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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Praias "in" de Portugal

 A contrastar com S. André, algo similar, só porque tem lagoa e mar, nos restantes aspetos as diferenças são gritantes.
Aqui já não é Alentejo, entramos em terras sadinas e noutras atmosferas. Se na primeira a atmosfera é respirada pela classe média ou baixa-média; aqui impera o “in”. Pensa o leitor mais incauto “mas quem?”, porque o leitor ou telespetador mais atento das notícias do verão de 2010 e 2011 já deve ter percebido a que território me refiro.
Lagoa, mar e “in” e é claro que me refiro à linha de Tróia, começando na lagoa de Melides e acabando na afamada Tróia. Contrariamente há uns atrás, a de Melides está “in” ou para lá caminha.


 Aqui, logo à entrada da povoação, um parque de estacionamento com “sombreros” (pouco “habitável” para autocaravanas), apartamentos alinhados e , na areia da praia, em vez do tradicional bar e esplanada, agora temos o “lounge” com “puffs” e até camas de dossel esvoaçando no deserto macio…



 Uns quilómetros mais adiante, a linha do “in” total na praia do Pego (Carvalhal), completamente interdita a AC (com barras de altura) e completamente cheia de tias que vão à missa das 19h. ao domingo e à 2ª levam os filhos à equitação.
Se estacionar é difícil, pernoita só em camping (de Melides, por exemplo). Até Tróia pior ainda, até mesmo o simples acto de circular na estrada. Tróia é agora um gigantesco condomínio fechado para carros e particulares.

Nada como prosseguir caminho e optar por território neutro: Alcácer do Sal. Já sem mar mas ainda com as águas do rio que servem de ponto de transição entre as águas e a secura da planície.
Recentemente arranjada na zona ribeirinha, Alcácer vai mirando o rio, com uma pequena marina e um simpático passeio pedestre ao longo de duas pontes, evocando algumas cidades do norte europeu, onde os rios, as pontes e as casas-barcos são o pãonossodecadadia.
Bom final para o nosso capítulo I de férias de verão 2011 e certamente um bom início para férias 2012 deste verão que se aproxima. 


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Antígona a navegar na Costa



Como filha da planície que sou, tenho sempre aquela necessidade romântica de inaugurar a praia no primeiro dia do ano. Estre ano foi excepção. A inauguração deste clássico evento ocorreu apenas a 5 de Fevereiro.
E, para falar verdade, só aconteceu por causa de outro motivo literalmente clássico. Refiro-me à tragédia de Sófocles, Antígona, em cena no Teatro Municipal de Almada, na noite anterior. Um banho, não de mar, mas de poesia pura pela boca do colectivo do Teatro S. João, Porto. Ali, envolta em sons, sonhos e mitos naquilo que me parecia a casca interior de um barco, fui desbravando águas para adormecer do outro lado da terra, na Costa da Caparica. Já passava bem da meia-noite e ali, no parque de estacionamento, frente ao “Barbas”, poderia estar tudo de molho, mas nem as águas se vislumbravam, tapadas pelas alturas pela mão do homem erguidas. Depois de sonhos com filhas e irmãs honradas, mortes e vinganças do Fatum, o dia acordou sem conflitos e presságios de má hora. Tirando aquele ambiente domingueiro e corriqueiro do fato de treino pela “marginal” e da excursão faminta ao “Barbas” (a crise , aliás, parecia não ter ali chegado)... Para alguns , outros comerão do que pescam...
Mais à frente, pisámos a praia pintada de um Mar de contrastes:
Um banho de luz e bailarinos surfistas




Versus uma areia de lixo




Ou ainda a vivacidade dos animais domésticos




Versus vidas idas que dão à costa





Assim como elementos naturais




versus elementos anormais






Gente vestida-a-fingir-que-toma-banho




versus gente exposta ao tacto frio das águas





Eis o baptismo de 2011, eis Portugal antes da época balnear. Caminhemos à espera de melhores dias...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Um salto até à Arrábida

Subtítulo: Mesmo sem fotografias (http://viajantedecasaascostas.blogspot.com/2010/08/desventuras-em-autocaravana-i.html)

vejamos quem nos lê...


Para quem vive no interior, a sul do Tejo, ou até mesmo na capital colado ao dito rio, a Serra da Arrábida é uma excelente alternativa por dois motivos óbvios. Para os primeiros, a possibilidade de matarem saudades do mar; para os segundos a hipótese de relaxarem da metrópole poluída e stressante. Não será só assim, claro: para qualquer um dos dois, ou para qualquer português do Norte ao Sul do país, Arrábida é sinónimo de mar, descanso e ainda , óbvio!, serra, belíssimo cenário natural, boa gastronomia (peixe fresco !!!) e até alternativas culturais , físicas, ambientais e muitas mais...
O que nós queríamos mesmo era descansar e ver o mar, o que fizemos com sucesso , depois, ainda enchemos o saco de outras das referidas alternativas, assim, sem as procurar, ao sabor do momento.
Aconselhamos, então, alguns pontos estratégicos:
Setúbal, às portas da Serra, cidade que pode ser o meio termo entre a confusão da cidade e a pacatez do campo. Nós optámos por lá pernoitar em AC, depois de jantarmos com uns amigos em Azeitão e depois de darmos de caras com o portão fechado da nova Área de Serviço para AC , no Parque Natural de Alambre. Em Setúbal, na zona das docas, de frente para o rio e para a iluminada Troia, apesar do espaço ser acanhado, lá pernoitámos sossegadamente numa ruela a caminho da pescaria nocturna de muitos carros com seus pescadores. Atingido o primeiro objectivo (mais de 10 horas de sono!!!), ainda tivemos tempo de dar um passeio rápido pela metrópole de Setúbal, um centro antigo restaurado, arejado e com vida. O Bocage, ou Elamano Sadino de pseudónimo, é ali sempre homenageado (soubera ele e voltava à praça natal...) em cada esquina, loja ou pastelaria.
Outro ponto ideal para este início outonal é a praia da Figueirinha: sol, pescadores, e amantes de banhos de sol meio vestidos , meio arregaçados, e ainda a possibilidade de percorrer o long braço de areia (ou seria o caminho das pedras do JC?)até à ilhota no meio das águas. Essas são limpas, translúcidas , só faltam mesmo os corais. Do outro lado, o verde, arriba acima.
Subir a serra é outro atractivo. Galápos, pequena praia só mesmo descendo a pé; ou Portinho (de autocaravana ainda nunca nos aventurámos), são mais dois pontos naturais a não perder!!!
Para quem prefira entrar mais para o interior, não fica a perder com algumas vilas de Azeitaõ, como Vila Nogueira, uma simpática vila, com muito por onde escolher, nem que seja o sossego bem arquitectado.
Nós optámos por Sesimbra, mas acábamos por mal a conhecer, fomos até ao fim da linha, escandalizámo-nos com o preço das ameijoas e com um campinho atarracado onde 6 ou 7 AC acampavam ao som dos acordeãos. Mais uma vez ficámos sem pisar Sesimbra , para irmos pasmar na praia da Bica, ali, paredes meias com o Meco. Atenção! O “pasmar” implicou : contemplar a imensa paisagem, sestar, ler, e até estudar! Tudo actividades nobres e rentáveis, nada de tédio e inércia perniciosas...
O escuro caiu, e, de repente, acordámos da pasmaceira boa e apeteceu-nos algo mais animado. De comum acordo, e porque são estas as boas partidas que a vida em AC nos proporciona, deixámos a Serra e passámos para o outro lado do rio. Onde foram eles, dirão vocês? Apesar de repetido e nas antípodas das Bicas, o rumo foi até Belém, para o “nosso Quintal”, ali mesmo ao lado do rio, com a benesse de podermos acordar de manhã ouvindo gaivotas, vendo veleiros e saboreando pastéis de Belém.
Na manhã de domingo acordámos , entretanto, com sirenes e apitos. No outro lado da movimentada estrada, mesmo ali na residência cor-de-rosa , assistia -se ao render da guarda, com a ”fanfarra”, turistas e tudo. Era o 3º domingo do mês, ao que parece o dia aprazado para tal cerimónia. Qual costume monárquico, Portugal também se veste de cabeleiras louras, trajes militares, música da banda e cavalaria. E assim se gastam os dinheiros dos contribuintes, para embelezar a imagem da Presidência, enfim, do país solarengo e europeu, de brandos e belos costumes. Toque a banda!
E já que estávamos numa de República , que tal um salto ao Museu da electricidade, para ver o último dia da exposição “Os carros dos Presidentes”? O subtítulo da dita “O motor da Républica” só se lia literalmente, lá dentro, entre Porches, limousines, Mercedes, Citroen e BMW (mais ou menos por esta ordem), relembravam-se os caminhos por onde circularam os grandes da Nação, desde o Estado Novo aparatoso à actualidade mais modesta (só BMW, coitadinhos!). Se pensarmos que a marca alemã se multiplica por ministros, secretários, directores e chefinhos concluímos que o “motor” é afinal o motor gastador!
Estava na hora de pôr outro motor a trabalhar: o do regresso, mas com a barriga cheia de descanso, sol, mar e até de pastéis e presidentes de Belém. Como os pastéis , soube a pouco...