quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Dublin, para repetir




Três dias seria o timing ideal para estar em Dublin? Ficámos três noites, na verdade, dois dias e meio que afinal se revelaram insuficientes.

Dublin é uma cidade atraente, fresca, relaxante. O seu centro e principais pontos de interesse percorrem-se facilmente a pé, na realidade não usámos uma única vez qualquer tipo de transporte, à exceção da manhã em que entregámos o Seat alugado e aproveitámos para uma pincelada visual pela zona moderna, à beira rio.



À beira do rio Liffey


E, no final, o Airlink express bus para chegarmos ao aeroporto (aliás, revelou-se uma boa solução. Os bilhetes podem comprar-se em inúmeros pontos da cidade, perto da Ha’ penny Bridge, por exemplo, ou na O´Connell Street. Em 20 minutos e por 7 € chega-se confortavelmente ao destino).


Ha’ penny Bridge ou Ponte de Metal. A sua alcunha deve-se à portagem que tinha de se pagar de 1816 a 1919 (halfpenny).

Ficámos hospedados num pequeno apartamento na zona norte, a poucos passos de uma das mais movimentadas ruas da cidade, a O’ Connell, e onde se ergue o Spire, uma agulha metálica de 120 metros de altura, que ali se encontra a substituir a estátua de Nelson, destruída em 1966 por uma bomba do IRA.




A nossa casa, a branca, num 2º andar.


O Spire

 A cidade é atravessada pelo rio Liffey que divide a zona norte do sudoeste e sudoeste de Dublin e não parece nada afetada pela tão apregoada crise dos mesmos anos negros de Portugal. Ergue-se, cosmopolita, jovem e repleta de turistas de múltiplas nacionalidades, sobretudo grupos de jovens, alguns em cursos de verão.



Jovens estudantes em Temple Bar

Em qualquer das zonas há sempre pontos de interesse a visitar, ou associados à arquitetura, ou à história, ou às artes (sobretudo literatura e música), ao lado social (este sempre acompanhado da famosa Guiness, a célebre cerveja escura com travo a café), ou simplesmente aquela vertente excecional que só ocorre em algumas cidades, que é deixarmo-nos ir pelas ruas e avenidas e sermos sempre surpreendidos...

A História e os grandes nomes da literatura

Começando pela História. Trinity College é visita obrigatória em Dublin e, claro, a sua antiga biblioteca, sede do famoso Book of Kells. Este é um dos maiores tesouros da Europa medieval, um manuscrito iluminado escrito em latim que contém os quatro evangelhos do Novo Testamento. Foi criado pelos primeiros monges cristãos por volta de 800 DC. Para além do texto e da caligrafia, o Book of Kells é um tesouro artístico no que diz respeito aos elementos decorativos, muitos deles ainda hoje verdadeiros enigmas.




Trinity College, fundado em 1592. O seu relvado e pátios dão as mãos a colégios como Oxford, e situa-se no coração de Dublin.



A visita (15 €) abrange a exposição “Transformando a escuridão em luz” e a câmara principal da biblioteca antiga, com mais de 65 metros de comprimento, mais de 200.000 livros, que continuam a ser objeto de consulta, e acima de tudo a sensação indescritível que é estar entre inúmeros livros e corretores infinitos de madeira e papel, sabedoria e odor seculares.








Long Room

Os “dubliners” fazem ainda questão de mostrar ao mundo o seu valor literário, destacando os seus escritores, como Oscar Wilde,  Samuel Beckett, que estudaram naquela casa. Aliás, estes mesmos e ainda James Joyce têm direito ao seu próprio museu (Dublin Writers Museum e James Joyce Cultural Center) e volta e meia surgem em locais estratégicos, como é o caso dos mais refrescantes e salutares jardins espalhados pela cidade de Dublin, ou até no interior de pubs, cantos e recantos.



Oscar Wilde relaxando sarcasticamente no Merrion Square




Personagens de Ulisses, de James Joyce , no centro de Dublin


Os espaços verdes apetecíveis

Não esquecer que estes espaços verdes são sempre muito procurados por locais e turistas nos alegres dias de sol (e nos nossos “três” dias na cidade, o sol foi-nos sempre sorridente), quer para passeios, quer como zona de piquenique à hora do almoço.




Jardim de Merrion Square


Por falar em refeições, Dublin, assim como a restante ilha, serve umas boas sandes frescas, preparadas no momento com ingredientes à escolha, em certos supermercados. É sempre uma boa alternativa ao famigerado hambúrguer dos pubs ou outras casas de pasto, mais ainda quando se pode comer ao ar livre e percorrer um simpático jardim, como o de St. Stephen ou o Merrion Square.
Ambos os jardins se situam na zona sudeste, sobranceiros aos bairros e longas avenidas de casas georgianas, uma delícia para a vista. Muitas têm portas pintadas de cores alegres e às vezes elementos originais, assim como varandas de ferro forjado e batentes ornamentados.






Uma pausa para uma Guiness em Temple Bar

É claro que a visita a Dublin obriga necessariamente a um intervalo num pub, caindo a escolha necessariamente na zona de Temple Bar. Para quem apreciar a confusão, a noite é a hora eleita, mas se preferir mais sossego, aconselho a hora do lanche. Escolhemos precisamente Temple Bar, um dos pubs mais icónicos e antigos, na zona com o mesmo nome. Homenageia um dos seus antigos frequentadores, um escritor para variar, o pai de “Dubliners”, e recebe-nos com umas suculentas ostras de sabor intenso a mar e um cardápio variado de cerveja, Guiness no topo da lista.






James Joyce, in Temple Bar


Peça uma “pint” e acompanhe com “oysters”😊


E pronto, já que a mencionei, tenho de referir a “fábrica” ou loja ou atração do top de Dublin. Refiro-me obviamente à “Guiness Storehouse”, uma experiência que todos os visitantes querem ter quando vão a Dublin, mas a qual não me seduziu ao rubro. Trata-se sobretudo de uma excelente aposta numa visita do tipo interativo, no interior de um magnífico edifício de vários pisos, com direito à degustação de uma cerveja mais paisagem “aérea” e em 360 º da cidade; falta-lhe o contacto direto e real com tudo o que é uma antiga e atual fábrica de cerveja, ou seja, os 25€ não justificam a experiência.







Vista do Bar



As “nossas”, na fase de repouso; a Harpa, símbolo da Irlanda

Não optando pela experiência da cerveja, existe a alternativa do whisky, em Jameson Distillery Bow. Também inclui degustação do precioso líquido que mete irlandeses a lutar com escoceses (qual é o berço de origem?). Pormenores da experiência desconheço, terão de ser os leitores apreciadores a contar…


Destilaria Jameson

Não optando por Temple Bar, qualquer zona é boa para entrar num pub, como o Murrays, na O´Connell  Street. A ementa, já se sabe, não é muito variada (nesta altura da viagem outros pubs nos tinham passado “pelas mãos”): a doce sopa de marisco, o habitual hambúrguer, o “steaw” e os famosos “fish & chips”. O melhor mesmo é a alegria do ambiente, no qual a música tradicional é sempre rainha. E, claro, sempre e inevitavelmente, a simpatia dos irlandeses. Com um ar sempre relaxado e afável, chegam a parar na rua quando consultamos aéreos (e certamente com ar de idiotas perdidos) o mapa, para nos perguntarem se precisamos de ajuda.


Andar ao sabor do movimento e daquilo que a visão nos dita

Muitas vezes não estamos perdidos, apetece-nos é deambular ao sabor de uma qualquer onda... a dos outros, a das multidões, a da ausência de multidões…
E foi assim que encontrámos, por exemplo, o jardim Dubh Linn, com o seu relvado celta (nas traseiras do castelo de Dublin); ou a National Gallery, onde, perante a quantidade de salas e a falta de tempo, apontámos para o contemporâneo. “Vamos lá ali cumprimentar um Picasso e um Degas e , de caminho, quem sabe, conhecer um Patrick Swift" ; ou a National Library, com a sua magnífica sala de leitura circular.



jardim Dubh Linn




Mais um "Dubliner":  Patrick Swift


Monumentos: o novo e o antigo

Outras vezes procurámos mesmo:
Mercados, como Covered Market, com artigos de segunda mão e algum artesanato simpático ou a Powerscourt Townhouse, um centro comercial erguido num antigo palácio, com galerias de arte, joalharia e cafés.




Covered Market


 Powerscourt Townhouse

E as igrejas. Curiosamente, Dublin apresenta duas catedrais.
A Christ Church Cathedral e a St. Patrick´s Cathedral. Ambas imponentes e com relvados aprazíveis, a primeira, classificada como o edifício mais antigo em Dublin.


Christ Church Cathedral 


St. Patrick´s Cathedral

E depois ainda um Museu Viking (o Dublinia) ou um cruzar nas ruas com um anfíbio louco transportador de capacetes e uivos de felicidade vikings; ou o Castelo da cidade, ou, ou….




castelo de Dublin

As ruas animadas, a música...

A animação está sempre presente, basta entrar ou passar perto de um pub a qualquer hora do dia. Por isso, em Temple Bar, há um museu em nome da música, Rock ´N´Roll Museum. Se não quiser entrar (as entradas não têm preços muito convidativos), contente-se com a “Parede da Fama”, na qual se destacam os grandes vultos musicais irlandeses, como os U2.



Wall of Fame

Percorrendo as ruas mais comerciais, como a Grafton Street, a música está sempre na ordem do dia e ao vivo, assim como outro tipo de animações. Uma cidade viva e musical!


Molly Malon, a vendedora de peixe e frutos do mar, eternizada em música e estátua, na Grafton Street


Animação na rua

A repetir

Não houve tempo para tudo, nem os cordões da bolsa esticaram para tudo, fica sempre algo para trás, a pensar, "pode ser que cheguemos aos cem e que a reforma seja farta e um dia quem sabe aqui voltaremos"... Não foi a primeira e não será a última visita, aqui fica o voto!







domingo, 1 de setembro de 2019

Irlandas - somente Belfast


Dia 7 (Belfast -  Malahide Castle - Dublin)

Os dois lados de Belfast:
- o neutro, de mãos dadas com qualquer outra cidade europeia, “sem muros nem ameias”;

- o político, o da cidade parada no tempo à espera de ultrapassar o trauma de uma guerra que matou mais de 3.600 pessoas, trauma que parece adormecido desde 1998.

No primeiro, uma volta rápida para ver, de dia, alguns pontos estratégicos:









City hall, um edifício estupendo por dentro e por fora, cheio de salas com exposições sobre a cidade e o país.


No segundo, tudo muda de figura. Trata-se de uma outra Belfast onde ainda hoje os muros da discórdia e separação existem.
Para chegar lá há quem aconselhe os táxis pretos, numa espécie de visita guiada com taxistas locais. Como tínhamos carro e GPS, decidimos ir por conta própria.
A primeira paragem em Cuper Way deixa-nos a pensar se aquilo ali está apenas como marco histórico, onde todos vão para deixar a sua marca, e pronto, o dia a dia continua, para lá do muro a vidinha normal, para cá bem obrigada, tudo idêntico de um lado e de outro, o muro não caiu, convém lembrar o passado.

É o chamado Muro da Paz, uma massa alta de tijolos, cerca de 7 metros de altura.




Muro da Paz

(Ou o muro continua a fermentar por entre ossos de tijolos, escorrendo invisivelmente uma seiva apenas adormecida?).


Vi-o continuar (um total de 30 quilómetros?) até aos altos portões que terminam em arame farpado, portões que afinal se fechem e abrem, porque afinal há dois lados e de cada um deles as diferenças mantêm-se. A partir deste ponto não se trata só de assinar o muro da Paz e partir de consciência tranquila, a partir deste ponto é como um murro no estômago de tão real e tão dentro da História passado-presente em que nos encontramos.





(O muro continua a fermentar por entre ossos de tijolos, escorrendo invisivelmente uma seiva apenas adormecida).


O mur(r)o atinge-nos de frente quando somos abordados por um transeunte que nos faz uma visita guiada a partir do Jardim da Memória e nos leva para o centro da zona católica, onde a ferida ainda dói.



Jardim da Memória – altar ao ar livre dedicado aos católicos mortos durante os conflitos.

O guia conduz-nos a um pequeno museu – Irish Republican  History Museum - que reconstitui uma cela da prisão de Armagh onde a  jovem Eileen Hickley, fundadora do museu, esteve presa. É a sua irmã quem nos recebe e nos mostra alguns artefactos e fotos, memórias de mortes e de uma luta que é de ontem e de sempre.


Irish Republican  History Museum

Sim, de sempre, porque enquanto o “guia” nos leva cada vez mais para o interior do bairro católico (muitas ruas fecham-se em si mesmas contra o muro, e algumas vezes, entre ele e as casas, os quintais erguem redes em defesa das bombas e cocktails molotovs que poderão vir do outro lado), para Bombay Street ”, o dia em que tudo ardeu, no ano de 1969 , temos a certeza que nada daquilo é passado. Nas palavras apaixonadas do guia, tudo soa a realidade, tudo é ontem e hoje, podendo ser amanhã, daqui a nada.








Monumento em Bombay Street, em memória daqueles que morreram – esta rua foi cenário real dos conflitos, todas as casas arderam, queimadas por protestantes.

E não sei como senti-me envergonhada, demasiado vestida, por não saber o que é uma arma, uma bala, uma luta contra o próximo, aqui, neste cantinho à beira-mar plantado, onde a revolução se fez com cravos a brotar de espingardas. Aquele era o lado católico.

Tivéssemos sido abordados por alguém do lado protestante, a sensação seria igual. Um outro guia debitando locais de mortes, nomes de mortos, mais jovens mortos, que jovens eram, ali, de balas trespassados.





Murais do bairro protestante, homenagens a antigos feitos e heróis britânicos.

Passámos apenas de carro pela Shankill Road, a avenida “protestante”, um grito inconfundível p´la monarquia inglesa, como o mostravam as bandeiras voando ao vento.



Shankill Road

O guia deixa-nos no ponto onde nos tinha encontrado, frente ao Jardim da Memória, depois da esquina onde Bobby Sands é recordado, no mural em sua memória. O guia ativa o telemóvel e ouvimos “All things must come to pass as one/ So hope should neber dye…”



Mural dedicado a Bobby Sands, o Che Guevara irlandês, falecido em 1981, durante uma greve de fome.

Tal como apareceu, o guia do IRA desapareceu, deixando-nos na dúvida se devíamos pagar a visita, agradecer, pedir perdão, rir ou chorar… deixando-nos na dúvida se o chefe do IRA era ou não “that man in blue over there”, um homem como tantos outros, que atravessava a rua, mesmo em frente à sede do Sínn Féin.

Continuámos. O guia, os do lado de cá, os do lado de lá ficaram a lembrar as suas feridas e os seus mortos, uns de um lado, outros do outro, com um portão que os separa e os fecha depois das 19 horas, de um lado pessoas, do outro… pessoas.

Apesar da estrada ter continuado até Dublin, por ora, não há mais linhas, não há mais palavras.

O muro continua a fermentar por entre ossos de tijolos, escorrendo invisivelmente uma seiva apenas adormecida.


quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Irlandas - dia 6


Dia 6 ( praia Downhill - Mussenden Temple – Dunluce Castle – calçada dos Gigantes – estrada Dark Edges – Belfast).
  
Ainda na Irlanda do Norte, ou melhor, agora é que era mesmo o norte!

Seria o dia de percorrer alguns quilómetros na Causeway Coastal Route e deslumbrar os sentidos com paisagens de cortar a respiração. Basicamente, descidas vertiginosas de alcatifas verdes a cair até ao mar, de tons diferentes de azul, entrecortadas por misteriosos castelos em ruínas, estranhos templos de outrora, lugares místicos onde apetece estar. Por alguma razão a série Guerra dos tronos elegeu parte destas paisagens como cenário sobrenatural para alguns dos seus episódios e nós fomos à procura de uns, sendo que outros vieram ter connosco. 



Downhill Beach

O primeiro de todos, a praia de Downhill, a qual, como o nome indica, fica abaixo de um monte no qual se ergue o estranho Mussenden Temple.




Mussenden Temple

É costume fazerem-se ao longo do areal corridas de cavalos (e de facto estava lá um), mas o mais fascinante é a sensação de pequenez que nos acomete face à força do penhasco onde o templo assenta. Bizarro é ainda o seu historial, nascido de uma longa história de amor que fez com que um bispo mandasse erguer uma pequena rotunda com cúpula mesmo à beirinha do promontório varrido pelos ventos, como um memorial dedicado à sua prima. É caso para dizer “quanto mais prima, mais se lhe arrima”…




Mais uma vez, chegámos em “dia de festa”, o que não nos permitiu ver a sala/biblioteca redonda mas, por outro lado, poupou-nos o preço da visita, dando-nos direito a percorrer os campos verdes até à beira do promontório, a olhar de cima a praia anteriormente pisada e a ver de perto as ruínas do antigo castelo do bispo, Downhill Castle.


                Downhill beach vista de Mussenden Temple


                                              Downhill Castle

Continuando pela Causeway, os olhos extasiaram perante outra estranha construção, o Castelo de Dunluce, com a sua aparência assombrada, mais um cenário inspirador para soturnas personagens, como a família Greyjoy.



Mais à frente, novo cenário invulgar, o qual, segundo a tradição, seria um caminho construído sobre o mar, pelo gigante Finn MacCool para a sua amada, que vivia numa ilha da Escócia.









Versão menos poética adianta que os gigantescos penhascos formados por colunas hexagonais se devem a várias erupções vulcânicas ocorridas há mais de 61 milhões de anos atrás.
Hoje em dia o fenómeno batizado de Giant’s Causeway (Calçada do Gigante) atrai milhares de turistas, pelo que foi difícil fotografar (e pisar) o caminho das pedras, sem nos depararmos com centenas de pés…


Mesmo com as dicas do nosso colega e conterrâneo Luís Seco, no seu site de viagens, Fotoviajar, também não conseguimos evitar o pagamento para estacionar, pois a pista do hotel já não era válida. Fugimos ao estacionamento nos parques pagos para o efeito, 12.50£ por pessoa, para estacionarmos no parque da pequena estação ferroviária, onde, aí sim, pagámos 8£ por estacionamento do veículo.





Tivemos o descanso merecido com um almoço de saladas num pequeno bar entre a Calçada e a atração seguinte, Carrick-a-rede Rope Bridge. Aqui o estacionamento é grátis e calhou-nos a parte inferior, a qual tinha sido cenário para mais um momento de a Guerra dos tronos.



parque de estacionamento - viagem à Irlanda


parque de estacionamento - cenário de Game of Thrones

O caminho até à tão procurada ponte faz-se pelo meio dos campos onde a terra termina num penhasco, ligado a uma pequena ilha por uma ponte suspensa a baloiçar, com 20 metros de comprimento, que se ergue a 25 m. acima do nível do mar. Para a percorrer pagam-se 9 £ (o bilhete compra-se à entrada do parque de estacionamento, por isso, se chegar à ponte e não tiver coragem… demasiado tarde!).











A ponte é (ou era) retirada no inverno e está lá por arte e engenho de pescadores que a colocavam para ter acesso à pequena ilha, onde desciam ao mar (está lá a cabana e o barco) para pescar salmão.



Para matar a curiosidade do lema referente a Guerra dos tronos, tínhamos de seguir o caminho até à misteriosa estrada Dark Edges, local onde os braços das árvores formam um túnel misterioso. Para-se um pouco antes, para que se possa percorrer a pé, até porque o trânsito automóvel é proibido.
É claro que estaria repleta de turistas… o primeiro disparo da objetiva conseguiu a longa avenida e o túnel de ramos, no segundo já havia cabeças, no terceiro troncos e dezenas de corpos andantes. Seriam “caminhantes brancos”?






Sãos e salvos chegámos a Belfast, tendo como lar uma simpática e colorida vivenda vitoriana.




À noite, aproveitámos o facto de termos carro para dar uma espreitadela a um dos ícones da cidade, o Titanic Museum, uma estrutura de aparência naval, erguida no local dos estaleiros onde foi construído o lendário navio.


Titanic Museum 

Tempo para percorrer a pé alguns locais, e encontrar as famosas “Entries”, ruelas estreitas onde ficam os pubs; Albert Memorial Clock Tower, uma versão miniatura do Big Ben, em Londres; o Big Fish, escultura icónica da cidade e muitos murais artísticos.



The Big Fish ou The Salmon of Knowledge


 O dia seguinte seria o momento de vermos outro tipo de murais, penetrando na versão política de Belfast, uma lição que nos tocaria fortemente.