Dia 14
Infelizmente, depois do concerto,
a noite no parque San Giuliano foi recheada de barulhos, pelo que, quase sem
pregar olho, levantámo- nos para o novo dia que seria repleto e longo de emoções . Desde logo porque revisitaríamos
Veneza, uma das cidades mais belas do mundo, tenho sempre que dizer isto,
apesar de conhecer uma parte ínfima deste nosso planeta, e depois porque o 4º
membro da família se nos juntaria.
Saímos, pois, de Mestre e
dirigimo-nos ao parque Tronchetto, no cais de Veneza.
As primeiras doze horas 21 €
seguidas de mais 10€ nas restantes, mesmo assim creio que para 4 pessoas foi a
opção menos dispendiosa…
Deixámo-nos conduzir pelo GPS
interior e pelo mapa Ezzio Audittore alojado no cérebro do nosso guia mais
jovem e percorremos Veneza pela manhã assistindo à labuta diária e às pequenas
e grandes curiosidades de uma terra única, para depois do almoço partirmos à
descoberta de um outro cenário idílico e sui
generis.
Engarrafamentos do dia a dia

Quem não gostaria de ter uma campainha assim?
E se a roupa cai?
Suspiros, claro!...
O novo cenário foi Burano (não
confundir com Murano, a ilha onde se fabrica o famoso vidro) é a terra das
cores e dos bordados feitos à mão, por laboriosas e ancestrais senhoras, hoje vendidos
em qualquer ali e noutros países como se dali não fossem originários.
Ao longo do caminho, no seio de
muitos turistas, no convés do barco, fomo-nos deleitando com a vida animada da
grande lagoa, cheia de sinais de trânsito e de movimento. Primeiro, o
cemitério, depois mais umas quantas ilhotas, Murano, e, finalmente a explosão
de cores!
Cemitério ao fundo
Burano , cais
Assim que entrámos, pensei de
imediato que Burano podia ser geminada com a Afurada do Porto. Não pelos canais,
pontes e casas coloridas, mas pelo asseio tão típico e genuíno de ambas. A roupa estendida num estendal de pau,
baloiçando ao vento por entre milhares de turistas (falta , felizmente, esta
parte à Afurada), o balde e a esfregona à porta de casa a dizer “aqui primamos
pela limpeza!”.
O que apetece fazer? Fotografar ,
guardar na retina, ficar… numa relva simpática, por exemplo, a ver sair e
chegar os barcos, a ver os locais descansar nos seus pequenos quintais, a
entrar nos seus barquinhos talvez para uma mergulho no Lido, a única praia
próxima , porque o calor, naquele 1º de Agosto apertava.
Bebemos litros de água na fonte,
deliciámo-nos na praça da igreja matriz como uma estranha música vinda de um
estranho instrumento e girámos, girámos pelo arco íris das fachadas , portas e
janelas.
Estava na hora de regressar a
Veneza, pelo caminho inverso chegámos a S. Marcos, para reacender a memória de
tanta luz , glória e riqueza e descansar a olhar para as gondolas e os seus
divertidos ocupantes.
Estava na hora de dar um salto
até à estação de comboios receber e matar saudades do nosso viajante de avião /
comboio que atravessou a Península Ibérica, França e chegou num ápice a Veneza
sem ter passado pelos nossos quilómetros de treze dias… mas sem vir de alma
cheia de quem viaja e recolhe pedaços de riquezas, aqui e ali…
Quatro , em vez de três,
revisitámos os ex libris venezianos,
praça de S. Marcos, o seu leão , a sua imponente Duomo, os seus cafés elegantes
(ah, o Florian !…), que à noite, se animam de música ao vivo, e os parvos dos lazers verdes e vermelhos, vendidos e
comprados, a riscar o chão e as paredes centenárias.
Quantos quilómetros fizemos a pé?
Pois , em Veneza , sem gondola própria, os quilómetros percorridos são sempre a
triplicar relativamente àquilo que pensamos inicialmente.
Chegados ao parque do Tronchetto (
N 45.43926 E 12. 30431) foi abrir janelas e apanhar o barco do sono o mais
depressa que se conseguiu. No dia seguinte seria dia de iniciar a 2ª etapa da
viagem
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