segunda-feira, 21 de abril de 2014

A porta abriu-se

Afinal lá saíram estes viajantesdecasaascostas por uma fresta da porta. Uma fresta pequena de duas noites, por caminhos há muito conhecidos, vezes sem conta fotografados mas ainda assim uma rapidinha na qual deu para   VER:

Azul

Mar
Pessoas aos sol
Pessoas na água
Barcos no horizonte

Autocaravanas 












CHEIRAR:

Mar
Peixe
Sol e vento

TOCAR:

Na areia da praia


SABOREAR:
O primeiro gelado da primavera, na praça Marquês de Pombal




Mudanças:

Coisa rara destes viajantes: por via das contingências ainda embruxadas de 2012, “fechámo-nos” no parque de campismo de Porto Côvo, mesmo ao lado da zona para autocaravanas; esta  a custo zero,  a outra nem por isso. Nada de novo na área. Continua concorrida, gente a pernoitar, a estar, a esvaziar e a encher depósitos de águas.
Igualmente nada de novo no parque de campismo que não serve, decididamente, para o espírito livre e aventureiro de quem procura e quer sempre mais.  É um bairro de bungallows e roulottes nas suas quintinhas privadas, com mais ou menos jardins, mesas, candeeiros e bibelots. No bairro não há espaço para tendas quanto mais para autocaravanas, só muros, arbustos, antenas. Valha-lhe a zona de churrascos coletiva e talvez, no verão, a piscina. Deste modo como querem eles que as AC se confinem a parques? Só porque não sabem mesmo o que é ser autocaravanista.


(parque de campismo de Porto Covo)

Sendo nós dos raros (ainda lá vimos mais 3) a ficar no camping, todas as outras respiravam outro ar mais livre, como na falésia, o sítio das nossas preferências por estas bandas, onde, com a consciência tranquila gostamos de ficar a ver o mar, ali onde se é rei da paisagem. Como nós outros lá estavam, discretamente. Passámos lá uma tarde a VER e em família, com coisas de família.

 (atenção : estas não são as nossas casas!)


Avizinha-se, porém, um mau verão para os amantes de Porto Côvo. A praia da Samoqueira vê-se reduzida a calhau e a rochas.

(Samoqueira)


Salvou-se a Praia Grande e a dos Buizinhos que, apesar de micro, as suas águas reluzem de brilho e tons de azul, valendo-lhe ainda ser a mais próxima da vila.

                                                                        (Praia Grande)




                                                                          (Buizinhos)

Em S. Torpes o mesmo cenário de pouca areia e muito calhau, ficando a praia reduzida a metade do comprimento e em zona balnear, onde em 2014 espaço para estender a toalha?




quinta-feira, 17 de abril de 2014

A porta fechou-se






A porta tem estado praticamente fechada, daí não me encontrarem por mais que batam, não que tenha saído, eu estou cá, mas não se esqueçam que me costumavam encontrar na rua, a vadiar sobre rodas...

“… a noite anterior fora véspera de Todos-os-Santos, uma época perigosa durante a qual os espíritos maléficos vagueavam à solta” (Ken Follett) . 
Encontrei esta frase num romance que ocorre em plena Idade Média, e pareceu-me adequada às minhas mais recentes vivências, desde o dia 1 novembro de 2012.
Desde aí muitos espíritos maléficos têm andado por aqui à solta…

Com a porta tantas vezes fechada à estrada sobre rodas, limito-me hoje, a presentear-vos com algumas palavras e imagens de quem viaja cá dentro (da santa terrinha, é claro). 







As portas e as janelas são desta cidade alentejana, branca e ocre, que, anos volvidos à espera de novas demãos, se vê finalmente a recomeçar brilhando, alvo de nova pintura e limpeza por parte da nova equipa camarária. Muito ainda falta fazer, como se pode notar, as paredes são muitas, a vontade também, as mãos vamos lá ver se chegam , já para não falar da tinta , porque o homem da “cal branca” que dantes se ouvia apregoar não sei se volta mais…


Passeando intramuros, não seria um passeio fidedigno à terra se não se reparasse na toponímia em feitio de gema ocre estatelada em fundo branco cal alentejano. Umas vezes a relembrar pessoas, outras o  quotidiano, e sempre a História.







A história nas ruas com e sem Catedral ao fundo, a História nas pedras que vieram dos romanos, a pedra histórica de um templo que é romano e que todos chamam de Diana e é de todos nós e não dela, a história das janelas de tempos idos e de quem lá mora ainda.














A história mais ou menos recente de quem sabe misturar ervas e cheiros e pão e fazer História de paladares , como este que dizem ser especial,



 embora para os nativos outras tabernas mais humildes em preço se destaquem, como esta, não propriamente uma taberna , mas ainda assim bem típica, onde se come o melhor arroz de tamboril alguma vez inventado.

É verdade, mesmo sem mar, em plena planície, onde a azeitona o pão e o vinho constituem prato, entrada e a base de uma boa mesa.

Para doces ainda resiste aos ventos e marés a pastelaria Violeta, a sua antiguidade comprova-se no circunflexo a teimar proteger o “e” do sol.



O som das andorinhas não se ouve aqui, mas pelas ruas de telhas cozidas é o que não falta, a Primavera chegou, o verde chama-nos ao descanso, as esplanadas começam a apetecer antes que chegue a época do braseiro (mais conhecida por Calor de Verão com mais de 40º)…. Só para quem cá vive, aqui, em Évora, sempre, faça sol faça frio, há pouco ou muito tempo.






 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Dois conceitos de hotel: qual o mais fresco? Qual o mais quente?



Ambos no Alentejo, Portugal. Um em Vila Viçosa, outro nas cercanias de Évora.

Ambos apostam em novos conceitos que se prendem às fontes naturais, o mármore da zona de Estremoz-Vila Viçosa e a cortiça de todo o Alentejo.

(o de cortiça: em Évora )


(o de mármore: em Estremoz)

Que o mármore é uma rocha fria ao tato e por isso muito apreciada pelos alentejanos em escadas, chão e mosaicos, já todos sabemos. No verão, claro, porque no inverno, por terras alentejanas, o frio também enregela e bem.
Já a cortiça – agora muito na moda em malas, pulseiras e outras bijuterias e até em chapéus de chuva! - tem a tripla vantagem de preservar do frio e do calor e de ser impermeável à água. A tradição bem o sabia: agora que está novamente em moda o conceito marmita, já alguém voltou ao antigo tarro alentejano? Os camponeses usavam-no, tanto para o frio como para o calor…
Os hotéis em questão foram visitados em épocas distintas: o primeiro, “Alentejo Marmoris Hotel”, em Vila Viçosa, durante a primavera do ano passado, num tempo ameno e agradável, já com um calor convidativo a piscina; o segundo , o “Ecorkhotel” , perto de Évora, no mês abrasador de setembro, com quase 30 graus que se assemelham a 40, debaixo de um sol baixo e forte que abafava a atmosfera.
“Alentejo marmoris Hotel& Spa” (***** ) é inteiramente dedicado ao mármore , paixão dos proprietários que desde sempre trabalharam na área desta rocha. Situa-se no centro da bonita e histórica vila alentejana, num antigo lagar.





 Ecorkhotel” ( ****) situa-se no meio da planície alentejana, com Évora ao fundo, e é o primeiro hotel do mundo com um revestimento de cortiça (diz a puiblicidade). Atenção, esse revestimento surge apenas no envolvimento do edifício central (que alberga receção, bar, restaurante, piscina, spa e ginásio), a restante cortiça adivinha-se e sente-se ( toca-se também ) na natureza envolvente. Este novo projeto tem ainda em conta a preocupação ambiental e apresenta uma nova forma de aproveitamento das energias alternativas, igualmente no edifício central. As suites (56) são pequenas casinhas brancas espalhadas pela beleza árida da planície, a piscina tem um toque especial: situa-se no 1º andar do edifício central, espreitando a imensidão alentejana, tocando o céu aberto e intensamente azul.






Saber qual é o mais fresco ou o mais quente (dependendo das estações do ano, ou climas sujeitos a alterações sem estações) será tarefa vossa, nós, por enquanto, continuamos a relaxar noutro conceito de hotel e cama… sobre rodas. Foi só uma pausa … para relaxar.