sábado, 21 de julho de 2012

Geofluvial caching - pista II



A cereja no topo do bolo foi sem  dúvida , já noutra rota a caminho da Lousã e depois dela (lá para os lados de Góis), a praia de Canaveias (N 40º 11´06.81´´  W 08º 09´00.89´´)



Fabulosamente encaixada num cenário campestre de água e relva e até de areia branca da praia. Mais artificial do que as outras praias neste blogue evocadas, mas mais pacífica de banhistas e ao mesmo tempo simpaticamente natural.
Até o baloiço à Tarzan como pormenor de outros tempos vem mesmo a calhar.


E depois as condições são outras: um simpático bar com refeições ligeiras e esplanada mesmo ao lado, mesas de picnic e churrascos com lava-louças…
Algumas AC como nós mesmo à beira da água,  e um vizinho simpático e colorido de nome Vasco ia alegrando os momentos de calor com os seus assobios cantantes .


Entre o local, duas povoações onde é possível ir a pé e comprar o pão e carne frescos.
A vida parou por ali, com água, areia, sol, relva , sombra, sestas entrecortadas pelos assobios do Vasquinho…

Geofluvial caching - pista I




Guia de praias fluviais numa mão, GPS  na outra e é apontar à descoberta, como se fosse um jogo de geocaching (este 2012 iniciámo-nos no 2º , o qual, aliado à procura de praias fluviais deve ser uma geo de 5 estrelas. Experimentem)…
Nós experimentámos  a 1ª parte (descoberta de praias fluviais portuguesas) em 2011, ainda ali à volta de Ana deAvis , mais na direção de Pedrogão Grande, e encontrámos a praia do Mosteiro (N 39º 56´10.85´´ W 08º 11´12.41´´). Não tem propriamente estacionamento farto , mas há um larguito de terra batida mesmo a calhar para AC , já dentro da povoação.




A praia é uma bom curso de água, com relva de um lado e de outro, com bar, wc com duche e ah! uma ponte suspensa e em arco que, no meio do colorido, faz lembrar Monet.


Um sítio calmo, verde, quente e fresco se considerarmos a temperatura ambiente versus  temperatura das águas.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Chapéus há muitos e Anas também… até praias.





Chapéus há muitos, Marias também e Anas imperam. Desconhecia é que as Anas dessem o nome a praias…
Continuando o capítulo das praias fluviais, esta foi batizada de Ana de Avis. Não tem nada a ver com Avis do Alentejo, esta “de Avis”  fica situada não muito longe de Fragas de S.Simão, no caminho de Figueiró, por onde iniciámos o ano passado o nosso trilho de praias fluviais e aldeias de xisto.


Vê-se da estrada e tem um largo parque de estacionamento onde pernoitámos, não sem antes aproveitar o verde da relva e a calma das águas. Bem, não terá sido bem assim por esta ordem ou grau valorativo, já que o verde estava pejado de toalhas e as águas borbulhavam de famílias veraneando. Não se esqueçam que era agosto, mas mesmo assim, a meio da tarde o verde e a calma tornaram-se de todos (e de nós também), a água era fresca, os mergulhos escorregadios.


Para finalizar, e antes do jantar e da pernoita em paz (à exceção da música pimba que varria os ares vinda das aldeias do lado), ainda saboreámos, na simpática esplanada da piscina-praia, uma cervejinha com tremoços, à boa maneira portuguesa.
 Demos um salto a Figueiró, vila do interior que também merecia o seu relato, mas o seu ar fantasmagórico de interior desertificado não nos levou a tardar, houvesse uma esplanada e talvez o quadro se pintasse. Mas não. Fosse como fosse e aproveitando a frase anterior, ainda deitámos uma olhadela à casa onde morou e faleceu José Malhoa. As janelas fechadas, só o largo recordava o pintor num busto de mármore contemplativo e solitário.

Regressámos pois a Ana de Avis.

terça-feira, 26 de junho de 2012

S. João do alho-porro




A festa é de cariz pagão e católico. Antes de tudo celebraria o solstício de verão, só depois a adoração ao S. João, adotado pela cidade do Porto como seu padroeiro.
Certo é que para além do lado católico, com as cascatas (presépios em honra do santo), tudo o resto é mais pagão e até mesmo folião do que propriamente religioso. Enfim, será outro tipo de religião, invente-se-lhe pois outro nome, para o qual agora não tenho tempo nem pachorra…



Os martelinhos, talvez a marca mais emblemática da atualidade desta festividade, vieram do sr. Boaventura que os recriou a partir de um saleiro / pimenteiro que viu fora de Portugal, os quais os estudantes universitários cobiçaram. Só depois de terem musicado as queimas estudantis é que passaram para o S. João, não sem antes terem sido multados e silenciados pela PIDE. Agora, os ditos e a sua música de fundo são o ex-libris da festa.

Manjericos e alhos-porros também têm a sua simbologia pagã, associados a presságios felizes de saúde e de boa sorte e, no caso dos segundos, agitados nas cabeças das raparigas, ganham ainda contornos de ritual erótico com reminiscências fálicas. Hoje (e provavelmente desde sempre) muitas raparigas fogem deles, – devido às conotações do passado ou pelo seu perfume pouco afrodisíaco? - apesar de no fundo os desejarem. São só esquisitices femininas, que dizem “não” quando querem dizer “sim”… O certo é que o objeto em si é muito mais interessante e original que os malditos martelinhos que, quanto a mim, bem podiam ser inaudíveis. Defendo pois o alho-porro como símbolo fálico, festivo e institucional do S. João. Viva o alho, abaixo o martelinho!


O que há aqui de fálico? Só vejo "murcons"...

Também os balões acesos – quais estrelinhas a brilhar no céu invicto – e o fogo de artifício – célebre na ribeira e ponte de S. Luís – são sinais ancestrais que ligam o homem ao céu, ao fogo, ao calor do verão, símbolo de vida, energia ou, como outros defendem , será o sinal para acordar o santo.



o ritual de acender o balão


às vezes sobe...

às vezes desce...



Não será só o santo que acordará, aliás, de 23 para 24 de junho poucos são aqueles que dormem no Porto. A festa começa cedo, por bairros e ruelas, cada um põe a mesa e acende as brasas, na sua rua, largo de todos ou num emprestado. O  cheiro das sardinhas e das fêveras é o nevoeiro que a todos envolve, na manhã seguinte a cidade acorda debaixo de um nevoeiro visual e olfativo de sardinhas. Pena que , em Miragaia, um dos bairros onde o arraial popular puxava para o pézinho de dança, serem mais secas que gordas, mas parece que é este o destino das sardinhas para este verão de 2012. Dizem os peritos em linguagem de peixe festivo.





Não se pense contudo que a festa é só folia, baile , comes e bebes. É isso tudo mas é preciso ainda ser forte: para calcorrear ruas e avenidas; para ser bafejado pela “sorte” e pelos  encantos eróticos de martelinhos ruidosos;  para ser enlatado e quase esmagado em longos minutos de espera…


Conselhos: não vá, se sofrer de tensão baixa; se não for munido de calçado confortável; se não gostar de apertos; se decidir estacionar em parques subterrâneos ou outros no centro da festa!!!

Estes




creio que dormiram no carro até à alvorada, em vez de acordaram , como dita o bom costume festivo, nas areias da praia, esta por exemplo. 





terça-feira, 19 de junho de 2012

Roteiro fluvial - S. Simão praia e aldeia



 
Agora que o sol despertou e o calor se aproxima, começa a ser tempo de revelar outro tipo de roteiros turísticos cá dentro.
Esperemos que a crise – pluvial e não financeira – não os tenha extinguido para este verão de 2012. Em 2011 estava lá e bem vivo.
De todos os caminhos percorridos, por campos, praias fluviais e trilhos de Aldeias do Xisto, inauguramo-nos com a praia fluvial de Fragas de S. Simão e aldeia de Casal de S. Simão.

Fica a 8  kms de Figueiró dos Vinhos , (    N 39º54´52.24 W08º 18´59,57’’ ) e o melhor para uma autocaravana é não descer a estrada um bocado a pique até ao parco estacionamento, mas deixá-la cá em cima, ao lado do miradouro. Espreitando do terraço panorâmico para o espelho de água no meio do verde denso, compreende-se porquê.

Vista do terraço panorâmico

O melhor é, pois, ir a pé (a descer todos os Santos ajudam) e deixarmo-nos engolir pelo belo selvagem. Chegados à meta (praia das Fragas) fica-se de queixo caído: uma imensa lagoa no centro dos penhascos, onde se pratica escalada e uma água refrescante e límpida. Apesar de oculta pelo manto verde, no mês de agosto a procura é muita, portanto, se o objectivo é passar o dia com direito a picnic nas mesas, o melhor é ir cedo.




escalada

Para além do cenário natural e selvagem e da perspectiva de uns bons mergulhos, há ainda o atrativo de ficar a poucos quilómetros (a pé) da aldeia de xisto Casal de S. Simão. Calcorreando por um trilho a pé (de   quilómetros), simpático e refrescante por meio de levadas, chega-se, sempre a subir, à simpática e renovada aldeia. Os pormenores encantam e o ar limpo e revigorante também.










e uma porta que não podia faltar...

O trilho está assinalado, é só segui-lo, subir , ver, amar, descer e voltar a um mergulho na praia.

 O dia acaba na esplanada do sítio com uma imperial e uma tapa deliciosa.

sábado, 2 de junho de 2012

INSIDE




Sempre tive o fascínio das JANELAS. São elas os olhos das casas e é por detrás delas que está a alma. Esta, como qualquer alma, não se vê, adivinha-se, imagina-se...Aqui há dias, porém, aconteceu-me o contrário.
Na rua, nem reparei nas janelas (que me lembre era apenas uma porta alta, forte, escura). Quando dei por mim estava dentro da alma, dentro da casa, da “casa dos espíritos”. Cada um deles tinha uma história, cada canto, cada peça, cada partícula de pó, átomo ou célula tinha uma alma.

Realidade ou ficção, os fantasmas por lá andavam, desde o século XVIII até hoje, para onde haviam de ir se aquela é a sua casa? 


Uma “casa com vida própria”, como nos disse o seu atual proprietário. E assim que ele proferiu a frase, o tule transparente dos fantasmas começou nova dança do ventre e o relógio do tempo girou à volta de três séculos de estórias.



Foram os pés dos homens pisando a uva, os tonéis a encherem-se de tinto espumoso a par das vozes dos cantadores até à alvorada.

 Foi o homem do capote que chegou e bebeu mais um copo, aquecendo as mãos no bafo do frio que das paredes e pipas escorria…

Lá fora, na despensa, as mulheres na azáfama. Os cestos prontos para a ronda, o cantil à espera da fonte, o piquenique à espera do cante, os pardais na sua gritaria no limoeiro.



Lá em cima, na cozinha, os bolos crescem nas formas, e o dono da casa, outrora com cinco anos, espera para rapar o fundo do tacho, na mesma cadeira outrora do pai, do avô, bisavô outrora.



 Na sala do fundo passa-se a ferro, uma voz canta, podia ser soprano, podia ser o piano, o vento dispersa o som, as vozes, os pardais. Os fantasmas adormecem, os santos velam pelos vivos e pelos mortos.

   Algures no Alentejo. Uma casa de vidraças viradas para dentro, uma casa de terraço virada para fora.