quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Breve sumário da História de Lisboa (em azulejos e outras marcas que tais)





O mote foi o “Breve Sumário da História de Deus”, pelo TNSJ, do Porto (pois então!), no cartaz e palco do TND. Maria II, em Lisboa, como não podia deixar de ser.
Apesar da curta duração da viagem (menos de 24 horas), o mote deu pano para mangas.
Primeiro: estacionamento na nossa “quinta” à beira- rio (frente à residência cor-de-rosa do Presidente de todos nós - salvo seja!).




Logo, logo, um segundo pequeno-almoço saborearando os pastéis mais lisboetas de sempre.



Pastelaria "Belém"




Dali, um salto sobre as rodas de um moderno eléctrico até à Praça da Figueira, para calcorrear ruas e avenidas.
Logo uns metros mais à fentre um testemunho terrífico e agreste do passado: a igreja de S. Domingos, lateral ao Teatro Nacional.
Os destroços do interior, qual cenário dantesco, reportam a um imenso incêndio, em 1954.
Antes disso, no célebre terramoto de 1755, já a igreja tinha desabado.
A estes relatos de catástrofes naturais, associam-se ainda outros menos natura pela mão da Santa Inquisição, como autos-de – fé , onde milhares de judeus foram chacinados. Reza a história que na praça em frente da Igreja,em 1506, centenas de judeus foram queimados por causa de quatro deles que tiveram a ousadia de afirmar que um certo raio de luz, ao incidir na custódia da Igreja, teria sido fruto de fenómenos científicos e pragmaticamente explicáveis e não de um milagre. Por causa dessas blasfémias (note-se: de quatro alminhas!), milhares foram perseguidos e queimados. A homenagem ainda lá está, no dito largo .





A marca está lá e, felizmente, para amenizar o cenário e as recordaçõe s dantescas, outras marcas suavizam as mágoas…








Ainda antes do almoço, nem a propósito, a fábrica que está na origem de muitas destas imagens…










Para ganhar calorias, digo, energias, nada como um almoço num outro marco histórico da “azulejaria” lisboeta: a Portugália, outrora sede da fábrica Germânia, antes ainda cerveja Imperial. Influência germânica, num edificio Estado Novo.









Sala de refeições




A bica, essa, toma-se depois do passeio digestivo, já mais abaixo, no Hard Rock lisboeta, um marco actual de cultura e lazer, um café quase museu…

Hard Rock café




E depois há outros museus fora do tempo como a Casa do Alentejo. No rés-do-chão ecos mouriscos, mas, subindo ao 1º andar mergulha-se no estado d’alma alentejano.




rés-do-chão


Consulta-se o cardápio e apetece ficar, miram-se os azulejos e tudo respira a planície húmida e cantada. No palco , ilusoriamente assente sobre uma “mesa”, apetece representar, nas cadeiras apetece descansar, nos sofás apetece uma sesta…



Sonhando com Inês de Castro...



Sala de refeições de motivos alentejanos


o bar genuinamente alentejano




Mais uns passos e está-se no Chiado, mais uma memória de outro incêndio, porém renovada, cosmopolita, arejada.
Para jantar, nada como outra memória do passado: café Gelo, por cujas paredes espreitam surrealistas e republicanos. Daqui partiu Manuel Buiça, a fim de cometer o atentado contra a família real. Aqui se juntavam intelectuais, como Fernando Pessoa e depois Mário Cesariny, entre outros.
Ao serão realiza-se o mote e as voltas terminam. É tempo de revisitar Gil Vicente, no seu (do TNSJ) “Breve Sumário da História de Deus”. Uma preciosa encenação de Nuno Carinhas, com um elenco que faz do texto e das personagens bíblicascas uma partituta na qual as palavras tocam límpidas e melodiosas.




Fecha-se o sumário deslizando no amarelo até à quinta, para dormir com Diabos vicentinos em anjos de sono transformados.



Não foi neste eléctrico, mas num idêntico





Ao acordar, o rio, o sol tímido, as pessoas domingueiras em ténis, sapatilhas, fitness e biclas.
Foi um breve passeio transformado em breve sumário!





6 comentários:

Vagamundos disse...

Belo mote para um belo passeio. Gostamos muito de passear por lugares tão familiares e que tantas saudades nos trazem.
Bjs

Barcelona Expedition disse...

Adoro Lisboa, é linda, lindissima...
como ja cantava o fado.."cheira bem, cheira a lisboa, cheira bem...."

grande post, até breve,

deisoca disse...

Adoraria conhecer Portugal! Um dia, um dia!

Antonio e Ellen disse...

Acho que voce capiturou muito bem Lisboa. Adorei... e as fotos então estão um show.
Parabens, adorei

Paula Vidigal disse...

Caros Vagabundos:

Para vocês não é novidade, é só um matar de saudades, né? Ainda bem que se reviram nas minhas palavras e fotos.


Barcelona, obrigada pelo elogio, também continuo a "rever" Barcelona nas vossas memórias.

desoica

Pois para quem tanto tem percorrido o mundo, não há-de ser muito dificil arranjar um "tempinho" para vir até POrtugal... força!


Antonio e Ellen

De Lisboa foi só um cheirinho, porque, aliás, conheço mal a cidade, o meu reino foi sempre muito distante da capital, mas ando a tentar ligar-me mais...

"apareçam" sempre

bjs

Paula

Jose Maria Barros disse...

Tivemos a felicidade de conhecer a belíssima Lisboa em 2012; estamos com muita vontade de voltar!