quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Carnaval de 2003, na Serra da Estrela




Não que tenhamos lá ido agora, recentemente… mas o frio inspirou-me a ir buscar imagens do passado, não muito longínquo é certo, mas quando olho para a evolução das crianças parece que foi há tanto tempo…
Afinal foi só ali, em 2003, na Serra da Estrela, por volta do Carnaval, sentado nas páginas do início de Março.
A curta estadia permitiu-nos apenas a visita a alguns pontos, apesar de o objectivo chave ser a neve.
Para “hotel” ficámo-nos pelo “SkiParque”, com pista de alcatifa branca e camping .
É claro que um de nós experimentou as malfadadas lições de sky, para concluir que o seu futuro estava mais ligado à água.

Fora esse pequeno percalço, meramente pontual, um capítulo da história familiar completamente encerrado, ficou na memória a paisagem circundante e o fazer-de-conta que a neve da pista e o nosso “profissionalismo” era à séria.

A pernoita não se revelou, no entanto, muito prática: caro relativamente às condições (provavelmente por alguma circunstância ocasional, a água corria num estreito fio que mal dava para lavar a loiça, quanto mais para o banho…). Mas a paisagem conquistou-nos, repito, e como por aquelas bandas nada mais há (achámos nós – se houver digam-nos…) de interessante para AC, ficámos duas noites.
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É claro que cedo nos fartámos da neve artificial e partimos para “the real one”. Como as aulas de sky não fizeram milagres, optámos pelo “sku” em sacos e pranchas de neve. Mais divertido, sem dúvida.
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O almoço foi mesmo ali, estacionados ao lado da neve, num terreno lisinho de terra ainda não inundada de neve, o pior foi quando quisemos sair e a Casinha decidiu atascar-se. Não fora um rol de homens musculosos e ainda lá estaríamos…
Uma das noites ainda experimentámos o Parque Pião, mas decididamente não compensa e não prima pelo interesse e beleza.
Almoçar a gastronomia regional é sempre algo que se deve desfrutar, por estas bandas: trutas, migas de bacalhau e, evidentemente, requeijão com doce de abóbora!!!
O regresso foi por Côja e, pela segunda vez na vida, apanhámos o desfile de Carnaval. Sempre ouvimos boas referências do camping de Côja, mas infelizmente fecha no Inverno. Optámos por o de Arganil, onde já havíamos passado uma semana há uma eternidade, ainda sem filhos, apenas com o Fox (o nosso saudoso pastor “melga”).

Um bom ponto de relaxe, com alguns holandeses que, pelos vistos, passeiam todo o ano. Pois, eu faria o mesmo se já estivesse na reforma…

Até lá, contentemo-nos com estas pequenas saídas, nem que seja como hoje, cinco anos depois , a recordar uns diazitos de férias “Cá dentro”.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Outros primeiros de Dezembro


Em 2006, por mera coincidência certamente, também procurámos o poiso de Lisboa para dormir e os pastéis de Belém para saborear. Há prazeres que se instalam como as rotinas…



Dessa vez aproveitámos para visitar a exposição de Star Wars , “em cena” no Museu da Electricidade.







No 2º dia, à tarde, voámos rumo a Óbidos e, sem sabermos, a pequena vila era palco de outra feira, desta feita “Óbidos, vila-Natal”.



Digo, “desta vez”, porque no 10 de Novembro (apenas umas semanas antes) tínhamos lá ido visitar a Feira do Chocolate. Mas, se a primeira teve alguma graça por ser novidade, e pelo cheiro colante do chocolate; desta vez, apesar do nosso espanto ao vermos a versatilidade e rapidez com que os comerciantes se adaptaram a nova temática, não lhe encontrámos qualquer tipo de criatividade. Momentos houve em que roçava o pimba e o vulgar.



(montra apetecível)
Impressionante é ver também como o clima muda radicalmente em menos de um mês. Da primeira vez ainda aproveitámos para ir à praia, na Foz do Arelho.
Até fizemos um piquenique na área onde costumam parar as AC (frente ao Inatel), onde dormimos, e as crianças molharam os pés na água do mar, depois de um “Maria dá licença, quantos passos dou…”. Nesse dia tínhamos visitas connosco e a Casinha tornou-se numa vivenda… Da segunda vez, para sorte do evento vila-natal, o frio acompanhava a neve artificial lançada pela máquina faz-neve.
Em Óbidos, as alterações têm sido também frequentes no que respeita à pernoita de AC: em Novembro ficámos quase ao lado da entrada principal da vila, em Dezembro rente à muralha do outro lado e, dois anos mais tarde, a proibição rente à muralha já era “lei”.

Agora, mais ao fundo, após a muralha, existe um pequeno parque privado, explorado por um funcionário da Câmara de Óbidos. É vedado, paga-se (6€), e tem as condições essenciais. Estreámo-lo quatro dias depois da sua inauguração, em Março de 2007, quando vínhamos, de passagem, do Norte. (N39º21’22’’W9º09’25’’)
Depois de vasculhar o diário de bordo da Casinha, constato agora que também no 1º de Dezembro de 2007 nos ficámos por Lisboa. Andaremos nós a ficar sem imaginação?
Comemorava-se, frente à Torre de Belém, o Dia Internacional da Sida e vislumbrámos ao longe o vocalista dos Da Weasel. Os mais novos acham sempre o máximo, ver ao vivo o que aparece na TV…


Fizemos a visita ao interior da Torre e pela primeira vez fomos até à Colecção Berard, no CCB. Algumas peças e obras interessantes, por exemplo, Paula Rego, claro.
As noites, essas, foram passadas mesmo frente ao rio, a sentir a maresia e a música das gaivotas. Este local era, de facto, mais interessante do que o actual.

(Não é Paula Rego, mas causou certamente alguma polémica)






Será que a Câmara de Lisboa tem para breve a construção de uma zona para AC? Ouvi dizer…

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Fim-de-semana do 1º de Dezembro, 2008


Um fim-de-semana frio, chuvoso, de neve até. Mas não foi isso que nos impediu de dar um giro.
À semelhança de outras etapas, a 1ª noite seria dormida em Lisboa. Não já no sítio do costume, mas uns metros antes, perto do Museu da Electricidade. Só porque reparámos que era por aí que parava a malta e no outro local não havia vivalma. Quer isto dizer que se confirmam os rumores de que ao lado do Padrão já não é possível?! Ficámos sem saber, porque não chegámos a ir lá.
Lisboa é sempre espaço e tempo para fazer rotas históricas, culturais, ou comerciais. Para além da praia, das caminhadas, do andar de eléctrico, metro, comboio…
Desta vez foi a vez do cinema.


Ensaio sobre a cegueira, baseado na obra de José Saramago, que é em tudo muito mais que o filme: mais palavras num estilo inconfundível (o de Saramago) que ali nem se vislumbra; mais romance (o filme toca ao de leve a história de amores da prostituta e do velho negro); mais violência; mais sofrimento; mais dor… mas normalmente entre o filme e o livro, prefere-se sempre o livro, por isso não é nada de novo.
Mas ainda assim a brancura do leite da cegueira, os ângulos e planos de Fernando Meireles são únicos. O filme é para ver, sim senhor. E gosta-se.
A música da chuva no tecto da Casinha dá-lhe aquele tom de balada mesmo boa para embalar e… adormecer.
Acordar e ter como pequeno-almoço uns pastéis de Belém também é outra espécie de balada… gustativa.
Se não fossemos preguiçosos, poderíamos ter visitado o Palácio da Pena pela manhã de domingo, o que implicava visita grátis. Assim, da parte da tarde, armados em indolentes e dormentes, há que puxar os cordões à bolsa e pagar20€ (bilhete familiar).
Com o frio nada como subir o íngreme caminho até ao Palácio. Debaixo dos polares e das lãs, a humidade sua e aquece.
Chegados ao topo do portentoso edifício, até nos esquecemos que faz frio e não está sol, porque os cortes e recortes, formas e cores são um apelo à fotografia. Pena que a Pena não esteja mais brilhante de cores. Umas limpas e renovadas demãos não seriam pedir de mais. D. Fernando II agradeceria.








Que rei foi este que no alto do monte espesso e denso de vegetação se lembrou de erguer tão insólita construção?
De nome Fernando Augusto Francisco António de Saxe-Coburgo-Gota, passou à história como "O Rei-Artista".
Não terá sido ele o artista de tão sublime castelo, mas a sua mente artista maravilhou-se do topo escarpado, das ruínas (por essa altura o que existia era um velho convento), do Castelo dos Mouros, das matas.

Em pleno romantismo o espaço não podia ser mais romântico e daí que, o Rei-Artista, casado com a Rainha D- Maria II, o mandasse edificar, como sua residência de Verão. Um paço acastelado romântico, verdadeiramente eclético, no qual se encerra um autêntico manual de estilos arquitectónicos: neogótico, neomanuelino, neo-islâmico, neorenascentista, com outras sugestões artísticas como a indiana.
Era a moda do exótico, do insólito, da paixão pelo “horror ao vazio”, ou seja, o Romantismo.
Visitar as suas salas e decoração até dói. Cada canto e recanto conhece mais uma cadeira, um otomano (sofá oriundo dos otomanos), mesa, cadeira, arca, cofre, e em cada mesa mais bricabraque, mais madeira, mais almofada, mais madrepérola. A vista sai dali cansada. Olha-se através da vidraça e a profusão continua, até a vegetação ocupa tudo sem deixar um espaço vazio. Novamente ideias do monarca que até na vegetação pensou, encomendando-a de outros países e até continentes.
(Tritão simbolizando a alegoria da Criação do Mundo.)
Do palácio até à praia, basta seguir a linha do eléctrico. Mas na praia (das Maçãs) estava um vento ciclónico, pouco simpático para embalar o sono…
Optámos por Sintra.
Pernoita num relaxe profundo (coordenadas: N38.79688º W009.38849º)

A Câmara de Sintra podia pensar em arranjar aquele parque de estacionamento com algumas facilidades para AC: bastava um ponto de água e sítio para despejos. Mas se calhar não vão achar boa ideia, porque ao que parece vão construir ao lado um novo museu. Por outro lado, se Sintra tem mais museus por metro quadrado do que qualquer outra vila ou eventualmente cidade portuguesa, talvez acolhesse bem a ideia. A avaliar pela procura (mais 3 AC estavam por lá e duas eram estrangeiras), talvez fosse mesmo uma boa ideia. Afinal Sintra é uma pepita e pérola turística.


O mau tempo agudizou-se, o que não favoreceu muitas mais saídas.
Ao cair da noite (ainda por cima tão cedo…), por que não actualizar leituras?
O mais recente de Anne Perry, por exemplo: O cadáver de Bluegate Fields.
Na capital londrina de finais de séc. XIX, um novo crime emerge. Apesar da passagem dos séculos, um tema eterno e tão actual: um jovem de boas famílias assassinado, abusado homossexualmente. A primeira suspeita recai no preceptor, mas conhecendo a faceta crítica da autora, suspeito que a balança vai pender para um outro culpado, no seio da aristocracia britânica.
A veia crítica de Anne Perry retrata sempre a hipocrisia da dita “society”, regida por uma ética absolutamente fingida e falsa, cujo verniz salta ao longo da narrativa, para vermos os lords e as ladies, a serem os maus da fita.
«Anne Perry tem duas forças: personagens memoráveis e uma capacidade única de evocar com uma enorme minúcia a sociedade victoriana.»
The Wall Street Journal
«Anne Perry consegue escrever policiais vitorianos de fazer inveja até a Charles Dickens.»
The New York Times Book Review

Sintra ainda assim com alguma luz...
No regresso, paragem em Setúbal para uns chocos fritos acompanhados com batatas fritas. Um outro modo de terminar os passeios sem sol: apurando o paladar com a boa gastronomia portuguesa.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Para quem sonha com uma autocaravana, existem sempre novas formas de improvisar.

Um modelo-vespa, por exemplo.


À laia de barraca, mas com estilo:






Para quem, para além da paixão sobre rodas, tiver a dos barcos. Um auto-barco?!



Ou até mesmo um barco flutuante à beira-rio e com 2 andares?




Ou um velho autocarro inglês, com sotão...




E que tal uma varanda em casa de madeira com rodas?




Em estilo mansão circense...




É só escolher e ser um viajantecomacasaascostas!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Algarve: alguns pontos de interesse


O Algarve nunca foi a nossa paixão, mesmo assim, desde 2002 que, de vez em quando, nos decidimos a explorar o seu principal foco de interesse: o sol. Ao todo uma meia dúzia de vezes. Dessa meia dúzia conseguimos, no entanto, descobrir paragens que desconhecíamos, algumas afinal bem interessantes, o que se calhar só veio confirmar que não conhecíamos de todo este território nacional.
A primeira exploração foi por volta de um dia de Todos-os-Santos, precisamente em 2002. Ainda muito verdes nesta coisa da pernoita “selvagem” começámos por ser muito “certinhos”, procurando sempre campings. O de Albufeira foi o primeiro, um camping caro (o mais caro do país), mas ainda assim uma boa estadia dado que estávamos bem longe das confusões de Verão.
Desse fim-de-semana descobrimos Ferragudo que, num sábado de manhã de S. Martinho, exibia a praça principal cheia de sol e luz e um grupo de capoeira que lhe dava umas pintalgadas de alegria e ritmos bem coloridos.

(Ferragudo)
Pela primeira vez algarvia dormimos no exterior, ao lado do castelo da povoação. Noutras ocasiões percebemos que mesmo à entrada da vila, no centro da “ilha”, todo esse terreno era muito concorrido por AC. Várias vezes lá pernoitámos - uma delas para conhecermos um alemão que nos falou da Praia da Marinha, à qual passámos a ir várias vezes depois dessa dica - mas talvez a última tenha sido na Páscoa de 2008, já que o local virá a albergar um novo empreendimento (Resort&SPA).
Também para não esquecer foi o percurso pela serra de Monchique, num Algarve mais profundo, onde almoçámos num restaurante alemão (“Beerhouse”) embrenhado na mata e onde ainda lanchámos um magusto popular numa pequena localidade de nome Alferce.

(As fases das castanhas)
Ainda na 1ª viagem, ficou na memória aquele passeio de bicicleta pelo Parque Natural da Ria Formosa (Olhão), rente à ria… e , claro, a Fuzeta, que bisámos depois disso. O lugarejo é castiço e muito mais naquele dia, porque se realizava uma Feira de Antiguidades bem grandinha.
Quase dois anos depois, no Carnaval, regressámos ao ponto final da 1ª viagem, em Fuzeta, onde dormimos no cais apesar dos sinais de proibição. Quando acordámos no outro dia, estávamos dentro da Feira de Antiguidades, como se também fossemos vender alguma coisa. Não tínhamos reparado na sinalização e assim foi como se, de facto, continuássemos o capítulo que tínhamos deixado em aberto quase dois anos antes.




(Fuzeta, animação na feira de Antiguidades)

Fuzeta tem ainda o atractivo da sua ilha, à qual se pode chegar numa pequena travessia de barco. Nem que seja só para pisar o outro lado e ver as casinhas – muitas delas transformadas em casa de férias – ao longo da língua de areia…é um bom lugar para fantasiar.
Foi em 2004 que descobrimos um dos locais mais concorridos por AC: o parque de estacionamento ao lado da passagem para a Praia do Barril, em Pedras D’el Rei. Nesse dia estavam dezenas delas, noutras ocasiões encontrámos menos e apenas estrangeiros.
(Pedras d' El Rei)


(praia do Barril com frio e vento)

Noutras ocasiões experimentámos uma ruela de Cabanas e Tavira, ao lado do Pingo Doce.
Afeiçoámo-nos depois da 2ª viagem à pequena aldeia piscatória de Santa Lúzia, pela paisagem natural e pouco turística e pelos petiscos, como os caracóis acompanhados de uma imperial, na Primavera.

(Santa Lúzia, depois da tempestade a bonança...)

É claro que Tavira também é um bom sítio, quer para ficar, quer para passear e estar.
Para mostrar que não nos tínhamos esquecido da sugestão do alemão fomos de Ferragudo até Porches, pela costa. E lá encontrámos a tal praia – Santa Marinha. Há, de facto, um recanto entre as árvores, na terra batida, onde normalmente uma meia dúzia de AC estrangeiras faz férias prolongadas. Só tem um defeito: não há água, nem W.C.




(Santa Marinha e os piratas...)

Voltámos a ir lá mais duas ou três vezes são para passar algumas horas, com os depósitos limpos e “aviados”. Ao longo das falésias o passeio a pé pode ir até Porches por entre uma paisagem sublime. A praiazita de Santa Marinha também é fabulosa (na Primavera e Outono, no Verão suspeito que seja menos idílica).
Do lado oposto e de contornos completamente diferentes temos Lagos. Para quem busca um pouco mais de agitação e uma paisagem natural aliada a uma cidade com História, Lagos é um ponto de partida e chegada. A pernoita faz-se facilmente no parque de estacionamento frente ao Marina Hotel.



(Lagos, festa de pescadores)


Mais recentemente, experimentámos Manta Rota. Frente à praia um novo parque de estacionamento (W.C. do bar).


(Manta Rota)

Portimão recebe também AC, embora registe o sinal de proibição. Muitos portugueses. Dali a Vila Real é um pulo. Foi o que fizemos para ver o moto-crossing no Guadiana.


Tanbém não é má ideia, em Pêra, ver as construções na areia. Anualmente.



NOTA: Como dá para perceber, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência, já que nenhum destes passeios ocorreu no Verão.