Subtítulo: Mesmo sem fotografias
(http://viajantedecasaascostas.blogspot.com/2010/08/desventuras-em-autocaravana-i.html)
vejamos quem nos lê...
Para quem vive no interior, a sul do Tejo, ou até mesmo na capital colado ao dito rio, a Serra da Arrábida é uma excelente alternativa por dois motivos óbvios. Para os primeiros, a possibilidade de matarem saudades do mar; para os segundos a hipótese de relaxarem da metrópole poluída e stressante. Não será só assim, claro: para qualquer um dos dois, ou para qualquer português do Norte ao Sul do país, Arrábida é sinónimo de mar, descanso e ainda , óbvio!, serra, belíssimo cenário natural, boa gastronomia (peixe fresco !!!) e até alternativas culturais , físicas, ambientais e muitas mais...
O que nós queríamos mesmo era descansar e ver o mar, o que fizemos com sucesso , depois, ainda enchemos o saco de outras das referidas alternativas, assim, sem as procurar, ao sabor do momento.
Aconselhamos, então, alguns pontos estratégicos:
Setúbal, às portas da Serra, cidade que pode ser o meio termo entre a confusão da cidade e a pacatez do campo. Nós optámos por lá pernoitar em AC, depois de jantarmos com uns amigos em Azeitão e depois de darmos de caras com o portão fechado da nova Área de Serviço para AC , no Parque Natural de Alambre. Em Setúbal, na zona das docas, de frente para o rio e para a iluminada Troia, apesar do espaço ser acanhado, lá pernoitámos sossegadamente numa ruela a caminho da pescaria nocturna de muitos carros com seus pescadores. Atingido o primeiro objectivo (mais de 10 horas de sono!!!), ainda tivemos tempo de dar um passeio rápido pela metrópole de Setúbal, um centro antigo restaurado, arejado e com vida. O Bocage, ou Elamano Sadino de pseudónimo, é ali sempre homenageado (soubera ele e voltava à praça natal...) em cada esquina, loja ou pastelaria.
Outro ponto ideal para este início outonal é a praia da Figueirinha: sol, pescadores, e amantes de banhos de sol meio vestidos , meio arregaçados, e ainda a possibilidade de percorrer o long braço de areia (ou seria o caminho das pedras do JC?)até à ilhota no meio das águas. Essas são limpas, translúcidas , só faltam mesmo os corais. Do outro lado, o verde, arriba acima.
Subir a serra é outro atractivo. Galápos, pequena praia só mesmo descendo a pé; ou Portinho (de autocaravana ainda nunca nos aventurámos), são mais dois pontos naturais a não perder!!!
Para quem prefira entrar mais para o interior, não fica a perder com algumas vilas de Azeitaõ, como Vila Nogueira, uma simpática vila, com muito por onde escolher, nem que seja o sossego bem arquitectado.
Nós optámos por Sesimbra, mas acábamos por mal a conhecer, fomos até ao fim da linha, escandalizámo-nos com o preço das ameijoas e com um campinho atarracado onde 6 ou 7 AC acampavam ao som dos acordeãos. Mais uma vez ficámos sem pisar Sesimbra , para irmos pasmar na praia da Bica, ali, paredes meias com o Meco. Atenção! O “pasmar” implicou : contemplar a imensa paisagem, sestar, ler, e até estudar! Tudo actividades nobres e rentáveis, nada de tédio e inércia perniciosas...
O escuro caiu, e, de repente, acordámos da pasmaceira boa e apeteceu-nos algo mais animado. De comum acordo, e porque são estas as boas partidas que a vida em AC nos proporciona, deixámos a Serra e passámos para o outro lado do rio. Onde foram eles, dirão vocês? Apesar de repetido e nas antípodas das Bicas, o rumo foi até Belém, para o “nosso Quintal”, ali mesmo ao lado do rio, com a benesse de podermos acordar de manhã ouvindo gaivotas, vendo veleiros e saboreando pastéis de Belém.
Na manhã de domingo acordámos , entretanto, com sirenes e apitos. No outro lado da movimentada estrada, mesmo ali na residência cor-de-rosa , assistia -se ao render da guarda, com a ”fanfarra”, turistas e tudo. Era o 3º domingo do mês, ao que parece o dia aprazado para tal cerimónia. Qual costume monárquico, Portugal também se veste de cabeleiras louras, trajes militares, música da banda e cavalaria. E assim se gastam os dinheiros dos contribuintes, para embelezar a imagem da Presidência, enfim, do país solarengo e europeu, de brandos e belos costumes. Toque a banda!
E já que estávamos numa de República , que tal um salto ao Museu da electricidade, para ver o último dia da exposição “Os carros dos Presidentes”? O subtítulo da dita “O motor da Républica” só se lia literalmente, lá dentro, entre Porches, limousines, Mercedes, Citroen e BMW (mais ou menos por esta ordem), relembravam-se os caminhos por onde circularam os grandes da Nação, desde o Estado Novo aparatoso à actualidade mais modesta (só BMW, coitadinhos!). Se pensarmos que a marca alemã se multiplica por ministros, secretários, directores e chefinhos concluímos que o “motor” é afinal o motor gastador!
Estava na hora de pôr outro motor a trabalhar: o do regresso, mas com a barriga cheia de descanso, sol, mar e até de pastéis e presidentes de Belém. Como os pastéis , soube a pouco...