sexta-feira, 17 de junho de 2011

Festas na Barquinha


Não é só na divina Constância que as festividades ocorrem entre 10 e 12 de Junho. Um par de quilómetros rio abaixo, a Barquinha (Vila Nova) também dá o ar de sua graça, não para imortalizar os versos do Poeta, mas para imortalizar outro tipo de poesia. Chama-se Festival de Animação e Teatro de Rua, e decorreu num espaço fabuloso “destoutra” vila piscatória das Tágides, no parque da vila à beira-rio, galardoado com um prémio de arquitectura em 2007.



O relvado é imenso, convidando ao passeio, lazer e divertimento.
Isto mesmo sem Festival, porque com ele as surpresas aumentam: gente que pinta caras, artesanato, cheiros das tasquinhas que espicaçam o apetite, gente que faz das árvores casa, e até duendes e cavalos gigantões.













Esta última atracção, vinda de Espanha (Carros de fer), animaram a relva e a noite da Barquinha com a poesia dos efeitos visuais.




Também hospitaleira, a Barquinha saúda autocaravanistas com uma zona de serviço inserida no referido parque (na data ocupada pela área da festa, mas não será assim todos os dias…).

terça-feira, 14 de junho de 2011

Camões escolheu Punhete ou Constância?


Não é de admirar que em Constância, vila do distrito de Santarém, debruçada no cruzamento entre o rio Tejo e o Zézere, a organização e o aprumo sejam uma “constante”. Depois que limpou o seu nome de baptismo menos próprio – Punhete -, já no século XIX, Constância enfeitou-se de esmeros. Coisas de nomes…
As ruas são limpas e a sua geografia e arquitectura organizadas, lá do alto do casario tudo pende airosamente até aos rios, o branco das casas mira-se nas águas e o verde espreguiça-se por ali afora, num clima ameno e gentil. O encontro entre os dois rios ajudou certamente a que fosse abençoada pelas Ninfas e ultrapassasse, assim, o original e infeliz nome. Camões, certamente inspirado pelas Tágides, Zéfiros (ou seria pelo maroto nome?) e outros que tais, escolheu-a como residência e, hoje, a terra retribui-lhe. Com esta, foi a 16ª edição das “Pomonas Camonianas”, à volta do 10 de Junho, claro.

A deusa do mesmo nome (Pomona), dos frutos e flores, também celebrada pelo Poeta, é aqui saudada, enchendo-se as ruas de vegetação e odores, vendendo-se, num mercadinho, flores e frutos da época.




o mercado


animado pelas gaitas de foles de "Os Gaiteiros da Golegã"

Este ano, não só a comunidade local e escolas se vestiram a rigor, como também, no seio dos desfiles, homenagens, animações, bailes e comezainas (uma “ceia do povo” oferecida - pernil de porco no rodízio), um par se casou de facto e de fato à época (ainda bem que ainda não adoptei o Novo Acordo Ortográfico, ficaria sem trocadilho).



as escolinhas do desfile




os noivos de facto e de fato



viagens no Tempo



posições (atrás, ao telemóvel...)



tecidos de outrora





os convidados do casamento




pernil de porco para a ceia do povo











danças a abrir com o casal






Lá do seu pedestal, o Poeta teceu certamente mais um conjunto de estrofes dedicado ao “fogo que arde”…



E não esquecer que a hospitalidade constanciana é também uma constante: no cimo do monte, olhando o Zézere, um largo parque de estacionamento com área de serviço para AC.




domingo, 5 de junho de 2011

BIME, a poesia das coisas pequenas







Vai acabar daqui a momentos a 12ª edição da BIME (Bienal Internacional de Marionetas de Évora). Era eu uma "teen" quando assisti à primeira... entretanto , como já uma vez referi e agora repiso, os meus filhos cresceram com ela...e nunca como neste malogrado 2011 português ela certamente se debateu com tantas dificuldades financeiras. Fez-se na mesma, mas sem dúvida com menos . E infelizmente menos qualidade, reflexos dos contingentes, já se sabe.

O PSD acabou de ganhar, a BIME a terminar. Daqui a dois anos o cenário das marionetes estará mais vivo ou vivo de ainda mais dívidas?Ou nem sequer terá cenário? Não querendo mostrar o meu pessimismo (que é sempre mais cepticista que pessimista), aqui vos deixo um dos momentos fortes desta que é a 12ª edição da poesia dos gestos, sobretudo dos pequenos, das coisas simples e belas, pequenas elas também e que nos tornam grandes, por dentro: Alex Barti Show, um dinamarquês que faz de um boneco um novo Pinóquio.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ainda o Algarve


Ainda o Algarve, e desta vez, para finalizar em cheio, com a cereja no topo do bolo, Lagos.
Lagos tem outra aura. Outra energia. Até os mais jovens comentaram: “Isto sim, tem outro ar”. Ar, aura, energia, lá está!
A luz é mais brilhante, o rio sorri, os passeios polidos reflectem essa luz, esse rio… as pessoas são mais arejadas, as cores mais coloridas … por mais que use superlativos e provavelmente exagere, as palavras dificilmente traduzem. É Lagos e pronto, só experimentando e… repetindo.
Aqui ficam os “mais”, apesar de contextualmente contornados por uma Páscoa já passada.



Provavelmente as imagens cristalizam mais que as palavras…

sábado, 28 de maio de 2011

Luzes e sombras num souk alentejano

Se os árabes por cá estiveram durante séculos, nesse tempo como ocupantes; agora, eles por cá estão numa relação amistosa, num festival de sons, cheiros e cores. Aconteceu assim de 19 a 22 de Maio, em Mértola, Alentejo.
As luzes do sol foram bem fortes e quentes, só as sombras dos tectos improvisados criaram a a ilusão de sombra…
Outras luzes ainda mais intensas, como as do sol a bater na cal branca intensa.
O indigo de Chefchouan ficaria aqui a matar…
Entre as farripas de luz, o som das vozes cantantes, trabalhando a madeira , as cores...

E mesmo que o tema estivesse do outro lado do mar, noutro continente, o cante alentejano fundia-se em harmonia.
Nas sombras nascia o desejo de desvanecer do sol. A sesta devia ter sido instituída em terras alentejanas desde o tempo dos árabes…
Outras luzes se acendiam, escoando-se através das lamparinas de latão .
Pela noite dentro, outras luzes, ao som dos Uxukalhus, ou dos Speed Caravan ou de Janita Salomé atraíram ao amarelo quente outras pegadas seculares, intemporais, sem fronteiras , sem raça, sem credo.
Foi bom desvanecer de calor. Mértola é certamente um local único. Apesar de emparedada entre montes, sufocante e aprisionante, respira-se incenso e nostalgia marroquina. É pena que deste modo tão vívido, apenas de dois em dois anos… , mas, mesmo sem Festival Islâmico, sempre percorre as suas ruas o invisível chamamento árabe, inevitável como o sol e as sombras.Basta ir lá e senti-lo.