sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ano Novo, passas, brindes e etiquetas






Acabei o ano cansada e com pouco ânimo e comecei o ano com pouco ânimo e a cansar-me.
Desde adolescente que não percebo o porquê de tanta excitração com a passagem de ano, mas desde a adolescência que caio sempre no mesmo erro de tentar participar da excitação… sem sucesso. Invariavelmente acabo ou começo com dores de cabeça e com a sensação que tudo não passa de um sopro precário e efémero e que a vida é uma interminável e funda repetição.
Este ano ainda tentei variar, começando por uma visita aos amigos de sempre da Figueira da Foz, desta vez sem ceias, listas de compras, idas ao supermercado, menus mais ou menos originais, comida a sobrar e, no fim de tudo, a mesma sensação efémera de sempre.
Depois da corridinha à cidade que foi assistindo ao desenrolar inconsciente e longínquo da minha 1ª fase adulta, depois de uma noite (certamente uma das piores do final de 2009) tempestuosa e ventosa no Parque das Gaivotas, a pensar que com elas voaria, fica a imagem das ditas cujas a eternizar o momento.






Depois dessa noite, lá fomos na peugada de uma noite de passagem de ano diferente e menos apegada à tradição dos menus, dos amigos, dos laços fraternos. Desta vez seria a impessoalidade, o anonimato, o menos previsto e planeado.
Mas escusava de ser tanto. Lá no fundo no fundo há sempre um plano, e este até era simples: uma jantarada “banal” na Portugália, logo ali ao lado do local de pernoita, seguida de um espectáculo ao vivo com foguetes alfacinhas, no seio do anonimato e dos desconhecidos. E os planos furaram-se: primeiro, os Xutos transformar-se-iam em GNR (coitado do Zé Pedro que não fez de propósito); depois a Portugália só abria portas a reservas (coitados de nós , porque ao telefone a informação foi diferente da realidade, logo a má vontade e falta de profissionalismo foi a, mal dizer, propositada), e finalmente, o anonimato terminou ao lado de velhos conhecidos lá da santa terrinha, o que, até se revelou agradável , imprevisto e divertido.
Portanto, se queríamos imprevistos e diferenças, os primeiros dois factores ajudaram à festa: uma corrida (de táxi) à procura e um restaurante em Belém e Docas quase sem sucesso e com a barriga a dar horas, o que me fez pensar, mais uma vez, como tudo é tão artificial e estúpido nesta noite do ano… tem de ser tudo com balões e ementas caras e um cardápio gigante só porque um ano acaba e outro começa? Tudo por causa de uma data, um número a menos e outro a mais no calendário? Não se come todas as npoites? Ao que parece, nesta quase que não comíamos. Por fim, lá conseguimos lugar num pub “irlandês”, onde duas almas e meia, por uns bifes calóricos e mal condimentados, pagaram o equivalente a três refeições de um dia normal.
Lá fora avolumavam-se filas e engarrafamentos, tudo confluía para as festas no exterior, com copos e garrafas de champagne –e essa é outra – por que razão saudamos um ano, um conjunto de dias que na maior parte das vezes é uma mera continuação dos anteriores? Pronto, está bem, dir-me-ão que temos de manter acesa a esperança, mas visto de fora, tanto sorriso, euforia, gritaria, beijos e efusões, soam a falso alarme, assim como o raio da rolha do espumante que é nada, apenas barulho.
Felizmente a música pode ser um bom balsâmico ou tónico, ou tudo, a música é mesmo tudo. Quando é boa, como foi o caso de reviver os Beatles. Já o mesmo não acontece quando se ouve GNR, no meu ponto de vista, claro, ou seja, nos meus ouvidos.






“Bom ano”, diz-se, parece bem, mas é só uma frase, porque só passou um segundo e ele só agora nasceu, faltam ainda muitas noites, muitos dias até se repetir toda a cantoria. E naquele momento todos acham que vai ser diferente, todos querem e esperam melhores dias. Para isso comem passas, pedem desejos (às passas?), inauguram no primeiro dia do ano, uma nova peça de roupa.





Daí a umas horas, com a etiqueta de fora, percorrem a mesma estrada e nada sabe a novo, foi só um sopro…
Afinal o dia continua quer se brinde ou não, quer se gaste muito ou pouco, quer se durma com as doze badaladas quer não se pregue olho.






Caramba, acabei cansada e já comecei cansada, pudera! Foi só um número no calendário que mudou.
Em todo o caso diz-se e sabe bem ouvir, por isso também desejo, felicito , escrevo: “Bom Ano a todos!”
E já agora, mesmo sem ter comido passas, formulo o meu desejo : que o rio e a visita ao mar no 1º dia do ano seja um bom presságio para um bom 2010 a viajar…




1 comentário:

Vagamundos disse...

Feliz 2010 cheio de viagens. Começar o ano a passear promete :)
Bjs