segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Azul e verde: Santander




Sol! Vamos lá à procura do mar que Santillana é marota. Vamos lá relembrar Santander. Batemos lá uma vez à porta mas as memórias estão um bocado turvas.
Assim que chegámos, percebemos logo que a grande cidade cantábrica não é a mais amiga dos autocaravanistas. Estacionamento interdito a AC e poucos parkings onde estacionar de modo fácil. À vista, nem uma AC. Será que ninguém daqui se aproxima? A guerra é assim tão dura?
Decididos a visitá-la e a mergulhar nas ondas do tépido mar Cantábrico, acabámos por nos instalar no camping Cabo Mayor. Uma parcela com relva, água e luz, 4 pessoas , direito à piscina, e toma lá 40 e tal euros por noite! No fundo, foi como se pagássemos para ir à piscina, porque água e luz fomos tendo em muitas áreas de serviço ao longo da viagem, é só um modo que as autarquias não largam mão para que os proprietários deitem a mão aos nossos - já de si parcos – bolsos.
Vá lá, também tivemos direito a praia, que é de todos mas se não fosse o camping talvez passasse despercebida: praia Mataleñas, 150 degraus para baixo, 150 para cima, um recanto espetacular, num cenário magnífico, verde e azul. 

(praia Mataleñas)
Ainda a poucos metros do camping, o Farol de Cabo Mayor onde fomos fazer uma “cache” (este é outro capítulo destas férias 2012 que por enquanto ainda não desenvolvemos, mas pronto , ficam a saber que muito recentemente nos tornámos geocahers, mais uma daquelas  invenções do mundo virtual mas que ao contrário de outras possibilita muitos passeios a pé e contacto direto com o mundo físico de carne e osso - no caso ele é mais pedras e às vezes terra).
Santander é uma cidade grande, com alguns locais emblemáticos, um “casco histórico” pouco interessante, mas uma paisagem deslumbrante, sobretudo a que envolve as praias El Sardinero e depois a baía. O nosso guia Michelin lá razão tinha quando a classificava (à paisagem) com 3 *** e à cidade só dava 1*! Desde o camping até ao casino na praia El Sardinero o passeio pedestre é bem agradável.



El Sardinero



(Casino)

Depois continua-se até à península onde se instala o parque com o antigo palácio de la Magdalena, oferta do Pueblo de Santander à família real em 1903! Hoje nele funciona a universidade de verão. O parque possui um mini-zoo marinho e é um agradável espaço de lazer verde, com esculturas brincalhonas,  e circundado ora por uma ora por outra praia: Praia dos Bikinis, da Magdalena… Lá no topo o palácio altaneiro e senhorial, qual mansão alemã ou francesa…


Palácio de la Magdalena e parque



Praia de la Magdalena


Caminhámos mais uns largos metros até Puerto Chico e aí sim a Baía.


Depois o “casco viejo”, nada deslumbrante, banal até, com exceção para as tapas nos vários largos e jardins que iam aguçando o apetite, graças ao Festival Internacional.

Dias visitados: 27 e 28 de julho






sábado, 1 de setembro de 2012

News from S. Torpes, Porto Côvo


(Porto Côvo)

Fresquinhas… ou quase.
Como vão as coisas para o autocaravanismo na zona?
Em S. Torpes menos fáceis. Durante o dia a GNR passa vezes sem conta, mas nada diz. Deu para estar, almoçar, jantar, ir à praia, dormir a sesta. Depois da meia-noite, talvez com receio que nos transformemos em Gatas Borralheiras, ouvi dizer que não poderíamos pernoitar. Ilógico, não? Já vi gente a fazer asneiras durante o dia, mas aí não há problema; à noite que supostamente serve  para dormir, já lá vem a Censura. Bem, a nós não nos disseram nada, mas uma das noites saímos de lá porque todos saíram, dizendo que a GNR tinha lá estado a avisar… Passadas duas noites, lá dormimos – dormimos mesmo! – e ninguém apareceu nem ninguém disse fosse o que fosse. Acho que depende dos dias.


(S. Torpes)



Em Porto Côvo há novidades. Dois parques de estacionamento – o da Praia Grande e o da antiga feira – outrora interditos a AC com barreiras de altura , têm agora alguns lugares para as ditas. Dentro da vila, frente à escola primária, onde de há uns anos a esta parte muitos AC, caravanas e vendedores das barracas, faziam do espaço uma zona AC e/ou camping, existe agora uma “zona de serviço para autocaravanas”, com dois espaços para despejo e abastecimento de águas. Quer nos outros parkings referidos quer neste, a lotação estava praticamente esgotada com as “casinhas” muito juntinhas, quase sem espaço e privacidade entre vizinhos. E sempre a poeira, muita.

(paisagem lunar: entre Sines e S.Torpes)

Também há quem continue a estacionar e pernoitar à entrada da vila, nos passeios junto às vivendas. Pela primeira vez no nosso historial destas bandas, fizemos o mesmo. Resultado: às 2h30 da manhã não fomos expulsos pela GNR , mas fômo-lo pelos jovens e outros que vinham da animação noturna na Praia Grande. Por qualquer motivo a noite de Porto Côvo tinha-se transformado em dia e nós fugimos para a falésia. Aqui, muito menos AC à noite do que o habitual, mas mesmo assim lá fomos ressonar um pouco e fizemo-lo em paz.

Como vêem, não se pode dizer que esteja tudo na mesma, ou se calhar pode. Tira-se dum lado , coloca-se noutro. A verdade é que é extremamente positivo já terem construído a área de serviço, o que torna por aquelas bandas o autocaravanismo mais higiénico , mas mesmo assim muito ainda se poderia fazer. Aliás, não me parece que a zona – pelo menos naquele sítio -  seja para todo o sempre. A vila continua a crescer desalmadamente e aquele virá certamente a ser espaço para mais uma nova urbanização.



De positivo também foi ter batido em cheio nas festas da terra: mais uma vez saboreámos a caça ao pato, desta feita com um derradeiro pato matreiro que mergulhava nas águas sempre que o caçador dele se aproximava.




Ah! E os “caches” dali e redondezas – até Sines com o Gama a espreitar-nos – estavam de boa saúde, especialmente o de Porto Côvo que foi restituído ao sítio original precisamente por aqueles dias.

 Castelo de Sines


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Santillana , a que não tem mar no nome




Acabou a contagem decrescente, eis-nos em terras de Cantábria.
A primeira paragem é a resposta ao tal enigma que não faz jus ao nome.
Santillana é a contração de Santa Juliana. Mar nem vê-lo apesar de estar lá perto.

Recuemos até à Idade Média (séc. IX) e imaginemos , caminhando por aquelas suaves colinas verdes, um grupo de vestes castanhas serpenteando por entre trilhos, olhos postos no chão. Um grupo de frades. Transportam escondido entre trapos algo pesado e valioso. Como se soubessem de cor o seu destino, acampam no local combinado para erguerem pedra sobre pedra uma ermida onde esconderão a relíquia transportada desde a Turquia, a relíquia de uma santa, virgem, de nome Juliana.

Assim nasceu Santillana. A ermida depressa passou a Colegiata, assim como a localidade que, de ermo verdejante passou a ser terreno onde nobres instalaram feudos e palácios. De uma rua passou a algumas ruelas, de uma praça passa a duas, uma delas, ou não estivéssemos em Espanha, com o nome de Plaza Mayor depois de ter sido Plaza do Mercado. Palácios e conventos vão-se expandindo (até de monjas) até que à povoação, no séc. XIX, lhe é concedida reconhecimento artístico a nível nacional e internacional.

Hoje, é ponto incontornável se se vai a terras de Cantábria. É uma aldeia tipicamente medieval, parada no tempo, digna das telas de cinema. 


Difícil é selecionar dois ou três pontos estratégicos, porque toda ela é um filme completo, deixo aqui algumas “películas”, melhor mesmo é estar lá ao vivo:

Plaza Mayor e a sua homenagem a Altamira (apenas 2 Km dali);


 (ao lado do arco, o bisonte de Altamira)

As torres del Merino e Don Borja, qual é qual?




A casa do Marquês de Santillana ;



(por acaso acho que não é esta a casa do Marquês, mas o difícil ali é fotografar casas sem brasão...)

Calle del rio – sempre muito concorrida;


Convento das Clarissas onde ainda hoje as monjas vendem doçaria regional mediante um esquema “secreto” feito de mostruário-campainha-elevador de bolos….






Artesanato típico – sobretudo os doces – as famosas “tabletas” e os “orgamos, galletas de la abuela” (?!), e os “sobaos” (bolo tradicional à base de manteiga, tipo pão de ló);



Estacionamento e pernoita – no parking ao lado da Oficina de Turismo (N 43º 23´22´´  W 4º 06´22’’).
. Grátis, sem água. Tranquilo.

Dias visitados: 25 e 26 Julho


domingo, 26 de agosto de 2012

Burgos, “cabeça de castilla”




Ainda não é hoje que chegamos à costa basca. De Salamanca até lá são ainda muitos quilómetros e além disso combinámos começar o nosso percurso ao lado do mar, pisando primeiro terras de Cantábria, apesar de a primeira delas apenas ter mar no título…
 Enigmas à parte, esse do mar ainda não será hoje. A província de Castilla e Lèon é grande e depois de Salamanca ainda há Palência, Valladolid. Burgos. Não desesperem, das três escolhemos - por enquanto -  a última: Burgos.
Confesso que a escolha se prendeu à visão (em fotos) das suas agulhas góticas. As da Catedral. E também porque é atravessada por um rio, minto, dois. Gosto de locais percorridos por rios. 





Fiquei a saber que Burgos foi capital de reino em 1037. É a terra natal de El Cid, herói celebrado em cada canto, na estatuária, na toponímia. Cid representa o ideal de cavalaria do século XI.
Percorrendo as suas “calles”, encontrei também a tipografia onde se imprimiu o original de  La Celestina, obra de Fernando de Rojas , considerada o grande marco entre o fim da Idade Média e o início do Renascimento espanhol.


É também percorrendo as ruas em redor da catedral que se descobre um outro importante marco cultural e histórico: que a cidade foi rota original do Caminho de Santiago.




As duas praças vizinhas da catedral, a de El Rey Fernando e a de Santa Maria, são igualmente encantadoras . A catedral é imponente. Dizem que a 3ª mais importante de Espanha. O estilo gótico deslumbra e ficámo-nos pelo encanto das suas riquezas exteriores.

 Praça El Rey Fernando





Praça de Santa Maria



Tendo ficado estacionados do outro lado do rio Arlonzón, tivemos a sorte de entrar no “casco antigo” pelo Arco de Santa Maria, uma visão singular em Espanha porque se nos afigurou como uma muralha oriunda de um país mais a norte. O que provavelmente não admira, uma vez que foi reformado no século XVI para receber o imperador Carlos V.




Arco de Santa Maria

Também singular e “preciosa” (adjetivo muito querido dos espanhóis), é a Plaza Mayor. Difere da de Salamanca no tamanho e forma, esta é circular e bem mais pequena.



Ainda a Casa del Córdon, local onde os reis católicos, em  1497, receberam Cristóvão Colombo no regresso da sua 2ª viagem à América.


Casa Córdon

Burgos tem também um “centro comercial “ a céu aberto, com as lojas e marcas de qualquer cidade europeia da atualidade, e, percorrendo-o, acabámos por descobrir o rio Vena.
Apenas um senão: o calor consumia-nos (claro, não fizemos a “siesta” como os espanhóis…) pelo que nos ficámos pelo circuito turístico mais elementar.  Fica assim em aberto o pretexto para nova visita noutra ocasião.
No dia seguinte à saída, pela parte moderna, deu para perceber o aprumo burgalense dedicado às amplas avenidas e espaços verdes. Como a cidade se prepara para o título” capital europeia da cultura” não será para admirar.

Estacionamento e pernoita, em parking (N42º 20’ 25’’  W 3º 41’40’’). Bica com água no jardim em frente. Local sossegado.



Dias da visita: 24 e 25 de Julho



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A rainha Salamanca




Sim, eu sei que era suposto avançar até à  Euskadia e falar sobre suas terras e gentes, mas uma viagem também precisa de calma. Ou melhor, esta viagem não é fazer o check in e toma lá que já estamos no destino pretendido. Não, senhor, é preciso rodar sobre muito asfalto, ver muito campos ora verdes ora dourados, muita planície planalto e serra. Só depois nos vamos aproximando do destino, não sem antes fazer outras paragens.
A primeira digna de registo foi depois da Extremadura espanhola, já em terras de “Castilla e Léon”,  na cidade Património da Humanidade, Salamanca.
Outras voltas, quase sempre a caminho de uma rota mais longínqua, nos fizeram aqui parar. Não seria a primeira nem a última vez. Já a vamos conhecendo e nunca dela nos cansamos, nem daquela vez que por lá ficámos forçados depois da desventura mais grave até à data em termos de viajandosobrerodas. Mas isso é história para outro capítulo, o das desventuras, que para aqui não é chamado.
Salamanca é uma eterna e terna rainha. Não só porque muita da realeza espanhola com ela se relacionou, não porque as suas ruas, praças e edifícios e universidade transpiram História.... É por tudo isso e pela beleza que dela emana.

Plaza Mayor

A nós não nos cansa ir até à Plaza Mayor e ficar parados a olhar, fotografar, ou a saborear um gelado italiano… Data do século XVIII, é de estilo barroco, e é considerada uma das mais bonitas plazas mayores de Espanha.  À sua volta, no piso inferior das arcadas, medalhões com os bustos de reis espanhóis e ainda de figuras ilustres como Cervantes ou el Cid.



Plaza Mayor

Também não nos cansa admirar a zona da Universidade que desta vez nos surpreendeu .Os relevos da fachada da Universidade sempre plena de turistas à caça da “rana” (rã) meio escondida sobre a cabeça de uma caveira , estavam agora praticamente tapados com um novo tipo de visita. Um ascensor horizontal e com cadeiras que permite aos interessados observar de perto os relevos e suas estórias. O problema é que quem lá não se senta (pagando, claro!), tem ainda mais dificuldades em achar, cá de baixo , o ex-libris da cidade, o dito batráquio verde que dizem simbolizar o pecado da luxúria depois da morte.


Fachada Universidade

Não resistimos a entrar mais uma vez no ameno Claustro das Escuelas Menores, agora com um testemunho recente da passagem de “suas majestades”.


Claustro 





Uma espreitadela na deliciosa Catedral Nova para descobrir , na portada Norte, algo que nunca tínhamos visto, mais um caso invulgar numa coluna da fachada, cuja origem ninguém sabe explicar, mas que  é conhecido como “o astronauta”. Se tivermos em conta que a sua construção ocupou os séculos XV a XVIII, não deixa de ser surreal…



"O astronauta"

Entrando no pátio da Casa das Conchas (mais outro edifício imponente e belíssimo) e subindo até ao 1º andar tem-se uma vista encantadora da Clerecia ( colégio jesuíta do Espírito Santo). 


Clerecia


Casa das Conchas



Clerecia e Conchas


Salamanca é também uma cidade moderna e bem animada, sobretudo depois da hora da siesta.  Não deixem de visitar o edifício que alberga hoje a Zara e ficarão literalmente de queixo caído.
À noite, e porque sempre foi um sítio que me fascino, nada como uma caña na esplanada exterior do Museu de Arte Nova ou Casa-Lis, um magnífico exemplar que reflete a essas horas de Morfeu as luzes coloridas dos seus vitrais quase no rio Tormes. Isso dos vitrais se projetarem no Tormes é apenas uma figura de estilo para me levar até ao rio que corta a cidade e perto do qual pernoitámos.


Casa Lis


Estacionamento gratuito, ao lado de outras AC (N  40º 57' 32''  W5º 40'' 29'') , à frente de um parque desportivo mas que nem sempre é o parking mais asseado. Na ida apresentou-se-nos com um certo ar limpo, na volta era complemente o oposto, com sacos de lixo encostados à vedação. Salamanca merecia uma área própria para autocaravanistas, (e nós que gostamos de por lá ficar, também).

(Dias de visita: 23 de Julho e 18 de Agosto)