quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

As folhas novas do calendário


Saímos à procura do sol. Creio que antes da folha de 2013 voar e de passar para a seguinte, só o Algarve tinha sol  e ainda assim a breves espaços.

Contudo, e como sempre no nosso inverno à beira mar plantado, os autocaravanistas nórdicos faziam deste nosso solo o seu lar.
Ironicamente no solo onde no verão procurei pousar, na altura fechado a autocaravanas porque era mais conveniente uma discoteca ao ar livre, instalava-se agora uma verdadeira cidade de casas rolantes com “quintais, estendais, cadeiras ao léu, e com direito a água e luz (4,50€ dia + 2,50€ luz). O local é  Manta Rota, para quem não reconhece a conversa.


Depois de Manta Rota fica Cabanas (local não simpatizante com autocaravanistas) , com a sua passerelle ao longo da ria, lá longe o mar , apenas a umas “remadelas” do barco - táxi . 





Oculto entre o estranho arvoredo fica o Forte de S. João da Barra, em forma de estrela, nascido a 1656 por questões militares, nesse tempo propriedade de um conde e atualmente  empreendimento turístico.






Depois de Tavira,  outras praias agora desertas (por que será que bem mais apetecíveis do que no verão?), como a do Barril. Percorremos o caminho do comboizito a pé. Areia, mar, vento, nuvens e um ar ameno , aberto a piqueniques... E uma zona não amante de autocaravanistas (ao lado do empreendimento Pedras del Rei), mas onde ainda assim eles estão sempre (sem água, nem luz).






Entre as duas praias a eterna Tavira e o rio Gilão. Os foguetes soaram, as folhas do calendário passaram. Quase sem nos apercebermos o tempo voava e já estávamos em 2014. Alguém consegue comer as passas? Eu não, talvez por isso os meus desejos caiam em saco roto. Talvez sim, talvez não. A banda toca no coreto, recorda-se o passado nas letras e melodias da juventude, perpetuam-se depois nos mais novos que também cantam. A esperança reacende-se, amanhã é novo dia.




Volta-se a folha, “olá, 2014”: capital do algarve, dizem, Faro. A parte antiga no sossego de janeiro:  “vila adentro” ou parte velha. Uma larga Muralha com 4 portas, a mais importante, o Arco da Vila. No seu interior o amplo terreiro, outrora fórum romano, com a (Câmara Municipal , o palácio episcopal com os seus telhados triangulares, um convento e a peculiar Sé do séc, XII… fora das muralhas , a marina , o ar ameno do sotavento algarvio, o  sol a espreitar suave, com preguiça….





Com o novo calendário haverá tempo para escolher qual caminho? pode ainda escolher-se outro norte ou outro sul?



terça-feira, 7 de janeiro de 2014

As folhas do calendário velho



No final de 2013, Lisboa estava assim: 


Contudo, o seu encanto fazia dela uma cidade procurada por muitos, imensos turistas. .. e nós.
À beira rio todos pousavam para a foto, os monumentos que relembram a grande epopeia marítima fervilhavam de gente, o domingo de manhã deslumbrava com um sol a chegar aos 18 graus depois do breve nevoeiro, os turistas despiam-se felizes, “quem me dera este sol lá na santa terrinha!”


Para ver Lisboa em toda a sua plenitude nada como um salto , a pé , no pequeno autocarro ou no elétrico 28, à grande colina onde se ergue o castelo de S. Jorge.





Claro que também valem outras colinas onde as ruas sobem e descem como mini montanhas russas.



E uma olhadela sempre constante aos prédios limpos, brancos, altivos, ressuscitados da poluição, dos tempos...



No castelo e noutros locais lisboetas nascem várias formas de fazer comércio, de criar turismo, que é como quem diz, novas formas airosas de fazer dinheiro vencendo a crise. 



Com crise ou sem ela as ruas fervilhavam (era a abertura dos saldos), eram as vésperas do final do ano e da passagem para o ano seguinte, para o qual todos depositam novas esperanças , como se uma folha de calendário arrancada, representasse o amanhecer de um dia diferente, repleto de sorte e de bons ventos. Ilusões que até levam alguns a estrear uma peça nova, nem que sejam uns collants ou peúgas, just in case.



Vai uma voltinha de elétrico?

terça-feira, 12 de novembro de 2013

boas letras e boas sopas



Menos elitista que a Golegã, ou não fosse berço de comunista , temos a vizinha Azinhaga do Ribatejo.
Logo na praça principal (a única , creio) lá está o Pa


i de Baltasar e Blimunda, segurando o livro que foi a sua vida , olhando para o infinito com os seus olhinhos pequeninos .
Uns metros à frente,  a  casa que o viu nascer, agora à moderna , sem marcas da sua presença, apenas a lápide, apenas as palavras. Por ali passou, nós, seus meros leitores, registámos.

E já agora: quando lá passarem, cumprimentem o Mestre e parem para um cozido ou outras sopas da terra, na Tasca do Maltez. 











domingo, 10 de novembro de 2013

Elites, cavalos, castanhas e Quim Barreiros




Feiras e mercados na época do São Martinho é o que não falta em Portugal.

A  da Golegã (Novembro: fim de semana de 2 e de 9), com quase 4 séculos de história , pareceu-nos uma bom começo  para este 2013 de crise e buraco orçamental. Sem dinheiro e com tanto cavalo lusitano, certamente não teríamos onde o gastar.


Mal conhecíamos a chamada terra dos cavalos, mas também não foi assim que mais conhecedores  ficámos.  As ruas, fechadas ao trânsito e atravancadas de barracas e vendilhões, não nos deixaram ter uma visão ampla da terra.
Ficámo-nos pois com a imagem da Golegã daqueles dias de festa, com  a nossa visão e com  aquela que os canais televisivos nos foram oferecendo durante a semana inteira, com mais ou menos cavalos, mais ou menos música pimba.
Cavalos, cavaleiros e outros afins pressupõem desde logo um certo elitismo e era com ele que íamos a contar. Confesso que pensei que fosse pior. Mas não, a Golegã revelou-se uma mistura de cheiro a cavalo, elitismo de classe e muito povo a apreciar as vistas, outro a desejar ser como os cavaleiros, outros a decidirem imitar a elite, ficando-se pela compra de peles, chapéus ou botas de cano alto. Ou outros ainda apenas fotografando de uns e de outros.
Na praça central – o mesmo carrossel giratório toda a semana: ao longo da arena durante horas a fio, as charretes-táxis, os cavaleiros, uns mais à antiga, outros mais contemporâneos, de telemóvel, ténis e calças de ganga. No centro as provas, os prémios, o espectável.









Esperasse eu mais folclore e mais tradição, mas talvez isso fosse doutros tempos ou da minha imaginação.  Pelo menos vi  a senhora das castanhas.


Estas e outros  e frutos secos eram muitos, bem com o  cheiro  a bons nacos de carne, cerveja e vinhos com fartura, massa frita e cavalos de plástico, Quim Barreiros e outros produtos nacionais.  Até casas para cavalos, parecidas à nossa, ao que chegaram as modernices.
E muito negócio, ou não fosse feira. Cada porta ou portão encerrava um novo bar, improvisado ou para a família.



Cada rua ou sinalética é ainda outro cavalo ou … algo com ele relacionado.





As cores , ocre e azul, são como as da minha terra e , como sempre, não resisti a portas e janelas…



Foi também numa “quinta “ improvisada que dormimos… 5 euros a noite com direito a estacionamento dois dias.
Cumprimos a nossa parte de turista em crise, comendo sobretudo  com os olhos e fechando-os numa noite bem dormida, porque isto do aumento das horas de trabalho semanais aumenta no sono ao fim de semana. Roncar é preciso!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Uma autocaravana “de cortiça”



Há 56 anos atrás, que é como quem diz, por volta 1957, um agricultor e proprietário alentejano,  aqui em Évora e arredores  conhecido por Menino de Ouro, lançou mão na defesa do seu património.
A céu aberto e durante a desprotegida noite, ficavam as suas toneladas e toneladas de cortiça, à mercê da gatunagem. Não fez mais nada, “ o seu a seu dono”, e nada como ser ele a defender o seu, pernoitando aqui e acolá, na defesa da sua preciosa cortiça.

Ia dormitar ao relento debaixo de um chaparro, também ele exposto e sujeito a tornar-se vítima? Armaria um qualquer pano, preso de uma a outra azinheira, qual tenda improvisada? Não senhor, já que tinha de deixar o conforto do lar para se armar em defensor, por que não uma casa móvel de cama já montada, fogão para o chá e armário para as botas e manta?




 Hoje, o atual proprietário, ilustre proprietário do restaurante Mr. Pickwick, dá com ela uns passeios pelo centro histórico de Évora, debaixo dos olhos curiosos de turistas e locais.
Dormir e cozinhar? Isso é que já é de mais, para tal existem os hotéis e restaurantes…



domingo, 29 de setembro de 2013

Começou outono



Há oito dias atrás fazia sol e estava calor em Lisboa, assim:

 











Era o fim do verão.

Hoje chuvisca e o tempo está ameno e triste. É o início do outono.
No meu quintal a camisa branca esvoaça  e Lisboa está lá longe. Já passou uma semana.


Estava calor e em Lisboa havia de tudo: muito barulho em Belém , uma piscina fabulosa em Monsanto, e , nas ruas de Lisboa,  muita gente e um fervilhar de atividades.
Experimentámos o Lisboa Week, esgotado! Tentámos um passeio pelas ruínas romanas nas profundezas da baixa pombalina, uma fila até quase o Rossio! Tentámos apanhar o bus, o dia da “mobilidade” tinha alterado a rota!
Deixámo-nos guiar pelas colinas. Um salto até as ruínas do teatro romano – que calor!


Mais um esforço e uma ida ao castelo. Fila e bilhete para pagar. Pronto, deixa lá, fiquemo-nos pelas paisagens no início de Alfama ou por um relax no Chapitô! 





(uma nuvem de palha d'aço)






Mais uma voltinha e a casa dos Bicos , a fundação já estava fechada , nada de Saramago , só um vislumbre do seu elefante…



Não interessa, continuemos a respirar o cheiro alfacinha e a pequeno almoçar pastéis de Belém; procuremos no Terreiro do Paço uma feira de artesanato; na rua do Ouro a animação habitual. Lisboa está tão cosmopolita…
Subi, subi até à Avenida da Liberdade. Bolas, que calor, nada como uma imperial, ali, no Banana’s Bar,  junto ao som poético de  Pacman, agora “Algodão” em vez de “Da-Weasel”.



( O rapaz gosta de cantar descalço, qual Cesária Évora...)


A noite cai. O calor continua, bares e restaurantes cheios, no Chiado os turistas começam a descer ,  outros ainda querem subir no elevador, para nós está na hora de outras paragens.
Em Monsanto tudo tranquilo. Amanhece. Outra vez piscina.



Foram o quê ?  Vinte e quatro horas de final de verão, o outono vai começar.
Hoje já começou.