sábado, 25 de outubro de 2014

Eslovénia, hello!

Dia 15



A meio das férias, precisamente, era o dia de iniciarmos a segunda etapa da viagem, rumo a outro país, um destino diferente e virgem nos nossos itinerários.
Era um sábado ( e em férias ninguém olha para o calendário ) e talvez por isso tivemos o azar de nos vermos fechados em enormes filas até Trieste. 145 km apenas a separam de Veneza e entre a nacional e a autoestrada (que fizemos alternamente na esperança de melhor sorte) demorámos toda a manhã e só lá chegámos perto das 16 horas.

De Trieste até à Eslovénia o tráfego aliviou, e os preços do gasóleo também...

A primeira ideia seria supostamente Postojna, ponto turístico de especial relevo devido às suas grutas. Uns quilómetros depois um castelo, onde tentámos ir mas o caminho não era propriamente para autocaravanas.
Não sendo as grutas o nosso forte, desistimos de Postojna, um local com área de serviço para AC  numa paisagem bem sugestiva, verde , cm uma cascata e moinho e decerto locais e trilhos relaxantes pata percorrer.


Veio a revelar-se uma má opção não ficarmos,  porque dali partimos para a capital e a única hipótese viável para ficar pareceu-nos ser o camping Liubliana Resort (único nas redondezas e na cidade: N 46º 05.952 E 014º 31.094). O GPS demorou a encontrá-lo e lá chegados pasmámos com os preços pedidos. Devido ao adiantado da hora não tivemos outro remédio senão ficar. Aproveitou-se o tempo nas leituras, net e outras atividades pacatas e “sociais”.

sábado, 18 de outubro de 2014

"Aqua" e explosão de cores: Veneza e Burano

Dia 14

Infelizmente, depois do concerto, a noite no parque San Giuliano foi recheada de barulhos, pelo que, quase sem pregar olho, levantámo- nos para o novo dia que seria repleto e longo  de emoções . Desde logo porque revisitaríamos Veneza, uma das cidades mais belas do mundo, tenho sempre que dizer isto, apesar de conhecer uma parte ínfima deste nosso planeta, e depois porque o 4º membro da família se nos juntaria.
Saímos, pois, de Mestre e dirigimo-nos ao parque Tronchetto, no cais de Veneza.
As primeiras doze horas 21 € seguidas de mais 10€ nas restantes, mesmo assim creio que para 4 pessoas foi a opção menos dispendiosa…

Deixámo-nos conduzir pelo GPS interior e pelo mapa Ezzio Audittore alojado no cérebro do nosso guia mais jovem e percorremos Veneza pela manhã assistindo à labuta diária e às pequenas e grandes curiosidades de uma terra única, para depois do almoço partirmos à descoberta de um outro cenário idílico e sui generis.


Engarrafamentos do dia a dia






 Quem não gostaria de ter uma campainha assim?








E se a roupa cai?


Suspiros, claro!...

O novo cenário foi Burano (não confundir com Murano, a ilha onde se fabrica o famoso vidro) é a terra das cores e dos bordados feitos à mão, por laboriosas e ancestrais senhoras, hoje vendidos em qualquer ali e noutros países como se dali não fossem originários.


 Ao longo do caminho, no seio de muitos turistas, no convés do barco, fomo-nos deleitando com a vida animada da grande lagoa, cheia de sinais de trânsito e de movimento. Primeiro, o cemitério, depois mais umas quantas ilhotas, Murano, e, finalmente a explosão de cores!




Cemitério ao fundo


Burano , cais


Assim que entrámos, pensei de imediato que Burano podia ser geminada com a Afurada do Porto. Não pelos canais, pontes e casas coloridas, mas pelo asseio tão típico e genuíno de ambas. A  roupa estendida num estendal de pau, baloiçando ao vento por entre milhares de turistas (falta , felizmente, esta parte à Afurada), o balde e a esfregona à porta de casa a dizer “aqui primamos pela limpeza!”.



O que apetece fazer? Fotografar , guardar na retina, ficar… numa relva simpática, por exemplo, a ver sair e chegar os barcos, a ver os locais descansar nos seus pequenos quintais, a entrar nos seus barquinhos talvez para uma mergulho no Lido, a única praia próxima , porque o calor, naquele 1º de Agosto apertava.






Bebemos litros de água na fonte, deliciámo-nos na praça da igreja matriz como uma estranha música vinda de um estranho instrumento e girámos, girámos pelo arco íris das fachadas , portas e janelas.



Estava na hora de regressar a Veneza, pelo caminho inverso chegámos a S. Marcos, para reacender a memória de tanta luz , glória e riqueza e descansar a olhar para as gondolas e os seus divertidos ocupantes.



Estava na hora de dar um salto até à estação de comboios receber e matar saudades do nosso viajante de avião / comboio que atravessou a Península Ibérica, França e chegou num ápice a Veneza sem ter passado pelos nossos quilómetros de treze dias… mas sem vir de alma cheia de quem viaja e recolhe pedaços de riquezas, aqui e ali…
Quatro , em vez de três, revisitámos os ex libris venezianos, praça de S. Marcos, o seu leão , a sua imponente Duomo, os seus cafés elegantes (ah, o Florian !…), que à noite, se animam de música ao vivo, e os parvos dos lazers verdes e vermelhos, vendidos e comprados, a riscar o chão e as paredes centenárias.





Quantos quilómetros fizemos a pé? Pois , em Veneza , sem gondola própria, os quilómetros percorridos são sempre a triplicar relativamente àquilo que pensamos inicialmente.

Chegados ao parque do Tronchetto ( N 45.43926 E 12. 30431) foi abrir janelas e apanhar o barco do sono o mais depressa que se conseguiu. No dia seguinte seria dia de iniciar a 2ª etapa da viagem


sábado, 11 de outubro de 2014

Ferrara, capital europeia da bicicleta



Dia 13


Pensava eu, induzida pelo casal português que encontrámos em Florença, que Ferrara teria algo a ver com os Ferrari, mas afinal não. A fábrica dos Ferrrari é em Modena e Ferrara é a capital europeia da bicicleta, pelo menos assim se apelidava e afigurava.

De facto, percorrendo a cidade velha, o veículo de duas rodas imperava, conduzido por gente de todas as idades, creio que especialmente a 3ª. Fantástico!



Esta velhinha quando subiu para a bicicleta rejuvenesceu no mínimo 15 anos!





 Era uma manhã ensolarada mas suave e toda a gente fazia as suas compras matinais … de bicicleta.

O primeiro passo foi dirigirmo-nos à Duomo, monumento do séc. XII, em estilo românico-gótico,  com uma fachada bem sugestiva.


De frente para a Duomo , o Palazzo Comunale e a praça que o envolve.



Para a direita outro palácio, mais concretamente o grande Castelo Estense (da família que dominou Ferrara durante a Renascença) . 

                                                          No  Interior do Castelo Este



Este icónico castelo mantém ainda o seu fosso e pontes levadiças e fica, curiosamente, mesmo no centro plano da cidade. Em Ferrara os palácios e palacetes impõem-se , daí ser também denominada de capital cultural do Renascimento, porém não tínhamos tempo para os visitar a todos, além de que a visão de tanta vida e energia quer a pé mas sobretudo nas duas rodas, nos deixou pregados ao chão a contemplar , a admirar e a fotografar.






Perto da catedral chamou-nos ainda a atenção um triângulo de ruas que formou o antigo ghetto judaico, comunidade importante na cidade durante o reinado dos Este. No Renascimento muitos judeus espanhóis e portugueses aqui procuraram refúgio, sob a proteção dos Este.  A sinagoga lá está ainda. 
A s ruas medievais são no entanto o mais marcante de Ferrara. Desertas, silenciosas, têm um colorido especial, quer pelo silêncio e paz que delas emana, quer pelo peso visual das suas fachadas de terracota avermelhada e do pavimento irregular. Deixámo-nos embalar, fingindo que podíamos ser locais… entrámos na pastelaria e padaria mais concorrida e fizemos como eles, comprámos uns gressinos de oliva deliciosos para o aperitivo. Geniais…




Ferrara valia certamente uma visita mais prolongada, mas aquele intervalo entre turistas e nativos revigorou-nos para continuar.
Para pernoitar a cidade oferece ainda uma área de serviço para AC, uma noite custa 6 €, no entanto, quando lá chegámos , perto da meia noite ficámos no grande terreiro e parque de estacionamento misto onde muitas outras já dormiam. A área estava vazia, serviu para os despejos e higienes.
Estava na hora de prosseguirmos viagem até Veneza, o próximo ponto de paragem ou não… O quarto elemento da família  juntar-se-ia ao trio para a segunda parte da viagem e o ponto e dia de encontro permanecia no segredo dos deuses.. . Veneza, Croácia?
Tínhamos portanto de ir indo e esperar.


Já perto de Mestre o canal começa a dar a sua graça...

Já estávamos em Mestre, no parque San Giuliano  para apenas aguardar o novo viajante sem saber se visitaríamos Veneza ou se prosseguiríamos, quando tudo se resolveu via telemóvel e net. É realmente fantástico como este novo mundo tecnológico resolve tudo mais depressa do que as indecisões das pessoas.
Teríamos pois de esperar em Veneza e visitá-la no dia seguinte, coisa que é sempre um sacrifício (ironia , claro).
Não valia a pena sair do parque e ir a Veneza  porque a ida e volta de  barco custava 15€ pessoa, sendo que o último barco regressava cedo, às 19 horas.  Assim, optámos por descansar, passear pela zona de lazer do parque e , como o mundo é pequeno , voltámos a encontrar o casal português de Florença.
A surpresa maior foi à noite : pudemos assistir ali, na área de lazer,  a uma revisitação dos Beatles , com a banda “Mistery Magic Orquestra”. Revelou-se um espetáculo estrondoso , os Beatles ressuscitados no tempo com novos visuais e barriguinhas cinquentonas. Uma noite inesperada e inesquecível.



E dormiu-se gratuitamente, a área propriamente dita está em construção, uns metros mais à frente.




quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Um sonho realizado



Aos poucos , já com a idade a avançar como é o caso, certos sonhos que já julgávamos utopias passam a concretizar-se. Este era especial, não certamente o mais difícil de atingir, mas ainda assim só a meio de um século de vida teve lugar neste calendário vivencial. Paral além disso, foi revestido de um invólucro de surpresa que se arrastou durante três dias. O invólucro era literalmente um envelope que dizia “Só abrir sábado”.
Na véspera da possível abertura arrastaram-me então na autocaravana até ao Algarve. Longe de imaginar fosse o que fosse, deixei-me ir, sem compreender o que de tão surpreendente me reservaria uma parte do país com a qual não nutro amores de maior.
Lá chegados, e depois de uns zunzuns,  percebi que tinha de ser forçosamente na zona de Albufeira. Nem assim nenhuma luz se acendeu.
Por questões económicas (foi o argumento) pernoitámos estacionados no parque do Zoomarine que agora permite a pernoita a AC. Nem assim acordei. Só à noite, durante um passeio com a nossa amiguinha de quatro patas (sim, porque ela também foi  naquele que seria o seu passeio número dois, de outra forma nem me arrancariam de casa…) é que o véu se começou a destapar.
No dia seguinte fui acordada cedo, com a ordem de vestir o fato de banho e abrir o envelope, claro. Não, é evidente que não seria um mergulho na piscina do Zoomarine , apesar de tal também estar contemplado. A surpresa envolvia o sonho de poder tocar e conviver alguns minutos com os animais mais simpáticos e  envolventes de sempre, os golfinhos,  e a surpresa intitulava-se “Dolphins emotions” .
As emoções foram de facto imensas, num dia, que por sinal até era o dia do Animal, e que apesar de efémero, foi extenuante em emoções. Escrevo agora sobretudo sobre o episodio, porque  os  sentimentos,  esses,  ficarão sempre reservados naquela caixinha íntima, minha  e de quem me acompanhou na surpresa, aventura daquele dia, no fim de semana passado, dia do animal.

Ficam as imagens de um momento único …


O momento mais forte: um golfinho só para mim (Hamlet)


O grupo a conhcer Hamlet


Beijinhos




A dança


Carícias




Hamlet e Apolo


 Hamlet a sorrir




Bora lá !!!!!!!!!!!!!!


E também como tornar um simples sábado num dia de variadíssimas e simples experiências…  no  fim do dia , o passeio com um outro animal bem parecido com o golfinho, tirando a parte da areia e por enquanto da água. Não mergulhou nas águas do Atlântico (por sinal neste mês de Outubro com uma temperatura de encantar) mas atirou-se  de corpo e boca à areia como se fosse água. O seu primeiro dia de praia em liberdade, gastando energias, na praia dos Salgados.










Depois de tanta correria uma noite de sono de 8 horas seguidas no parque para autocaravanas da Galé, ela e mais quatro de nós.



Domingo seria o dia de cair na realidade. Sempre foi um dia desesperante , desde que me lembro de mim como trabalhadora do Estado. Seria outro sonho que gostaria de realizar: combater a angústia  e peso morto do domingo (ou deixar de ser trabalhadora do Estado?).
Ali, na Galé, com tantos franceses e nórdicos com ar de quem nunca mais terá de picar o ponto ( e não era só o ar, não picam MESMO!!!) bateu-me forte o peso morto.
Zarpámos até uma praia que não conhecíamos (no Algarve há tantas que há sempre essa possibilidade): Olhos d´Água, onde dezenas de turistas e reformados aproveitavam um Agosto tardio. Escondemo-nos numa praia menos concorrida e recatada e se ontem foi o batismo de areia para a nossa cadelita , hoje foi o mergulho no mar. Incrível como numa primeira aula já sabia nadar …




afinal golfinhos e cães são mesmo parecidos .