nos bate de chofre logo à entrada do porto de Tânger, na fronteira. O mais fácil para despachar os trâmites da passagem é compactuar com os gajinhos que usam colete e parecem da autoridade, mas são apenas os primeiros “colas” do percurso em Marrocos. A mão untada com 5€ e eles tratam das formalidades, apesar de mesmo assim se sentir logo na pele a espera e a dúvida sobre a entrada.
Porto de TÂnger 1

Porto de Tânger2

POrto de Tânger 3
Entra-se e as ruas de Tânger são um turbilhão de gente, nos passeios, na própria estrada. Há que desviar porque é como se eles fossem os Reis da estrada. O trânsito é caótico, sobretudo nos cruzamentos; a regra da prioridade é uma miragem europeia.
Voltando atrás: saímos de Évora às 6h15m da madrugada e chegar a Algeciras às 16 e pouco foi uma boa média, que nos permitiu entrar ainda no barco das 17,30, graças à rapidez e eficácia dos serviços da Agência Gutierrez.
Não estava mal a hora de chegada a Marrocos, não fora o caso mal pensado de as 19h30 serem já veladas pelo manto sombrio da noite o que nos fez, contrariamente aos nossos planos, andar na estrada de noite. Ainda por cima porque não largámos a ideia de seguir até à costa mediterrÂnica para no dia seguinte percorrer o Rif.
Percebemos imeditamente por que razão não aconselham a condução de noite: as estradas são escuras como breu, as marcas da bermas inexistentes e sempre, sempre, gente a caminhar à beira da estrada e às vezes veículos motorizados ou bicicletas sem luz!
Já em Martil, o GPS não ajudava na descoberta do camping Complexe Touristique Albastoune, seguimos à beira da praia como o Gandini sugeria, perguntámos a marroquinos e só depois de duas voltas descobrimos: afinal o problema é que a estrada estava em Marrocos, o guarda do Camping dizia que toda Martil estava em obras, viemos a verificar nos dias seguintes que toda Marrocos está em obras!
Apesar de constatarmos que o camping é classificado como “très correct” , deduzimos, a avaliar pelos sanitários, que em Marrocos o sistema de autoclismo era constituído por um balde que devíamos encher e despejar no respectivo buraco. Mal sabíamos nós que comparativamente com outros campings, aquele era, de facto, “três correct”!
De rastos e esfomeados, jantámos a comidinha portuguesa e pregámos olho em segundos.







terça-feira, 13 de abril de 2010

Paragem obrigatória em Marrocos ... por 10 dias



Em 10 dias efectivos em Marrocos, com partida a 31 de Março e chegada a 11 de Abril, não havia hipótese de Permanecer, Relaxar, Estar, Conhecer muito. De início, as Dunas de Erzouga eram uma das metas, mas cedo constatámos que era difícil com o pouco tempo de que dispunhamos e uma autocaravana que não é voadora. Desconhecíamos ainda nós o estado das estradas (algumas nacionais bem piores que as nossas rurais) e os limites de velocidade altamente policiados com direito a multas fresquinhas de 40 € (sim, também as conhecemos quase na pele)! As dunas e o deserto terão de esperar por outra oportunidade, prevejo que na reforma (o que deve implicar o NUNCA)…

Aqui fica o itinerário realizado, mais ao menos pensado, mais ou menos improvisado (porque o que há de bom desta vida em AC é a possibilidade de alterar planos e traçar novas rotas), que poderá ajudar quem, como nós, tiver pouco tempo:

- Dia 1 – Évora- Algeciras (Gutierrez, Viajes Normandie, ticket.gutierrez@telefonica.net)-viagem no ferry – Tânger- pernoita camping , em Martil, Complexe Touristique Alboustane – N 35º37, 76´ W 05º 16,56´).

- Dia 2 – Martil-Tétouan – Chefchaouen (pernoita no camping Municipal Azilan , N 35º 10,50´W 05º 16´).

- Dia 3 – Chefchaouen – Fez (pernoita no Camping Internacional de Fes).

- Dia 4 – Fez (pernoita no mesmo Camping).

- Dia 5 - Fez – Ifrane – Afourer (pernoita em parque de estacionamento do Hotel Tazarkount).

- Dia 6 - Afourer – cascatas de Ouzoud- Marraquexe (pernoita camping Relais de Marrakech N 31º 42 408´ W 007º 59 407´).

- Dia 7 – Marraquexe.

- Dia 8 – Marraquexe – Temara (camping).

- Dia 9 – Temara- lagoa de Moulay Bousselham- Larache (pernoita em área de repouso marroquina: Aire de la Comarite N 35º 09, 65´W 06º08,60´).

- Dia 10- Larache – Assilah(Arzila)- Tânger (pernoita camping Miramonte – N- 35º47,45´ W 05º 49,95´).

- Dia 11 – Tânger- Algeciras (pernoita zona Lidl/ Carrefour).

- Dia 12 – Algeciras- Aracena- Évora

Viaturas da viagem : AC de 6,50m e Van Westfalia.

Protagonistas: 4 adultos, dois adolescentes, duas crianças de 10 anos.

Guias e outros equipamentos indispensáveis:

- Guide J. Gandini, Campings du Maroc 2009-2010, Éditions Extrem´Sud (encomendei pela net , mas encontra-se em quase todos os campings marroquinos e logo no “Guttierrez”, em Algeciras).

- Guia verde da Michelin, de Marrocos (ou provavelmente outro).

- GPS (apesar do obtido pela net não ser o mais fiável – a estrada era sempre ao lado da desenhada), até se portou muito bem e foi uma ajuda imprescindível! Obrigada a todos os companheiros cibernautas que nos foram dando dicas para obter o modelo compatível com o nosso Garmin!

Total de Kms percorridos: 2,500 Km.

Despesas ferry: 250€ (ida e volta).

Média diária em campings (AC e 4 pessoas) – entre 100 (10€), 120 Dirhams (12€).

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Uma espreitadela em Marrocos


Enquanto as memórias, vivas mas meio difusas, não assentam calmamente, aqui deixo uma espreitadela por um novo mundo, do outro lado do mar, o outro monte lá longe.
Refiro-me a Marrocos, pois então, aquele alto monte que nos foi surgindo devagar e se revelou desde o primeiro passo, uma terra multifacetada, alucinante, exótica, diferente.


Marrocos é terra onde a opulência é opulenta e a miséria miserável.


Palácio Real -Fez


"Casas " de campo



Onde as paisagens lembram outras paisagens, mas são definitivamente outras.


(ao longo do Rif)


Marrocos é a terra onde os homens abraçam, seduzem, enervam, vigarizam… porque há sempre a outra face e essa é inevitavelmente a da pobreza, aliada a um tom de calma e “carpe diem” que roça a aparente felicidade.




Paragem de autocarro -Fez


Em Marrocos tudo é diferente: o andar na estrada, na auto-estrada, nos campos, na cidade (infelizmente não cheguei ao deserto para o mencionar e comparar aqui);
as roupas; as escolas; as casas (algumas deverão ser apelidadas de casas?); o sabor dos condimentos;

os cheiros; o afazer que perpetua a arte manual; o pregão para a oração sempre presente;
(Marrakech)

o negócio sempre a dominar na mais ínfima das acções…
até o adeus de quem quer ir connosco, para fugir dali, da terra quente, pobre, apesar da tímida e natural felicidade.




Prometo que mais contarei, deixem-me só habituar a estes ares turbulentos da civilização e fiquem-se com esta espreitadela…





(Fez)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Primavera que tarda




A marota tarda...

Timidamente o sol apareceu, para imediatamente a chuva regressar, furiosa, matreira , às vezes depressiva.
Nada como recordar as flores, muitas delas de países que mal gozam o sol, mesmo nos meses onde aqui ELe abunda

(Londres, um jardim à chuva, Agosto de 2008)


(Stratford, as gotas do "bardo" pingam de saudade...)


segunda-feira, 22 de março de 2010

Votar e festejar a Primavera

O prazo para votar neste blogue no Super Bock Awards está a expirar.
A todos quantos me acompanham e votaram neste blogue, os meus agradecimentos.
A quem ainda não votou, ainda está a tempo.

A uns e a outros, dedico uma foto especial, de uma viagem especial, no primeiro dia de Primavera.



Quem quiser adivinhar o local, é só comentar...




http://us.yhs.search.yahoo.com/avg/search?fr=yhs-avg&type=yahoo_avg_hs2-tb-web_us&p=superbock+awards

quinta-feira, 18 de março de 2010

Pedido SOS!

Quem tem mapas de Marrocos actualizados, compatíveis com o Garmin?

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ao sol no Alto de S. Bento

Dar um passeio e admirar a paisagem solarenga em Évora, significa dar um pulo até ao Alto de São Bento. Depois de S.Bento de Cástris é só subir a estradita, não muito própria para Autocaravanas, mas mesmo assim transitável. Mesmo em frente da vivenda branca, o sinal de Parque e o respectivo terreiro em terra batida, dizem-nos para estacionar. Depois é só percorrer uns escassos metros e os três moinhos, dois reconstruídos, um à espera de melhores ares, lá estão pousados no alto, a olhar a cidade, a seus pés.

Os dois pintados de branco fazem agora parte do Núcleo Museológico, onde a criançada da escola aprende e pesquisa.



E é possível um passeio pedestre com “pistas” pela flora e fauna alentejanas.

Um pic-nic também pode completar o quadro ameno.




Mas o mais poético continua a ser, desde sempre, o casario branco a rodear a Sé e o seu zimbório, ou , mais para a esquerda, o lar enclausurado e pacato dos monges da Cartuxa, recolhidos secularmente








Já Vergílio Ferreira, em Aparição, gostou tanto do sagrado espaço que lá colocou a personagem principal a morar quase cosido aos moinhos, e admirando , lá longe, a mística planície. Sem esquecer o eterno branco, sem esquecer os braços da Sé a apontar para o Alto.

Também muitos amantes , desde sempre, sobretudo na balada da noite, procuram este recanto a céu aberto. Talvez menos, porque uns marcos de pedra marotos impedem agora o estacionamento sobre rodas.

“Mudam-se os tempos…”, mas o Alto continua a ser o miradouro natural da cidade amuralhada.