segunda-feira, 20 de agosto de 2012

País Basco, pais vasco, pays basque…




Ou Euskadia. Ou seja, “terra do euskara”.
Um cantinho. No sul da Europa, no norte da verde Espanha, no sul da verde França. Os Pirinéus a separá-los , o golfo da Biscaia a banhá-los. Não assim tão longe de Portugal , mas ainda assim uns bons  kms. 
(google images)

Três províncias bascas autónomas do lado espanhol: Araba, Bizkaia e Gipuzkoa (nomes em basco)e ainda como falante do mesmo idioma, a província autónoma de Navarra. Três grandes cidades: Bilbao (Bilbo) , Donostia (San Sebastian) e Vitoria- Gasteiz. Se quisermos, ainda Pamplona , do lado de Navarra. Do lado francês também três províncias. Estivemos sobretudo do lado espanhol.
Para os espanhóis mais sectaristas este seu país devia ser independente. A divisa é:

(Zarautz)


Bastou-nos falar com uma aldeã bastante culta e carismática de Bermeo (na costa Basca espanhola) para perceber que Espanha é uma coisa, país basco outra: “ aqui temos mais …, em España…; aqui …., mas em Espanha é que mandam”…

                                                                (google images)

Para os franceses a coisa parece ser mais pacífica. Afinal se calhar há dois países bascos: o espanhol e o francês, apesar de o idioma ser o mesmo e de não o ser… É que para além do basco, os do lado espanhol ainda falam castelhano e os vizinhos mais acima ainda falam francês. Nalgumas zonas perto da fronteira falarão as três línguas. Certo, certo é que o idioma basco tem muitos “xis” e  é anterior a todos os tempos (segundo a lenda remonta ao tempo da torre de Babel e é tão difícil que o próprio diabo o estudou  vários anos e só conseguiu decorar três palavras).

Muitos países num só, é a luva que assenta bem a este cantinho verde e azul.  E a diversidade não é só em termos linguísticos. É também uma terra de grandes cidades que mesclam o velho e o novo sem ferir os sentidos;
 
de gente que trabalha e que produz – muita indústria de pescada, conservas; muitos campos cultivados - mas que ao mesmo tempo sabe aproveitar os seus recursos , como o  clima e a natureza; gente que para isso protege o que é seu: o meio ambiente, a arquitetura local, as tradições (pelota basca, jogos de força…), música (creio nunca ter visto tantos conservatórios de música por localidade como ali), literatura e arte em geral… e finalmente gente que sabe ser hospitaleira e é genuinamente simpática.



(Bilbao)

uma terra de verde intenso e de azul marinho; de mar que parece frio mas cujas temperaturas rondam os 23º;


( Monte Jaizkibel)


 (Donostia- San Sebastian)

(Vitoria- Gasteiz)

Lembram-se de pensar que o país basco era uma zona de terroristas, ai que medo, nem pensar ir a Vitoria ou Donostia, a ETA a fazer explodir turistas ??? Pois ainda há quem assim pense, mas desiludam-se , ali só vi a força da gente e da natureza. Quando? Este mês de Agosto, saboreando paisagens deslumbrantes, vilas piscatórias pacatas, cidades animadas, tapas e pintxos, canhas e sol, ah! E às vezes chuva. Não sei porquê mas no país basco chove sempre aos domingos e feriados, pelo menos no 15 de agosto. Os espanhóis ( os franceses não deverão chegar a tais extremos…)que se ponham a pau que qualquer dia ficarão como “nos outros”, sem esse feriado que é para não se queixarem da chuva…
(Pasai Donibane)

Fora de brincadeiras, aviso apenas que isto é só uma introdução. A narração completa destes eventos irá sendo aqui postada dia sim dia não, ou semanalmente, ou enfim, conforme as recordações me atacarem e o tempo o ditar.





sábado, 21 de julho de 2012

Geofluvial caching - pista IV


Perto de Castanheira de Pêra , no seio das vinhas e do xisto, outro local delicioso e, naquele verão quente de agosto, a mais calma de todas: Poço de Corga (N 40º 16´08.27´´  W 07º 57´50.03´´).




Área relvada de picnic com churrasco, café – restaurante , Wc com duche e a "piscina”, fresca! (para não dizer gelada) com sol e vinhas à mistura.

Geofluvial caching - pista III




Góis. Praia da Peneda (N 40º 09´17.77´´ W 08º 06´44.71´´). Pena lá termos chegado num encontro de motards que enchiam ruas, restaurantes, e praia! As AC espalhavam-se ao longo de qualquer parque de estacionamento ou à beira rio. Gente a mais, que , no entanto, emprestava à vila um colorido cosmopolita e alegre.







Limitámo-nos a passear , atravessando a ponte de madeira  pedonal por cima da piscina e  ao longo das “lagoas” e cascatas ,  por um passadiço fresco de madeira.
Góis poderia ser irmanada com a italiana Veneza , muito embora com o diferente atractivo de se poder parar a meio das águas de imperial em punho ou atravessá-las, contornando bares e barmans.




Experimentem este ano, a concentração de motards não será certamente anual , ou será?

Geofluvial caching - pista II



A cereja no topo do bolo foi sem  dúvida , já noutra rota a caminho da Lousã e depois dela (lá para os lados de Góis), a praia de Canaveias (N 40º 11´06.81´´  W 08º 09´00.89´´)



Fabulosamente encaixada num cenário campestre de água e relva e até de areia branca da praia. Mais artificial do que as outras praias neste blogue evocadas, mas mais pacífica de banhistas e ao mesmo tempo simpaticamente natural.
Até o baloiço à Tarzan como pormenor de outros tempos vem mesmo a calhar.


E depois as condições são outras: um simpático bar com refeições ligeiras e esplanada mesmo ao lado, mesas de picnic e churrascos com lava-louças…
Algumas AC como nós mesmo à beira da água,  e um vizinho simpático e colorido de nome Vasco ia alegrando os momentos de calor com os seus assobios cantantes .


Entre o local, duas povoações onde é possível ir a pé e comprar o pão e carne frescos.
A vida parou por ali, com água, areia, sol, relva , sombra, sestas entrecortadas pelos assobios do Vasquinho…

Geofluvial caching - pista I




Guia de praias fluviais numa mão, GPS  na outra e é apontar à descoberta, como se fosse um jogo de geocaching (este 2012 iniciámo-nos no 2º , o qual, aliado à procura de praias fluviais deve ser uma geo de 5 estrelas. Experimentem)…
Nós experimentámos  a 1ª parte (descoberta de praias fluviais portuguesas) em 2011, ainda ali à volta de Ana deAvis , mais na direção de Pedrogão Grande, e encontrámos a praia do Mosteiro (N 39º 56´10.85´´ W 08º 11´12.41´´). Não tem propriamente estacionamento farto , mas há um larguito de terra batida mesmo a calhar para AC , já dentro da povoação.




A praia é uma bom curso de água, com relva de um lado e de outro, com bar, wc com duche e ah! uma ponte suspensa e em arco que, no meio do colorido, faz lembrar Monet.


Um sítio calmo, verde, quente e fresco se considerarmos a temperatura ambiente versus  temperatura das águas.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Chapéus há muitos e Anas também… até praias.





Chapéus há muitos, Marias também e Anas imperam. Desconhecia é que as Anas dessem o nome a praias…
Continuando o capítulo das praias fluviais, esta foi batizada de Ana de Avis. Não tem nada a ver com Avis do Alentejo, esta “de Avis”  fica situada não muito longe de Fragas de S.Simão, no caminho de Figueiró, por onde iniciámos o ano passado o nosso trilho de praias fluviais e aldeias de xisto.


Vê-se da estrada e tem um largo parque de estacionamento onde pernoitámos, não sem antes aproveitar o verde da relva e a calma das águas. Bem, não terá sido bem assim por esta ordem ou grau valorativo, já que o verde estava pejado de toalhas e as águas borbulhavam de famílias veraneando. Não se esqueçam que era agosto, mas mesmo assim, a meio da tarde o verde e a calma tornaram-se de todos (e de nós também), a água era fresca, os mergulhos escorregadios.


Para finalizar, e antes do jantar e da pernoita em paz (à exceção da música pimba que varria os ares vinda das aldeias do lado), ainda saboreámos, na simpática esplanada da piscina-praia, uma cervejinha com tremoços, à boa maneira portuguesa.
 Demos um salto a Figueiró, vila do interior que também merecia o seu relato, mas o seu ar fantasmagórico de interior desertificado não nos levou a tardar, houvesse uma esplanada e talvez o quadro se pintasse. Mas não. Fosse como fosse e aproveitando a frase anterior, ainda deitámos uma olhadela à casa onde morou e faleceu José Malhoa. As janelas fechadas, só o largo recordava o pintor num busto de mármore contemplativo e solitário.

Regressámos pois a Ana de Avis.

terça-feira, 26 de junho de 2012

S. João do alho-porro




A festa é de cariz pagão e católico. Antes de tudo celebraria o solstício de verão, só depois a adoração ao S. João, adotado pela cidade do Porto como seu padroeiro.
Certo é que para além do lado católico, com as cascatas (presépios em honra do santo), tudo o resto é mais pagão e até mesmo folião do que propriamente religioso. Enfim, será outro tipo de religião, invente-se-lhe pois outro nome, para o qual agora não tenho tempo nem pachorra…



Os martelinhos, talvez a marca mais emblemática da atualidade desta festividade, vieram do sr. Boaventura que os recriou a partir de um saleiro / pimenteiro que viu fora de Portugal, os quais os estudantes universitários cobiçaram. Só depois de terem musicado as queimas estudantis é que passaram para o S. João, não sem antes terem sido multados e silenciados pela PIDE. Agora, os ditos e a sua música de fundo são o ex-libris da festa.

Manjericos e alhos-porros também têm a sua simbologia pagã, associados a presságios felizes de saúde e de boa sorte e, no caso dos segundos, agitados nas cabeças das raparigas, ganham ainda contornos de ritual erótico com reminiscências fálicas. Hoje (e provavelmente desde sempre) muitas raparigas fogem deles, – devido às conotações do passado ou pelo seu perfume pouco afrodisíaco? - apesar de no fundo os desejarem. São só esquisitices femininas, que dizem “não” quando querem dizer “sim”… O certo é que o objeto em si é muito mais interessante e original que os malditos martelinhos que, quanto a mim, bem podiam ser inaudíveis. Defendo pois o alho-porro como símbolo fálico, festivo e institucional do S. João. Viva o alho, abaixo o martelinho!


O que há aqui de fálico? Só vejo "murcons"...

Também os balões acesos – quais estrelinhas a brilhar no céu invicto – e o fogo de artifício – célebre na ribeira e ponte de S. Luís – são sinais ancestrais que ligam o homem ao céu, ao fogo, ao calor do verão, símbolo de vida, energia ou, como outros defendem , será o sinal para acordar o santo.



o ritual de acender o balão


às vezes sobe...

às vezes desce...



Não será só o santo que acordará, aliás, de 23 para 24 de junho poucos são aqueles que dormem no Porto. A festa começa cedo, por bairros e ruelas, cada um põe a mesa e acende as brasas, na sua rua, largo de todos ou num emprestado. O  cheiro das sardinhas e das fêveras é o nevoeiro que a todos envolve, na manhã seguinte a cidade acorda debaixo de um nevoeiro visual e olfativo de sardinhas. Pena que , em Miragaia, um dos bairros onde o arraial popular puxava para o pézinho de dança, serem mais secas que gordas, mas parece que é este o destino das sardinhas para este verão de 2012. Dizem os peritos em linguagem de peixe festivo.





Não se pense contudo que a festa é só folia, baile , comes e bebes. É isso tudo mas é preciso ainda ser forte: para calcorrear ruas e avenidas; para ser bafejado pela “sorte” e pelos  encantos eróticos de martelinhos ruidosos;  para ser enlatado e quase esmagado em longos minutos de espera…


Conselhos: não vá, se sofrer de tensão baixa; se não for munido de calçado confortável; se não gostar de apertos; se decidir estacionar em parques subterrâneos ou outros no centro da festa!!!

Estes




creio que dormiram no carro até à alvorada, em vez de acordaram , como dita o bom costume festivo, nas areias da praia, esta por exemplo.