segunda-feira, 3 de maio de 2010

Dia 7 – Marraquexe: os 5 sentidos


“Relais de Marrakech” assenta-lhe que nem uma luva, mas o imperativo de visitar a cidade é mais forte. Com táxi reservado de véspera, ele ali estava à porta, na hora marcada. Pelo caminho ecoava o ar feliz de outros turistas, num ambiente 100% marroquino, apesar de o deserto continuar a ser miragem...




Marraquexe é um hino aos sentidos e à evasão onírica...
Imagina-se o silêncio cantado da oração masculina ressoando através das paredes da Kotovia, a mais importante mesquita de Marraquexe...






Imagina-se o silêncio dos talheres de prata num dos mais caros hotéis do mundo...







Imaginam-se os sonhos de um ancião, quiçá a cores, quiçá doutro tempo a preto e branco...




E, chegados antes do meio-dia à Jamaa El-Fna, a imaginação povoa-se de cores, de imagens reais plenas do movimento das cobras e das danças,





do tam-tam das melodias exóticas, das formas redondas das laranjas sumarentas a escorregar por bocas ávidas de fresco,








das cores alegres e sadias...






O labirinto de ruas e opções perde-se, os passos também...



entre souks sempre diferentes...

lojas e mais lojas


legumes







Imagina-se sempre mais e, ao entardecer, a praça transforma-se , e o olfacto também se perde,imaginando novos paladares.






Definitivamente, um dia é pouco para tanto imaginar!...



quinta-feira, 29 de abril de 2010

Dia 6 - Marrocos: sempre um novo cenário


Segunda-feira, sol... o que lá vai, lá vai... pelo caminho, fosse campo, aldeia ou vila, sempre crianças a irem ou a virem da escola e sempre muitas escolas e muitas crianças...






Afinal os polícias tinham razão, as cascatas de Ouzoud ainda ficavam longe e o caminho era moroso de subidas.
Mais uma vez a paisagem mudou. No meio da pequena e pobre povoação de Ouzoud, das suas barracas de artesanato e restaurantes improvisados, tudo ali vive e respira à custa daquela tromba de água, forte, vibrante e africana.










Até a velhota do moinho que estende a mão, se deixa fotografar com a mira na moeda, seja ela nacional ou o tão desejado euro. Tudo roça a pobreza, apesar do Belo invadir os olhos.




Lá em baixo o cenário é novamente distinto, desta vez a lembrar Vietnam...








Os vendilhões do templo cercam o local, o melhor mesmo é rendermo-nos a eles e aproveitar para almoçar. As tágines , nas suas louças alegres e festivas, são apelativas, bora lá comer!





Dali a Marraquexe parecia um ápice, mas mesmo assim demorámos, até porque desta vez foi a vez da “bruxa” bater à porta dos nossos companheiros de viagem. Enfim, nada que não fosse de esperar a avaliar pelo controlo cerrado que os polícias marroquinos instalam nas estradas... velocidade 72 em vez de 60, e lá se abriram os cordões à bolsa, 40 € fazem a festa...




Talvez a paisagem que se avizinha apague das memórias tais visitas do infortúnio, porque a entrada em Marraquexe é de facto inesquecível... linhas e linhas de palmeiras enfeitam o horizonte, e tem-se a sensação que apesar de as conhecermos doutros cenários, estas aqui são “As Palmeiras” ...




O camping de Marraquexe é também um ponto diferente no cenário de campings visitado. No plaino sossegado das areias cremes e das palmeiras reais, uma relva fresca com sofás prazenteiros , uma piscina apelativa, uma esplanada solarenga ... é claro que por aqui abundam autocaravanas, especialmente francesas, cujos viajantes dão ares de ali Estar há muito , conhecendo-se todos, como se fossem já uma família.









Decidimos imitá-los, criámos a nossa esplanada de mesas, cadeiras e toldos e instalámo-nos com ar de férias, admirando as buganvílias...







segunda-feira, 26 de abril de 2010

Dia 5 – Outros olhares sobre Marrocos


O caminho não era o melhor, mas era nossa intenção aproximarmo-nos um bocadito do Médio Atlas, desde Fez até às cascatas de Ouzoud, já depois de Beni Mellal e perto de Marraquexe. Ambição hiperbólica, como viríamos depois a constatar.
Antes de tudo a passagem por um outro olhar sobre Marrocos, a chamada “Chamonix” marroquina.
Depois da montanha aldeã, das barragens, e das mantas de verde, agora o cenário é outro.
Para quem já viu estâncias de ski, Ifrane não transcende nada, mas para quem não espera pinheiros, telhados inclinados, ruas pavimentadas e sinais de neve em Marrocos ( a neve imaginá-mo-la), Ifrane é sui generis .

Assim, parámos, demos de caras com uma corrida de ciclistas à europeia com banda e tudo e almoçámos “em casa”. Carne de vaca estufada com massa à portuguesa. Era um domingo, os marroquinos veraneavam, com ar cosmopolita, na estância de Inverno, nada mais havia a fazer, prosseguimos viagem.















Duas horas, três e a estrada é infindável, sempre o asfalto sem margens cuidadas, o cuidado com os excessos de velocidade, a polícia, os adeuses das crianças, quatro horas...









não esquecer que anoitece cedo e não se aconselha a estrada, e trás!, quando a meta parecia não ser mera miragem, algures perto de Afourer, em plena estrada nacional, outro olhar sobre Marrocos. Não tão grave como em Babel, mas a roçar a mesma criancice que pode ter final trágico. Ao cruzarmo-nos com um autocarro , alguém do seu interior atira um objecto não identificado que nos bate com toda a força no vidro e TRÁS!, duas mossas , vidro partido, vidro a estalar por ali abaixo.







Parámos uns metros depois , queixámo-nos à polícia que concluiu nada poder fazer, não vimos quem foi, eles até mandavam parar o autocarro , mas não havia provas concretas, enfim, o vidro não se estilhaçará, se acontecer não há vidros destes em Marrocos, boa viagem, para onde vão, o melhor é estacionarem no Hotel Tazarkount, já aqui ao lado em Afourer, subir até às cascatas não é agora o mais aconselhável, anoitece, as curvas, enfim... seguimos o conselho das autoridades, para mais uma aventura, desta vez num Hotel. O parque de estacionamento era banal , mas o Hotel de 4 estrelas, tivemos de pedir autorização e como sempre negociar, 200 dihrams por cada carro, ou então um jantar no Hotel... regatear para a esquerda, choradinho para a direita, telefonema para o gerente, vá lá, 150 pela noite.
Entre cervejas (portuguesas!), acajus, chouriços , pão e queijo lá afogámos as mágoas, creio que a visita da bruxa já passou, um dia escreverei sobre ela, que em cada viagem faz pelo menos uma visita.




sábado, 24 de abril de 2010

Dia 4 - Na demanda de Fez


Deixámos as AC estacionadas no Camping e partimos, a pé, na demanda de Fez e, primeiramente, do 38. Curiosamente, não existem paragens de autocarro, assim guiámo-nos pelos ajuntamentos de pessoas à beira da estrada e das avenidas. Mas do 38 nem sombra. Andando, andando, percorremos mais de 2 km até que lá apanhámos o 20 e tal para o centro - Medina.
Desta vez , dispostos a perdermo-nos e a acharmo-nos sozinhos, dispensámos todos os guias, aliás, nenhum se aproximou de nós, à excepção dos breves momentos em que fazíamos ar de perdidos ou procurávamos algo, como a zona da tinturaria e dos curtumes.

A entrada pela porta azul da Medina é uma chapada de cor e de energia que exerce sobre nós o poder de um íman. Tudo é diferente, tudo são sensações...


Porta Azul









Para não perder o fio de Ariadne, o melhor é seguir a rua mais larga. Depois há sempre as estrelas coloridas dos 4 ou 5 percursos turísticos que basta ir seguindo, há sempre também uma legenda em francês.
Aos poucos lá nos vamos habituando ao negociar estratégico e secular, “Em Roma, sê romano!”




Aos poucos vamo-nos habituando à agitação, à azáfama de pessoas que empurram carrinhos de mão, à azáfama de burros que carregam e são arrastados entre doses de multidão, ruas estreitas, vozes cantadas, canto a Alá no altifalante da torre, torre da mesquita, mesquitas que se multiplicam...

















À hora do almoço, procurámos a Praça Recif e mergulhámos num mercado de odores enebriantes, é isto que é mágico nas viagens e aqui ainda mais, não se saber onde estamos exactamente e irmos sempre dar a outro lugar, as mais das vezes imperdível.
Com a barriga dava horas , guardámos o mercado para mais tarde.
No arejado terraço do restaurante em plena praça Recife, pudemos contemplar o que as visitas virtuais a Fez já nos tinham oferecido:





É mesmo real e físico!!!







Depois do razoável repasto, regressámos ao mercado e à Medina
.



Azeitonas...



As peles e as tintas fugiram-nos, vislumbrámos apenas um poster que indicava um terraço, mas demos de caras com um beco escuso com três indíviduos com ar suspeito que nos queriam levar não sei para onde. Não é exagero, por segundos pairou na atmosfera um ar pouco confiável, que nos fez perder a fotografia típica de Fez.
Os pés ardem, as emoções são fortes, nada como uma paragem ao lado das gentes da terra, ao lado da muralha, no seio da praça, antes de nova excursão pela medina judaica.








Judiaria e os seus balcões de madeira


Nova confusão, tudo se vende , tudo se compra, o silêncio só frente ao palácio, de portas fechadas , bem guardado de turistas e olhares curiosos.






Nova paragem frente à Porta da judiaria, de judeus nem sombra, ou lá estariam mas já disseminados pelas vestes longas .







No caminho de regresso ao camping conhecemos a amabilidade de dois condutores de autocarro: um que fez questão de nos levar , de borla (!), até à paragem correcta; o outro que fez um desvio só para nos deixar na rotunda mais próxima do camping. Afinal nem sempre o cifrão comanda a aparente simpatia deste povo ...
Embalados pela música de outro casamento, desta vez berbere, adormecemos...