quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Revisitar Alsácia

Dia 5
30 julho



 A Alsácia é uma pequena fatia no mapa de França, colada à fronteira alemã, possuindo tanto de um país como de outro, sendo no entanto uma região única. Foi povoada ao longo dos séculos por germânicos, Luís XIV anexou-a à França, passou para as mãos alemãs aquando da Alemanha Nazi e voltou a ser francesa depois da 2ª Guerra Mundial. A influência germânica é notória no nome das suas vilas e cidades, também a arquitetura é uma mistura curiosa das duas nações; a singularidade e personalidade da Alsácia são porem únicas, tornando-a numa região sem par no extenso mapa francês.


A sua singularidade nasce ainda da sua paisagem:  os vales e extensas vinhas (não se esqueçam de provar um Riesling),  campos verdes a perder de vista; a sua gastronomia, (juntem ao vinho a famosa tarte flambée), o vinho (o tal, por exemplo) e a cerveja (qualquer uma); a sua arquitetura espelhada nos magníficos castelos e ,obviamente, nas aldeias típicas com o seu desenho e pormenores de madeira (as colombages) .
A ela finalmente chegámos, sendo que muitos dos sítios visitados não seriam novidade, em  2006   já lá havíamos estado, revisitar a Alsácia era ponto assente desde a primeira vez.
Iniciámos pela pequena e invulgar Eguisheim. Digo invulgar porque a sua forma é elíptica em torno de uma praça central e com uma dupla fortificação . Entre as duas muralhas foram edificadas as dependências agrícolas, prédios anexos que constituem uma nova rua, periférica, chamada “Allmend”. Iniciámos a rota aqui:



Mesmo sem nos darmos conta fazemos a ronda, para chegar ao mesmo ponto: aqui.


Outro atrativo da vila é a paleta cromática das suas casas, apesar desta ser uma nota das últimas décadas: cores alegres , vivas, sempre diferentes.


A estrutura de madeira é outro ponto atraente que torna as colombages medievais únicas e especiais.


Olhando com atenção as fachadas descobrem-se ainda brasões da família e epígrafes, sobretudo na estrutura de madeira. Indicam muitas vezes a data de construção das casas e as iniciais de  quem ali vivia. (IHS significa Jesus Hominum Salvador, uma espécie de pedido de proteção àquela casa).


Na praça central (Place du Chateau), o Castelo. Supõe-se que na época romana existia já uma construção defensiva sobre um montículo de terra. No séc. VIII, nesse mesmo local, existiu uma residência, pertencente a um rico proprietário chamado “Egino” que provavelmente deu o nome à vila. Mais tarde, no séc. XIX, ergueu-se no centro da praça uma capela dedicada a Bruno de Eguisheim, posteriormente nomeado Papa Leão IX. Uma fonte com a sua estátua imortaliza-o ma mesma praça.



Capela, muralha e fonte (com Papa)



interior da capela


Dizer que a vila apresenta algo de menos bonito é difícil, a calçada, as ruelas, as casas , as flores...








...o artesanato local, o cheirinho a tarte flambée,o bretzel, o som de castanholas das cegonhas… ainda não tinha falado das cegonhas? Outro ex-libris da Alsácia, a cegonha branca, com o seu longo bico vermelho, a sua altura considerável, voando pelos céus das vilas e cidades, morando nos telhados de casas e igrejas… e ainda nos pequenos pormenores.




Para dormir, o parque de estacionamento gratuito, antigo campo de basquetebol, na zona desportiva ( N 48º 2´36.96  E 7º 18´46.296  ), obviamente sem luz nem água, mas sossegado e perto do centro. É bom estar na Alsácia!



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