sábado, 2 de outubro de 2010

Dinamarca: souvenirs e fotos inéditas

Fez ontem um ano, faz hoje um ano, faz este fim-de-semana um ano que voámos até à Dinamarca.

Foi, sem dúvida, uma das melhores prendas de anos que tive até hoje.

Dinamarca é um país diferente.



Em Copenhaga, a capital, todos se movem sobre rodas e disso se orgulham... certamente uma das cidades menos poluídas do mundo que disso se gaba e com razão. É certo que a sua planura também ajuda. Mas podia haver a preguiça e essa não a vi: velhos e novos, deste ou daquele estrato social, logo de manhã cedo as bicicletas dominam, porque com sol (raramente) ou frio (quase sempre, faz hoje um ano o frio já lá apertava...) todos rolam sobre rodas.


Em Copenhaga, a falta de sol faz com que as casas tenham cores variadas, o que faz com que mesmo deabixo do brilho da Lua (que no Inverno surge cedo) as cores alegrem o ambiente, como aqui no mais famoso dos portos (Nyhavn)..



Ainda que provavelmente com menos importância (ou menos publicidade) também existe uma família real e , como tal, uma guarda real. Apesar de não ser monárquica, o folclore que envolve a questão chama-me sempre a atenção. Se o povo paga mais impostos por causa disso, então já não queria ser dinamarquesa, já bastam os nossos IVA... No entanto, até na Wikipédia se lê, a propósito deste país : " possui o mais alto nível de igualdade de riqueza no mundo"...
Não percebo por que razão, os políticos e chefes de Estado, sendo tão viajados, gastando o dinheiro dos contribuintes nessas viagens , não se inspiram nos casos bem sucedidos...


Em Copenhaga , as praças têm sempre bicicletas que aguardam os seus donos. E podemos descansar numa qualquer estátua. Aqui esperávamos os nossos amigos virtuais, residentes na Dinamarca... a cidade , apesar de capital, não é assim tão grande que não permita, em poucas horas, um encontro combinado às pressas. Gostei de vos conhecer Vagabundos!



No seu coração, ainda há espaço para a diferença, como este famoso quarteirão, bairro, mundo à parte onde os hippies ainda existem e vivem no seu casulito colorido e festivo.



Há também quem viva, não em casas sobre rodas, mas vogando sobre as águas.
Os canais abundam, as águas enchem a cidade de vida e cor. No Inverno serão gelo...



Fora de Copenhaga, tudo é bem distinto. Experimentámos uma pequena vila, Tommerup, já situada noutra ilha (em Fyn- Fiona, cuja capital é Odense, a terra de Christian Andersen), que creio poder ser uma imagem da restante Dinamarca, fora da grande capital... uma vida calma, pacífica, pequeno sistema social ordenada e civilizadamente organizado, onde, num pequeno espaço, existe o essencial. Desde o tradicional:


à boa pastelaria e bens essenciais, como a padaria:


à ajuda humanitária e à inexistência de vaidade e preconceitos, porque até ali existe uma loja de roupa em 2ª mão onde todos podem contribuir e usufruir.




(Sim, é isso mesmo "Boutique da Cruz vermelha"! - Numa parecida comprei uma boina vermelha, da qual me orgulho!)


O sistema de ensino, na dita vila (e certamente nas restantes), tem interiores de escolas como estas, onde as crianças deixam os seus bibes, batas, casacos, galochas, pantufas e nada desaparece. Onde há cores nas paredes e quadros coloridos (não como as recém inauguradas escolas portuguesas que têm paredes pretas e assentos escuros para diminuir a agitação dos alunos..); onde há matraquilhos, computadores e corredores onde todos podem aceder, sem o risco de roubo ou danificação de materiais.


Onde a magia da literatura continua a ser comemorada, como o mítico soldadinho de chumbo


(Odense, berço natal de Christian Andresen)


ou a famosa "Pequena Sereia"




(Copenhaga)

Ainda em meios mais rurais, as casas bem tratadas, os jardins verdejantes e naturais, salientando-se o tal elevado nível de vida e o carinho com que todos tratam dos seus bens materiais, zelando por eles, tratando-os com as suas próprias mãos , de avental , nos tempos livres, um sábado à tarde na província , sem a mania ou vaidade de perder a tarde em grandes centros comerciais da capital...


E, finalmente recordo o motivo que nos levou à Dinamarca ( a expensas próprias, sem apoios governamentais) e que nos fizeram sorrir de orgulho: uma pequena equipa portuguesa - com os nossos filhos, os meus filhos - provinciana, com uma pisicina modesta e sem as condições ideais, consegue vencer e trazer para casa dois primeiros lugares, e , sobretudo, muita satisfação e orgulho, que valeu mais que todo o ouro do mundo...



Portugal está em crise, tem sol e dias longos ; Dinamarca está lá longe, de certeza com pouco sol, mas continua a brilhar , nas memórias, nas "saudades" (palavra apenas portuguesa!).


Mais Dinamarca:
http://viajantedecasaascostas.blogspot.com/search/label/dinamarca%3A%20copenhaga

http://viajantedecasaascostas.blogspot.com/search/label/dinamarca%3A%20Odense

http://viajantedecasaascostas.blogspot.com/search/label/dinamarca%3A%20tommerup

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Livros de férias e de todos os dias... para toda a família

Não deve ser novidade para quem tenha vindo a ler as anteriores crónicas, que depois das férias, a tónica tem caído nos policiais de Donna Leon.

Não que os desconhecesse, ou que estivesse sedenta de mistérios insolúveis, não. O mote foi revisitar Veneza, desta vez através da palavra, o que me levou a reler alguns títulos da obra da americana profundamente conhecedora de Veneza.

Eis alguns títulos (com imagens emprestadas da net), já que com câmara roubada é o que me resta fazer...










A crítica mordaz à sociedade italiana, dominada pela corrupção e sistemas mafiosos (tão semelhantes ao mundinho para onde o nosso Portugal se vai encaminhando...) e o retrato sublime da maravilhosa cidade, através dos olhos de um veneziano cansado de que a transformem numa Disneyland, é perturbante e viciante.

Recomenda-se!

Outros –leves – para férias :

Quanto a este nem me pronuncio, está tudo dito e é sempre lido (e relido).





Um crime numa Lisboa muito recente, num Portugal também criticado, não por um detective italiano, mas por um português. Uma personagem tão de carne e osso que cedo nos apaixonamos por ela. Para quando mais livros com o detective António Gaspar?





(a partir daqui , todas as fotos são da minha autoria...)


Outro crime, este bem mais pesado e denso, como é característico da autora. O cenário é invernoso, o que, debaixo de forte calor,mas já perto do Inverno, também se torna numa leitura agradável. Escócia é o país desenhado, a trama também é um desenho fascinante.


(foto minha)



Outro ainda: uma trama estranha, num mundo fora do comum.





Boas leituras!