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quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Aldeia poética – Cacelha Velha

 


 

Um pequeno poema visual no sotavento algarvio, assente numa falésia: Cacelha Velha.





É um miradouro para a ria Formosa (quem a batizou sabia), na qual, na maré baixa, se criam piscinas de água tépida por entre caminhos de areia e barcos de pesca ancorados.





É um miradouro para o mar: do lado de lá da ria está o mar e uma extensão enorme de praia, à esquerda Praia Verde, à direita Cabanas de Tavira.

Com a maré cheia, há que pagar ao barqueiro para regressar até ao lado da fortaleza e dos seus muitos degraus.

Chegados à aldeia ou partindo dela, há muito que admirar: a sua pequena igreja, a fortaleza, o pelourinho e a simpática arquitetura algarvia bordada a flores e a cores. 




A aldeia permanece intocável à mão da modernidade, daí o prazer de percorrer placidamente as suas ruelas e sentir a poesia das cores e das formas. Deve ser por isso que as ruas têm nome de poetas, um deles árabe, memória dos tempos da “Cacila” muçulmana.




Claro que, para pagar o preço de tamanha singularidade, o melhor é ir cedo ( falo do mês de agosto, entenda-se) para poder estacionar em paz, à beira da estrada, se viajar, como nós , de casa às costas. Neste agosto 2020, com a pandemia e o dedo legislativo apontado às autocaravanas, Cacela Velha , apesar da sua beleza poética, tinha um verso que destoava: a proibição ao estacionamento de AC no único parque para o efeito.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

“Mikki´s place” – um lugar com arte





Às vezes, comigo sucede várias vezes ao dia, apetece fazer como nos filmes: largar tudo e abraçar o tal sonho que nada tem a ver com a rotina profissional caquética de todos os dias. Apesar de a taça estar cheia, falta-me o tal golpe de asa e a sorte cor-de-rosa dos protagonistas dos filmes.

Desconheço se no “Mikki´s place” foi largar tudo na Bélgica ou na Holanda e vir a correr  comprar um terreno em  Portugal, para concretizar o tal sonho. Desconfio que para a belga  e o holandês de “Mikki´s Place to stay”, em Areias de Pêra, Algarve, a odisseia de todos os dias não está a ser um idílio cor-de-rosa, a avaliar pelas burocracias de PDM e outras siglas feias que têm de enfrentar exaustivamente, no entanto, para quem usufrui do seu “sítio”, o parque de autocaravanas em Areia de Pêra, é viver, definitivamente, no sonho por mim sonhado. Não lhe chamaria cor-de-rosa, mas multicolor, com o magenta das buganvílias, o verde das flores e plantas e os tons variados das peças de olaria que povoam cada canto, mesmo nos pontos mais inesperados.


Elogiava eu aqui, há uns anos atrás, também situado no Algarve, o parque para autocaravanas Motorhome Park, da Falésia, classificando-o como um exemplo a seguir. Mantenho a minha palavra, mas este outro que só agora descobrimos, apesar de existir  há pelo menos três anos, é em tudo mais do que um parque de autocaravanas: é a “casa”; por um lado, a casa de quem o criou, por outro a casa de quem lá mora e de quem por lá passa. E como em qualquer casa, a alma do seu criador está lá, acrescida ainda do seu toque artístico, porque Mikki, a proprietária, é acima de tudo uma artista, pintora e artesã de potes, vasos e figuras fantásticas.






A casa com alma de que falo fica a 5 minutos do Zoomarine e a poucos quilómetros da praia. Ah, pois, ali o mar não entra, mas podemos ficar estarrecidos a olhar para a piscina e nela mergulhar vezes sem conta, rodeados de juncos, palmeiras e outros verdes que tais, com camas a pedirem que relaxemos. 








A piscina lembra um pequeno lago biológico, porém,  sem rãs, sapos ou outros seres saltitões. Os únicos seres que por ali espreitam parecem esboçar beijos e têm a faculdade de nos fazer sorrir.


A estufa gigante que serve de restaurante/bar/ receção é também (parece que vai deixar de o ser) ateliê de olaria e se, vista de fora, parece precisamente isso, uma estufa de madeira e plástico, lá por dentro revela-se quase um pavilhão chinês, com sofás e mesas artisticamente improvisadas, portas que são paredes e  balcão de bar, plásticos que são vitrais, caixas que são prateleiras com olaria risonha e até livros para consumir com o café, a cerveja ou as refeições que são servidas três dias por semana (ao sábado, a pizza a sair de um forno de antigamente.)








Ah! E como se não bastasse o festival de cores e objetos, o pavilhão tem a ainda a animação galharda e sonora de pássaros coloridos, entre eles um vistoso papagaio que volta e meia chama pelo seu dono : “Arno, Arno!!!”.


 Onde ficam as autocaravanas no meio de tantas formas, cores e sons? No meio de 2 hectares existe espaço à vontade para oitenta parcelas, cada uma delas com relvado sintético (que toque mais precioso para fugir ao peso da brita!) e ladeada de flores. O lugar 11 foi o nosso, com vista para a piscina , mas há outros mais afastados do chapinhar das águas , alguns em recantos próximos de outros cenários. 






Na realidade, cenários não faltam e sempre a mudar para que a vista não seja rotineira: a zona privada onde o casal habita numa casinha de madeira e jardim japonês, a “quinta” das galinhas e galos, o jardim aromático, a horta com gojis, um centro de reciclagem e, em construção, um jardim com cascata e ainda espaço para receber casinhas de madeira. Inesperadamente, nos sítios mais escondidos ou noutros em destaque, surge o mundo onírico de Mikki, espreitando e sorrindo aqui e ali.







Para nossa comodidade há ainda w.c. equipado com duche ( 50 cêntimos, água quente), zona para lavar loiça e roupa (inclui máquina e secadora) e ainda – que toque pessoal mais amoroso!  – um duche próprio para cães onde, é claro, a nossa menina se refrescou. 



Muitos inquilinos de variadas nacionalidades ali habitam todo o ano, gente reformada, evidentemente, que procura neste cantinho português a calma e o clima ameno para o inverno da vida.
Enquanto lá estive (duas noites, apenas porque não sou nem jubilada nem troquei definitivamente a casa fixa por uma móvel), segui o lema da placa da entrada “ Slow down and relax”. 


E que mais? Felicitei vezes sem conta a proprietária por possuir em pleno o meu sonho sonhado, para ela filme realizado, mas não cor-de-rosa.

Pormenores importantes nestas lides de viagens, sonhos e pesadelos:
Localização ( N37º 07´40’’  W 8º 19´22’’)
Preços: desde 8,50 € (sem luz, no 1º dia) , 6  € (a partir do segundo dia), luz ( 2,50 € dia).



sexta-feira, 8 de abril de 2016

Algarve: (quase) do barlavento ao sotavento

Quando bisamos os lugares, sai-se de casa com a ideia que já está tudo visto.  Serão certamente umas férias para pausar, descansar e imitar os inúmeros estrangeiros autocaravanistas que fazem de Portugal o seu porto de abrigo durante todo o inverno por essas áreas e campings algarvios afora… Também é verdade que quando começámos a viajar de casa às costas, desde 2002, achávamos incrível como havia gente que conseguia estar parada tanto tempo ao sol. O certo é que, ou pela falta de sol desde janeiro, ou pelo avançado da idade (estou em crer que mais pela primeira hipótese, alternativa escolhida  que roça a ironia…) , nestas férias soube-me bem imitar os estrangeiros autocaravanistas…
Ainda assim, entre sestas, banhos de sol em cadeira, leitura de livros, umas vezes na posição horizontal outras sentada,  ainda houve tempo para que o Algarve me surpreendesse com algumas pérolas desconhecidas.


Não me refiro a Silves, onde, apesar de tudo é sempre um prazer percorrer as suas ruelas até ao castelo. 



Mesmo assim, o paladar estreou-se com uma bela tarde de limão e merengue no acolhedor e simpático Café Inglês.










Em Lagos, tirando uns momentos de sol na Meia Praia, pouco mais nos entusiasmou, apesar de a cidade ter sempre um jeito elegante e feminino.
Em Portimão nada a registar … minto, reencontrar autocaravanas do ano passado no mesmo local “ancoradas”, já com jardim e tudo, foi uma sensação de repetição que nos deixou atónitos. Sim, porque o contrário, eu em França ou na Alemanha todos os anos , de Setembro a Abril, não seria muito plausível… Ah, esquecia-me! Aqui é o reino do sol, lá não e para além disso ainda não sou jubilada (expressão espanhola para “reformada”, muito mais feliz que a tradução portuguesa).






Entre Portimão e Armação de Pêra algumas descobertas. Parar na praia do Carvoeiro, uma pequena aldeia piscatória situada na acolhedora e colorida enseada e subir até a capela. 



Daí percorrer o passadiço à beira da falésia e ir entrando nos meandros das grutas fantásticas. Cenário de ficção científica ou deserto lunar?






No final do percurso o café “A Boneca” com o mesmo nome da gruta. Local acolhedor e familiar uma vez que ali até trabalha um amigo comum…


Pernoita na já conhecida praia da Marinha, cada vez menos esconderijo de AC . Até admira como as autoridades ainda de lá não os expulsaram…
Da Marinha usar e abusar do percurso pedestre pelos algares até Benagil. Desta vez a noite iria surpreender-nos, por isso não chegámos à simples Benagil.
Outro roteiro possível : da Marinha até Nª Srª da Rocha, apesar de termos feito batota e termos ido com a casa às costas. 




Estacionámos aqui, local onde por sinal uma vez dormimos com a “velhinha Sky”.


Finalmente,  um misto de aventura e descanso: “Motorhome Park” na Falésia (a 9 km de Albufeira). Cercados de alemães , franceses, ingleses e até dinamarqueses e noruegueses ( portugueses éramos só duas famílias!!!) fizemos como eles  o dolce fare niente . Mas não só, intervalámos com novas descobertas pedestres.


Descida para a praia da Falésia 

 Pela praia até ao Alfamar ou do lado oposto até Olhos de Água. Pela falésia, lá bem no topo, quase chocando com as pássaros humanos, admirámos a flora colorida e primaveril e a extensão do areal a perder de vista… de um lado até Quarteira, do outro lado até Albufeira , Portimão, Lagos ???




No regresso só uma paragem em Castro Marim (outra vez dezenas de autocaravanistas) para irmos admirar outro cenário de outras cores e tons: os tons secos da planície bordada de águas fluviais e ecos muçulmanos. Mértola, terra de mil encantos, de branco caiada, o sol e o cheiro da primavera, as ruas quase desertas ao entardecer , o chamamento dos tempo imemoriais… Foi pena outra voz , a da realidade, nos chamar à terra. Infelizmente era hora de regressar!







Pernoitas :
. Silves (parque de estacionamento grátis ao lado das Oficinas da Câmara Municipal, perto das Piscinas)
. Lagos (ASA, 2,50 pernoita – N 37º 06’ 57’’ W 08º 40’44’’. O abastecimento de águas falhou sempre! É necessário comprar ficha para sistema “Euro-relais”, a qual se compra na receção do estádio de futebol a uma hora específica, mas nunca conseguimos .Ou não estava ninguém ou o próprio Estádio fechava. Resultado: as pessoas enchem recipientes no WC público , o qual está sempre cheio de água e com pouca higiene).
Portimão - ASA da Marina , 2,50€, N 37º 07’ 08’’  W 08º 31’ 49’’  - Bom!
Praia da Marinha –Estacionamento grátis , sensivelmente N 37º 05’ 24’’ W 08º 24’ 46’’. Tranquilo!
Falésia – ASA Motorhome Park, 8,50 €, N 37º05’ 25’’  W 08º 09’’ 37’’ – 5 estrelas !!!