Uma área de serviço para
autocaravanas , como o nome indica, tem como objetivo servir as necessidades
básicas de uma autocaravana, ou seja, despejos de águas sujas e sanita química
e abastecimento de águas limpas. Somente isto. O que implica um ponto de água
para abastecimento e outro para despejos. (Outros serviços são dispensáveis, quem
tem uma autocaravana é conhecedor da sua autonomia: energia solar, w.c. , cozinha, camas, … )
Aliada a estas funções e porque é
grande a controvérsia sobre pernoita de autocaravanas na via pública (e ainda porque
se torna seguro para autocaravanistas) , uma área de serviço pode constituir
regra geral um ponto de paragem e de pernoita. Em França e na Alemanha abundam,
aqui, em Portugal, começaram a nascer e agora já são algumas. A luta continua com pequenas associações que
tentam elevar o conceito no nosso país, convencendo autarquias desta mais-valia;
mas, por outro lado, erguem-se as barreiras dos parques de campismo que torcem
o nariz ao novo fenómeno.
Alguns particulares, no entanto,
estão de olhos bem abertos a esta fonte de receita no âmbito turístico.
Refiro-me a “Algarve Motorhome parque”, com duas áreas de serviço em solo
algarvio: praia da Falésia (Lat:
37.090358, Long: -8,160443 | 37º05'25 "N, 8º09'37" W ) e Silves.
área de limpezas
Com a nova casinha , a nossa Beni,
estávamos em maré de estreias, por isso fomos estrear ( apesar do parque já não
ser estreante) o primeiro deles. Uma belíssima e extensa área, com parcelas
individuais de 60 m2, água e luz em pequenos pontos “privados”, e
ainda a possibilidade de duche de água fria ou quente (máquina, 0,50 cêntimos)
e internet ( cada vez mais condição essencial!). Ah! E máquina de lavar roupa e
secar! (muito importante para quem aqui mora desde o natal…) . Tudo isto com
sombra , debaixo de uns simpáticos pinheiros e com a praia a 500 metros , com
direito a acesso quase privado pela mata de pinheiros. Na realidade, trata-se
de uma espécie de parque de campismo, com as condições básicas e essenciais para
este tipo de viajantes e pela simpática quantia de 8 € dia.
duches de água quente
de água fria
atalho praia
lavandaria e receção
A procura é grande (pelo menos
foi-o na semana da Páscoa), ao que parece alguns autocaravanistas fazem dele o
seu segundo lar (constou-me que alguns já ali estavam desde o natal).
Obviamente que estes residentes não são portugueses, trata-se de uma massa
forte de gente de outras nacionalidades, mormente alemães e franceses jubilados
, que elegem este reino de sol como sua pátria. Uma vez que este tipo de
turismo, itinerante por excelência, não devia ser compatível com estadias tão
prolongadas, atrevo-me a dizer que estas áreas se tornaram em novos parques de
campismo para autocaravanas imóveis, o que se comprova pela quantidade de
carros e motas ( e até carros alugados) que estes autocaravanistas trazem
colados à casa. Para isso, haveria solução, muitos áreas preconizam uma estadia
máxima de 48 horas, mas , por outro lado, também é sabido que se não forem eles
a estar 6 meses ou mais em Portugal, não serão os portugueses a fazê-lo.
gente que faz sala....
Em menor escala, isto é, com
menos condições e menos beleza, surgem outras áreas menos elaboradas: a de Portimão,
por exemplo, onde por 2,50 diários se pernoita (e estaciona igualmente durante
meses) no alcatrão ou em terra batida, com um sistema de despejos mais artesanal
e o abastecimento de água por 2 € os 10 litros, numa largo espaço, bem situado,
mas sem tanta privacidade e segurança. A visão na Páscoa era esta:
Mesmo ali ao lado, em Ferragudo,
se se quiser poupar dinheiro, outras tantas lá “habitavam” sem custos. E
Ferragudo merece,sem dúvida um dos locais mais bonitos de Portugal.
Ferragudo
No outro lado, Portimão.
Mais pequeno e familiar, o parque
de autocaravanas da Galé ( perto de Albufeira), um conceito mais familiar de
área de serviço, na quinta dos próprios proprietários, inclusivamente com uma
esplanada caseira e um tanque-piscina bem agradável.
Saindo
fora da zona de Albufeira (também agora com um ponto para AC no Lidl), outros “poisos”
sem custos se encontram. Gostamos sempre de dar um salto à simpática praia da
Marinha. Ali, local aconselhado por um alemão autocaravanista já há uns anos
atrás, descansa-se, está-se e pernoita-se.
Para lançar
a polémica que os portugueses tanto adoram: alguns até abrem os toldos e poem
cá fora as mesas. A GNR passou e nada disse, mentira, passou e nada disse
quando ainda não havia mesas, o que só aconteceu à noite com uma “excursão” de
espanhóis. Atrativo especial desta zona: o percurso pedestre dos Sete Vales Suspensos
, alguns quilómetros por entre plantas autóctones variadas e deitando o olho e
os ouvidos pelos inúmeros algares. Dali até à quase inacessível ( por AC) praia
de Benagil, uma autêntica praia de pescadores , é um “passinho”.
Ao longo do trilho...
Benagil, lá embaixo
É isto o novo Algarve: ou poisos
ou áreas de serviço… para todos os gostos.


















































