terça-feira, 19 de outubro de 2010

Um salto até à Arrábida

Subtítulo: Mesmo sem fotografias (http://viajantedecasaascostas.blogspot.com/2010/08/desventuras-em-autocaravana-i.html)

vejamos quem nos lê...


Para quem vive no interior, a sul do Tejo, ou até mesmo na capital colado ao dito rio, a Serra da Arrábida é uma excelente alternativa por dois motivos óbvios. Para os primeiros, a possibilidade de matarem saudades do mar; para os segundos a hipótese de relaxarem da metrópole poluída e stressante. Não será só assim, claro: para qualquer um dos dois, ou para qualquer português do Norte ao Sul do país, Arrábida é sinónimo de mar, descanso e ainda , óbvio!, serra, belíssimo cenário natural, boa gastronomia (peixe fresco !!!) e até alternativas culturais , físicas, ambientais e muitas mais...
O que nós queríamos mesmo era descansar e ver o mar, o que fizemos com sucesso , depois, ainda enchemos o saco de outras das referidas alternativas, assim, sem as procurar, ao sabor do momento.
Aconselhamos, então, alguns pontos estratégicos:
Setúbal, às portas da Serra, cidade que pode ser o meio termo entre a confusão da cidade e a pacatez do campo. Nós optámos por lá pernoitar em AC, depois de jantarmos com uns amigos em Azeitão e depois de darmos de caras com o portão fechado da nova Área de Serviço para AC , no Parque Natural de Alambre. Em Setúbal, na zona das docas, de frente para o rio e para a iluminada Troia, apesar do espaço ser acanhado, lá pernoitámos sossegadamente numa ruela a caminho da pescaria nocturna de muitos carros com seus pescadores. Atingido o primeiro objectivo (mais de 10 horas de sono!!!), ainda tivemos tempo de dar um passeio rápido pela metrópole de Setúbal, um centro antigo restaurado, arejado e com vida. O Bocage, ou Elamano Sadino de pseudónimo, é ali sempre homenageado (soubera ele e voltava à praça natal...) em cada esquina, loja ou pastelaria.
Outro ponto ideal para este início outonal é a praia da Figueirinha: sol, pescadores, e amantes de banhos de sol meio vestidos , meio arregaçados, e ainda a possibilidade de percorrer o long braço de areia (ou seria o caminho das pedras do JC?)até à ilhota no meio das águas. Essas são limpas, translúcidas , só faltam mesmo os corais. Do outro lado, o verde, arriba acima.
Subir a serra é outro atractivo. Galápos, pequena praia só mesmo descendo a pé; ou Portinho (de autocaravana ainda nunca nos aventurámos), são mais dois pontos naturais a não perder!!!
Para quem prefira entrar mais para o interior, não fica a perder com algumas vilas de Azeitaõ, como Vila Nogueira, uma simpática vila, com muito por onde escolher, nem que seja o sossego bem arquitectado.
Nós optámos por Sesimbra, mas acábamos por mal a conhecer, fomos até ao fim da linha, escandalizámo-nos com o preço das ameijoas e com um campinho atarracado onde 6 ou 7 AC acampavam ao som dos acordeãos. Mais uma vez ficámos sem pisar Sesimbra , para irmos pasmar na praia da Bica, ali, paredes meias com o Meco. Atenção! O “pasmar” implicou : contemplar a imensa paisagem, sestar, ler, e até estudar! Tudo actividades nobres e rentáveis, nada de tédio e inércia perniciosas...
O escuro caiu, e, de repente, acordámos da pasmaceira boa e apeteceu-nos algo mais animado. De comum acordo, e porque são estas as boas partidas que a vida em AC nos proporciona, deixámos a Serra e passámos para o outro lado do rio. Onde foram eles, dirão vocês? Apesar de repetido e nas antípodas das Bicas, o rumo foi até Belém, para o “nosso Quintal”, ali mesmo ao lado do rio, com a benesse de podermos acordar de manhã ouvindo gaivotas, vendo veleiros e saboreando pastéis de Belém.
Na manhã de domingo acordámos , entretanto, com sirenes e apitos. No outro lado da movimentada estrada, mesmo ali na residência cor-de-rosa , assistia -se ao render da guarda, com a ”fanfarra”, turistas e tudo. Era o 3º domingo do mês, ao que parece o dia aprazado para tal cerimónia. Qual costume monárquico, Portugal também se veste de cabeleiras louras, trajes militares, música da banda e cavalaria. E assim se gastam os dinheiros dos contribuintes, para embelezar a imagem da Presidência, enfim, do país solarengo e europeu, de brandos e belos costumes. Toque a banda!
E já que estávamos numa de República , que tal um salto ao Museu da electricidade, para ver o último dia da exposição “Os carros dos Presidentes”? O subtítulo da dita “O motor da Républica” só se lia literalmente, lá dentro, entre Porches, limousines, Mercedes, Citroen e BMW (mais ou menos por esta ordem), relembravam-se os caminhos por onde circularam os grandes da Nação, desde o Estado Novo aparatoso à actualidade mais modesta (só BMW, coitadinhos!). Se pensarmos que a marca alemã se multiplica por ministros, secretários, directores e chefinhos concluímos que o “motor” é afinal o motor gastador!
Estava na hora de pôr outro motor a trabalhar: o do regresso, mas com a barriga cheia de descanso, sol, mar e até de pastéis e presidentes de Belém. Como os pastéis , soube a pouco...

3 comentários:

Maria Melo disse...

Olá, Paula:
Como vê há sempre alguém que lê o que escreve, por ser interessante o que descreve e a forma como o faz. Desta forma consigo também passear com os companheiros que escrevem. Também eu gostei de estar em Belém num terceiro domingo (de Setembro), em que aquela zona se enche de gente, de movimento e de alegria e nós comemos os pastéis de nata.
Estas pequenas saídas ajudam-nos a encarar melhor a semana que se apresenta.
Neste momento as viagens têm sido reduzidas, mas acredito que havemos de voltar aos tempos de antigamente.
O meu blog é: euviajoemautocaravana.blogspot.com.
Boas viagens de casa às costas.
Saudações autocaravanistas,
Maria Melo

Decarvalho disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Paula Vidigal disse...

Ainda bem que a falta de imagens ,não foi impedimento para a leitura, Maria.

Já fui ao seu blogue, espero por mais relatos, mas para isso são precisas viagens, claro. Força com elas, nem que se coma só pão!