sábado, 31 de janeiro de 2015

Dubrovnik (ou Ragusa), a esplendorosa pérola

10 , 11 e 12 de agosto

Chegámos finalmente ao ponto mais a sul do país e ao ponto mais longínquo da nossa viagem.
Dubrovnik (em italiano, Ragusa) é tudo o que dizem, sobretudo quando a apelidam de “pérola”. Uma pérola que todos olham e ficam fascinados, atónitos, extasiados, escandalizados com tanta beleza.
Seja para a direita, seja para a esquerda fica-se tonto de tudo querer abarcar com a vista e com as mãos, porque não há uma pedra feia. Compará-la com quem? Ocorreu-me que poderia exceder a beleza de Veneza que continuo a apelidar de a cidade mais bela do mundo dentro do meu reduzido leque de visitas (sendo que ambas foram rivais nos seus anos áureos), mas depois percebi que cada uma ocupa um lugar cimeiro numa prateleira especial, cada uma no seu género, comparações neste caso são ridículas, apesar desta última repetir pormenores e estilos que Veneza também tem.

Como este relógio, o City Bell Tower ….. irmanado com o da praça de S. Marcos em Veneza... mas em menor escala. 




Como estes palácios e maravilhosas praças…



Mas, se em Veneza há pontes e escadas por cima de canais e mais canais, aqui as escadas levam ao monte S. Sérgio, porque a parte velha de Dubrovnik se estende a pique  até ao porto ou até ao mar,  ladeada por terras altas e rodeada por uma extensa e magnífica muralha que, infelizmente, se faz pagar bem ( 100 kunas por pessoa). A muralha, com 2 quilómetros de percurso , é penetrável através de  várias portas. Na entrada Porta de Pile, uma lápide explica que a cidade foi bombardeada em 1991 durante a fragmentação  jugoslava e mostra os pontos onde as paredes sofreram com a implosão das granadas e balas. Nos telhados (a melhor visão é obviamente do cimo das muralhas) são visíveis os sítios atingidos, porque as telhas de terracota mais claras denunciam os alvos atingidos.





A rua principal – Placa – com 300 metros, divide a cidade velha ao meio. O seu brilho , o sol a bater no branco de calcário polido pelos séculos, é outra visão que faz desta cidade a tal pérola…





À noite... quase sem espaço para caminhar


Do  lado esquerdo de quem vem da porta de Pile, as ruas íngremes e as casa típicas monte acima. Perdermo-nos por elas, ou a subir ou a descer, é uma sensação especial. As ruas , ruelas, casas e janelas,  os recantos repletos de bares , lojas e restaurantes são uma tentação… Também é suculento deixarmo-nos atingir pelos cheiros que emanam das dezenas de restaurantes. Os preços são infelizmente caros e as especialidades não chegam aos calcanhares da cuisine portuguesa. 





À entrada da porta de Pile , a fonte de Onofrio, sistema de abastecimento de água da cidade, é hoje ponto de encontro e de relaxe. (Quantas vezes me sentei lá a admirar quem passava e a beber da refrescante fonte?)


Porta de Pile

Fonte de Onofrio

Ao fundo da Placa, a estátua de Orlando e muitas e muitas igrejas e palácios de estilos diversos, de beleza estonteante.
Depois da porta Ploce, o porto com as suas esplanadas e águas azuis repletas de cruzeiros e pessoas de ar extasiado.






Parece que demorámos muito a ali chegar (a sério???!!!) e parece estarmos num mundo aparte, longe de tudo. Sim, Dubrovnik é mesmo longe de tudo, especialmente se esse tudo for Portugal. Sim, e demorámos muito a lá chegar, mesmo dentro da Croácia demora-se . Só que a viagem não é só espacial, a distância a percorrer afigura-se também temporal, como se tivéssemos sido transportados por uma bolha ou cápsula e caído noutro tempo. O tempo parado de pedras que falam, de mistérios sei lá de onde e de quando, percebe-se por que razão o Senhor dos Anéis foi ali filmado…
Até os gatos esfíngicos percebem que estão num mundo paralelo…



Para além da história de cada pedra, o cenário paisagístico e natural é também outro. Entalada entre duas rochas e com uma entrada de outros tempos, descobrimos uma pequena e concorrida praia que, para os jovens amantes de pólo cá de casa, se revelou outra pérola do Adriático… só porque tinha balizas …


Porta para a praia



Mais à frente, na praia maior, havia inclusivamente um torneio de pólo. E, como o sui generis campo de jogos não se fechava entre as quatro paredes de uma piscina, nada como barcos para dar guarida aos árbitros e nada como uma plateia de adeptos não em bancadas, mas claro, noutros barcos. E, para finalizar, a festa fez-se com foguetes lançados… ao mar.




Para fechar com chave de ouro, os rapazes tiveram ainda tempo para procurar a piscina oficial da equipa de Dubrovnik e encontrar os troféus e as medalhas dos grandes nomes de pólo aquático croata, apesar de numa piscina… vazia.


Eles é que não vieram de mãos a abanar, umas toucas para relembrar a Croácia e na cabeça memórias de uma cidade única, transcendente, luminosa.


domingo, 11 de janeiro de 2015

Ilha de Korcula


10 de agosto

O estacionamento em Orebic era por 24 horas, por isso estávamos à vontade. Deixámos a casa estacionada junto do croata que corria na nossa direção com medo que não lhe pagássemos (já tínhamos realizado o pagamento com a mulher), se calhar queria outro tanto ou teria medo que o enganássemos… Mal o entendemos , as gerações mais velhas mal  falam inglês e o senhor devia andar pelos cinquenta…
Ao fundo, Orebic

Cais de Korcula


Era hora de deslizar sobre as águas azuis vendo as montanhas rochosas e despidas de vegetação de um lado, outras ilhas e mais ilhas do outro.


Korcula lá estava, com mais iates e cruzeiros no seu porto, aguardando… 



Visão de entrada em Korcula



É nela que dizem que nasceu Marco Polo e, portanto, o nome é usado e abusado em qualquer porta ou janela de estabelecimento, para além da casa onde viveu e 2 ou 3 réplicas de museus e lojas oficiais. Fora o seu nome, há joalharias de qualidade e artesanato magnífico, mas tudo super caro, só foi, portanto, apreciado com a vista, pois para ver, por enquanto ainda não se paga.
As ruas inclinadas por onde se vê sempre o mar (não se esqueçam que é uma ilha), a roupa a arejar às janelas , a missa na pequena catedral...








pormenor igreja matriz

 Tudo se visita depressa porque a área não é grande, ainda deu tempo para um mergulho, desta vez entrando de salto ou descendo umas escorregadias escadinhas talhadas na rocha.

praia de Korcula

Ao meio dia já estávamos a regressar, para nos pormos a caminho para o grande marco que almejávamos desde o início e dali já a menos de 70 quilómetros: Dubrovnik Fomos certeiros até ao camping Solitudo , o único devidamente sinalizado ao longo das estradas ou, na realidade, o único exageradamente sinalizado, porque nenhum outro se publicitava. Antes que o GPS nos prestasse novas partidas ou que as ruas encolhessem, deixámo-nos ir para ser explorados por aquele que é certamente o camping mais caro da Croácia (mais de 50 € por dia), longe do centro e com viagem de autocarro obrigatória. Afinal o camping faz parte de um gigantesco empreendimento turístico ( o Valamar) que engloba supermercados, hotéis e apartamentos por uma longa área até ao declive da montanha onde fica a praia Copacabana.
Como havia autocarros até tarde, descansámos debaixo da sombra no nosso alvéolo tão valioso, antes de partirmos para a cidade, debaixo de um imenso calor que se pegava ao corpo.
O relato sobre a pérola do Adriático, porém, fica para outro dia… nós também esperámos muito para lá chegar.

sábado, 3 de janeiro de 2015

A caminho de uma ilha dentro de mais ilhas

9 de agosto


 Zadar, Trogir, Split afinal parecerem-nos idênticas. Possivelmente um croata ofender-se-ia com estas palavras, mas é verdade que o ambiente de verão, as muralhas, os portos , a vista para o mar, as calçadas brancas e escorregadias, os muros e paredes , a força da luz e do sol, todas aqueciam a alma, mas era como se fossem irmãs.
Partiríamos pois para outro cenário, acreditávamos nós. E , na realidade, foi-o. Iríamos até à ilha de Korcula , a única ilha suficientemente afastada de terra à qual tínhamos decidido viajar de barco, mas para isso era preciso chegar à povoação mais próxima onde se apanhava o barco ou ferry, Orebic.



Ainda antes da Bósnia...

Até lá a viagem foi mais longa do que pensávamos, primeiro porque prescindimos da autoestrada. Um rematado disparate porque as filas eram muitas. Depois, já na autoestrada e perto da fronteira com a Bósnia, mais fila até à fronteira, onde nem por isso nos carimbaram os passaportes. Aliás, nem olharam para nós, o porquê da demora não percebemos… Já em território croata novamente (entra-se e sai-se em menos de nada, o chão bósnio é um pequeno território só para eles poderem dizer que entram no mar) demorámos imenso, entre curvas e contracurvas, até chegar a Orebic. 


 Antes porém de chegarmos a Orebic uma estranha muralha, conhecida como a “Muralha da China da Europa”, fez-nos parar para admirar o seu recorte dentilhado ao longo da montanha. A localidade chama-se Ston, é pequeníssima, extremamente quente e quase deserta. A muralha é dos séc. XIV- XV , tem cerca de 5 quilómetros e meio e ainda se encontra bastante danificada devido a um terramoto nos finais do séc. XX. Para além de ter funções defensivas parece que também albergou quem trabalhava nas salinas situadas naquela área. A zona é ainda rica em “campos” de ostras.


Depois das curvas e contracurvas lá chegámos a Orebic. Numa rua e zona residencial pacata, mesmo em frente à praia, pudemos estacionar e tomar os tão apetecidos banhos de mar. Já perto do entardecer descobrimos a segunda área para AC do país (N 42º  58´29´´ E 17º 10´10´´).  Bem, área não seria propriamente. Era um parque de estacionamento particular, cujas meninas e pai cobravam 15 € por 24 horas e só depois do escurecer nos forneciam luz através de um cabo que o senhor estendia escusamente por entre os outros carros. Antes do amanhecer já tinha desligado o cabo enquanto ainda dormíamos.



Orebic é certamente um lugar de veraneio popular entre os croatas, não nos pareceu que  estrangeiros procurassem muito a zona, certamente não portugueses, creio que seríamos mesmo os únicos. Percorremos as ruas à noite, famílias comiam o seu gelado, sentadas a ver o doce e calmo Adriático, crianças vendiam conchas ao longo dos passeios, os restaurantes fumegavam de gente e de bons cheiros…