quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Irlandas


Dia 3 – Killarney- Ring of Kerry ( Ross Castle- Cascata Torc –Ladie´s View- Moll´s Gap – Kenmare - Waterville – Portmagee  - Killarney.





Depois de um pequeno-almoço à irlandesa com direito à companhia de cão, gato e galinhas no relvado-alcatifa da quinta (todos os relvados na Irlanda são meticulosamente aparados, acreditámos piamente que o aspirador doméstico fosse o apara-relvas), seria o dia supostamente menos cansativo, uma vez que faríamos um círculo para terminar na mesma casa. Erro crasso, claro, porque as estradas continuaram estreitas, à esquerda e sempre com pontos estratégicos a visitar.
O primeiro, mais um castelo, só para sermos diferentes, no Killarney National Park. Invarialmente o preço é de 8 euros, mas este não nos convidou a entrar, ficámo-nos pelo retrato exterior, bem bonito por sinal, ali à beira das águas. O meio aquático é formado por três lagos e ainda uma cascata que jorra de um rio até ao lago Muckross.







“Ross Castle”







Cascata Torc

Do miradouro de Ladie´s View (com este nome, porque foi dali que, em 1861, a comitiva da rainha Vitória admirou a paisagem) e de Moll´s Gap, o verde é cortado por pinceladas de azul, num enquadramento a perder de vista.






Ladie’ s View


Ainda no anel, paragem para almoço na simpática vila de Kenmare, mesmo com chuviscos.



Kenmare
  
Continuação do percurso agora olhando para as águas do mar. Waterville deleita-se a olhar para o largo azul e, ao que parece, também Charlie Chaplin o fez, escolhendo-a como reino para as suas férias. A cidade relembra-o bem com direito a estátuas e várias pinturas.




Waterville

Na ponta oeste do anel, a pequena povoação de Portmagee, na linha da fronteira para a Valentia Island de onde se apanha o ferry para as famosas ilhas Skellig, nas quais monges cristãos, no início do séc. VI, construíram celas de pedras em forma de iglos. A ilha é o habitáculo dos famosos papagaios do mar e foi cenário da Guerra das Estrelas.


Portmagee

Embalados pelas ondas, ainda contemplámos uma praia onde veraneantes se banhavam (o ar circundante disse-nos que a temperatura da água não seria a mais convidativa) e dali visitámos o ponto de partida do famoso círculo, Killarney, para constatarmos ser um centro alegre e populoso (não em demasia), com os seus pubs concorridos de música a escorrer para as ruas e gente sempre pronta a festejar. Assim são os nativos da Irlanda!



Killarney

Noite tranquila embalados pelas montanhas.



domingo, 18 de agosto de 2019



Esta foi uma viagem vivida a seis, uma excursão, é certo, mas que, apesar do exigente plano, do “speed” da “guia”, das contingências de conduzir em estradas estreitas e à esquerda e com mudanças automáticas, e um w.c. matinal na maioria dos casos, e, e, e,… conseguiu terminar com a meia dúzia realizada e , pasme-se, amigos como dantes.

Começou muitos meses antes com o desenho de um roteiro (quase fielmente cumprido) para 10 dias, entre 24 de julho a 2 de Agosto. Foram consultados vários sites e o guia de viagens da American Express.
Viajámos na TAP (com antecedência, o preço não foi pior) e as pernoitas foram repartidas entre airbnb e booking, sempre apartamento para a meia dúzia de viajantes, sempre boas experiências, especialmente as ocorridas nas quintas verdes e felizes.
O carro alugado na Europcar ( Seat Alhambra, de 7 lugares) correspondeu às necessidades, tirando o percalço do Adblue. Se não sabem o que é, nós também não, até ao momento em que obrigatoriamente tivemos de o conhecer, (consultar dia 2).




Dia 2

Kilkenny – Rock of Cashel – Cork – Kinsale – Killarney – casa a olhar para as montanhas.


Cavalos na "nossa" quinta

Alvorada bem cedo , depois de conviver com os animais da quinta, para voltar 25 km até Kilkenny e visitar o seu famoso castelo, um dos mais antigos e bem conservados da Irlanda.







Exterior castelo

A poderosa família Butler (que controlou a cidade durante 500 anos) viveu aqui desde o séc. XIV. O castelo mantém a forma medieval, apesar de ter sofrido várias modificações.
Pontos de interesse: biblioteca, sala de jantar, quarto chinês (o papel de parede é delicioso!) e a Long Gallery, com o seu teto de madeira pintado, com donzelas diáfanas e coloridas.





Quarto chinês (pormenor papel parede)



 quarto das crianças






Long Gallery, teto

Um salto ainda ao centro de artesanato, (com as lojas mais interessantes que vimos ao longo da viagem), onde visitámos, por exemplo, um ateliê de ourivesaria com direito às explicações apaixonadas sobre os anéis de prata com motivos do Book of Kells ( em Dublin – dia 7 - será aqui motivo de conversa). Os irlandeses são um povo deliciosamente simpático, sempre prontos a contar as suas histórias e a ajudar qualquer turista perdido ou não. E, sempre com um sorriso, exclamam “relax!”, e pronto, o melhor é seguir o conselho…
….  Quilómetros depois, a visão fantástica de um castelo Medieval, Rock of Cashel. 




Rock of Cashel, a foto não lhe faz justiça


Uma bofetada de História a estalar nos corpos ávidos do passado. Ergue-se no cimo de um rochedo e foi mesmo moradia de uma família real. As paredes da catedral emergem para o céu a descoberto. O museu é a única parte fechada, exibe um salão à escala medieval e a cruz original de St. Patrick (o santo padroeiro da Irlanda….). 




Castelo (visita: 8 €)

Cashel é igualmente um lugarejo simpático.




Casa em Cashel, com teto de colmo

Antes de chegarmos à vila piscatória de Kinsale, a curiosidade levou-nos a parar na segunda cidade da República da Irlanda, Cork, mas o breve passeio, talvez por ser breve ou pouco certeiro, não nos fez amar o que vimos.



casa em Cork


Long Parade, Cork

Ruas com muita gente, alguma pobreza e pouco asseio. Percorremos a rua St. Patrick até ao Grand Parade para entrar no English Market (menos surpreendente do que esperávamos) e comprar o jantar (uma ótima salada grega!).

Antes de darmos o dia por terminado, ainda faltava Kinsale, uma pequena cidade a olhar para o seu porto atraente, e com ruelas de casas, lojas e pubs coloridos.








Portas e janelas de Kinsale




Antes de chegarmos ao lar do dia, a grande aventura por entre sebes e estrada de terra batida, alagada de água ( durante o dia a chuva resolveu ser mais do que os borrifos habituais de ilha). Não perguntem como nos vimos encurralados na dita estrada, vários GPS, várias opiniões e de repente a estrada passou das estreitas vias de dois sentidos com permissão de 80 km /hora, para uma de uma via.  Felizmente o carro passou incólume, ninguém se lembrou de fotografar a ruralidade do caminho, imaginem-no apenas, o que duvido que lhe faça justiça. 
Deixo-vos com o cenário das montanhas, já no Ring of Kerry, a uns 5 kms de Killarney, na casa de Nora, onde nos deleitámos com a salada grega (e a Guiness de sempre, companhia infalível em 10 dias, umas vezes de lata outras de copo) e o ar sadio da montanha.








sábado, 17 de agosto de 2019

Combarro, um “pueblo precioso”, mesmo aqui ao lado




Entre as Irlandas e Portugal voltámos à mão de Deus. Um dos dedos, pelo menos, aquele que fica na ria de Pontevedra, Galiza. Tudo na mesma onda… a celta.
Curiosamente, e estas são as melhores descobertas, demos de caras com um “Pueblo precioso”, não porque o Michelin o referisse ou alguma placa da estrada o anunciasse. Caiu assim do longe, exagero, estávamos a 1.100 metros, admirando as águas da ria, quando o perfil daquela povoação ali à beira da linha curvilínea da costa, nos chamou a atenção.
Ao entardecer dirigimo-nos para lá depois de, confesso, termos folheado imagens do “Dr. Google”.
O nome, Combarro, diz-vos alguma coisa? Se calhar sim, e só nós não conhecíamos…
Estão a ver Monsanto, em Portugal, ou Medelim? A comparação pode parecer idiota, a Beira Baixa não tem mar, mas há ali um toque divino com certas semelhanças. O toque forte e rude das pesadas pedras e a arquitetura fria das casas em granito com os seus balcões quase térreos.







casas marinheiras de Combarro


Em Combarro a ligação é por via marítima, já que o mar é o seu ponto de referência, mas há sempre o lado telúrico, como o comprovam os seus cruzeiros (dizem que três em sete), de um lado Jesus, virado para o mar, do outro a Virgem a olhar para terra. Característica igualmente singular nalguns destes cruzeiros é o facto de terem uma mesa-altar à sua frente.




A aldeia é pedra, ruas estreitas ( a sua toponímia é clara e simplista: “A rua”, “O Campo”….) , caminhos de burros onde os carros jamais passarão, e muitos e muitos espigueiros (dizem que sessenta), uns a olhar para as marés, outros dentro de quintais, umas vezes particulares, outros atuais esplanadas, contíguos a restaurantes que apregoam o bom “pescado”. Os espigueiros, tal como no nosso Minho, eram uma espécie de armazém ou despensa, onde se armazenavam os produtos colhidos da terra, aqui, a sua construção data sobretudo do séc. XVIII. 










A terra vive do turismo e as suas gentes por lá estão a convidar turistas, a falar com eles das janelas, porque os galegos são assim, faladores e espontâneos, com muitos “xes” a lembrar música, tradições celtas, bruxas a voar em vassouras… dizem as lendas que as bruxas de Combarro, as “meigas” pululavam por ali, daí a presença forte dos cruzeiros, uma espécie de veneno para as afugentar.



De mãos dadas com o paganismo, espreitam os santos. A igreja de S. Roque, no centro da aldeia, é um testemunho desse convívio, assim como as festas em sua honra, no calor do mês de agosto.



interior igreja de S. Roque


O fim da tarde em Combarro tem um toque especial, especialmente se a visita ocorrer com a maré vazia, percorrendo a areia e olhando os espigueiros. 



entardecer

De dia, muito do mistério esvai-se pelas pedras, mas ganha com o sol e o azul das águas a brilhar por entre as estreitas ruelas sempre a espreitar a ria.


meio-dia

Um brinde às bruxas com um Alvariño para finalizar o passeio!




(Conselho a autocaravanistas, uma vez que este passeio se fez viajando com a casa sobre rodas: pernoitar, a 1.100 metros de Combarro – fazer a pé o percurso entre as duas povoações - na Asa frente ao parque da Memória, concelho de Poio, N 42º 26´18´´ W 8º 41´36´´).
O desenho do parque foi obra de um argentino, Adolfo Esquivel, prémio Nobel da Paz em 1980, cujo pai, emigrante, era filho de Combarro.




Monumento assente numa grande rosa dos ventos.



Pedras alusivas a premiados do Nobel.

A paisagem é singular, o local tranquilo e bonito, e de manhã tem-se direito à azáfama dos apanhadores de ameijoas – exceto se não gostar de ser acordado com a energia sonora, típica de “nuestros hermanos”!).