sexta-feira, 3 de maio de 2019

Londres especial… outonal…





Londres foi a minha primeira grande viagem.
Física, quero dizer, porque antes de o ser já a havia visitado centenas de vezes, desde as aulas de Inglês no secundário, às fotografias dos outros e às séries e filmes ingleses que sempre devorei avidamente, a maioria das vezes para encher os olhos com as paisagens e locais, costumes e aquele “accent”. E, desde a primeira viagem que continua a estar no top1 afetivo, linguístico, paisagístico , “and so on”…
Qualquer época do ano serve para a visitar, imaginemos por exemplo, novembro, mais precisamente em pleno Halloween. Não é que seja fã da ocasião, nada mesmo, traz-me más recordações e ventos menos auspiciosos, mas pronto, façamos uma exceção em Londres.










Aquela magia de se entrar num dos seus bairros mais emblemáticos, Hampstead, e depararmo-nos com decorações como manda a etiqueta, abóboras a rigor, bruxas em locais inesperados, monstros e fantasmas espreitando dos muros aristocráticos…

É a Hampstead que me refiro, aquele bairro que é uma aldeia dentro da grande cidade, onde ricos e famosos residem, onde escritores (Charles Dickens e  Keats) e pintores ( John Constable) se inspiraram, onde se filmou o filme com o mesmo nome baseado numa história real ocorrida num dos parques da zona, o apetecível e magnífico Hampstead Heath, do qual já falei apaixonadamente em outra ocasiãoespecial.






Não tive a sorte de encontrar o simpático sem-abrigo, nem a Diane Keaton a fingir de inglesa, ou o Sting a cantar, mas a porta da mansão Burgh House, outrora casa da rainha Ana abriu-se-me de par em par. Hoje é um museu, de entrada gratuita, onde se pode admirar a arquitetura georgiana, celebrar eventos ou admirar exposições. Um chá das cinco também é possível…





Outro bairro, vila ou aldeia, como lhe quiserem chamar, um pouco mais afastado do centro, já fora das zonas 1 e 2, é o elegante Richmond. Vai-se de comboio e lá chegados ei-nos noutra “aldeia”.  O centro bem à inglesa com as suas lojinhas e passeios pedestres simpáticos, o parque Richmond Green e ruas envolventes, onde as cores outonais deleitam a vista.








A atração mais popular é uma ida às esplanadas à beira rio, o Thames pois claro, sentar nas típicas cadeiras de madeira ( no verão usa-se  e abusa-se do relvado verde) e depois do relax merecido, um passeio pelo grande parque . O nosso foi curto porque o parque é gigante, havendo até uma zona com vida animal, convivendo-se com veados saltitantes. 















Para o lado oposto fica o jardim botânico, Kew Gardens, mas isso é pretexto para nova viagem, de preferência na primavera. Até lá vai-se sonhando…



Ainda no capítulo do Halloween, há mercados a visitar. No Columbia Road Market festejava-se o dia dos mortos ao modo mexicano, com Milagros, oferendas votivas aos mortos, feitas de metal e papel. 





Frida Kahlo era presença constante, apesar de o mural a ela dedicado se encontrar num outro mercado, o de Broadway. Neste, a especialidade é comida e velharias, e é um passo incontornável para quem adora mercados. E é incontornável porque quem vai a Londres não sabe o que perde se lá não for.








Camden é outro a não perder, o ambiente é sui generis (não me canso de o adorar e desta vez realço a loja portuguesa, Ferreira’s,  para quem não esquece as saudades de comida caseira)!


Camden



Na loja dos Ferreiras


Outro ainda é o de Notting Hill, em Portobello Road, apesar desta vez me ter dedicado mais às ruas envolventes com as suas enormes e elegantes  fachadas e me ter deliciado com um edifício em particular, o Tabernacle, uma antiga igreja transformada em espaço musical, onde, amem!, os Pink Floyd chegaram a atuar!!!










All saint´s Church



The Tabernacle


São ou não são motivos de sobra para voltar sempre e em qualquer estação à capital inglesa?

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Amesterdão, numa tarde e meia(s)




Com muita pena nossa, viajantes de casa às costas, lá fomos de avião furando o protocolo deste blogue e desta maneira de estar e de viajar. Deixemo-nos de lamentações, voemos pois então, que temos poucos dias.


Chegada a Schipol Airport às 13.30. Depois de longos percursos em tapetes rolantes, apanhar o comboio para Central Amsterdam (pagar na máquina com cartão de crédito , 4,50 €). Logo à chegada, antipática receção de um polícia holandês, ao qual tentámos perguntar onde era a plataforma para o “bus” 21, literalmente assim: Eu, Sorry…Ele, Don´t you see I´m talking? – e virou-nos as costas para continuar à conversa com outro polícia e um holandês. (Lembrar que temos sete dias para desfazer a sensação de que este povo é mesmo antipático!, apostei comigo própria).

Ida ao posto de turismo (frente à estação Central) na tentativa de achar vozes mais solidárias e fraternas, afinal o 21 é do outro lado da estação, depois de a percorrer por dentro e subir mais escadas rolantes, ali está ele, mais 3,20 € num bilhete que dá para viajar durante uma hora ou então um diário de 8 €!!! Menos de 20 minutos e lá estamos no quartito “airbnb” alugado, onde a nossa anfitriã, Cristina,  nos esperava. Deixar as malas e zarpar.

 Deambular ao acaso, qual Cesário Verde, seria o mais simples para quem tinha só até à noite. E foi quase o que fizemos, mas sem a “soturnidade” do Poeta e da cidade, porque o sol brilhava e tudo parecia e apetecia deliciosamente fresco. Novo “bus” 21 até ao bairro Joordan, centro de lojas, restaurantes, bares, passando sempre por anéis de canais, casas de tijolos e amplas janelas e sempre, sempre, bicicletas  e flores.








Amesterdão é um círculo com círculos de canais, interligados por pontes, mais de 400… deixámo-nos ir, não navegando que as águas são sujas (afinal o Cesário ia gostar), e a pé chegámos sem esperar a uma igreja onde um guia explicava que Anne Frank ouvia os seus sinos todos os dias… pudera , estávamos frente a frente com a casa da menina mais mediática da cidade e da História Universal. Sentámo-nos a comer sandes com sabor a Portugal, frente à porta da menina que não podia sair à rua, apreciámos também o sabor da liberdade.



Chegados à Dam, a praça mais central da cidade, fizemos como os turistas, descansámos e fizemos como os holandês, encontrámo-nos com mais um “português (alentejano) pelo mundo” que vai fazendo pela vida, porque Portugal pouco lhe sorriu. 



O Palácio Real e o Museu de Cera iam olhando para nós (ou nós para eles)…




Ainda procurámos a pacífica e escondida Begijnhof , mas já estava fechada. 



Continuámos deambulando… mercado das Flores e zona envolvente, zona de restaurantes e Red Light District, zona envolvente da estação Central (Oba e canal)













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Reticências feitas para descanso de pés e corpo num colchão pouco convidativo, honras feitas à sala no pequeno-almoço e ao supermercado a um minuto da casa.



Prestes a partir para o parque Keukenhof ( isto já no dia seguinte, se estavam com atenção à referência do pequeno-almoço…), o relato fica para mais tarde.
Depois do parque, vindos do metro na Europaplein, um salto rápido ao bairro dos museus , só para ver a vibração e sentir umas pingas de chuva. Dali partiríamos de autocarro para o norte da Holanda…



Não houve tempo para o Vondelpark nem para o concerto do Janeca, mais um português pelo mundo…