sábado, 27 de novembro de 2010

Cheers Baviera!!!



Cheers, Baviera!
Aquela imagem ficou parada e registada na minha mente fotográfica desde 2004. Um fundo totalmente verde, na vertical e na horizontal, no elemento terra e no elemento água, cortada por vermelhas cúpulas ogivais e redondas. A capa dizia: “Volta do Mundo – Bela Baviera”. Folheando as páginas, entrava-se num reino de fadas, onde a protagonista era a bela natureza.
Foi este o nosso segundo dia à laia da peugada atrás de Paulo Gama e Luís Filipe Catarino, os viajantes da Volta ao Mundo, depois da descoberta do comboiozito.
Este segundo dia foi finalmente o grande dia, o dia da descoberta da imagem da capa, o tal reino verde, pintalgado de cúpulas vermelhas. Depois de uma noite tranquila ao lado do cemitério, voltámos novamente a território alemão, com a mira em Berchtesgaden, segundo os viajantes da Volta ao Mundo, um reino de festa, cerveja e alegria nas ruas. Como a zona de AC estava em obras, decidimos voltar mais tarde e seguimos os sinais que puxavam para o lago Kognissee, apenas a 4 Km. A estrada termina sem saída, ou se volta para trás ou se estaciona num longo parque de estacionamento com parkómetro à hora, com ruas e ruelas de carros , AC e autocarros.
Apesar de tanto desejar “tocar” na foto que me perseguia, não percebi que era ela que já ali estava, a escassos metros. Primeiro atravessa-se uma pequena povoação com típicas construções alpinas: telhados e rendas de madeira nas varandas, flores alegres, montes verdejantes à volta.



Com
o não me parecia que fosse já ali, também me surpreendeu encontrar o “ninho de águia” sobre o qual havia apenas lido.


O “Ninho de Águia” (The Eagle’s Nest) foi a residência construída propositadamente para o Fuhrer Adolf Hitler, que mal se gozou dela, devido ao seu medo de alturas, imagine-se!). Ele ali estava, discretamente indicado num daqueles binóculos verdes que comem moedas de 1 ou 2 € se para lá espreitarmos. De facto , a construção mal se via, lá no alto do cume do monte Kehlstein. Acessos só por estrada às curvas (e de bus) e depois, ou se escala a montanha ou se penetra o interior da montanha através de um elevador. Como não sou fã da criatura, bastaram-me as visões cá de baixo e foi o suficiente para que Hitler se começasse a instalar, a partir dali, nos nossos temas de conversa.
Depois das casas de madeira (todas elas alternando entre hotel-restaurante-loja de souvenirs) lá estava Ele a consumir-me as forças, a engolir-me , a gritar-me “PÁRA!”.
Era o lago Kognissee, verde, verde, verde, três vezes verde!!! Uma visão sublime que nem as fotos conseguiram registar. A estragá-lo uma fila gigante contorcida em três. Os guichets anunciavam o tal passeio pelo lago, até às cúpulas – igreja de S. Bartolomeu – numa volta de 2 horas, ida e volta, num barco de recreio. O tal em que o marinheiro toca uma corneta dourada que ecoa pelas paredes concâvas e verdes do lago. Mais infernal era ainda o colossal preço: 32,50€ por família! Num puro acto de sovinice do qual me arrependi até hoje, recusei-me a pagar as três notas e optei pelo percurso pedonal, 20 minutos a pé, engolidos pelo verde e pelos trilhos, até chegar a um miradouro donde se avista, lá bem lonnnnnnnnnnnnnge, a vermelhidão das cúpulas e a brancura das paredes da igreja.











Quem se lembraria de construir no seio do nada que é tudo, só acessível por barco ou pelos ares dos falcões e águias (claro que por montanha também seria uma boa opção para sovinas...)? Só mesmo frades de há muito tempo atrás ( 1134) em homenagem ao referido santo, padroeiro dos agricultores alpinos e ainda hoje motivo de peregrinação anual no primeiro sábado, depois de 24 de Agosto.
Fala-se também do eco naquele vale côncavo e fala-se para o ouvir. Muitas eram as vozes e sons que andavam gritados pelo ar...





Por causa do estacionamento limitado pelo tempo, acabámos com as belas vistas e recuámos até Berchtesgaden. Teria sido também a qui que Hitler optaria por veranear (ou invernar), já que a subida ao “ninho” não era o seu forte.
Berchtesgaden é uma cidade pacata e extremamente simpática. Infelizmente, não vimos animação nem a banda a tocar. Mas as paredes, com as pinturas em trompe d’ oeil eram uma verdadeiro festim para a lente fotográfica.
















A praça principal também , com as suas fachadas a evocarem a história dos jovens da terra na 1ª e 2ª Guerras Mundiais. Mais uma vez Hitler não nos largava...










Para além do passado retratado nas paredes, é também visível a preservação dos costumes que vêm do passado até à actualidade.







O dia ia longo em emoções . A luz, na Alemanha, em pleno mês de Agosto, parece , porém, que se apaga cedo. O céu, apesar de serem apenas 17.00, já parecia o nosso outonal das 19.00, o que nos levou a procurar hotel....




minto, LAPAC (local aprazível para AC).
Intuitivamente, voltámos na direcção de Schonau- a-Kognissee e achámos mais uma pérola de radiante beleza verdejante. Haverá ali algo que seja feio?
Apetecia um mergulho na piscina local, mas o dia parecia terminar para os alemães. Ao lado da Rasthaus uns vizinhos petiscavam e estacionámos a seu lado. Um belo sítio, sem dúvida (N 47º 36’ 20,6’’ E 12º 59’ 8,7’’ ), para ficar, dormir e sonhar.


E nada como terminar o final da tarde estreando um dos ex-libris da Baviera alemã: uma fresca e saborosa cerveja numa agradável Bieregarten.
Cheers, Konigssee! Cheers, Baviera!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Enquanto espero...



Enquanto me inspiro para que as palavras rimem com a imagem , aqui fica um dos locais que mais me inspirou nestas férias antes de partir , no "durante" e agora, meses depois.

Alguém se aventura a escrever sobre ele, para além de mim que aguardo a Musa?!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Mais uma lição de História em Mérida

Desta vez o pretexto para ir até Mérida foi outro. E bem diferente.
É certo que a Casinha não viajou, mas viajámos nós e ela esteve sempre presente, em muitas conversas, em comparações, em motivos, em revisitações.
Desta vez, um ano depois de uma visita em AC também em Novembro, o motivo foi cultural. Mais concretamente a representação portuguesa de uma peça inglesa, curiosamente em território espanhol. A representação do nosso grupo , SOIR, Joaquim António d’ Aguiar; a peça “Sonho de uma noite de Verão” , do grande Mestre William Shakespeare, num intercâmbio transfronteiriço que este ano se inaugura. Trocas e bel-trocas entre Mérida-Badajoz-Évora.


A peça
Trocas também de línguas e linguagens, de culturas, estórias e já se sabe, porque estávamos em Mérida, de História.
Enquanto o cenário da peça se ia transformando: de pau, ferros, tecidos e escuro em árvores, floresta encantada e semi penumbra encantatória,houve quem fosse guiado pelo “maestro”, actor e organizador Pepe, de Emerida natural.
Primeiro um passeio ao longo do Guadiana, passando pelo antigo “molino” agora transformado em albergue de peregrinos a “caminho de Santiago”. Pelo caudal do rio igualmente alentejano, novos percursos para os amantes de jogging, ciclismo amador, pesca. E também desporto. E SEMPRE, SEMPRE, restos de muralhas, antigos caminhos romanos, pontes velhas , pedras!


A ponte não inteiramente romana e os muros da Alcazaba
Não são umas quaisquer pedras, é certo, é a presença secular de uma grande e espectacular civilização, de Roma até aqui!
Muitos cantos já não eram novidade, desta vez vistos de fora e noutra óptica, como o Alcazar, o Tempo de Diana , agora recontados através das estórias de Pepe, um amador de teatro e da sua terra e suas histórias. Ali , frente ao tempo homónimo de Évora, contou a estória de Santa Eulália, a santa mártir tão apreciada pelos cidadãos da terra. Podem não ser muito católicos, mas ao que parece qualquer emeritense que se preze acredita na sua santinha. Segundo a lenda, por defender o cristianismo, foi trazida pelos romanos de uma localidade onde morava, perto de Mérida, para ser mutilada e sacrificada, mas foi trazida desnuda. O milagre fez-se quando a névoa decidiu tapar a mártir , ocultando as partes despidas da pobre Eulália. O dia da padroeira comemora-se a 10 de Dezembro e cada vez que as névoas se repetem (e em Mérida há muitas), chamam-lhe as névoas da Santa.
A rua mais movimentada e comercial de Mérida( a de Santa Eulália) é paralela à do antigo Fórum da Lusitânia, onde se encontra o Tempo de Diana. Um ano depois, algumas novidades: no apertado recinto, constrói-se agora , à volta do templo, uma espécie de fórum numa tentativa de recriar o passado. Ao que parece está a gerar controvérsia. O que nos foi dado ver, ainda em construção, não abonava em nada a favor do espaço, mas daqui a um ano pode ser que a visão seja menos agressiva.
Conhecemos ainda o outro fórum, o local, mais um recinto cercado de um muro de arame e fossos com pedras sempre por escavar. As esculturas e motivos originais encontram-se no Museu, na parede ao fundo.


A parede do fundo

As sete colunas que dividem as sete alas em comprimento do Museu, foram feitas à escala e dimensão do Arco de Trajano, no centro da cidade. Lá parámos também, sem nos apercebermos da real dimensão desse arco do Triunfo, porque debaixo dos nossos pés se encontra a estrada romana, soterrada , elevando o piso muitos metros acima daquilo que era no passado.




Museu da Cidade e os "sete arcos"
Desta vez não entrámos no anfiteatro nem no circo, mas fomos passando, ouvindo a História, confirmando e preenchendo outros relatos com sillas, Augustos, termas e aurigas.
Não fomos ao antigo reino da arte de representar, mas pisámos, claro, uma moderna sala de espectáculos, a sala Trajano, onde, nuestros hermanos nos receberam e aplaudiram.

Da actualidade, atravessámos a ponte Lusitânia , da autoria do arquitecto Santiago Calatrava, uma ponte original pela qual os peões circulam no meio e no plano mais elevado, enquanto os veículos circulam dos lados. À noite, a iluminação reflecte-se poeticamente no Guadiana. Do outro lado, cresce uma mais moderna Mérida. Do lado direito, o Palácio dos Congressos , um cubo que exibe o traçado da planta da cidade como se fosse vista do avesso, brotando para fora das paredes.
Ponte Lusitânia
Do lado esquerdo, a Biblioteca Municipal, no seio de um amplo espaço verde, onde a escultura de 7 gigantescos livros evoca a lenda das “Sete Sillas”.

Lá ao canto o Palácio dos Congressos

Uma palavra ainda especial para a simpatia dos anfitriões que nos regalaram o paladar com uma espectacular paella em pleno ar livre, num improvisado e salutar pic-nic , paredes meias com a planície da Extremadura e do Guadiana.






E ainda algumas curiosidades: como saber que na Extremadura espanhola existe a profissão de cortador de jamón... com direito a conferências e tudo...
Ou que Pepe é o mesmo que José;
ou que Guillermo e Guillerme podem ser duas assinaturas reconhecidas e assinadas pela mesma pessoa, só porque se é espanhol, só porque se é galego (da Galicia!);
ou que presunto não é evidentemente o mesmo que jamon, porque “presunto” pode ser ladrão ou até assassino: “el presunto (presumível) ladron”, “el presunto assassino” ;
ou que aqueles nuestros hermanos de Badajoz são como nós , amantes de Porto Côvo...
Ficou a saudade da casinha sempre revisitada. Na nossa quinta onde o bus estacionou e nós a relembrámos. Quando a noite chegou e nos vimos confinados a uma camarata fria e inóspita, de um albergue juvenil. Quem nos dera o nosso capuccino quentinho e cheiroso!...



o grupo ibérico

E um especial agradecimento aos fotógrafos aqui autores: Esther, Filipe e Liliana!!!

sábado, 13 de novembro de 2010

Ainda o dia 11com a prometida “Música no Coração”



Novamente nas auto-estradas austríacas, deslizando rapidamente até Mondsee, uma pequena localidade à beira do lago com o mesmo nome. Mais uma longa extensão de água, pintalgada por barcos e barquinhos, tudo na passeata. Não que fosse a água a levar-nos até Mondsee. Como já referi, o íman que vinha do passado e que até lá nos atraía, chamava-se “The sound of Music” do nosso primeiro passeio até à Áustria. Não que fosse o filme das nossas vidas, mas, caramba, sempre foram horas de tela, tantas vezes nas férias do Natal, pelo que ,mesmo ali ao lado, convinha desfazer o mito do cenário onde o casal Von Trapp se casou.


E a vila pouco tem, para além do largo com a igreja amarela e barroca, a Basílica de S. Miguel. Primeiro foi igreja do mosteiro beneditino, no séc. XII; depois basílica gótica a partir de 1470. O seu exterior é pouco revelador, o amarelo até faz lembrar o Alentejo (menos ocre), a suprema e impressionante visão bate-nos quando entramos. Contrariamente ao barroco português , este , o alemão, choca pelo brilho das colunas negras e douradas e encanta pelos ogivas de rosa pintadas com singelas florzinhas de massa. Um e outro são um festim para a visão como o Barroco tanto apreciava. A altura das naves é também imponente.



Fora a igreja e o lago, o mais envolvente é sem dúvida o cenário circundante. A vila será certamente como tantas outras, limpa, organizada, quieta, imóvel no tempo. Ainda uma praça florida com uma pequena feira frente à basílica, um largo com esplanadas veraneantes e turistas bebericando cerveja apesar da chuva miudinha, ruas quase desertas, sobretudo a partir das 18.00.
Estacionámos, primeiro, por 0,50 cêntimos, no cais, ao lado de cafés e restaurantes e frente ao lago. Ao lado, uma pequena feira de diversões e o sinal de proibido para caravanas. Depois do passeio até à igreja, decidimo-nos por uma área mais pacata.




Como é da praxe entre autocaravanistas, poisámos num pequeno largo onde mais duas “vizinhas” já por lá paravam, com ar de quem ia começar a fazer o jantar. Ao lado, o cemitério, do outro uma área residencial (47º51´08.4´´ / 13º 20´46,5’’). Mais sossegado não podia ser. À noite, as luzinhas do primeiro espaço piscavam no ar, entrámos e experimentámos a organização austríaca... até na morte. Considerando-nos um pouco a dar para o macabro (provavelmente influências do santo abade esqueleto no altar da igreja),



e sabendo que à noite o largo era um deserto, rendêmo-nos ao sossego, soprámos a vela e adormecemos ao som da música... da chuva no “telhado”, obviamente.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Quase por água abaixo



Não fomos por água abaixo, mas bem abanados fomos.
Antes esteve sol, antes veio o Verão de S. Martinho, mas no fim-de-semana do dito, ainda por cima com feriado, veio a chuva e o vento e ambos destronaram o sol.
Lisboa foi o grande alvo. E nós, fazendo orelhas moucas às notícias, foi para lá que nos dirigimos na noite de 6ª feira, 29 de Outubro, a das cheias na baixa pombalina. A chuva não havia atingido a “nossa quinta”, paredes meias com o palácio cor-de-rosa. Depois de uma bifana em Vendas Novas ( o berço natal das ditas cujas), Lisboa era a cama mais perto para no dia seguinte prosseguirmos viagem pela costa oeste.
Afinal a chuva amainou e a noite balançou serena.
Depois da tradicional ida aos pastéis de Belém, lá partimos rumo a Peniche. Frente aos Bombeiros, muitas AC invernavam. Alheios a tal, já esperados pelos amigos sem AC, lá fomos ao passeio costumeiro e obrigatório: o forte de Peniche, ex-prisão, actual Museu da cidade.É incrível como um espaço tão carregado de estórias tão sofridas, se insere num quadro de grande beleza quase selvática. Selvagem é também o termo para designar o que por lá se cometeu; coragem e ousadia outros para designarem os nomes daqueles que de lá se evadiram.

Olhar o túnel, com maré alta ou rochas escarpadas é sempre recordar Álvaro Cunhal ou a solitária de Dias Lourenço.

.

A chuva, tímida, ia pingando, para à noite nos fustigar, qual chicote mesmo por cima das nossas cabeças. Pernoitávamos na zona do Cabo Carvoeiro, num bairro tranquilo, ao lado de três AC nitidamente de “amigos de Peniche”. Talvez um daqueles que agora me lê ...
No domingo, ainda chuvoso, partimos mais para interior, na miragem de uma feira de Santos e frutos da época. Qual quê! A vizinha Alcobaça anunciava, via Público, uma feira de S. Martinho, mas afinal só se via uma tenda com vendedores de produtos alusivos. Valeu-nos a visita histórico-cultural ao Mosteiro.


Começado em 1178, é a primeira obra gótica em Portugal, classificada agora como Património da Humanidade pela UNESCO e como Monumento Nacional. Para além disso foi também eleita como uma das sete maravilhas de Portugal.
Para além de ser berço da ordem de Cister e terreno para homenagear D. Dinis, também lá se imortalizam os amores contrariados de Pedro e Inês. A visita aos seus túmulos é uma viagem num capítulo da nossa História e Literatura e, também um mergulho na esplêndida simbologia gravada na pedra dos seus sarcófagos, frente a frente, para todo o sempre.







Depois da lição de História (e até de memórias teatrais...), regressámos à beleza fera , selvática, das marés sem dono nem rei nem lei. Como a praia dos Super-Tubos. Ou a do Baleal, cuja estradita era varrida por ventos e areias, desafiando-nos , desafiando-se.
Aquela língua de vivendas térreas e mar de ambos os lados é outra singular beleza natural, pelo homem transformada. Assim como, lá na ponta, a simpática Casa das Marés, onde sempre me apetece alojar. Não fosse ter a minha casinha ali ao lado e juro que experimentaria...
Antes de deixar Peniche, decidimo-nos a dormir lado a lado com mais uma dúzia de AC frente aos Bombeiros, em pleno cenário de muralha e rio.

Segunda-feira acordou com um sol tímido como a metereologia anunciara. Os planos não seriam, pois, gorados, para uma visita até ao Bombarral, no Budda Éden.







A recriação do milionário Berardo, do visionário, do idealista, está ali , à mão de semear , com visita grátis e tudo. Budas imensos, imensidão de pedra e de terracota, num imenso espaço aberto, de verde e árvores ... e até um lago a que só faltavam as barcaças. Visão estranha, pelo contraste, pela invulgaridade, pela grandeza que transpira dinheiro ... a mais...


Para terminar, vamos lá almoçar numa recatado e simples restaurante de Bombarral, por exemplo, um tradicional bacalhau na brasa .
Ao longo do caminho, de Peniche ao Bombarral , acendia-se bem viva a tradição do “pão por Deus” praticada por crianças com sacos de plástico, ansiando por doces.
Nota simpática: graças às fotos emprestadas de A.D. , o Tózinho das canções inspiradas de M., esta crónica de viagens é acompanhada de cores e formas. Obrigada, amigo (e grande Afonso IV) pela lente fotográfica !

sábado, 23 de outubro de 2010

Dia 12 – Salzburg dourada


E dali até à Áustria foi outra vez um pulinho.
Por entre o verde e uma fronteira que mal se nota – somos só europeus!... – e uma língua que é sempre a mesma, carregada de “erres” e palavras compridas, só mesmo as placas e as bandeiras indicativas de um outro país dão a ilusão que saímos de um e entrámos noutro.
Foi por causa dessa língua tão deles e tão pouco nossa (nem às vezes o inglês se vislumbra escrito , quanto mais o espanhol ou português!...) que, chegados a Salzburg, depois de nos terem negado o estacionamento num Park&Ride às portas da cidade, nos enfiamos num parking misto ao lado de uma Igreja no centro da cidade (lamento mas as coordenadas ficaram no GPS roubado, em todo o caso de certeza que vocês também não querem o endereço pelo que vão “ver” a seguir...) e não percebemos que não eram 5€ por 4 horas. Nem conto quanto pagámos por 4 horas de estacionamento, porque até coro só de me lembrar.
Mas como a conta só a conhecemos no final, passemos a recordar a manhã passada na cidade natal de Mozart, a cidade atravessada pelo rio Salzach e contemplada pelos montes alpinos....
Frente ao rio, deixámo-nos arrastar pelas multidões e seguimos o roteiro turístico normal que se centra pela zona antiga – Altstadt - e a famosa rua Getreidegasse.
Da longa lista de monumentos , entre os quais 35 igrejas, alguns jardins e palácios, reservámos a nossa visita para o calcorrear das principais praças da Altstadt, pela Getreidegasse e pelas casas do famoso compositor: Mozart's Birthplace e Mozart's Residence.

A primeira encanta pelo próprio espaço, a segunda revela-se mais rica a nível da informação que proporciona sobre a vida do pequeno-grande génio e da época em que viveu, sempre acompanhada, através dos audio-guide, da música do Autor.






A cozinha da mamã do pequeno Amadeus...



O tenro prodígio começou cedo na lide das pautas.

o clavicórdio no qual compôs " A Flauta Mágica"

Depois de tanta cultura, que mesmo assim visitámos em tempo recorde, nada como deslizar por todo aquele ambiente rico de adornos, nas praças, nas ruas, nas decorações. A praça de onde Mozart contempla pombos e numerosos turistas é um ponto estratégico para parar e admirar.



O próprio!!!



A fonte na praça Residence é também um belo exemplar de jogos de formas.
Sim, o que mais impressiona em Salzburg são, sem sombra de dúvida, as cores e as formas. Berço do Barroco, compreende-se ali por que razão aquele estilo tinha como objectivo encantar, influenciar, encenar. A encenação é de luxo e puro prazer visual.

Ainda assim, apesar de me apegar a sensações e a nada que passasse por algum facto objectivo ou concreto, Salzburg não produziu a tal magia encantatória que havia produzido anos atrás, aquando da primeira vez.
Ou talvez sim, lembro-me de ter ficado fascinada com tudo e de considerar tudo diferente; desta vez, fora as cores e as formas, muita coisa ali repetia o que se vê por tantas cidades europeias ditas cosmopolitas e turísticas. Deve ser o preço da globalização que rouba as linhas da individualidade.



Sim, é mesmo o tio MAc omnipresente...




O que vale é que também há bolos originais...


E montras artísticas

As lojas especializadas em artigos de Natal e outras festividades também são um ponto de diferença






E animação

E cores naturais


A chuva miudinha e depois com tendência a engrossar, encaminhou-nos para o parque de estacionamento. Em boa hora, caso contrário não só coraria como ainda choraria, neste momento.
Face à avultada e pérfida soma, lançámo-nos portas fora do reino musical e barroco. Ainda girámos à procura de outras zonas para estacionar, mas , de facto, constatámos o que já havíamos lido: que não é fácil estacionar, sobretudo AC, em tal cidade alpina.
Face às nuvens carregadas e tais entraves, rumámos até Mondsee, decididos a revisitar aquela que foi palco de uma das fitas mais longas da história do cinema... não que a dita fita fizesse parte das nossas nostalgias do passado, mas havia uma ponta de curiosidade por ver o que estava por detrás daquela montanha, quando há anos atrás, na 1ª viagem àquelas partes, me ficaram a ecoar as palavras do motorista: “aquela igreja foi onde eles se casaram, na Música no Coração”.
Até lá...



terça-feira, 19 de outubro de 2010

Um salto até à Arrábida

Subtítulo: Mesmo sem fotografias (http://viajantedecasaascostas.blogspot.com/2010/08/desventuras-em-autocaravana-i.html)

vejamos quem nos lê...


Para quem vive no interior, a sul do Tejo, ou até mesmo na capital colado ao dito rio, a Serra da Arrábida é uma excelente alternativa por dois motivos óbvios. Para os primeiros, a possibilidade de matarem saudades do mar; para os segundos a hipótese de relaxarem da metrópole poluída e stressante. Não será só assim, claro: para qualquer um dos dois, ou para qualquer português do Norte ao Sul do país, Arrábida é sinónimo de mar, descanso e ainda , óbvio!, serra, belíssimo cenário natural, boa gastronomia (peixe fresco !!!) e até alternativas culturais , físicas, ambientais e muitas mais...
O que nós queríamos mesmo era descansar e ver o mar, o que fizemos com sucesso , depois, ainda enchemos o saco de outras das referidas alternativas, assim, sem as procurar, ao sabor do momento.
Aconselhamos, então, alguns pontos estratégicos:
Setúbal, às portas da Serra, cidade que pode ser o meio termo entre a confusão da cidade e a pacatez do campo. Nós optámos por lá pernoitar em AC, depois de jantarmos com uns amigos em Azeitão e depois de darmos de caras com o portão fechado da nova Área de Serviço para AC , no Parque Natural de Alambre. Em Setúbal, na zona das docas, de frente para o rio e para a iluminada Troia, apesar do espaço ser acanhado, lá pernoitámos sossegadamente numa ruela a caminho da pescaria nocturna de muitos carros com seus pescadores. Atingido o primeiro objectivo (mais de 10 horas de sono!!!), ainda tivemos tempo de dar um passeio rápido pela metrópole de Setúbal, um centro antigo restaurado, arejado e com vida. O Bocage, ou Elamano Sadino de pseudónimo, é ali sempre homenageado (soubera ele e voltava à praça natal...) em cada esquina, loja ou pastelaria.
Outro ponto ideal para este início outonal é a praia da Figueirinha: sol, pescadores, e amantes de banhos de sol meio vestidos , meio arregaçados, e ainda a possibilidade de percorrer o long braço de areia (ou seria o caminho das pedras do JC?)até à ilhota no meio das águas. Essas são limpas, translúcidas , só faltam mesmo os corais. Do outro lado, o verde, arriba acima.
Subir a serra é outro atractivo. Galápos, pequena praia só mesmo descendo a pé; ou Portinho (de autocaravana ainda nunca nos aventurámos), são mais dois pontos naturais a não perder!!!
Para quem prefira entrar mais para o interior, não fica a perder com algumas vilas de Azeitaõ, como Vila Nogueira, uma simpática vila, com muito por onde escolher, nem que seja o sossego bem arquitectado.
Nós optámos por Sesimbra, mas acábamos por mal a conhecer, fomos até ao fim da linha, escandalizámo-nos com o preço das ameijoas e com um campinho atarracado onde 6 ou 7 AC acampavam ao som dos acordeãos. Mais uma vez ficámos sem pisar Sesimbra , para irmos pasmar na praia da Bica, ali, paredes meias com o Meco. Atenção! O “pasmar” implicou : contemplar a imensa paisagem, sestar, ler, e até estudar! Tudo actividades nobres e rentáveis, nada de tédio e inércia perniciosas...
O escuro caiu, e, de repente, acordámos da pasmaceira boa e apeteceu-nos algo mais animado. De comum acordo, e porque são estas as boas partidas que a vida em AC nos proporciona, deixámos a Serra e passámos para o outro lado do rio. Onde foram eles, dirão vocês? Apesar de repetido e nas antípodas das Bicas, o rumo foi até Belém, para o “nosso Quintal”, ali mesmo ao lado do rio, com a benesse de podermos acordar de manhã ouvindo gaivotas, vendo veleiros e saboreando pastéis de Belém.
Na manhã de domingo acordámos , entretanto, com sirenes e apitos. No outro lado da movimentada estrada, mesmo ali na residência cor-de-rosa , assistia -se ao render da guarda, com a ”fanfarra”, turistas e tudo. Era o 3º domingo do mês, ao que parece o dia aprazado para tal cerimónia. Qual costume monárquico, Portugal também se veste de cabeleiras louras, trajes militares, música da banda e cavalaria. E assim se gastam os dinheiros dos contribuintes, para embelezar a imagem da Presidência, enfim, do país solarengo e europeu, de brandos e belos costumes. Toque a banda!
E já que estávamos numa de República , que tal um salto ao Museu da electricidade, para ver o último dia da exposição “Os carros dos Presidentes”? O subtítulo da dita “O motor da Républica” só se lia literalmente, lá dentro, entre Porches, limousines, Mercedes, Citroen e BMW (mais ou menos por esta ordem), relembravam-se os caminhos por onde circularam os grandes da Nação, desde o Estado Novo aparatoso à actualidade mais modesta (só BMW, coitadinhos!). Se pensarmos que a marca alemã se multiplica por ministros, secretários, directores e chefinhos concluímos que o “motor” é afinal o motor gastador!
Estava na hora de pôr outro motor a trabalhar: o do regresso, mas com a barriga cheia de descanso, sol, mar e até de pastéis e presidentes de Belém. Como os pastéis , soube a pouco...