quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Livros de férias e de todos os dias... para toda a família

Não deve ser novidade para quem tenha vindo a ler as anteriores crónicas, que depois das férias, a tónica tem caído nos policiais de Donna Leon.

Não que os desconhecesse, ou que estivesse sedenta de mistérios insolúveis, não. O mote foi revisitar Veneza, desta vez através da palavra, o que me levou a reler alguns títulos da obra da americana profundamente conhecedora de Veneza.

Eis alguns títulos (com imagens emprestadas da net), já que com câmara roubada é o que me resta fazer...










A crítica mordaz à sociedade italiana, dominada pela corrupção e sistemas mafiosos (tão semelhantes ao mundinho para onde o nosso Portugal se vai encaminhando...) e o retrato sublime da maravilhosa cidade, através dos olhos de um veneziano cansado de que a transformem numa Disneyland, é perturbante e viciante.

Recomenda-se!

Outros –leves – para férias :

Quanto a este nem me pronuncio, está tudo dito e é sempre lido (e relido).





Um crime numa Lisboa muito recente, num Portugal também criticado, não por um detective italiano, mas por um português. Uma personagem tão de carne e osso que cedo nos apaixonamos por ela. Para quando mais livros com o detective António Gaspar?





(a partir daqui , todas as fotos são da minha autoria...)


Outro crime, este bem mais pesado e denso, como é característico da autora. O cenário é invernoso, o que, debaixo de forte calor,mas já perto do Inverno, também se torna numa leitura agradável. Escócia é o país desenhado, a trama também é um desenho fascinante.


(foto minha)



Outro ainda: uma trama estranha, num mundo fora do comum.





Boas leituras!

domingo, 26 de setembro de 2010

Dois anos já lá vão , o domingo também



Já lá vão dois anos que nasceu este blogue...

Na altura tudo começou com um artigo sobre o Alqueva, na recém "Marina da Amieira"
(http://viajantedecasaascostas.blogspot.com/2008/10/lago-do-alqueva-em-meados-de-setembro.html)

e desde então vai sendo hábito uma visita anual ao local inaugural.

Dois anos volvidos, bisámos a ida, com a diferença de que a câmara fotográfica não pôde voltar a disparar e de que a Casinha, apesar de já ter quinta, ficou estacionada... porquê? lembrar-se-ão talvez de

http://viajantedecasaascostas.blogspot.com/search/label/Desventuras%20em%20autocaravana

As fotos de hoje são meras recordações de há dois anos atrás, mas o passeio de hoje, apesar de curto e de carro, foi simpático.

A planície continua quente, mas não um braseiro; a água continua azul, certas vezes com ondinhas brancas criadas pelos iates e barcos a apostar no ski aquático do lago (maior da Europa!); as vacas pastam; os sobreiros aguardam; as gentes passeiam-se.

Nem um única autocaravana naquele que continua a ser este belo e único cenário:



Algumas excursões ao local, a marina lá em baixo, os iates descansando, os novos desportos náuticos e o restaurante panorâmico, com preços a puxar o cordão à bolsa, mas, no entanto, cheio.

Em tempos de crise, tivemos de esquecer a paisagem circundante e optar pelo económico mas bem confeccionado almoço no restaurante da aldeia, mesmo ali ao lado. A aldeia é a Amieira, o restaurante "O Aficionado".

Por 10€ por cabeça come-se bem e com fartura, no meio da algazarra das excursões que chegam e partem para o passeio de barco. Mas como não se pode ter tudo, é quanto basta.

O que não basta é o curto e veloz passeio que nem deu para aquecer, e o domingo... que está a chegar ao fim...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Dia 9 – Despedida em cheio


Não podíamos partir sem colocar os olhos a repousar noutro tipo de beleza. Aquela que é do tipo mais tela, pincel e também pedra, e menos paisagem arquitectónica, embora todas ela, em Veneza, sejam fruto da mão criadora do Homem, esse ser que às vezes consegue ser sublime.
A casa-museu onde se reúne a Colecção Peggy Guggenheim, dito de outra forma, ou o Palazzo Venier dei Leoni, onde Peggy viveu (até morrer), durante anos, rodeada de obras de arte, é duplamente arte: pela casa e sua localização e pelas peças que a constituem.


Peggy G. era filha do milionário Benjamin Guggenheim que, ao morrer (no naufrágio do famoso Titanic ou no tão famoso naufrágio), lhe lega uma avultada fortuna, tendo ela apenas 21 anos. Apaixonada pela pintura, e , segundo as más línguas, pelas mãos e corpos artísticos dos seus criadores, esbanjou (felizmente para nós, pobres mortais) a sua fortuna, coleccionando obras de arte. Paris, Londres, Nova Iorque, Veneza são alguns dos grandes centros artísticos envolvidos no seu percurso como benemérita da arte do século XX.


No palazzo onde residiu e que agora faz parte da Fundação Solomon R. Guggenheim (seu tio), reúnem-se obras de Pablo Picasso, Salvador Dalí, Magritte, Jackson Pollock, que a milionári a foi coleccionando ao longo da sua vida e com as quais foi decorando a casa, assim, nem mais nem quê!

Para além da possibilidade de se poderem contemplar obras únicas, este museu proporciona ao visitante a extraordinária experiência de sentir aquela que foi a casa de alguém apaixonado pela Arte, com um tremendo bom gosto, visível na arquitectura, interiores, jardins, pequenos objectos, algum mobiliário. O que não existe, imagina-se, porque em cada divisão há uma fotografia a preto e branco que mostra a casa como ela era habitada, com Peggy e tudo.



Cabeceira de prata (da cama de Peggy)

Nos jardins estão sepultados os seus muitos cães, assim como os restos mortais da milionária. Ao lado do muro com os seus nomes, eleva-se uma árvore assinada por Yoko Ono, que em vez de flores ou frutos deixa pender papelinhos com desejos dos visitantes.





Numa das obras também dá para brincar...

A casa, qual fortaleza com entrada exclusiva para o Grande Canal, tem ainda a sua entradita mais modesta numa das ruas labirínticas de Veneza , na zona de Venier, num dos cantinhos de Dorsoduro.

Entrada que passa despercebida

Os preços são moderadamente acessíveis (adultos 12€, estudantes grátis).
Não esquecer que o mundo Guggenheim tem as suas raízes noutros pontos do mundo, sendo o mais perto de nós o Museu Guggenheim , em Bilbau.




Das traseiras do palazzo a vista para o Grande canal é assim...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Casinha andarilha nas "PAlavras Andarilhas"


Sem câmara fotográfica não me resta outra hipótese senão "roubar as imagens dos outros... vamos ver se têm coragem de ler, mesmo sem fotos...


Tudo afinal são viagens.
Umas sobre rodas que giram por essas estradas fora, sobre pés que calcorreiam praças, campos, largos, becos, calles, avenues, jardins, garten...e dessas nascem palavras na 1ª pessoa que poderão ser de 2ª, 3ª ou terceiros.
Outras sobre palavras que são andarilhas e que, vindas de tempos sem data, de espaços longínquos, criam estórias, contos , lendas que, todos juntos , confluem em Beja , de dois em dois anos.
Este ano foi ano sim de “Palavras Andarilhas”, em Beja, de 16 a 18 de Setembro. Foi tempo para a Biblioteca Municipal José Saramago (e a sua fantástica equipa dirigida pela ágil e criativa Cristina Taquelim), e a cidade de Beja, receberem contadores de todo o mundo (Portugal, Espanha, Brasil , Itália, Colômbia....), participantes de todo o país, escritores, poetas populares, poetas à desgarrada, rappers, estórias de vidas, livros acabadinhos de sair do forno, de papel ou de pano, oficinas de voz, de poesia, de contos, de recontos, da palavra feita acção, riso, emoção. O programa, apesar de já ter passado, ainda está no site (http://www.juventude.gov.pt) para consulta.
Para mim, estreante nestas “andarilhanças”, foi o tempo (três longos-breves dias) para delirar com as estórias enérgicas e musicadas de “Cegarrega dos Bichos”; com o hipnotizante e sempre hilariante Jorge Serafim; com o fabuloso mundo do cartonista Javier Saéz Castán; com a voz singular e revolucionária de Fanny Abramovich; com a simplicidade, optimismo e espontaneidade da D. Idalina, uma mulher da terra (alentejana); com a suavidade e doçura dos contos de Luís Carmelo; com a loucura fantástica e saudável de Pep Bruno; com a irreverência boçal de Thomas Bakk; com o ritmo alucinante das décimas improvisadas de Alexis Pimienta; ... isto só para nomear alguns, correndo o risco de me esquecer de tantas outras coisas boas que por lá vi e senti.
Menos bons foram alguns tempos mortos em que desejava ver e ouvir mais e nada havia, ou , pior que isso, em que algumas actividades passaram em branco, vá-se lá saber porquê, não se realizaram mesmo... estariam os artistas nos braços de Morfeu? A jantar? Mau....
Menos bom foi também o facto de a Casinha ter ido a Beja somente por uma noite. Mas, o Camping Municipal de Beja, na sua modesta aparência, soube-nos receber bem no preço, paz nocturna e ambiente a lembrar campings marroquinos.
Assim se rola com palavras, andarilhando duplamente.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Dígito novo

Que bom , há mais um dígito no meu número de visitantes.

Obrigado a todos quantos me visitam.

Está na calha uma nova crónica, aliás duas, uma sobre Portugal, a outra a continuação das férias grandes 2010.