sexta-feira, 5 de julho de 2019

Groningen, com amor




Sem casinha às costas, como chegar de Amesterdão a Groningen, terceira cidade da Holanda e lá bem a norte?
Uma das hipóteses é o comboio, embora o modo mais económico seja definitivamente o Flixbus. Os preços variam de acordo com o horário e a antecedência com que se reserva. Partindo às 19.30 conseguimos bilhete por 10 € cada. Tendo em conta que são mais de duzentos quilómetros com possibilidade de voltar a admirar os campos floridos, não esteve nada mal.
Groningen é a capital mundial da bicicleta (145 km de estradas para biclas), é a cidade da Holanda com a população mais jovem, na média dos 36 anos, fruto de nela estudarem 55 mil estudantes. Graças a um deles, percorremos céus e estradas até lá, mas sempre a pensar na casinha de rodas, a qual poderia ter rolado e transportado biclas pessoais. Assim, entre empréstimos e aluguer (só para dar uma ideia, a empresa onde alugámos tem na rua 11 mil bicicletas a circular), conseguimos fazer como os “romanos” e pedalámos uns bons quilómetros, sempre com muito cuidado porque  a experiência e rapidez dos outros era aflitiva.



No primeiro dia, a sensação de estar em Groningen é peculiarmente estranha, porque se pensa “onde estão os carros?”, “Como consegue haver espaço para tanta bicicleta?”… depois entranha-se e deseja-se um mundo para sempre assim, os estranhos afinal somos nós…


A zona central é um plano circular, outrora rodeado de muralhas, hoje, com um canal limítrofe e outros interiores, mais largos do que em Amesterdão, mas igualmente cheios de charme, sobretudo aqueles onde se fixam as singulares casas-barcos.



Logo à chegada, ao lado da paragem do Flixbus, fica o Museu da cidade, uma construção moderna que alberga obras de arte, nomeadamente pintura local e contemporânea. Outro museu é o Náutico, ambos praticam preços pouco convidativos.




Do outro lado da praça do museu “amarelo” fica a Estação de comboios, um edifício elegantemente gótico- renascença, do séc. XIX. O teto do hall é de “papier-maché”, com motivos alusivos ao trabalho, tempo e correios.




Deambular pelas ruas e pelo perímetro turístico é extremamente agradável.  Aconselhamos:
- Rua Boterngestraat , toda ela muito elegante, com edifícios históricos, atualmente alguns deles faculdades. Numa das ruas laterais, a segunda mais antiga universidade do país, na qual os professores ainda envergam as típicas togas.





- Praça Grote Markt – com o posto de turismo e a Câmara (alegremente decorada com vasos de tulipas), o soberbo café “Três irmãs”, dono de três edifícios e de variadíssimas marcas de cerveja.



Atrás da Câmara, o magnífico edifício Goldoffice, datado de 1635, que funcionava como escritório de coleta de impostos. Na sua fachada pode ler-se “ A César o que é de Cesar".


- Praça Vismarkt – onde se realiza o mercado semanal, o qual se veste de múltiplas roupagens. Consoante as épocas, peixe, fruta, carne ou flores ou artesanato. Quando chegámos vendia os víveres habituais (e os famosos e já internacionais pastéis de nata "tugas"), na sexta-feira de Páscoa chegaram as flores, na segunda-feira de Páscoa o artesanato. Sem mercados, a praça é uma imensidão de largo vazio, com outro encanto.



- O jardim Prinsenhoftuin, estilo renascença, com os seus arranjos florais e arvoredos labirínticos, nas traseiras de um antigo palacete, agora hotel.





- A igreja central, Martinitoren, visível de todos os pontos da cidade, com os seus 97 metros de altura.

- O edifício governamental, com a sua fachada de três cabeças de reis e, nas traseiras, as portadas tão tipicamente holandesas. Perto, a estátua de S. Jorge e o Dragão.






- Deixo para o fim os pontos-pérola de Groningen, três dos seus cinco hospícios ou asilos.

O mais antigo, Holy Spirit House, fundado no séc. XIII. Nele acolhiam-se pobres, doentes, idosos. Hoje, neste e nos outros, as casas são habitadas e no interior dos pátios (todos eles são murados) há um pequeno relvado ao centro (que belos banhos de sol na Páscoa primaveril por lá vi!) e o espaço é minuciosamente decorado com flores e peças decorativas ternurentas.









O St. Geertruid foi fundado em 1405, recebia pobres e doentes, mas também peregrinos.





O mais encantador de todos, St. Anthony Gasthuis, de 1517, mais afastado do centro da cidade por albergar doentes de pragas e doenças mentais, é um reino de paz , onde moram vizinhos simpáticos que nos cumprimentaram com prazer quando dissemos que éramos portugueses, “do país do sol!”.







- As pérolas seguintes, fora do âmbito histórico são dois espaços incontornáveis, com vida e muito apreciados pelos holandeses, os jardins. O do sul com lagos, relvados, espaços lúdicos para todas as idades, zona de animais com veados e o do norte, igualmente verde e com lagos. 







Em ambos sempre gente pedalando, piquenicando ao final da tarde e apanhando banhos de sol a qualquer hora, desde que o dito surja no céu.
Mais para sudoeste ainda o lago Hornsemmer, o qual publicito embora sem ter tido o prazer de o visitar. Falo dele porque é considerado a praia dos “groninguenses” e porque por lá pernoitam companheiros de casinhas com rodas.
A norte, a zona  Reitdiephaven, recente bairro de vivendas de madeira com um toque nórdico, zona colorida onde habitam jovens casais com muita criançada, ao lado do canal.




Enquanto “morámos” nesta jovem e animada cidade, o sol foi companhia constante, apesar de Groningen ter fama e proveito de ser varrida pela chuva e frio, por isso trouxemos na bagagem uma impressão suave e azul.
Por amor voámos para longe, rumo a momentos em família e ficou a vontade de repetir, certamente sem quartos alugados e sem aviões, autocarros ou carros alugados e quase de certeza viajando “de casaascostas”.




quarta-feira, 8 de maio de 2019

Keukenhof, o Éden colorido



Data do século XV, associado a um castelo e a uma condessa, mas só em 1949 é que, cultivadores de flores e exportadores tiveram a ideia de transformar a área em parque de Primavera. Abriu ao público em 1950 e foi imediatamente um sucesso.

Em 2019 é a sua 70ª edição, aberto de 21 março a  19 maio (ainda vão a tempo) e honrando o tema “Flower power”, o que vinha mesmo a propósito para nos receber.






As fotos foram às dezenas tentando honrar os seus 7 milhões de bolbos, entre maioritariamente tulipas. 











Para além dos jardins meticulosamente enfeitados, há ainda outras estufas repletas de mais bolbos, mais plantas e mais flores…




O parque abre apenas neste reduzido calendário primaveril e por isso a afluência é elevada. A evitar é seguramente o fim de semana da Páscoa, quando os alemães vizinhos invadem literalmente a Holanda e tornam o parque num caos de carros estacionados e, imagino, formam filas e enchentes  de máquinas fotográficas e afins em riste. Felizmente não vimos, mas a descrição aproxima-se dos relatos lidos e imaginados.

A partir de Amesterdão há várias formas de chegar ao tão aclamado parque, situado nos arredores de Lisse. Nós optámos pelo modo mais fácil: reserva de bilhete “combi” ( bus ida e volta de e para Amesterdão + bilhete para o parque  = a 30 € por pessoa), no site oficial do Parque. Outra possibilidade é fazer a compra (caso se esteja em Amesterdão) , no próprio dia, num posto de turismo da cidade.
De qualquer ponto de Amesterdão, a fase seguinte é apanhar o bus para Keukenhof, que espera por nós junto à estação de metro Europalein (bus   852 ). 



O bilhete é válido para qualquer dia dentro do prazo de abertura do parque e no dia escolhido há vários horários possíveis no bus que nos transporta até Keukenhof. São cerca de 30 minutos contemplando campos de flores, autênticos tapetes multicolores e às riscas. (Há quem prefira visitar os campos nos arredores de Lisse, ou fazer o percurso de comboio entre Amesterdão e Leiden , via Harlem, saíndo para andar a pé ou de bicicleta, por entre os campos. Também há quem diga que o cheiro perfumado chega a ser enjoativo e que nem todos os campos estão abertos a turistas, dado tratarem-se de propriedades privadas).

Com tantos “ses”, a escolha recaiu na opção mais comercial e arrumadinha e, perante o Éden contemplado, não houve queixas a registar. As cores são múltiplas, assim como a variedade de tulipas, com nomes cada vez mais excêntricos, já lá vai o tempo em a tulipa negra era o cúmulo da excentricidade (afinal é um mito, a sua cor é púrpura filha da mistura entre vermelho e amarelo), agora há nomes como Madonna,  Cristiano Ronaldo.




 As ruas são a perder de vista com canteiros aparados , divididos por tonalidades, as águas de lagos e laguinhos borbulham como pano de fundo, o moinho é visitável e, em redor, atraem as vistas os campos de tiras de tapetes coloridos, por onde também se pode rolar alugando uma bicicleta.











Para quem viaje de “casa às costas”, os parques de estacionamento são amplos e por lá estavam muitas , creio que por 5 ou 6 € estavam muito bem. Ficou-nos a  inveja pois é claro, quanto melhor não seria assistir a tudo aquilo sem preocupações de horários e malas rolantes atrás. Ainda assim havia cacifos grátis para quem vem direto do aeroporto ou como nós que sem casinha tínhamos desta vez mala às costas e depois de Amesterdão havia um outro destino, rumo ao norte do país das flores.

Alternativas: comboio ou FlixBus. Esta última, definitivamente: barato, confortável e rápido. Aconselho!