sábado, 6 de março de 2010

E o Porto aqui tão perto...





Regressados de Espanha em Agosto (Astúrias- Galiza), a entrada em Portugal é, regra geral, pretexto para visitar os amigos do Norte. Desta vez, um dos pontos de paragem era obrigatoriamente a “Invicta”.
Mas antes disso, para recuperar forças e temperar os calores, porque numa AC cada itinerário pode ser alterado ou complementado, o desvio foi até uma praia fluvial logo ali à mão de semear da fronteira. Já há muito tempo atrás, em 1994, Vila Nova de Cerveira tinha sido reino de férias ainda longe de sonharmos com a vida autocaravanista, já nesse tempo a dita praia estava lá, mas por qualquer raciocínio mais incauto ou por falta dele, tinha-nos escapado. Agora ali estava a praia da Lenta, fresca, apetecível e com um número sofrível de veraneantes.





Depois do bar relaxante e bem decorado, havia um “acampamento” de Vans, mas nós ficámos logo à entrada, na zona de pic-nic. Uma AC espanhola já lá estava. Ali pernoitámos também (N41º57’31.0’’ W008º 44’46,2’’), depois de um banho refrescante e de outro de sol. Durante a noite, mais ao fundo, soava alegre um acampamento de tendas. Ao acordar, descobrimos que se tratava do Encontro anual da família Brandão, a restante família chegou no autocarro da RN, os primeiros a chegar haviam adiantado as brasas para as febras. Estávamos, enfim, em Portugal, olaré!




Só depois deste preâmbulo voámos rumo à Invicta, aqui tão perto mas poucas vezes referida nestas páginas viajantes. E merece-as, aliás, o que mereceu mesmo a nossa atenção foi a travessia para o outro lado do rio até à Afurada, um território parado no tempo, para o qual nos empurraram, em boa hora, as manas C. e F.



Ao longo do rio: entre o Porto e a Afurada












Aqui fica a dica:
Depois de um percurso pedreste desde o Passeio dos Alegres até ao cais, é só apanhar o barquito e deixar que nos levem para olharmos, atónitos, para a aldeia da roupa branca, ali tão perto e tão longínqua no tempo.
No lavadouro municipal, decerto dos poucos a funcionar neste país solarengo, as mulheres lavavam a roupa com a conversa cantada do dia-a-dia, enquanto o sabão azul borbulhava e pintava de fresco os trapos. Lá fora, debaixo do sol, a roupa esvoaçava a céu aberto e a mãos alheias.








Na Afurada o tempo parou. Cada porta, portado ou passeio brilha e rebrilha de limpeza, a vassoura estacionada num breve descanso. As portas abertas, a chave no trinco, “seja bem-vindos, mas limpe os pés no capacho”…
As tasquinhas também apeteciam, mas era Agosto e a oferta escasseava.





(Não experimentámos, mas tinha cara de um sítio para a pernoita)






Despedimo-nos, não sem antes olharmos com nostalgia o “Aniki-Bobó” da criançada que mergulhava nas águas do Douro com as mães a gritar lá longe, a chamar para a janta.








A nossa janta também chamava, a barriga a dar horas. Entre ruelas, ruas e becos lá penetrámos na castiça Foz.











“Lá vai Água”, parecem dizer as estreitas ruas, mas não, o que rolou foi o vinho caseiro, acompanhado de belas iscas, trouxas e papa de serrabulho nos “Carteiristas”, uma tasca a ir e a recomendar.







Perto ou longe, o Porto (e a Afurada!) merecem!







2 comentários:

Vagamundos disse...

E que belo passeio que fizeram pela Invicta! Bem sugestivo!
Bjs

Paula Vidigal disse...

Ainda bem que gostaram, pena não terem provado as iguarias ...por aí bem falta que fazem umas papas de serrabulho, né?:)