domingo, 29 de setembro de 2013

Começou outono



Há oito dias atrás fazia sol e estava calor em Lisboa, assim:

 











Era o fim do verão.

Hoje chuvisca e o tempo está ameno e triste. É o início do outono.
No meu quintal a camisa branca esvoaça  e Lisboa está lá longe. Já passou uma semana.


Estava calor e em Lisboa havia de tudo: muito barulho em Belém , uma piscina fabulosa em Monsanto, e , nas ruas de Lisboa,  muita gente e um fervilhar de atividades.
Experimentámos o Lisboa Week, esgotado! Tentámos um passeio pelas ruínas romanas nas profundezas da baixa pombalina, uma fila até quase o Rossio! Tentámos apanhar o bus, o dia da “mobilidade” tinha alterado a rota!
Deixámo-nos guiar pelas colinas. Um salto até as ruínas do teatro romano – que calor!


Mais um esforço e uma ida ao castelo. Fila e bilhete para pagar. Pronto, deixa lá, fiquemo-nos pelas paisagens no início de Alfama ou por um relax no Chapitô! 





(uma nuvem de palha d'aço)






Mais uma voltinha e a casa dos Bicos , a fundação já estava fechada , nada de Saramago , só um vislumbre do seu elefante…



Não interessa, continuemos a respirar o cheiro alfacinha e a pequeno almoçar pastéis de Belém; procuremos no Terreiro do Paço uma feira de artesanato; na rua do Ouro a animação habitual. Lisboa está tão cosmopolita…
Subi, subi até à Avenida da Liberdade. Bolas, que calor, nada como uma imperial, ali, no Banana’s Bar,  junto ao som poético de  Pacman, agora “Algodão” em vez de “Da-Weasel”.



( O rapaz gosta de cantar descalço, qual Cesária Évora...)


A noite cai. O calor continua, bares e restaurantes cheios, no Chiado os turistas começam a descer ,  outros ainda querem subir no elevador, para nós está na hora de outras paragens.
Em Monsanto tudo tranquilo. Amanhece. Outra vez piscina.



Foram o quê ?  Vinte e quatro horas de final de verão, o outono vai começar.
Hoje já começou.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Do lado de lá do rio Douro

Pode ser Porto, pode ser Gaia, mas socorrendo-me das anedotas, partamos do princípio que o lado de lá é Gaia.
(- Qual é a outra cidade portuguesa em Portugal com 6 pontes?
- Gaia (que está no outro lado do rio)”
ou “mais vale uma casa no Porto do que a Gaia toda”.

Desse lado de lá, ainda segundo o ponto de vista da minha amiga Fernanda, do Porto, a geografia das ruas é sem nexo, só chegando à beira rio, estamos na melhor parte de Gaia, porque se vê o Porto em toda a sua grandeza e plenitude.



Deixando de lado as intrigas bairristas, comecemos por Avintes, mais precisamente (não pela broa, aquela escura tipo pedra que era cozida num forno tapado por bosta de vaca e que sabe tão bem…) pelo Parque Biológico de Gaia. Este é o primeiro centro permanente de Educação Ambiental do país, 35 hectares onde vivem em estado selvagem centenas de espécies de animais e plantas. O parque facilita ainda a possibilidade de pernoitar em duas versões: em quartos no edifício principal ou numa simpática zona para AC no meio do verde, ao som de papagaios e outros que tais (41º 05´48.50 ‘’N / 8º 33´21. 34 W). Até ao Porto são 7 quilómetros e há a hipótese de ir de autocarro.







Antes, porém, de atravessar para a outra margem, há que conhecer a zona ribeirinha de Gaia. Para o autocaravanista que procura novas paisagens e gosta de parar sem vedações ou muros, tem a hipótese de estacionar e até mesmo pernoitar no parque de estacionamento do Cais do Cavaco (N 41 08. 604 – W 837. 948). O local é meio fantasmagórico graças à mansão abandonada no cimo do monte, não é vigiado, mas a polícia pára por lá frequentes vezes no seu giro. Ficámos lá três noites e foi pacífico.





Até ao cais da Afurada é menos de um quilómetro, até à zona das caves do vinho do Porto são 1, 200 m. De bicicleta ou a pé ambas as distâncias se percorrem agradavelmente acompanhadas por uma paisagem que está sempre a mudar.

Já noutra ocasião falei da Afurada, das suas ruas castiças, da limpeza das suas portadas e passeios (mencionei o cheiro a Clarim quando a roupa dança no estendal?).

Entretanto, a marina da Afurada foi renovada, vale a pena um passeio até lá. Mais para o lado do mar, não esquecer as praias dessa linha, Canidelo, Madalena e tantas outras.

Voltando ao cais do Cavaco: dirigindo-nos na direção oposta à Afurada, até à ponte D. Luís, as vistas são outras. A azáfama dos pescadores de cana ao longo do passadiço, os cruzeiros pelo Douro e suas pontes, gente que passa, gente que pedala de bicicleta, o moderno e o velho, as tainhas a borbulhar na água, o Zé da Guida, esplanadas, lazer e, finalmente, as caves. Pululam ao longo da encosta acima, ruelas e ruelas delas, marcas espreitando e convidando o palato e a bolsa.



















Escolhemos a do “Zorro”, afinal Don, mistura do estudante português com a sua capa negra e o sombrero espanhol a evocar a uva sherry. Esta imagem de marca desde 1928 é da Sandeman, fundada em 1790 por um escocês do mesmo nome. Se no séc. XVIII as uvas viajavam do douro vinhateiro 100 km a leste nesses rabelos afora e depois rebolavam nas suas pipas até às caves, agora, mais sofisticadamente, acomodam-se frigorificamente em grandes camiões até ao destino. Aqui chegadas, dormem até ao estado perfeito em pipas e balseiros e , tornadas vinho, são-no com três nomes próprios : o branco, o Tawny (à portuguesa, o Toni) e o Ruby (Rubi). No fim da visita o Zorro dá-nos a provar o branco e o ruby. Saúde e biba o Futebol Clube do Porto!

















A beira rio é movimentada, os ingleses dos tempos modernos beberricam o vinho doce, petiscam peixes e entradas, viajam pelas seis pontes, vão no teleférico até quase à serra do Pilar.

Quem vem e atravessa o rio

Junto à serra do Pilar Vê um velho casario Que se estende ate ao mar

És cascata, são-joanina
Erigida sobre o monte
No meio da neblina.

Quem te vê ao vir da ponte

Carlos Tê/ Rui Veloso



É a vez de passar para o outro lado e admirar as toneladas de ferro até ao céu, percorridas por carros, camiões, metro e peões. A ponte D. Luis foi inaugurada em 1886 e substituiu a antiga ponte Pensil, a qual apenas deixou para amostra os seus pilares… Mas isso fica para a outra margem, para o lado de cá do Douro…


















terça-feira, 27 de agosto de 2013

Praia da claridade com espelho de claridade ou de tempestade?



Há 30 anos ou mais que, pelo menos uma vez por ano, vou à Figueira da Foz.

Aqui há uns largos anos, no reinado Santana Lopes, nasceu o “Oásis” no areal extenso da praia, obra de controvérsias, tanto no ponto de vista dos figueirenses como até de forasteiros como eu. Continua lá. Se com ele – o oásis – se pretendia saciar a sede ou a ilusão de alguém, desconheço. Talvez as do seu D. Sebastião… Eu, pelo menos, neste mês de agosto, colhi lá um cache ( do jogo geocaching) e por coincidência ou obra de qualquer fatum inevitável, ia esbarrando com o próprio Santana Lopes. A sério !  sem ironias nem más línguas, nem quaisquer jogos de língua.





(esta é outra controvérsia, apesar de fotogénica...)

Este verão, porém, o que de novo nasceu na Figueira da Foz foi a reconstrução da zona pedonal à beira rio, a qual inclui, rente ao Forte de Santa Catarina , um espelho d´ água que reflete a muralha e que logo no dia da inauguração passou a ser passeio molha pés e pernas de pequenos e graúdos. Mais uma vez instalou-se o debate. O meu amigo Nelo aproveitou para blogar sobre o assunto, depois de eu ter atiçado o lume. Como já disse, não moro na Figueira, e,  como venho do “sequeiro”, faz-me falta a água e gosto de ver água e, se me deixarem sentir o seu contacto com a pele, não me escuso, gosto, pronto. 







Essa foi uma das razões que não feriu o meu sentido de abertura ao novo, mesmo apesar do mar estar ali ao pé ( a propósito, “abriu” também com a renovação a “praia do cagalhão” , assim conhecida pelos nativos figueirenses, mas que , lá está, eu aproveitei, porque não vislumbrei nenhum desses mal cheirosos e rugosos abjetos - mistura de dejeto com objeto - e ainda aqui estou sem manchas cutâneas nem qualquer tipo de alergia. Depois do banho marítimo, aproveitei ainda o novo duche colocado no passadiço da dita praia).



 Além do lado prático e funcional deste pedaço da nova obra e voltando ao espelho d´agua, este não ofendeu ainda o meu sentido do belo , porque o enquadramento possui um certo ar de continuidade: a muralha conjuga com o xisto, a água relembra antigos fossos, sendo no entanto este bem mais pacífico , já que cada qual mergulha e passeia conforme lhe apraz.
Não esperava no entanto que para festejar tal marco se esquecessem que Portugal não carece de bons músicos e optasse por mais uma vulgaridade no plano musical, mas provavelmente, com tanto dinheiro gasto na obra e porque o verão é tempo de festivais em Portugal, havia que poupar ou não havia artistas disponíveis.
Fora este pequeno pormenor, realço outro menos positivo tanto para mim, mera forasteira, como para os nativos: a falta (depois desta praia continuar ainda a ser uma forte procura por parte de autocaravanistas nacionais e internacionais) de uma estrutura moderna e eficiente para autocaravanas. Não basta um parque separado por uma vedação em que se paga mais por dia, para se pensar que é desta que os autocaravanistas têm um espaço próprio onde se vão portar bem, falta ainda o essencial: água e uma área de despejos para sanitas químicas e despejos de águas sujas)!!!





Fora isto, a claridade continua na Figueira da Foz se todos a deixarmos continuar, o nevoeiro continua a ser frequente pela manhã, o mar permanece azul e verde (ninguém se lembrou ainda  de o aquecer um pouco mais?), os gelados da Emanha continuam a ser os melhores, os piqueniques são para continuar, na Lagoa da Vela ou em Quiaios ou até nas Abadias e , “the last but not the least” a churrascada no sítio do pombo verde e da língua afiada continua a ser dos melhores!!!




(Maiorca)

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Souk em Al – Portug












Parece Marrocos , mas não. Os marroquinos vieram diretamente de lá, os produtos também, o souk  é , pois, um retrato fiel dos originais. Regatear preços também acontece. A única diferença é quando a ASAE passa, aí é vê-los (aos marroquinos) colando etiquetas brancas com os notórios euros . Estamos, pois , como já perceberam,  em Portugal. Mais uma neste cardápio de viajantedecasaascostas, mas desta feita a maior que vimos até ao momento e em território que outrora pertenceu mesmo aos árabes , daí o ambiente ser mais realista.






A recriação artística e histórica é da Companhia Viv’ Arte. Em simultâneo e  a acabar a 11 deste mês decorrem duas feiras medievais: a de Santa Maria da Feira e a de Silves. Aquela a este viajante se reporta é a de Silves, em território “al” a relembrar os árabes, os mouros, os sarracenos…
A entrada custa 2 euros diários, pena os espetáculos da feira (como torneio e teatralização ) implicarem mais euros , ou, de acordo com esta viagem ao passado, xilbs.

Se correrem ainda lá chegam , termina a 11 deste mês.