Eu sei que já lá vai quase um mês e as páginas teimam em continuar em branco. Não é que não existam, não. Elas estão na memória, nos diários de bordo, nas prometidas férias de verão , nas fotos. .. Muito ainda há para dizer sobre o amado país basco (onde estás tu, verão?....): Vitória, San Sebastian, Guernika, a costa azul, o verde, a família a sorrir sem a nuvem a pairar.
Infelizmente, a nuvem paira sobre as nossas cabeças desde 1 de novembro ,o que me impede de ter um espaço aberto para brincar com palavras e com as viagens. O mais normal também é que a Casinha deixe de rolar por uns tempos...
Quem me lê (ou lia) , espero que tenha paciência (que é a palavra que mais ouvimos nesta nuvem que nos sobrevoa), o " tempo tudo cura" (outras que ouvimos amiúde...).
Viajar, travel, voyager... com uma casa de rodas por essas estradas fora... AC, Campingcar, motorhome: por Portugal, Europa, Mundo. Relatos e imagens de como viajar com a casa às costas.E também palavras sobre coisas que gosto...
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Impressões de portas
Toca ao longe uma gaita de foles, pode ser Irlanda, pode ser
Astúrias, pode ser um qualquer reino da fantasia, da realidade , do passado ou
do presente.
O som vem de dentro de uma porta, daquelas que parecem ter
olhos em, no entanto, não são janelas, são portas.
Quase o mesmo, dirão. Não, a porta abre-se e deixa entrar as vidas, encerra-se e, lá
dentro, há outras vidas que não se vêem cá de fora. As janelas nem sempre se
abrem.
Esta tem ar de olhos, é certo, mas quem lá vive ou viveu,
abri-la-á?
(Vila Real de Sto. António, Portugal)
A gaita de foles calou-se num sopro de carnaval.
É a vez de um piano suave, azul marinho, com gente feliz lá
dentro.
E gente de tempos tão idos que sonhamos com a tela do
cinema, rei Artur, Excalibur, cavaleiros e anéis de poderes mágicos…
A gaita de foles enche o ar novamente...
(Burgos, Espanha)
O passado, o presente. Pode ser ontem, pode ser hoje.
A porta abriu-se…
(Burgos)
e logo se fechou.
domingo, 14 de outubro de 2012
I have a dream
Podem tirar-me tudo, mas não me tiram a capacidade de sonhar
com os olhos bem abertos. Assim, fico-me a olhar para este "monstro" e a pensar: “um
dia também serei reformada e viajarei por esse mundo fora, com uma reforma que
suporte o preço do gasóleo e o dinheirito para o supermercado, porque o resto
são futilidades ( a roupa são meros trapos que só servem para tapar o frio ou o
calor; os sapatos basta dois pares, um para cada estação, os pés são apenas
dois , e que mais? Tudo o mais, se a reforma viesse na casa dos cinquenta e
tais, seriam futilidades). Digo cinquenta, porque era a idade dos proprietários
desta grande vivenda, ali estacionada e
por todos cobiçada – até as paredes esticavam!. Se eu vendesse a casa, talvez
lá chegasse… Mas aqueles eram alemães e estavam reformados e provavelmente com
casa e vivenda. No país da Merkell tudo é possível, aqui é que não. Ah! E é tão
possível que, quer acreditem ou não, entre as rodas do veículo, na parte de
baixo , havia uma garagem onde os ditos alemães guardavam um carro . E não era
um Smart.
Aqui, em Portugal, nem a vivenda (que essa até dispensava,
bastava-me uma Van), nem a reforma – e aí é que “a porca torce o rabo”, porque
aos sessenta e tais onde está a saúde e a reforma para o petróleo.?
Se calhar este sonho é mesmo utópico, se calhar eles até a
capacidade de sonhar me tiram.
Que se lixe a TRoiKa e que se lixem os governos por essa
Europa fora. EU QUERO SONHAR!!! (e já agora uma reforma digna).
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Finalmente chegámos: Bilbo, Bilbao
Bilbo! Não é o Baggins (do Senhor
dos Anéis, claro),mas é igualmente um topónimo de origens longínquas, quiçá
celtas. Segundo os bascos, mais remotas ainda.
Pois é, finalmente, depois de
muitas interrupções, pausas, intervalos, lentidões, lá chegámos ao “pais
vasco”, inaugurando a entrada com aquela que é a capital da província de
Viscaya e a mais antiga das três capitais bascas.
Cidade conhecida pelo seu lado industrial, durante
muito tempo, eventualmente de ferro e fumo, cresceu ultimamente em termos
culturais e turísticos, graças também ao grande “pássaro” de titânio, o grande
ex-libris turístico que a todos ali transporta, o Museu Guggenheim. Nele batem olhos, luzes e reflexos e, claro, as inevitáveis lentes fotográficas. Falo sobretudo do exterior, porque apesar do interior albergar inúmeras obras de arte, o exterior é, por si só, A grande obra de arte. O seu guardião colorido, “Puppy”, o cão, que o diga.
Nós ficámo-nos pelo exterior
admirando curvas, cores e reflexos. O rio ao lado conjuga-se com o titânio e
fica a curiosidade de ir em frente.
Pós Guggenheim, a cidade cresce
noutros edifícios, igualmente sugestivos e diferentes, como este, que alberga uma
biblioteca e mediateca do mais moderno. O velho irmana com o novo, os espaços
são arejados, amplos, cosmopolitas.
Ao
longo do rio desliza o metro de superfície, silencioso e civilizado, mas o
caminho até ao “casco viejo” é perto e bom caminho, não vale a pena gastar mais
dinheiro.
Chegados à parte velha, a partir
do Teatro, penetra-se nas “siete calles” - sete estreitas ruas assim apelidadas
devido ao plano desta zona - que partem de um mesmo ponto, com lojas, bares –
dos famosos pintxos!!! – curiosidades, gente, vida, monumentos, praças…
percorremos as “calles” várias vezes, sete provavelmente, deixando-nos levar
pelo fluxo pedonal, pelos apetites, pelas vontades…
Descansámos para uma cerveja e um
pintxo…
Continuámos caminho, desta vez
para um geocaching que nos fez
descobrir a ponte que dá origem ao brasão da cidade.
(in, wikipédia)
Lá perto o mercado novo (uma
cidade também se conhece, e bem, pelo seu mercado), infelizmente estava
fechado.
Retrato rápido de Bilbo, eu sei.
A cidade não é só isto, há de ser muito mais, numa tarde ficámo-nos por aqui.
Juntamo-la a outra em agosto de 2008 , num dia de festa em que as ruas fervilhavam de gente, juntá-la-emos ainda a
outro qualquer dia no futuro. Bilbo está sempre a renovar-se e é sempre uma
visita a repetir e a redescobrir.
Lá em cima, no topo do monte
Cobetas, a ASA (N 43º 15´34'' O -2 57' 49'' ).
Um luxo de área exclusivamente para AC, em tudo muito semelhante a um camping: relva, parcelas com eletricidade e água, guarda 24 sobre 24 horas ( um deles um simpático basco, fã de Portugal. Retribuímos a simpatia e a preferência). Claro, e uma boa maquia: 15 € por dia. Para ir até à cidade, o melhor é apanhar o 58, as vistas enganam e os quilómetros e subida não são leves. Compensa a vista panorâmica…
Um luxo de área exclusivamente para AC, em tudo muito semelhante a um camping: relva, parcelas com eletricidade e água, guarda 24 sobre 24 horas ( um deles um simpático basco, fã de Portugal. Retribuímos a simpatia e a preferência). Claro, e uma boa maquia: 15 € por dia. Para ir até à cidade, o melhor é apanhar o 58, as vistas enganam e os quilómetros e subida não são leves. Compensa a vista panorâmica…
Dia da visita: 30 de julho
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Quase, quase no País Basco
Depois da foz, a última povoação cantábrica antes de solo
basco: Castro Urdiales. Uma povoação atraente, ainda com sabor a porto
piscatório. Pena não ser muito simpática com autocaravanistas. Estacionámos na
zona paga, na praia de Brazamar.
O passeio até ao “casco viejo” é agradável, a cidade respira
turismo e a baía é inspiradora.
Ao longo do passeio marítimo, saudável para a vista e para o
coração, uma praia com degraus…
Algumas casas à beira-mar miram as águas com olhos invulgares…
A
praça do Ayuntamiento é uma tentação com os seus bares e esplanadas…
...e lá dentro, em longos balcões, as deliciosas e as
suculentas… tapas. Experimentem por exemplo, o bar Marinero:
Subindo até à catedral gótica, a vista é bem bonita, com
realce para a moderna baía com os seus pequenos e grandes iates… podia ser
irmanada com Coillure. No lado antigo, ainda a ponte e torre romanas.
Foi pena ser só de passagem (29 de Julho).
domingo, 23 de setembro de 2012
Quase no País Basco
Antes de se chegar à costa basca existe um cantinho, na ria
de Oriñon, digamos que a fronteira entre a Cantábria e o País Basco, onde
tivemos de parar. Vai-se na estrada e o verde da línha da água misturado com o
verde da montanha chama a atenção.
O sítio só vale pela paisagem e pela praia, a povoação (Oriñon)
é um lugar descaraterizado, basicamente um camping,
daqueles tipo campo de concentração; dois bares; a junta de freguesia e um
larguito – fantasma com uma capela.
Ficámos a ver as marés - encher, despejar… - deixando o
tempo passar, sem pressas, sem horas.
Pernoita em 29 de Julho ( N 43º23,744 W003º 19, 166)
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Uma savana em Espanha
Quando o dia acorda cinzento (em
pleno julho, atenção!), em termos do verbo viajar, isso equivale a pouca
energia para nova e ambiciosa rota, foi por isso que pouco avançámos.
Sítio calmo, a opção pachorrenta
e caseira, depois dos quilómetros palmilhados em Santander, os pés mereciam
descanso: Cabarceno (N 43º 21’ 29’’ W 3º
49’ 9’’).
Já alguém viu uma savana em
Espanha? Elefantes e gazelas sem
restrições de espaço? E isto só para falar nestas espécies, porque outras e
variadas por lá pululam. Refiro-me a um parque natural, claro, mas um parque
que tem dezenas de quilómetros e onde o visitante percorre estradas e pontos
estratégicos na sua própria viatura. (Parque de la Naturaleza: http://www.parquecabarceno.es/)
Visitámo-lo em 2004 e como
o preço não é suave (21 € adulto), desta vez ficámo-nos pela ASA(área de
serviço para autocaravanas) situada ao lado da aldeia de Cabarceno e no final do
grande Parque, com uma paisagem africana ali à mão de semear.
A aldeia, por sua vez, nada tem
de africano, é um novo salto no espaço e zás, voltamos a Espanha que até podia
ser Portugal…
A ASA é verde dos lados, por
baixo e por cima. Minto, o céu, apesar de poder beber nas águas do lago, estava
mais para o cinzento. Ao fim do dia as autocaravanas encheram o largo. Grátis e
supersossegado, mesmo com os elefantes (gente civilizada) a escassos metros.
Dias: 28 de julho… e Jogos
olímpicos na TV!
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