quinta-feira, 1 de setembro de 2016

“Milho verde”, … Minho verde, não sem antes visitar amigos



A escolha de 2016 para férias de verão, por motivos diversos que não vêm à baila, levaram-nos a fechar o cerco pelo interior da Península Ibérica.O grande centro de atenções seriam as Astúrias, apesar de pela 4ª vez.


Saindo de casa (solo alentejano) a opção mais frequente e  económica seria entrar quase de imediato em Espanha via Badajoz até Salamanca e  depois Astúrias , ou por León, duas possibilidades sobre as quais já escrevemos e que já percorremos, ou, claro, ir indo por Portugal e entrar em Espanha pela verdejante e simpática Galiza. Foi esta a escolha de 2016, não sem antes passar pelo litoral português e permanecer um par de dias para a visita de férias anual na Figueira da Foz,  com os amigos. Afora piqueniques ,passeios e comezainas e as paragens e pernoitas nos sítios de sempre, nada a registar. Nada a registar, mentira! Desta vez um salto a um ponto estratégico e cheio de História, em plenos campos verdes de arroz, na margem direita do Mondego: Montemor-o- Velho. O pretexto foi , mais uma vez, um piquenique na zona para tal sinalizada. O  castelo, esse, fica bem lá em cima. Nada de preocupante. Depressa lá se chega através de vários lances de degraus movediços (escadas rolantes), que nos levam às portas de um dos castelos mais bem preservados do país. Ali se ergue a sua história que se escreve desde o ano de 990. No seu interior, do século XI, a igreja de Santa Maria  de Alcálçova e um espaço bem cuidado com belíssimas vistas sobre os campos verdes do Mondego.






Ali se realiza um dos mais antigos festivais de teatro do país, o Citemor, no qual tive a honra de participar em tempos idos, numa noite de Verão. A peça , George Dandin, ou o marido enganado, de Molière, num cenário com 1º andar e  com uma cena de namoro que envolveu célebre luta com os mosquitos do arrozal ,  levavam os atores a autobofetearem-se por dá cá aquela palha...

Memórias à parte, o caminho para Espanha levar-nos-ia ainda a pisar o Porto para uma breve visita a nova amiga.
GPS direcionado para o cais do Cavaco, em Vila Nova de Gaia e pernas para que vos quero , aqui vamos nós até à ribeira, atravessando a zona ribeirinha de Gaia e a ponte D. Luís repleta de turistas. 




Ribeira com os mergulhos da praxe do tipo salto a pés juntos ou banho de bidé, passando pela renovada rua das Flores , agora toda arranjadinha para peões, cheia de artesanato, comes e bebes, caixas da luz pintadas, até à Lello para comprar o novo Harry Potter e dar de caras com uma fila gigante só porque agora decidiram ser famosos e conhecidos internacionalmente. Furámos a fila porque só queríamos aquele livro e até sabíamos onde estava e nem queríamos fotografar nem olhar (!!!!).












 Mais voltinhas até aos Aliados, concerto de tubos frente à estação de S. Bento… e nisto tudo são 23 horas mais meia para chegar à Casinha que nos esperava ao lado de dezenas delas todas maioritariamente estrangeiras.



Estava na hora de ir indo e descansando por terras minhotas: Ponte de Lima para almoço, lanche com Viana do Castelo, jantar e sono regalado em Vila Nova de Cerveira.

Ponte de Lima, como o nome indica sobre o rio com o mesmo nome, continua a ser Vila e não cidade. Dizem,  e  a placa à sua entrada reforça a ideia, “a Vila mais antiga de Portugal”. 









Os vestígios romanos lá estão, agora com uma série de soldados da legião à beira rio para ilustrarem a lenda de que, não fora o capitão passar as águas para a outra margem e, lá chegado, chamar um a um, pelo nome, os seus soldados, estes não avançariam porque acreditavam estar frente ao rio Lethes, o rio do esquecimento.



Romanos e ponte à parte (mesmo colados ao grande parque onde todos estacionam,nós incluídos) , Ponte de Lima não se esquece de atrair gente para o seu airoso e simpático centro, com as suas ruas empedradas,  prédios de fachadas sérias e elegantes e restaurantes que apregoam o famoso arroz de serrabulho. Fechámos ouvidos ao chamamento do arroz e ficámo-nos pela comida caseira e ainda fresca da nossa “casinha” que transpirava de calores e  nos fez estrear a ventoinha de 12 Walts.

Apesar de não muito longe do mar, a vila mas antiga não convidava a permanecer, pelo que o lanche mudou de poiso, na linha litoral, mais propriamente em Viana do Castelo, cidade onde não íamos desde a lua de mel !!!










Recordámos os pontos centrais, como a Igreja matriz, a praça dos Antigos Paços do Concelho , as ruas estreitas, para, depois do doce regional, visitarmos o navio-hospital Gil Eannes, atracado no porto da cidade , ao lado do gigantesco parque de estacionamento onde  a  Beni esperava.


O barco , construído em 1955 em Viana, acompanhou durante décadas a frota bacalhoeira portuguesa à Terra Nova  e Gronelândia. Depois de abandonado e apodrecer nas docas de Lisboa , acabou por ser restaurado e voltar ao berço natal , graças aos esforços e bondade dos vianenses. E ali está ele, deslumbrante e brilhante desde 1998. Visitam-se os “aposentos” de quem nele viajava, a grandiosa casa das máquinas, a cozinha com as suas gigantescas panelas, a padaria, barbearia e tudo o que dizia respeito à ala hospitalar, incluindo uma réplica simplista de uma sala de operações!






Ainda meio anestesiados, continuámos estrada fora até ao ponto de descanso, a ASA de Vila Nova de Cerveira, entre a estação de autocarros e a linha de comboios ( ah e tal , “à noite não passam comboios “ e eis que eles até faziam tremer a terra pela madrugada fora..). Fora isso um local aprazível a condizer com uma das mais bonitas e simpáticas vilas minhotas. Estava quase a receber a Bienal de Arte e a feira medieval, até lá apresentava-se vestida de crochet e rendas, uma qualquer iniciativa de escolas concelhias.  A praça fervilhava de famílias em férias , os garotos correndo e jogando às escondidas , os pais confraternizando nas esplanadas depois de um fausto jantar de verão, entre copos e talheres.






Na Asa , antes do comboio passar, respirava-se verde e cansaço bom. Boa noite, até amanhã para fotografar tudo com sol!




Parques de estacionamento e (zonas de pernoita possíveis): Parque das Gaivotas, em Figueira da Foz e a nossa zona “secreta” no Cabo Mondego; Cais do Cavaco, Vila Nova de Gaia; parque à beira-rio, ao lado da ponte,   em Ponte de Lima; parque de estacionamento na zona portuária em Viana do Castelo; ASA em Vila Nova de Cerveira, devidamente assinalada.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Astúrias 2016 - Roteiro índice

1.  Caminho até Astúrias por terras portuguesas…

Figueira da Foz;
Montemor-o-Velho

  
( "she" and the men)

;


Porto

   
( mais exatamente Vila Nova de Gaia)




( a livraria mais "in" deste Verão);


Ponte de Lima
  
( a lenda da vila);


Viana do Castelo



(barco- hospital Gil Eanes);


Vila Nova de Cerveira




2.  
Caminho até Astúrias por Galiza:


Termas de Outariz (Ourense)



( água quase a 40 graus!!!)

Lugo 



( catedral)


Praia das Catedrais.



  3Astúrias, “paraíso natural” – mar e “pueblos”:

Tapia de Casariego



( Festival Intercéltico, grupo da Bretanha);


Ortiguera (praia de Arnelles)


(Cenário matinal visto da ASA em Ortiguera);


Cudillero






Praia de Rodilles;
Praia de Espasa




Arenal de Moris (caminho de Santiago)





Playa Ballota;


Andrin



(festas do "pueblo")

Lhanes





                     4. Astúrias, “paraíso natural” – rio:


Ribadesella;
Arriondas;
Rio Sella – canoagem





      5.  Astúrias, “paraíso natural” – montanha
Desfiladeiro de Beyos
Posada de Valdéon


  

( a melhor ASA das Astúrias)


Caim
Rota del Cares









              6. Astúrias, “paraíso natural” – história e monumentos:
     Castro de Coaña;
 Cangas de Onis


;
 Covadonga.



    7.   Caminho depois das Astúrias – Cantábria:
 Praia de Orinon ( permitidos cães)



Castro Urdiales
Cabarceno (Zoo)



(são mesmo elefantes !!!)


Comillas


( Gaudí)

     

           8.  Caminho depois das Astúrias – País Basco:


Bilbao;
Portugalete



(A ponte que é Património da Humanidade)

Sopela;
Zarautz


San Sebastian



festas da cidade



( os famosos pintxos!!!)


Vitoria






          9. Entrar em terras portuguesas:
Miranda do Douro


;
Macedo de Cavaleiros;
Vila Real;
Peso da Régua


;
Coimbra

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Não vão a Donostia?

18 e 19 de agosto

(Quase um ano depois e prestes – provavelmente – a repetir Donostia / San Sebastian, eis o fim do relato das férias de 2015.)


Afinal ainda assentámos mais uma noite em solo francês. Uma última noite já perto da fronteira com Espanha, em Saint - Paul les-Dax , ao lado de uns portugueses que nem sequer cumprimentaram, e depois de  termos estacionado ao lado de uns dinamarqueses que nos perguntaram se éramos oriundos da Polónia! ?
Essa foi a pernoita, com as coordenadas -1. 05112/ 43. 72389, área municipal gratuita.
Dali rumámos a Espanha para ver o mar em S. Sebastian/ Donostia. (ASA já conhecida: N 43º 18´28´´  W 2º  00´51,6´´,  ainda longe do centro). 


Estreámo-nos com a cadelita em autocarro, não se queixou, pudera, ao colo do dono!



Donostia continua simpática, estava cheia de sol, de gente, uns a banhos outros a passear pela avenida, pelas calles estreitas e castiças da “baixa”; os famosos “pintxos” a acenarem “comam-me, comam-me”; o som da pelota basca; cores e ruídos, gelados e calor… Não me importaria de morar em Donostia, mesmo sem AC, mesmo sem barco-casa.











Ainda há gente que passa ao lado desta estupenda cidade basca a pensar em terrorismo e tal , quando o terrorismo atual é muito outro e assola a qualquer porta , e não aproveita este sol, esta arquitetura, esta simpatia e este colorido basco?
(Desta vez foi só recordar, as palavras mais elogiosas, as descrições mais alargadas já aconteceram AQUI, leia e parta já de viagem! )

Quanto a nós, chegámos ao fim do relato sobre as férias 2015, depois de Donostia foi pisar alcatrão sem fim, até casa, Portugal.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Parámos em Paray … sem convite para a peregrinação.

17 de agosto

Quando se mete a “cassette” de regresso, a viagem começa a perder piada. Tudo soa e cheira a fim de férias e ainda faltam centenas e centenas de quilómetros. À frente, o eterno alcatrão e a expectativa de uma paragem amena, interessante, bela. Quando não se conhece às vezes acerta-se , outras não.
Depois de muito alcatrão, estradas nacionais, regionais, perto das 18 horas apontámos para Paray-le-Monial, local completamente desconhecido , com ASA para descansar (o que não queria significar nada, porque em França qualquer lugarejo tem ASA).
Qual não foi o espanto quando a ASA nos pareceu diferente e animada, uma ASA em festa, diríamos: pavilhões, música, gente, muitos carros na suposta área para autocaravanas. Depois de parados é que percebemos: a localidade acolhia um encontro religioso, Paray é um forte centro de peregrinação devido à aparição do Sacré Coeur à freira Margarida Maria, depois consagrada Santa Marguerite. 






Antes disso, porém, a basílica de Paray foi um importante centro da ordem de Cluny durante a Idade Média. Arquitetonicamente falando, continua a ser um grande centro de atenções.



Também  o Hotel de Ville tem o seu charme , bem como a praça e as ruas envolventes. De noite, tinha tudo um ar de filme, alguns transeuntes e uma cadela louca (a nossa) a fazer círculos na praça. Nas capelas, orações e confissões.



A localidade é ainda atravessada por dois canais, num deles “estacionam” barcos-casas. (Sempre gostei de barcos-casas, é assim um parente de autocaravana mas sem alcatrão sob as rodas).


De manhã cedo continuava a azáfama das orações e cânticos, difícil foi sair do estacionamento, estava a ver que tínhamos de interromper a missa… felizmente alguém da organização nos viu e ouviu… e deu uma mão.

O alcatrão esperava-nos, acabavam-se os canais.