sábado, 9 de janeiro de 2016

Há lugares que se repetem e com eles terminámos o ano…




Menos  de um mês depois , outra vez em Foz do Arelho. Da primeira vez foi um destino devidamente planeado, agora (final de ano)  foi uma mera coincidência fruto de muitas indecisões que não são para aqui chamadas.
Da primeira vez,  o parque de autocaravanas estava cheio, hoje está praticamente vazio, sendo que quase ao nosso lado aparca a mesma AC com matrícula francesa… se calhar também foram trabalhar , passar o Natal e agora regressaram…



Da primeira vez fazia sol, agora chove copiosamente e o ano termina amanhã (o "agora" também é subjetivo e diferente, porque agora já não é o mesmo agora de quando escrevi). Nunca nada na vida é igual.
Da primeira vez – e passo a explicar que essa vez foi no fim de semana de 8 de dezembro , no qual tivemos direito a ponte – iniciava-se a época natalícia. Em Óbidos havia começado a “Vila Natal” e não fomos lá. Desta vez fomos. Continuavam as filas, mas felizmente as mesmas dirigiam-se ao castelo onde se paga para ver as atrações. Sobretudo para a infância, por isso, como já passámos a fase dos pais que fazem as alegrias dos filhos, passámos ao lado e demos um giro pela vila. À noite e de manhã. 
Não sabia que a vila albergava também um festival literário, daí algumas capelinhas, no sentido literal, estarem transformadas em livrarias.











 A Câmara de Óbidos sabe seguramente rentabilizar as pedras . E são sempre belas, caramba!








Pernoitámos na ASA de Óbidos.  Estava cheia e continua com um funcionário que passa de manhã para proceder ao pagamento. Não estávamos, mas pagámos na mesma: o senhor deixou um ticket dentro de um saquinho plástico e nós, viajantes honestos, depositámos lá dentro 6 € e pusemos na caixa do correio tal como nos foi solicitado.


Entre Óbidos e Caldas da Rainha ficam as Gaeiras. Foi lá que, da primeira vez, assistimos à inauguração de uma exposição de  presépios no Convento Novo. (As fotos tiradas nessa ocasião têm pouca qualidade porque nos esquecemos da máquina fotográfica em casa.) Dezenas e dezenas deles num espaço belíssimo recentemente renovado. Aconselho, com ou sem presépios.



Desta vez , apesar de termos máquina fotográfica, não bisámos e fomos na demanda da Casa Azzurra, um espaço privado de turismo rural para autocaravanas. 



Fica por Trás do Outeiro, por acaso mais dentro de um pinhal que atrás do dito cujo, com as coordenadas e a sinalética chega-se lá bem. (N 39º 23’ 33.59  E 9º 10’ 10.05).
Recentemente comprada por um casal e filho alemão, a quinta é maravilhosa. 






Dia 29 de dezembro o tempo era primaveril (contrariamente ao final de entardecer do dia seguinte), por isso, assim que vimos a relva, decidimos ficar mesmo sem rumor e vestígios de civilização por perto. A povoação fica a menos de um quilómetro e, até lá , para comprar o pão do dia, fizemos um bom passeio a pé. Na relva , cadeira ao sol, fizemos como os alemães quando vêm a Portugal.



E “agora” aqui estamos ( Foz do Arelho) com um dilúvio a cair do céu frente às águas balançantes da lagoa… Felizmente ainda deu, no primeiro dia,  para ver o presépio...






"Agora" bastou um passeio à vila para ficarmos molhados, sem direito a um passeio pela areia nem pela praia como no início do mês. 




                                                                       Pedra Furada




Ah! E sem direito a um salto ao bar da praia, o  Ala Norte , onde tivemos uma singular aventura envolvendo cadela, leis e livro de reclamação.


O "Ala Norte", onde não devem ir...


Passo a explicar: lembram-se em junho quando refilei sobre a discriminação canina ? Pois em dezembro, já alertados da nova lei, voltámos ao mesmo café, à mesma esplanada e lá veio o funcionário (outro) dizer-nos que não eram permitidos animais na esplanada. Pedimos na mesma um café e inquirimos qual a lei que os levava a tal proibição. Um homem com ar carrancudo e mal vestido apontou para o autocolante da montra. O empregado não nos serviu o café, ainda assim deixou-me ir ao w.c.
Como não sabíamos de cor a nova legislação, voltámos para casa para nos documentarmos. No dia seguinte regressámos. A mesma situação , nova empregada , nós a invocarmos a lei, a empregada a desculpar-se que cumpria ordens, o patrão, afinal o mal encarado e mudo da véspera , apareceu. Lá puxei dos galões invocando a lei, ao que ele respondeu que não queria saber da lei para nada , que quem mandava no estabelecimento era ele e ele não queria cães na esplanada a incomodar quem lia, etc e tal. No meio da conversa o pedido do café, Ah e tal não sirvo, Então passe para cá o livro de reclamações, Ah e tal não dou e… tivemos de chamar e esperar pela Polícia Marítima que lá o obrigou a dar-nos o Livro. Depois de redigido o testamento,  diz o lado de cá: “E agora também já não quero o café”, do lado de lá respondeu o “mudo”, “ai, e eu também não lho servia”, “veja lá se quer que peça novamente o livro de reclamações”…  A conversa ficou por ali, o polícia confirmou depois que o homem era uma cavalgadura com os clientes e até hoje ainda desconheço o seu desfecho. Amanhã não vou lá, para além de estar a chover não quero chatear mais o pobre homem, mas divulgo aqui a história completa para que outros como eu procurem outros espaços mais simpáticos.
Para além disso o ano vai acabar …


E acabou com frio, chuva, amigos de sempre a visitarem-nos e a "churrascar connosco", outros a beberem copos , a jogar e a rir e amigos que só conhecíamos pela net finalmente a revelarem-se de corpo inteiro e em 3D.
O último jantar foi excelente, com uma ementa excelente, muito melhor que a da imagem, em Foz do Arelho.


A passagem , ao contrário da pacatez e sossego de Foz do Arelho foi na confusão (com direito a filas ) de S. Martinho do Porto. Fomos lá de carro e voltámos para o poiso tranquilo de Foz do Arelho enquanto centenas de autocaravanistas se empilhavam ao longo da estrada de Salir a alimentar controvérsias pelo facebook devido ao modo como estacionavam. Cada qual faz como quer e pode, é por isso que se vive numa democracia e há liberdade de escolha.



O que não vinha a calhar era um 1º de janeiro ensopado e quase um dia inteiro a ver e ouvir a chuva cair. É certo que um autocaravanista também aprecia dias como este, mas nós éramos cinco lá dentro e na véspera nove !!! A "Beni" terminou o seu primeiro ano em grande. O ano começou a chover, pode ser que seja sinónimo de abundância. 


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Fizemos as pazes com a Alemanha

5 de agosto



Se Triberg, pela calada da noite, parecia deserta, o mesmo não sucedia de manhã. Dir-se-ia termos acordado noutro local. 



Que arrumação fantástica. Também quero para a minha casa...


Ali, em pleno parque de autocarros, começa cedo o desembarque de passageiros para a maior atração da vila: as sete cascatas ou “Wasserfall”, consideradas as maiores cascatas da Alemanha.
O bilhete familiar compra-se à entrada e lá dentro percorrem-se trilhos diferentes, sempre à volta, mais perto ou mais afastados, da queda do rio  Gutach, que vai caindo ao longo de 160 metros,  pela encosta, até à vila. 




Um som agradável no meio do denso verde que começou fresco no início da manhã e foi aquecendo ao longo da mesma. Volta e meia um esquilo, mais árvores , muitas, e lá ao longe o som dos mergulhos e gritos entusiastas de crianças que se banhavam na piscina municipal.
À saída de Triberg demos de caras com “o maior relógio de cuco do mundo”, com mais de 150 metros de altura e  com um cuco consideravelmente grande que tivemos o azar de perder nas doze badaladas,  para às 13 horas o vermos pôr a cabecinha de fora por uma única vez!!!



Com o calor já a apertar, em boa hora chegámos à mais bonita das vilas da Floresta Negra; Schiltach, uma localidade de 4100 habitantes, onde há 2000 anos atrás os romanos também chegaram deixando o testemunho de uma ponte. Na vila confluem dois rios, o Schiltach e o Kinzig. 
Possui um espaço para AC N 48 ° 17'27 ", E 8 ° 20'38" ) , um parque misto com um sistema precário de luz e água, tudo grátis, mas com cenário envolvente fabuloso: relva, rio e casinhas tradicionais a mirarem o rio.






Banho das crianças locais ao fim do dia

A Rasthaus e Turismo situam-se na Praça do Mercado, o coração da vila, um largo triangular e inclinado de onde as vistas são encantadoras, o mais caraterístico mesmo é a arquitetura e a  pintura do edifício.








 A zona mais baixa da vila é atravessada pelo rio onde a água saltita por entre pedras e por onde a nossa cadelita, mais uma vez, se deliciou. Bem levámos os fatos de banho, mas a altura do rio dava pelos tornozelos e ela foi a única a gritar de alegria e de prazer revigorado pelo fresco, num dia que se tornou novamente abrasador.





Fustigados pelo calor, digestão feita, não aguentámos mais  e procurámos a piscina municipal. Sua excelência canina ficaria fechada pela primeira vez,  sozinha,  na AC.
A piscina municipal (8€ bilhete familiar) , com uma vista de 360 º pelo verde de uma Floresta que é tudo menos negra, é um daqueles locais que fica na memória para sempre. Agora, se quero um momento zen, fecho os olhos e relembro aquelas horitas, na minha cabeça está mais ao menos isto:



À noite, um giro pela vila já com outra vontade, para descobrir a zona dos tanoeiros. A indústria dos tanoeiros sempre foi tradição desta vila e ainda continua a sê-lo. Ao lado corre o rio (qual dos dois?), faz uma curva e alegra um cantinho de um bairro deliciosamente pacato. Aliás, às nove da noite onde estavam as pessoas?

Fizemos as pazes com a Alemanha.

sábado, 19 de dezembro de 2015

4 de agosto, uma noite já próxima do Natal



Falei demasiado cedo. Ainda ontem o calor apertava e, hoje, que nos dirigíamos até às águas mansas de um lago, na expetativa de um mergulho, o céu cobriu-se de cinzento.
Já em território pertencente à Floresta Negra ( nome  que evoca as suas densas sombras de árvores cosidas entre si e a suas inúmeras lendas) , o grande lago intitula-se Titisee, ou Titi,  uma vez que “see” significa lago.  







À sua volta ergue-se um complexo turístico, com lojas de souvenirs para “inglês ver”, ditado mal aplicado porque imperavam os asiáticos, mais do que propriamente uma vila caraterística. A paisagem natural impõe-se, é verdade, o resto tem um ar artificial e de plástico, assim do género postais de neve e casinhas da Lego.
E afinal não me pareceu que o lago fosse dedicado a banhos, mesmo com sol, que não era o caso, não vi zona que se parecesse com praia. Muitas excursões em pequenas e grandes embarcações, muitas filas de asiáticos na procura do filão comercial, mormente relógios de marca, de cuco, evidentemente, (afinal é o reino deles),  e outras bugigangas de muitos euros.


Estacionámos num parque de autocarros que recebe AC. (N 47º 54´15´´ E 8º 09´23´´).
A tarde foi consagrada, por alguns, ao grande complexo de piscinas, Badeparadies Schwarwald, com   18 slides e um piscina de ondas, pela módica quantia de 15 € por pessoa. Está-se mesmo a ver quem ficou em casa e quem escorregou alegremente…
Dormir ao lado da grande piscina seria impensável, pelo que continuámos até Triberg. Chegada tardia ao local destinado a AC, com capacidade “esgotada”. Aliás, o local registado nos sites dedicados ao assunto era uma garagem onde havia dois lugares destinados para o efeito.N 48,13166, E 8,22877 ).  Talvez fosse um bom teto para quando a neve cai e o frio aperta, ali, engaiolados, não nos suscitou inspiração; o outro, a uns metros mais acima na mesma rua, era um parque de estacionamento misto num terreno algo íngreme. Conseguimos estacionar no parque de autocarros com dois lugares marcados pela sinalética para AC (“nur AC”), já lá estavam uns italianos ( N  48,13020, E 8,22881 "  ), gratuito.



Cobertos pelo manto escuro da noite, demos uma voltinha à vila (ela é pequena, só havia portanto a possibilidade do diminutivo). Na altura ocorreu-me que o Natal estaria para breve, não porque o frio estalasse, mas porque as luzes, os telhados, o arvoredo envolvente assim o sugeriam. 




Deitámo-nos cedo a sonhar com o pai natal , que chegaria ao toque de centenas de relógios de cuco.