segunda-feira, 26 de abril de 2010

Dia 5 – Outros olhares sobre Marrocos


O caminho não era o melhor, mas era nossa intenção aproximarmo-nos um bocadito do Médio Atlas, desde Fez até às cascatas de Ouzoud, já depois de Beni Mellal e perto de Marraquexe. Ambição hiperbólica, como viríamos depois a constatar.
Antes de tudo a passagem por um outro olhar sobre Marrocos, a chamada “Chamonix” marroquina.
Depois da montanha aldeã, das barragens, e das mantas de verde, agora o cenário é outro.
Para quem já viu estâncias de ski, Ifrane não transcende nada, mas para quem não espera pinheiros, telhados inclinados, ruas pavimentadas e sinais de neve em Marrocos ( a neve imaginá-mo-la), Ifrane é sui generis .

Assim, parámos, demos de caras com uma corrida de ciclistas à europeia com banda e tudo e almoçámos “em casa”. Carne de vaca estufada com massa à portuguesa. Era um domingo, os marroquinos veraneavam, com ar cosmopolita, na estância de Inverno, nada mais havia a fazer, prosseguimos viagem.















Duas horas, três e a estrada é infindável, sempre o asfalto sem margens cuidadas, o cuidado com os excessos de velocidade, a polícia, os adeuses das crianças, quatro horas...









não esquecer que anoitece cedo e não se aconselha a estrada, e trás!, quando a meta parecia não ser mera miragem, algures perto de Afourer, em plena estrada nacional, outro olhar sobre Marrocos. Não tão grave como em Babel, mas a roçar a mesma criancice que pode ter final trágico. Ao cruzarmo-nos com um autocarro , alguém do seu interior atira um objecto não identificado que nos bate com toda a força no vidro e TRÁS!, duas mossas , vidro partido, vidro a estalar por ali abaixo.







Parámos uns metros depois , queixámo-nos à polícia que concluiu nada poder fazer, não vimos quem foi, eles até mandavam parar o autocarro , mas não havia provas concretas, enfim, o vidro não se estilhaçará, se acontecer não há vidros destes em Marrocos, boa viagem, para onde vão, o melhor é estacionarem no Hotel Tazarkount, já aqui ao lado em Afourer, subir até às cascatas não é agora o mais aconselhável, anoitece, as curvas, enfim... seguimos o conselho das autoridades, para mais uma aventura, desta vez num Hotel. O parque de estacionamento era banal , mas o Hotel de 4 estrelas, tivemos de pedir autorização e como sempre negociar, 200 dihrams por cada carro, ou então um jantar no Hotel... regatear para a esquerda, choradinho para a direita, telefonema para o gerente, vá lá, 150 pela noite.
Entre cervejas (portuguesas!), acajus, chouriços , pão e queijo lá afogámos as mágoas, creio que a visita da bruxa já passou, um dia escreverei sobre ela, que em cada viagem faz pelo menos uma visita.




2 comentários:

Vagamundos disse...

Estamos a gostar muito dos relatos da vossa aventura por terras marroquinas!

Paula Vidigal disse...

Obrigada, :)

aproveitem agora que acabei de escrever sobre o dia 6...

divirtam-se

bjs