Dia 18
Tantos quilómetros para chegarmos
à Croácia e, repentinamente, num abrir e fechar de olhos, passa-se a Eslovénia e
já lá estamos. Os campos não assinalaram diferença, nem as estradas, nem a
língua, nem os sinais de trânsito.
Só notámos no pagamento da
autoestrada (porque na Eslovénia um selo chega para andar à vontade por todas
as autoestradas e na Croácia o pagamento é como em Portugal, com a agravante de
ainda não termos kunas, aceitarem euros para depois ficarem com o troco…).
Zagreb era ponto de passagem e, como capital do país e porque somos curiosos, merecia
uma visita. De poucas horas, pois o GPS e as vicissitudes não nos permitiram
mais tempo. Em primeiro lugar o GPS não estava ainda configurado para o novo país
(esquecimento nosso) e demorámos a encontrar o Autocamping Plitvice ( este
conceito de autocamp é algo croata,
cuja indicação já trazíamos de casa e que se veio a concretizar ao longo da
viagem. São campings mais baratos do que os outros que possuem estrelas. Alguns
num estilo bem familiar numa quinta ou terreno privado. Ao longo da viagem
desenvolverei o assunto). Este, na periferia de Zagreb, era em tudo um camping
com wc e as comodidades higiénicas habituais e ainda um motel ( N 45´46 25 E 15 52 40). Ficava longe da primeira paragem
de autocarro para o centro e, vicissitude nº 2, naquele dia era feriado, pelo
que tivemos de andar a pé até à localidade mais próxima ( Locko) porque nem
todos os autocarros circulavam.
Antes, porém, de chegarmos ao camping, ainda experimentámos estacionar
mais perto do centro e, de facto, as ruas estavam desertas, pelo que desconfiámos
logo que seria dia santo ( era Dia da ação de graças, 5 de agosto), mas sem
termos a certeza de segurança, optámos pelo camping,
até porque para pernoitar não seria muito indicado fazê-lo num quarteirão qualquer
do centro da capital.
O sistema de transportes em
Zagreb é variado, prático e moderno: autocarros até à central vindos dos bairros
e lugarejos periféricos e, já no centro, um comboio ou metro à superfície. No entanto
devido a ser feriado e a uma obra no
centro da cidade, tivemos de mudar em várias linhas , tirar dúvidas ( logo ali
nos demos conta que falar em inglês nem sempre resulta porque só alguns o fazem;
nem todos os jovens , por exemplo, sabiam falar inglês…), pelo que , chegámos
ao centro perto das 16.30.
Logo à entrada sobressaem os
grandes e numerosos museus que proliferam na capital croata. Tudo encerrado.
Com o par de horas que tínhamos pela frente também não podia era o dia
propício. Ficámo-nos pois pelo centro , andando um pouco às cegas, sem guia
oral ou escrito, seguindo as setas e a intuição.
A
primeira grande praça (Tag) e o ponto de encontro da cidade é a Bana Jelaica.
Sem especial beleza, alberga uma mistura arquitetónica de edifícios e uma
estátua de imperador ao centro.
Praça Bana Jelaica
Dela
parte-se para a procura da catedral, visível ao longe devido às suas duas
magníficas torres brancas e pontiagudas. É a catedral de Santo Estevão no seio
de um largo simpático e sossegado. Estávamos na chamada Donji Garda, ou seja, a
parte baixa da cidade.
Foi aí que, mesmo sem guia, depressa nos encontrámos na rua
mais caraterística, simpática e animada da cidade: a Tkalciceva, a rua dos
bares, esplanadas, lojas de artesanato e galerias. Antes disso, ainda o teatro,
em cartaz o velho e polémico Brecht (ainda vozes comunistas ? ) ; num recanto
de uma rua estreita, o bar Tolkien. Foi, no entanto, na rua dos bares que
assentámos praça para travar conhecimento com as pivo croatas (cerveja!!!) e o milho assado e crocante…

Começando
a subir, depois de passarmos por S. Jorge e o dragão, (uma subida pacífica)
fica a Gornji Grad, a cidade alta. Entre uma e outra, resta ainda a porta de
Pedra, centro de peregrinação sagrado, onde se encontra um altar, assim quase no
meio da rua, estranho e silencioso. A reverência ao local era grave, só mais
tarde soubemos que a imagem da Virgem que ali se encontrava surgiu como que por
milagre depois de toda a cidade ter sido basicamente consumida por um incêndio
no séc. XVIII.
A partir dali estamos na parte
medieval da cidade, na qual se destaca a igreja de S. Marcos, ícone da cidade
devido ao telhado invulgar e colorido da mesma. No seu centro, o brasão de
armas da Croácia. A paisagem lá em baixo, vista de alguns terraços é fotogénica,
o jardim que liga a parte alta à baixa tinha o seu ar natalício, o que em pleno
agosto não deixava de ser curioso.
Chegamos depois, já em baixo, à
rua das montas, a Ilica, igual ou idêntica a muitas outras cidades europeias,
fechadas ao comércio naquele dia e uma ou outra praça com turistas, consumindo.
Afinal, o par de horas de que dispúnhamos
parece que foi suficiente; uma visita relâmpago a uma cidade que não é
fascinante, mas ainda assim com algum encanto. Provavelmente porque o ambiente
naquele dia também seria demasiado pacato …
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