Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal: costa alentejana. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Portugal: costa alentejana. Mostrar todas as mensagens

domingo, 16 de outubro de 2011

Uma ode ao rio e ao mar: Odeceixe




A fronteira para o Algarve. A fronteira entre o rio e o mar.
Para quem, como estes viajantes, se satisfaz com uma semana de praia no sentido de “muita água, muita areia e muito sol”, ir à praia tem de ser muito mais… Um pano azul com vida que se deixa contemplar. De longe. Um anterior braço de água que até ao mar se estende. Marés baixas, marés cheias. O caminho das pedras…
Deixámo-nos estar só para a ver. Chegavam holandeses, espanhóis, ingleses. Todos em AC, alguns até com tendas que montavam à noite. Campismo selvagem, dirão alguns. Eu não disse nada, deixei-me estar contemplando a água, esperando. Para mim só é selvagem quem não tem consciência ecológica. O menos ecológico ali, foram os donos dos canídeos que os deixaram ser livres sem trela, mas depois não souberam apanhar os respetivos cocós. Fora isso, dizia eu, com mais ou menos “campismo selvagem”, o rio continuou azul, o mar ora verde ora azul, os campos verdes como alcatifas naturais das Astúrias e era um Alentejo-Algarve.
Pernoitámos duas noites em Agosto e, para não haver abusos, não revelo aqui as coordenadas, descubram sozinhos e… mantenham o sítio limpo, mais limpo do que aquilo que o encontrarem.










terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sardão ou sardanisca?



Nestas coisas de viajar com a casa às costas tudo tem de ser perfeito, até o local que se escolhe para almoçar. Retemperados de um sono longo – ainda fruto de um ano de trabalho penoso – entre Almograve e Zambujeira do Mar, só mesmo o Cabo Sardão para um almoço caseiro, dentro de casa e dentro do cenário.
Este era mais ou menos assim:
Quase ausência total do Homem, à exceção do sempre vigilante e vermelho farol; a única casa era lar de muitas espécies, com maior destaque para as predadoras e altivas gaivotas. Mais rasteiras e florais, imperava a urze, tanto em quantidade como em presença odorífica. Sardaniscas nem vê-las, de sinónimos só mesmo o cabo de nome “Sardão”.
O mais de tudo: silêncio e luz. E tudo isto nas vésperas do “Sudoeste”, o mais movimentado e barulhento dos festivais de verão*.

*Recuso-me a escrever Verão com minúscula!














quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Almograve, árabe ou português?


Entre Milfontes e Zambujeira, outro recanto selvagem (certamente de origem árabe pelo menos no que respeita à toponímia), amaciado pelo aluguer a veraneantes que decididamente preferem o sossego, a calma, a pacatez rural e marítima.
O lugarejo é Al…mograve, onde estivemos este Verão (já parece que foi há séculos…), e tem o básico essencial: farmácia, restaurantes, papelaria e tabacaria, mercearia, cabeleireiro e até Pousada da Juventude. A praia tem o mesmo nome e é isso mesmo: um longo deserto de azul – azul do céu, do mar, céu a cair no mar, e ainda rochas, areia e sol. Muito sol. Naquele Verão. Neste final de Setembro certamente que também o será.
 Ah! E à noite um pôr do sol fabuloso, numa paz de silêncio ensurdecedor, só cortada pelo gerador do único restaurante situado no topo da falésia. Pernoitámos descansados ao lado de uma AC francesa (neste Verão que já passou. Se calhar os franceses ainda lá estão, nós não!)

sábado, 10 de setembro de 2011

O paraíso perdido das mil e uma fontes



A Super Bock este ano bem que a publicitou e há quem diga que está na moda. Refiro-me a Milfontes. Fora o vermelho e as “ondas” do anúncio, a terra pareceu-me parada no tempo: ruas desertas, um certo ar estagnado e, o pior, o café no largo do castelo, aquele da esplanada a abarrotar, dos caracóis, das gambas e imperiais… em abandono, fechado. Até o barco que faz a travessia do rio, ou pelos preços praticados ou pela falta de clientes, que é tudo o mesmo, estava às moscas.
Bem, pode ter sido uma sumária impressão, porque apenas estivemos lá algumas horas, optando pelo outro lado do rio, na praia das Furnas, para um almoço caseiro. As AC estavam arredadas desse lado, quanto a mim o mais bonito; na vila aglomeravam-se ao lado de um canavial feio e sem condições.
 Do lado de cá: praia das Furnas
 Do lado de lá: Vila Nova de Milfontes


Estimulante mesmo foi o passeio à redescoberta da cascata perdida, algures pelo monte acima… seria ela uma das mil fontes ou seria ainda mais uma a acrescentar às mil? O certo é que ainda lá está, escondidinha tal qual há vinte anos atrás, no meio do arvoredo, qual vegetação do Gerês à espera de um mergulho, com a diferença de que as águas aqui não eram frias. Há coisas que afinal não mudam, bem, nem tudo era igual, desta vez havia mais gente à sua procura, jovens peregrinos, tal como nós o éramos há vinte anos, fazendo-se à descoberta do paraíso perdido, ali, a escassos quilómetros do rio e do mar.
Continuo é sem saber o nome da cascata…

À procura da cascata                                                                            Ei-la!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Festival Sudoeste: a cantar de galo com o galo Timóteo


Era eu um pinto (o Timzinho) quando a coisa estalou lá para baixo, pró Sudoeste alentejano, numa terriola pouco conhecida, chamada Zambujeira do Mar. Era assim nesses primórdios quando eu ainda ficava na capoeira sem cantar de galo: os moços (adolescentes de ganga e mochilas às costas, punks com cristas como eu tenho agora, hippies com os seus cães rafeiros e molengões) eram largados no largo da igreja e depois iam a pé até ao Festival. Quase 4 km. Pelo caminho iam comendo o que apanhavam, ao que parece milho (ainda dizem que o milho é só para as galinhas!). O certo é que o milheiral ficava depenado e eles prosseguiam viagem até ao sítio. Lá chegados, abrasados e consumidos pelo calor, banhavam-se todos os dias no canal com gel e shampoo. Estes corriam por ali abaixo até Zambujeira e saíam depois nas torneiras da população. Para escorraçar os vómitos e a caganeira, a população muniu-se de comprimidos contra o flagelo. Mesmo assim, nos restaurantes e afins tudo se esgotou. Ninguém estava preparado para tamanha enchente. No ano seguinte a população ameaçou fechar o comércio caso a coisa não tivesse mais condições.

Hoje, passados catorze anos, já a cantar de galo e com direito ao nome por inteiro (Timóteo), fui ao Sudoeste. Os moços – de ganga, com calções de marca, hippies, punks e para todos os gostos - têm autocarro com 1º andar descapotável e já não vão a pé. Se ainda comem o milho, desconheço, é provável que sim, porque alguns mostram sinais de fome. Os banhos já não são todos no canal, há uns duches improvisados e os tanques das enguias.
Eu cá, fui mais fino. Fiquei numa autocaravana cor-de-rosa com a malta, às portas do recinto, sem me meter nas confusões, a ver as filas para o autocarro.


(Eu e a "malta")


(Por falar em filas, ainda me meti na fila do Intermarché, em S. Teotónio, e tive de desistir e ir ao “talho Simpatia -aberto todo o dia” onde vi o espectáculo degradante de galinhas depenadas em atitudes menos próprias.) Bem, da minha “esplanada” ouvia os concertos, enquanto depenicava melancia banhada em whisky! Lá dentro ninguém me revistou e devo ter sido o único a não pagar bilhete (afinal já tinha a pulseira lá da capoeira…).


(As filas)


(Eu e a"malta" na Pinkie)

Também fui à praia. Enquanto os outros procuravam um rectângulo para estender a toalha, a mim bastava-me o poleiro das varetas do chapéu de sol. Ainda por cima à sombra!


(Zambujeira sem espaço)


(Zambujeira a fingir que tem espaço)


Só não fui à praia dos Alteirinhos, o espaço oficial da coisa, muito mais confortável e legalmente aprovada como praia naturista. A avaliar pela experiência do talho Simpatia, o melhor foi não ter lá ido. Eu cá sou um galo moderno, mas sobre nudez (e sexo, por exemplo) ainda penso como o meu avô, que adulterava provérbios, ” cada galo no seu galho”.

(Alteirinhos)


Bom, pode dizer -se que a minha estadia foi “5 estrelas”, à excepção da madrugada, quando eu simpaticamente anunciava o novo dia e o pessoal se punha a insultar-me e até mesmo a ameaçar-me de me torcer o papo. Se os outros cantavam até de madrugada, por que razão eu não podia continuar o concerto? Essa é que eu não percebi e confesso que me pareceu mal.

Vistas bem as coisas, agora que a coisa já arrefeceu, não sei se volto para o ano. Se calhar já ‘tou velho para estas andanças e nunca se sabe quando me passarão a tratar por “cabidela”…


P.S. Esta crónica não é inteiramente ficção. Caso seja lida pela “malta”, espero que nela revejam o seu protagonista e não levem à letra a última palavra.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

FMM, Sines (Capítulo II)



Ainda dentro do lema “Conquista o Alentejo” a música agora é outra. Começando em Sines terminando na Zambujeira do Mar, a música é outra alternativa para nos conquistar. Com ou sem praia à mistura, porque o ouvido também conta!
O Festival de Músicas do Mundo, em Sines (este ano de 22 a 30 de Julho) é um evento certamente muito diferente dos comerciais festivais de Verão que por Portugal pululam. Porque alia a praia à música dentro de um espaço arquitetónico simples e airoso que é a própria cidade de Sines. Porque qualquer espectáculo é sempre uma surpresa, a não ser que se esteja tremendamente por dentro das músicas do mundo. Porque todo o cenário envolvente é familiar, porque decorre nas calmas, à beira do mar, das nuvens , do vento…

(Vista do castelo)
O percurso é sempre o mesmo mas sem rotinas: praia, avenida Vasco da Gama para mais um concerto no palco da Avenida, ou mais uns petiscos nas tasquinhas, ou mais um passeio pelas tendas de artesanato. Sobem-se as escadinhas para o Castelo, visitam-se nos seus recantos mais peças criativas de bijuteria ou outras, vê-se a baía descansadamente ao lado do grande marinheiro e sonham-se velas e naus pelas músicas do
mundo singrando… do lado oposto, na ruazinha que sobe ao largo do castelo, cheira a especiarias da Índia, chegaram os árabes deste século com os seus panos, vestes, artes, magias… e entra-se no castelo para mais um ensaio se a banda ou cantor assim o entenderem. Se não, há o concerto grátis das 18,45, com a toalha da praia no obro, sentados no chão abertos para um som diferente, vibrante, eclético. E em Sines – e é isto que distingue este festival de outros com nuvens de pó e jovens de altifalantes berrando – todos vivem o festival, o jovem da praia, os espanhóis, os portugueses, os sineenses, sem excepção de nação, idade, vocação, ali, lá fora, nas esplanadas, nas ruas, nos cafés (aconselho a pastelaria Vela d’Ouro e um folhado de chantilly com morangos!).


(Baía de Sines)

Já cansados de andar, sentemo-nos ao entardecer, no castelo: ouçamos Aduf , uma experiência enérgica contagiante, a lembrar Monsanto mas com mar ao fundo;
(Ensaio ADUF)
(Aduf)

ou ouçamos LUME, um jazz português original e jovial.
(L.U.M.E.)
Eram portugueses, calhou, a vocalista dos Aduf era basca e saboreava como portuguesa a palavra da língua de Camões, amigo e companheiro ficcional do Gama, ali a uns metros erguido ou nas salas do Museu recordado (ali mesmo, no Castelo, um museu que vale a pena visitar, igualmente familiar, igualmente simpático, a casa onde o Gama nasceu, a terra de onde foi expulso).

(Aduf)

Cai a noite, nada como um bolo do caco madeirense, porque as terras são portuguesas, as conquistas fizeram-se pelo mar, o Gama aproximou gente de sons, de sabores, de músicas de todo o mundo … até hoje até sempre.





terça-feira, 9 de agosto de 2011

Conquista o Alentejo, Capítulo I

Alguém viu este Verão o controverso anúncio “Conquistaelalentejo”? Ao que consta a paisagem nem tão pouco é alentejana, mas o verbo e a bandeira hasteada levaram à revolta verbal.
Se falo de tal não é para alimentar mais nada, é apenas um pretexto para dizer que este verão me tornei espanhola em terras portuguesas, no Alentejo mesmo, apesar de até ter percorrido alguns quilómetros de praias da linha ao sul de Setúbal, “around” Troia, portanto.
Certo é que quando vi o anúncio já lá estava, certo é que as razões desta minha conquista se prenderam ao foro ( e forro) da bolsa assaltada pela Troika ( e não Troia), certo é que senti saudades dos velhos tempos em que a Casinha rolava por essas estradas europeias afora, certo é que … mesmo assim foi bom. Não são só searas e planícies que forram o Alentejo, o Alentejo é também mar a perder de vista, praias em recantos quase virgens, vacas a pastar quase dentro dos mares, rochas, dunas…merece pois ser conquistado, seja por árabes ou espanhóis ou quem vier por bem, alentejanos por exemplo. E pronto, o Alentejo conquistou-me, cai na rede qual sardinha, voltei atrás no tempo em que as viagens eram de casa às costas mas feita de pano e ferrinhos. Agora, um pouco mais burguesa, mas nem tanto assim, há vivendas maiores e melhores; a Casinha desta vez portou-se bem, até agora nem um furo, nem uma avaria, nem uma raspadela… mas isto é só o Verão I… veremos quando a conquista nos levar ao norte.
Mas chega de preâmbulos, este é o Verão I, capítulo I, por terras do Além tejo com mar. Antes de tudo a volta São Torpes – Sines – Porto Côvo, com destaque para São Torpes. Ali onde a paisagem ao entardecer é assim lunar …


São Torpes lunar...

ali onde as feias chaminés e tubos e fábricas não fazem dela uma homónima da francesa Saint-Tropez, mas ainda assim, para esta família, é mais homónima do que a recém galardoada Praia do Pego. Na francesa não há fábricas como pano de fundo, mas as areias também não são finas e brancas como as artificiais do Pego. O que é igual, nesta bem alentejana, é a tepidez da água , claro que por factores diversos, mas a temperatura é que conta, cada um vê o que quer ver. Neste caso, mergulha-se por aquela água tépida, assim mesmo a dar para o caldo verde que é como lhe chamamos entre família, não tivéssemos tido entre nós um extremoso bracarense emprestado.
São Torpes ficção
E foi no caldo verde que iniciámos este verão I, de 2011, às vezes com uma bola de Berlim com creme à mistura e de sotaque do Nordeste ! , e também com um café do bar azul Trinca-Espinhas, alternando ainda com as falésias de Porto Côvo, as investidas para mais um sabor no Marquês ou uma pizza Dolce Vita. Como se pode ver/ler, consumimos em Porto Côvo e arredores, e friso o verbo, porque o que poderia ter gasto em Espanha ou França ou Alemanha ou ou ou , foi-se gastando em terras portuguesas, nas quais , o autocaravanista continua a ser mal recebido e acusado de actos pouco cívicos, quiçá bárbaros. A imprensa local e nacional voltou a bater na mesma tecla, o que já cansa todos os verões. Por que não mudam o disco e empreendem novas visões onde incluam o autocaravanista com infraestruturas adequadas?
Falésia
Certo é que estive no rol dos indesejados, quando também lá estive, quando também conquistei, quando também consumi… não digo que fui conquistada porque a conquista já se havia dado há mais de 20 anos atrás quando a população, os comerciantes, os dirigentes, enfim, as gentes do Além Tejo como eu, agradeciam qualquer tipo de turismo itinerante, selvagem, doméstico; com muito ou pouco dinheiro nos forros dos bolsos; mesmo sem multibanco na praça,
Pombo crente
mesmo sem filas, mesmo sem animação nocturna a imitar cidades europeias, mesmo sem casa para alugar, mesmo sem tantas casas, mesmo sem autocaravanas a ocupar tanto espaço.




segunda-feira, 12 de julho de 2010

ZMar em dia de braseiro



Faz hoje oito dias que regressámos do breve fim-de-semana à costa alentejana. Nesse dia, à medida que conduzíamos atravessando o Baixo Alentejo, o calor era um fogo sem chamas. A metereologia falava em 40 e poucos, a voz popular elevou-se até aos 50 e creio que tinha razão.
Mas, falar do tempo é conversa de quem não tem assunto e o assunto nesta crónica tem pano para mangas: fez ontem oito dias que decidimos inaugurar o tão publicitado parque ZMar, este é, pois, o cantinho para fazer justiça ao ecológico camping, como a crónica anterior já deixava adivinhar.
O espaço é vasto, de preferência a percorrer de bicicleta, ou, na filosofia ZMar, de carrinho movido a energia solar. Aparcámos num alvéolo perto dos sanitários e logo ali constatámos que separar o lixo ecologicamente é palavra de ordem.
A ida à piscina, com o calor que se fazia sentir, era uma prioridade emergente.
Até lá, as poucas sombras fazem com que a famosa piscina de 100 metros de comprimento seja uma miragem ansiada e realizada. Um mergulho no comprido tapete azul é tudo quanto basta para nos sentirmos revigorados, logo seguido de um relax na chaisse-longue ao longo da esplanada de madeira, novamente seguido de novo mergulho ou intervalado por uma corridinha à piscina das ondas... neste percurso de ida e volta e repetição poderíamos estar durante horas, não fora a vontade de conhecer mais e de enganar o estômago.








Perto da zona para campistas, chamava-nos um parque de diversões alternativo e divertido, um chamariz para o final da tarde quando a brisa corre do mar até aos sobreiros, porque as sombras recém-semeadas ainda não se fazem anunciar.





A “Casa da Criança” é também um agradável espaço, para quem lá joga e certamente para quem lá trabalha. Vista de longe parece uma casa de madeira nos Alpes suiços... sem a montanha atrás e muito menos a neve, mas ainda assim com um verde circundante e um cheiro motivador a cera de abelhas e a madeira.





Aliás , o cheiro a madeira é uma constante neste novo mundo natural: para além da dita casa, os sanitários, as cozinhas (na zona camping existem, estrategicamente colocadas, cozinhas equipadas com fogões e micro-ondas, um gesto simpático para campistas com menos meios), a zona principal constituída pela recepção, sala de convívio, supermercado e restaurante, bar, piscina interior , ginásio, sauna, o chão que se pisa: tudo é madeira. Nas esplanadas o material usado em cadeiras, sombreiros e mesas é reciclado. A energia é sempre solar, o fresco é produzido por múltiplas e enormes ventoinhas.
Ao longo do parque também os apartamentos são de madeira, ao que parece bem equipados e arejados , estes já com ares condicionados disfarçados por gradeamentos de madeira.





À excepção da madeira, a paisagem é cortada por duas enormes tendas brancas quais chapéus circenses. Uma sala de banquetes, a outra alberga campos de ténis. Ao redor desta última, múltiplas hipóteses de praticar exercício físico: matraquilhos humanos, campo de basquetebol/andebol / futebol, circuito de manutenção...







Em cantos estratégicos, ainda uma estação Etar e outra de tratamento de lixo.
Depois de tanto admirar, dormimos com os anjos.
A parte menos agradável seria, inevitavelmente, a conta: alveólo para a casinha e quatro pessoas= 40 €!
Menos mal: no dia seguinte, aquando do check out foi-nos dito que podíamos ficar ainda esse dia até às 23.00. Senão final: podiam ter avisado antes, escusava de perder uma manhã de piscina na azáfama de “arrumar a Casa” até à hora do check out!
Aproveitámos até depois de almoço e depois – lá vem a conversa do tempo... – fizemo-nos à estrada porque outros valores se levantavam.
Foi nesse momento que a chapada de calor a subir até aos 50 nos bateu de frente e nos engoliu. A AC devorava asfalto e, à medida que as localidades se sucediam – Chaminés de Baixo, Chaminés de Cima, Bicos (do fogão?), Fornalhas Velhas, Fornalhas Novas – iludíamo-nos no fogo sem chamas acreditando que o mesmo era fruto da toponímia.
Daí a pouco, a ilusão pegava-se ao corpo e aos assentos, o que nos levou a mergulhar nas margens da Barragem de Odivelas, com a esperança de podermos respirar.
Desde miúda que ouço dizer, pela boca das gerações mais experientes, que “o que tapa o frio, tapa o calor”, em Porto Côvo ainda há quem leve o ditado à letra, eu é que não sou capaz...


"O que tapa o frio, tapa o calor".




quinta-feira, 8 de julho de 2010

Brisas alentejanas



Incrivelmente estivemos três meses sem viajar, fazer parte da intitulada “Geração Sandwich” prega-nos destas partidas.
Para inaugurar o Diário de Bordo IV e o mês de Julho, nada como voltar a tantos “dejá vues” e repetir Porto Côvo, mas desta feita com algumas novidades.
Primeira paragem obrigatória: S. Torpes.
A título de brincadeira familiar é a nossa Saint Tropez, a avaliar pelas tépidas águas azuis.
Desta vez nem tanto. O areal continua a ser bem melhor que a homónima francesa, assim como o horizonte até ao Malhão, passando pela lendária Ilha do Pessegueiro, com a excepção das chaminés e estaleiros sineenses e da água que ainda não teve tempo de aquecer, qual Mediterrâneo sem turbinas...




O vento , esse, é o habitual daquelas paragens – mas que bom, comparado com o braseiro alentejano da planície, de onde vínhamos, afogueados!...
Porém, ao entardecer, mesmo as colunas de ferro revelam a sua poesia, a poesia do Modernismo... sabe bem dormir embalado pelas ondas mesmo ali ao lado, é este o “preço” (grátis e único!!!) de viajar em autocaravana!








Porto Côvo, por seu turmo, continua igual (e diferente) no que se refere ao autocaravanismo. Ao que parece já ninguém procura a vila para pernoitar. Por mais proibições com ou sem luvas de pelica , as falésias continuam lá, à espera das AC que dela fazem a sua quinta, mansão , hotel. Também a “Praia dos Gatos” , a uns escassos metros da Praia Grande, parece ser agora a eleita.






Uns mais pacatos dormem ,ou tentam dormir a sesta ,enquanto outros considerados os reis do “pinhal” , tocam ruidosamente concertina ; outros “acampam”; outros estão, chegam, partem.






Para mudar um pouco o registo, desta vez decidimos “inaugurar” também o outro lado do autocaravanismo: inaugurar não seria o termo literal já que estar em campings é uma possibilidade que nem nos choca nem é uma prioridade. Mas estava na hora de nos baptizarmos em Zmar, pelo menos uma primeira abordagem. Breve, breve a “publicidade” AQUI!