
Agora, depois de ouvir o Vitorino
na televisão a falar dos seus burros e da tradição dos almocreves da sua terra
– Redondo – voltei a recordar-me dele quando entrei no Redondo para visitar o
Museu do Barro. Lá estava o burro – não de carne e osso nem de barro, nem do
Vitorino; lá estava o almocreve, lá estavam as louças a relembrar o passado tão
longínquo de super e hipermercados, da massificação do plástico, do cartão, do
papel…
(Até no Museu , sobressai o caráter utilitário do barro...)
O recente museu foi inaugurado em
2009 num antigo Convento (num espaço envolvente bem atrativo) e oferece aos
visitantes alguns exemplares da olaria redondense, bem como um pouco da
história da terra, carregada de barreiros, de gente que trabalhava e chafurdava
na terra (para chegar ao barro acho que é mesmo o termo mais adequado) para a amassar
e extrair do seu pó, a ajuda para o dia a dia, fosse ela utilitária fosse de
caráter mais estético e ornamental. O certo é que dela (da terra) muitos
tiravam o sustento para a boca.

Como sobrevivem ainda hoje as
olarias é que é um mistério (sabe Deus certamente)?! Contudo, ali, debaixo do
calor tórrido deste inusitado Outubro, contei em poucas ruas mais de cinco,
nada comparado com as mais de trinta de outros tempos, pois claro, mas então,
os tempos mudam e, sob o sol bateu-me forte, qual visão futurista, o Vitorino
montado nos seus burros, vendendo loiça e água-mel em tom de rouxinol “repenica
o cante”.
(Para os autocaravanistas: o
passeio foi tão breve e tão sem casa às costas que não tive tempo de indagar
sobre locais de pernoita. Oficial e adequado claro que não há nenhum, mas
qualquer rua mais sossegada ou largo não verá obstáculos à coisa. Afinal, se o
burro carregava a casa e era respeitado, por que não ser-se simpático com os
autocaravanistas na vila redondense?)....
Até porque a vila do Redondo é também outra(s) estória(s):
Sem comentários:
Enviar um comentário