segunda-feira, 23 de março de 2015

Bye Croácia, hello Italy … again


14 de agosto

Lamento informar mas decidimos não continuar a explorar a Croácia.
Durante a noite caiu uma forte tempestade, de manhã a bonança espalhava-se pelo céu e mar em tons de cinzento. Às vezes choviam relâmpagos dentro do manto azul turquesa, linhas elétricas ligavam o céu ao mar.
Por mais imagens e publicidade que vissemos, tudo nos parecia idílico mas em simultâneo monotonamente idêntico.
Nova meta: Itália, provavelmente Vicenza.
E assim foi , perto das 18.00, solo italiano numa pequena cidade do Veneto: Vicenza, com uma área de serviço banal às portas do centro , mas com “navette”  (miniautocarro) gratuita.
( N 45.54282 E 11. 55821).

Chegámos ao centro depois das 18.00 , por isso já não conseguimos ver o belíssimo Teatro Olímpico. Tal como quase tudo nesta cidade , a obra é de Palladio. Não conseguimos ver o interior, ao que parece um teatro de madeira e estuque a imitar os teatros da Antiguidade. Do outro lado dos portões fechados, uma linda colunata e estátuas no jardim. 



Dali passámos ruo à praça principal, Piazza del Signori, e demo-nos conta do típico prato vicentino, o “baccala alla vicentina”, num pronto a comer, seria esse o nosso jantar. ..
A praça , dizia o Michelin, seria “igual à praça de S. Marcos”. Discordámos, apesar de também ter uma coluna com leão, uma torre enorme  e uma bela basílica. Tudo em ponto mais pequeno , e ainda sem a amálgama de turistas e asiáticos e pombos e sombrinhas de Veneza… Não é que sentíssemos falta da amálgama, mas a comparação do Michelin era ligeiramente hiperbólica.








No centro vários palazzos interessantes, ,  tudo muito palatino, a própria rua central se intitulava  Corso Andrea Palladio.




No entanto,  tudo com pouco movimento, lojas a fechar cedo, nada comparado com os horários croatas. Ou estariam os italianos todos a passar férias na Croácia ?
No regresso o pronto a comer estava fechado e lá se foram as esperanças de honrar o palato com a gastronomia local. Regresso a casa na navette e noite descansada na área grátis.

Não há , pois, semelhanças com a Croácia…  mesmo ali ao lado.

sábado, 14 de março de 2015

Último dia na Croácia:Será hoje como ontem?





13 de agosto

Zadar… Uma zona muito movimentada e concorrida. Optámos pela autoestrada. O objetivo era parar cedo num camping aprazível ou idílico e ficar a boiar no mar.

A primeira paragem foi em Senj, uma pequena aldeia piscatória, que tanto podia estar ali como na Galiza, tal eram as parecenças. Não fora o mar, claro. Por 8 kunas à hora estacionámos frente ao porto e virados para o Adriático. Enquanto o almoço se cozinhava sozinho (??!!) , atirei-me para os braços mornos do Adriático. 



Depois de almoço a direção seria Rijeka, mas desta vez o dia não seria como o anterior. E não foi. Logo à saída de Senj, quase numa curva, um autocamping simpático , quase mar adentro, acolheu-nos hospitaleiramente. A povoação, de nome Sinbinj, não tinha mais do que duas ou três habitações e o camping ao lado do cemitério e de uma capela. Tínhamos víveres, portanto  instalámo-nos e abusámos do mar e do sol toda a tarde.




 À noite, conhecemos uns franceses ( na realidade emigrantes portugueses) e um casal de austríacos e no meio de muitas cervejas e asneiras linguísticas, fechámos com chave d´ouro o capítulo Croácia… apesar de na altura ainda não o sabermos.

domingo, 8 de março de 2015

Depois de Dubrovnik



12 de agosto

Tantos quilómetros para se chegar a Dubrovnik, a sensação que o objetivo estava cumprido, porém, na prática, estávamos a meio do percurso. Havia que percorrer a outra metade até casa…. É talvez essa a vantagem de viajar de avião, chega-se ao destino, está-se e quando acaba, pensa-se “daqui a pouco estou em casa”… Também é verdade que não queríamos ir já para casa e que até casa ainda poderíamos ver mais, conhecer mais. E afinal era só dia 12 de agosto (apesar de termos partido a 19 de julho), e que, quando não nos deixam fazer férias repartidas , estas têm de ser assim, aproveitadas à bruta.
A meio do percurso muitas hipóteses estavam em jogo: visitar alguns pontos estratégicos da Bósnia, mesmo ali ao lado, os cartazes e folhetos turísticos remetiam para Mostar, não muito longe dali; por outro lado faltava-nos a província de Ístria ainda na Croácia.

Muito betão pela frente , é certo, muito mar, muitas ilhas, muitos , muitos quilómetros, muita sinalética original… 

A primeira etapa foi entrar e sair da Bósnia, onde as autoridades nem sequer se dignaram a carimbar os passaportes , como tanto desejávamos. Perante os ares carrancudos , nem abrimos a boca… Já na Bósnia , parámos apenas numa estação de serviço para procurar infrutiferamente um autocolante do país. Desistimos de Mostar. Ainda faltava Itália, França, Espanha…
Acrescentámos ao cardápio mais uma vila croata: Sibenik, cuja catedral (St. Jacob) foi classificada Património Mundial pela Unesco. Estacionámos no porto ( caro, 20 kunas por hora!) e marchámos debaixo de sol intenso para as ruas brancas, escaldantes, de solo brilhante e escorregadio à procura da catedral. Ei-la à mão de semear .






 A localidade, comparada com outras já visitadas, não acrescentou nada em beleza.
Dali era hora de procurar “abrigo” e dar um mergulho no mar. Porém, o final de dia foi inglório. À medida que íamos pela nacional,  campings e autocampings  piscavam o olho, mas quando nos decidimos a procurar um, foram mais de meia dúzia de tentativas sem êxito , por entre caminhos escusos e nada atraentes para 7 metros de comprimento. Estava tudo esgotado , pelo que , ao fim de mais de três horas sem sorte , acabámos no camping Borik, em Zadar, para pagar um disparate de dinheiro. É assim a Croácia, um sorvedouro de kunas em campings. De noite escura, apenas molhámos os pés na praia porque primeiro houve que saciar a  fome. Para dia de regresso e nova travessia pela Croácia a coisa não começou nada bem .

sábado, 31 de janeiro de 2015

Dubrovnik (ou Ragusa), a esplendorosa pérola

10 , 11 e 12 de agosto

Chegámos finalmente ao ponto mais a sul do país e ao ponto mais longínquo da nossa viagem.
Dubrovnik (em italiano, Ragusa) é tudo o que dizem, sobretudo quando a apelidam de “pérola”. Uma pérola que todos olham e ficam fascinados, atónitos, extasiados, escandalizados com tanta beleza.
Seja para a direita, seja para a esquerda fica-se tonto de tudo querer abarcar com a vista e com as mãos, porque não há uma pedra feia. Compará-la com quem? Ocorreu-me que poderia exceder a beleza de Veneza que continuo a apelidar de a cidade mais bela do mundo dentro do meu reduzido leque de visitas (sendo que ambas foram rivais nos seus anos áureos), mas depois percebi que cada uma ocupa um lugar cimeiro numa prateleira especial, cada uma no seu género, comparações neste caso são ridículas, apesar desta última repetir pormenores e estilos que Veneza também tem.

Como este relógio, o City Bell Tower ….. irmanado com o da praça de S. Marcos em Veneza... mas em menor escala. 




Como estes palácios e maravilhosas praças…



Mas, se em Veneza há pontes e escadas por cima de canais e mais canais, aqui as escadas levam ao monte S. Sérgio, porque a parte velha de Dubrovnik se estende a pique  até ao porto ou até ao mar,  ladeada por terras altas e rodeada por uma extensa e magnífica muralha que, infelizmente, se faz pagar bem ( 100 kunas por pessoa). A muralha, com 2 quilómetros de percurso , é penetrável através de  várias portas. Na entrada Porta de Pile, uma lápide explica que a cidade foi bombardeada em 1991 durante a fragmentação  jugoslava e mostra os pontos onde as paredes sofreram com a implosão das granadas e balas. Nos telhados (a melhor visão é obviamente do cimo das muralhas) são visíveis os sítios atingidos, porque as telhas de terracota mais claras denunciam os alvos atingidos.





A rua principal – Placa – com 300 metros, divide a cidade velha ao meio. O seu brilho , o sol a bater no branco de calcário polido pelos séculos, é outra visão que faz desta cidade a tal pérola…





À noite... quase sem espaço para caminhar


Do  lado esquerdo de quem vem da porta de Pile, as ruas íngremes e as casa típicas monte acima. Perdermo-nos por elas, ou a subir ou a descer, é uma sensação especial. As ruas , ruelas, casas e janelas,  os recantos repletos de bares , lojas e restaurantes são uma tentação… Também é suculento deixarmo-nos atingir pelos cheiros que emanam das dezenas de restaurantes. Os preços são infelizmente caros e as especialidades não chegam aos calcanhares da cuisine portuguesa. 





À entrada da porta de Pile , a fonte de Onofrio, sistema de abastecimento de água da cidade, é hoje ponto de encontro e de relaxe. (Quantas vezes me sentei lá a admirar quem passava e a beber da refrescante fonte?)


Porta de Pile

Fonte de Onofrio

Ao fundo da Placa, a estátua de Orlando e muitas e muitas igrejas e palácios de estilos diversos, de beleza estonteante.
Depois da porta Ploce, o porto com as suas esplanadas e águas azuis repletas de cruzeiros e pessoas de ar extasiado.






Parece que demorámos muito a ali chegar (a sério???!!!) e parece estarmos num mundo aparte, longe de tudo. Sim, Dubrovnik é mesmo longe de tudo, especialmente se esse tudo for Portugal. Sim, e demorámos muito a lá chegar, mesmo dentro da Croácia demora-se . Só que a viagem não é só espacial, a distância a percorrer afigura-se também temporal, como se tivéssemos sido transportados por uma bolha ou cápsula e caído noutro tempo. O tempo parado de pedras que falam, de mistérios sei lá de onde e de quando, percebe-se por que razão o Senhor dos Anéis foi ali filmado…
Até os gatos esfíngicos percebem que estão num mundo paralelo…



Para além da história de cada pedra, o cenário paisagístico e natural é também outro. Entalada entre duas rochas e com uma entrada de outros tempos, descobrimos uma pequena e concorrida praia que, para os jovens amantes de pólo cá de casa, se revelou outra pérola do Adriático… só porque tinha balizas …


Porta para a praia



Mais à frente, na praia maior, havia inclusivamente um torneio de pólo. E, como o sui generis campo de jogos não se fechava entre as quatro paredes de uma piscina, nada como barcos para dar guarida aos árbitros e nada como uma plateia de adeptos não em bancadas, mas claro, noutros barcos. E, para finalizar, a festa fez-se com foguetes lançados… ao mar.




Para fechar com chave de ouro, os rapazes tiveram ainda tempo para procurar a piscina oficial da equipa de Dubrovnik e encontrar os troféus e as medalhas dos grandes nomes de pólo aquático croata, apesar de numa piscina… vazia.


Eles é que não vieram de mãos a abanar, umas toucas para relembrar a Croácia e na cabeça memórias de uma cidade única, transcendente, luminosa.


domingo, 11 de janeiro de 2015

Ilha de Korcula


10 de agosto

O estacionamento em Orebic era por 24 horas, por isso estávamos à vontade. Deixámos a casa estacionada junto do croata que corria na nossa direção com medo que não lhe pagássemos (já tínhamos realizado o pagamento com a mulher), se calhar queria outro tanto ou teria medo que o enganássemos… Mal o entendemos , as gerações mais velhas mal  falam inglês e o senhor devia andar pelos cinquenta…
Ao fundo, Orebic

Cais de Korcula


Era hora de deslizar sobre as águas azuis vendo as montanhas rochosas e despidas de vegetação de um lado, outras ilhas e mais ilhas do outro.


Korcula lá estava, com mais iates e cruzeiros no seu porto, aguardando… 



Visão de entrada em Korcula



É nela que dizem que nasceu Marco Polo e, portanto, o nome é usado e abusado em qualquer porta ou janela de estabelecimento, para além da casa onde viveu e 2 ou 3 réplicas de museus e lojas oficiais. Fora o seu nome, há joalharias de qualidade e artesanato magnífico, mas tudo super caro, só foi, portanto, apreciado com a vista, pois para ver, por enquanto ainda não se paga.
As ruas inclinadas por onde se vê sempre o mar (não se esqueçam que é uma ilha), a roupa a arejar às janelas , a missa na pequena catedral...








pormenor igreja matriz

 Tudo se visita depressa porque a área não é grande, ainda deu tempo para um mergulho, desta vez entrando de salto ou descendo umas escorregadias escadinhas talhadas na rocha.

praia de Korcula

Ao meio dia já estávamos a regressar, para nos pormos a caminho para o grande marco que almejávamos desde o início e dali já a menos de 70 quilómetros: Dubrovnik Fomos certeiros até ao camping Solitudo , o único devidamente sinalizado ao longo das estradas ou, na realidade, o único exageradamente sinalizado, porque nenhum outro se publicitava. Antes que o GPS nos prestasse novas partidas ou que as ruas encolhessem, deixámo-nos ir para ser explorados por aquele que é certamente o camping mais caro da Croácia (mais de 50 € por dia), longe do centro e com viagem de autocarro obrigatória. Afinal o camping faz parte de um gigantesco empreendimento turístico ( o Valamar) que engloba supermercados, hotéis e apartamentos por uma longa área até ao declive da montanha onde fica a praia Copacabana.
Como havia autocarros até tarde, descansámos debaixo da sombra no nosso alvéolo tão valioso, antes de partirmos para a cidade, debaixo de um imenso calor que se pegava ao corpo.
O relato sobre a pérola do Adriático, porém, fica para outro dia… nós também esperámos muito para lá chegar.

sábado, 3 de janeiro de 2015

A caminho de uma ilha dentro de mais ilhas

9 de agosto


 Zadar, Trogir, Split afinal parecerem-nos idênticas. Possivelmente um croata ofender-se-ia com estas palavras, mas é verdade que o ambiente de verão, as muralhas, os portos , a vista para o mar, as calçadas brancas e escorregadias, os muros e paredes , a força da luz e do sol, todas aqueciam a alma, mas era como se fossem irmãs.
Partiríamos pois para outro cenário, acreditávamos nós. E , na realidade, foi-o. Iríamos até à ilha de Korcula , a única ilha suficientemente afastada de terra à qual tínhamos decidido viajar de barco, mas para isso era preciso chegar à povoação mais próxima onde se apanhava o barco ou ferry, Orebic.



Ainda antes da Bósnia...

Até lá a viagem foi mais longa do que pensávamos, primeiro porque prescindimos da autoestrada. Um rematado disparate porque as filas eram muitas. Depois, já na autoestrada e perto da fronteira com a Bósnia, mais fila até à fronteira, onde nem por isso nos carimbaram os passaportes. Aliás, nem olharam para nós, o porquê da demora não percebemos… Já em território croata novamente (entra-se e sai-se em menos de nada, o chão bósnio é um pequeno território só para eles poderem dizer que entram no mar) demorámos imenso, entre curvas e contracurvas, até chegar a Orebic. 


 Antes porém de chegarmos a Orebic uma estranha muralha, conhecida como a “Muralha da China da Europa”, fez-nos parar para admirar o seu recorte dentilhado ao longo da montanha. A localidade chama-se Ston, é pequeníssima, extremamente quente e quase deserta. A muralha é dos séc. XIV- XV , tem cerca de 5 quilómetros e meio e ainda se encontra bastante danificada devido a um terramoto nos finais do séc. XX. Para além de ter funções defensivas parece que também albergou quem trabalhava nas salinas situadas naquela área. A zona é ainda rica em “campos” de ostras.


Depois das curvas e contracurvas lá chegámos a Orebic. Numa rua e zona residencial pacata, mesmo em frente à praia, pudemos estacionar e tomar os tão apetecidos banhos de mar. Já perto do entardecer descobrimos a segunda área para AC do país (N 42º  58´29´´ E 17º 10´10´´).  Bem, área não seria propriamente. Era um parque de estacionamento particular, cujas meninas e pai cobravam 15 € por 24 horas e só depois do escurecer nos forneciam luz através de um cabo que o senhor estendia escusamente por entre os outros carros. Antes do amanhecer já tinha desligado o cabo enquanto ainda dormíamos.



Orebic é certamente um lugar de veraneio popular entre os croatas, não nos pareceu que  estrangeiros procurassem muito a zona, certamente não portugueses, creio que seríamos mesmo os únicos. Percorremos as ruas à noite, famílias comiam o seu gelado, sentadas a ver o doce e calmo Adriático, crianças vendiam conchas ao longo dos passeios, os restaurantes fumegavam de gente e de bons cheiros…