quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ainda o Algarve


Ainda o Algarve, e desta vez, para finalizar em cheio, com a cereja no topo do bolo, Lagos.
Lagos tem outra aura. Outra energia. Até os mais jovens comentaram: “Isto sim, tem outro ar”. Ar, aura, energia, lá está!
A luz é mais brilhante, o rio sorri, os passeios polidos reflectem essa luz, esse rio… as pessoas são mais arejadas, as cores mais coloridas … por mais que use superlativos e provavelmente exagere, as palavras dificilmente traduzem. É Lagos e pronto, só experimentando e… repetindo.
Aqui ficam os “mais”, apesar de contextualmente contornados por uma Páscoa já passada.



Provavelmente as imagens cristalizam mais que as palavras…

sábado, 28 de maio de 2011

Luzes e sombras num souk alentejano

Se os árabes por cá estiveram durante séculos, nesse tempo como ocupantes; agora, eles por cá estão numa relação amistosa, num festival de sons, cheiros e cores. Aconteceu assim de 19 a 22 de Maio, em Mértola, Alentejo.
As luzes do sol foram bem fortes e quentes, só as sombras dos tectos improvisados criaram a a ilusão de sombra…
Outras luzes ainda mais intensas, como as do sol a bater na cal branca intensa.
O indigo de Chefchouan ficaria aqui a matar…
Entre as farripas de luz, o som das vozes cantantes, trabalhando a madeira , as cores...

E mesmo que o tema estivesse do outro lado do mar, noutro continente, o cante alentejano fundia-se em harmonia.
Nas sombras nascia o desejo de desvanecer do sol. A sesta devia ter sido instituída em terras alentejanas desde o tempo dos árabes…
Outras luzes se acendiam, escoando-se através das lamparinas de latão .
Pela noite dentro, outras luzes, ao som dos Uxukalhus, ou dos Speed Caravan ou de Janita Salomé atraíram ao amarelo quente outras pegadas seculares, intemporais, sem fronteiras , sem raça, sem credo.
Foi bom desvanecer de calor. Mértola é certamente um local único. Apesar de emparedada entre montes, sufocante e aprisionante, respira-se incenso e nostalgia marroquina. É pena que deste modo tão vívido, apenas de dois em dois anos… , mas, mesmo sem Festival Islâmico, sempre percorre as suas ruas o invisível chamamento árabe, inevitável como o sol e as sombras.Basta ir lá e senti-lo.

domingo, 22 de maio de 2011

Água... água ... água

A água é sempre um bem necessário.
Em casa é fácil: é só abrir a torneira e ela jorra com mais ou menos velocidade. Regra geral, desperdiça-mo-la.
Numa autocaravana temos mais cuidado, porque ela não é inesgotável e porque antes de se abrir a torneira do chuveiro ou do lavatório é necessária outra operação primeiro:
- ter uma fonte , tanque, ou seja , um ponto de água (se tiver torneira tanto melhor)...
- ter uma mangueira que encaixe (ter pedaços de mangueiras de tipos e tamanhos diversos ajuda, assim como adaptadores e redutores),

e , finalmente, encher o depósito...

se se gastar depressa e se houver dificuldade em encontrar água , vivemos a sensação de estar no deserto sem o estar.

A água é um espelho de vida, aprendamos a poupá-la!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Portimão, nas antípodas de Tavira




Contrariamente a Tavira (, Portimão não regista grande beleza. Pelo menos a praia da Rocha, pelo menos a banal “marginal” recheada de lojas de artesanato comum e corriqueiro, com vendedores de estilo duvidoso e apelos sucessivos, não muito diferente da algaraviada marroquina... em Marrocos.
Honre-se o comprimento da passagem pedonal e de bicicletas, quase até ao Vau. Faça-se honras , pois, à bela manhã descontraída a pedalar...
Ainda contrariamente a Tavira, se em Portimão há menos beleza, há a vantagem de nos receberem com um gigantesco parque de estacionamento alcatroado, com água e zona de despejos, por 1€ dia. (Desconheço o que sucederá em Agosto). Imediatamente antes da rotunda para a Marina.
Portimão é geograficamente estranha,espraiando-se e dividindo-se por ali fora, sendo que tudo é longe. Agora espraia-se também em Centros Comerciais e retail centers, empobrecendo o centro histórico, característica frequente deste Portugal que não sabe manter e desenvolver o que é tradicional, vivo e atraente. A “baixa” portimonense não é feia, com outro cais longo e as suas pontes ao longo do espelho de água, as ruas lustrosamente calçadas e o largo fresco da Câmara Municipal.

Oferece ainda uma simpática rede de mini-bus, o Vai e Vem. Há uma paragem frente ao parque das autocaravans e depois é só ir...e vir. Infelizmente, o preço não é muito convidativo à repetição, 1,50€ por pessoa, meia-hora de Vai e Vem.
O sol ia fugindo, mas ainda deu para um banho de sol e para umas corridinhas dos desprevenidos-a- fugir- das- ondas.
Outro local simpático para Estar e pernoitar é o pequeno parque de estacionamento com “ruelas” e palmeiras, à beira da praia do Alvor (N37º 07’ 27.4’’ W008º 35’ 44’’).

A praia (estivesse ele bom tempo) seria um belo oásis de água, areia e sal.

domingo, 15 de maio de 2011

Tavira, a bela e cheirosa

Tavira é uma pequena pérola no seio de um Algarve descaracterizado e monotonamente repetitivo.
Experimente-se subir as escadinhas até ao castelo. Sentimo-nos logo turistas cá dentro ... puxamos da máquina e deixamo-nos seduzir pelos canteirinhos semeados no interior do castelo.
Subimos as escadas ao longo da muralha e deixamo-nos seduzir pelos telhados, terraços e varandas, onde até o inimaginável espreita, como uns cachos de bananas quais madeirenses espécimes.
Experimentemos ainda um cafezinho na esplanada frente a Santa Maria do Castelo e à muralha. Inspire-se a calma e o sol estonteante. Sonhe-se com guerreiros árabes e belas mouras...
Escadinhas abaixo há ainda a surpresa simpática do rio Gilão deslizando pela arcadaria da ponte. E, ao pisar a ponte, a surpresa aromática da procissão da Páscoa: um cheiro intenso e salutar de alecrim. Estivesse lá Cesário Verde e pintaria palavras com ramos de alecrim...
E também bons exemplos arquitectónicos
Nem tudo, porém, é beleza. Em termos práticos, Tavira deixou de ser receptiva a AC. Há uns bons anos atrás, nem tantos quanto isso, o vulgar era pernoitar-se ao lado do Pingo Doce. Sítio pouco atraente e sem as condições necessárias (era só uma grande espaço central), agora nem isso. Pessoalmente, sempre optámos por Pedras del Rei , a escassos metros da paragem do comboiozito para a a praia do mesmo nome. Frente a um aldeamento turístico, não seria de tardar que tal local se extinguisse. Durou ainda alguns anos, agora colocaram à entrada uma corrente com o sinal “parque privativo”. Fomos portanto varridos de Tavira e proximidades...

domingo, 8 de maio de 2011

Um braço de areia

Um braço de areia , uma tira rodeada de água salgada por dois lados. Parada no tempo.
O famoso sinal logo à entrada (paradoxalmente existe, mas é inexistente...), mas mesmo assim, num pequeno parque de estacionamento, frente aos WC públicos, estaciona-se e dorme-se (se o barulho das ondas atrás e à frente deixar) . Abertos só até às 17.00, eis um exemplo que permite ir , pelo menos, despejar águas sujas com balde, ou a sanita química.
O cenário natural causa alguma admiração, pelo menos nas cores do entardecer.
Pena o arroz de lingueirão ser tão caro(13€), mesmo assim vale a pena uma dose para dois: acompanhado de um saboroso peixe frito dá para ficar aconchegado... e dormir sem ouvir as ondas...Ilha de Faro!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Uma manta com sol

Em Manta Rota, por enquanto uma aldeia pacata e muito algarvia, ainda se consegue estacionar e pernoitar em AC. Apesar do sinal à entrada do parque de estacionamento as proibir categoricamente.
Belo modelo, não? No mínimo um T5...

No fim da aldeia está o dito parque, o passadiço de madeira, depois as dunas e logo a seguir a longa praia da costa, para a esquerda vai-se a pé até Monte Gordo (ou mais) , para a direita até à Praia Verde, por exemplo.
No passadiço há duches de água fria, nos quais os autocaravanistas aproveitam para encher garrafões e enfiar por mangas ou funis até às “barrigas” dos seus depósitos. Onde despejam as águas sujas é que não se vislumbra. Aliás , a falta de áreas próprias para AC no Algarve e o cada vez maior número de casas sobre rodas, leva-me a questionar se o Turismo e outras entidades oficiais portuguesas não estarão a contribuir para a falta de higiene por barlaventos e sotaventos algarvios. Ou acham eles que os minúsculos Campings são suficientes para albergar tanta gente?
Continuando: duvido que esta conversa seja possível na época alta, nunca experimentei Manta Rota (ou até mesmo outros locais algarvios em Julho ou Agosto), mas desconfio que o sinal será respeitado... pelo menos pelos GNR, pelo menos ali em Manta Rota.
É pena, porque a aldeia tem o essencial: sol, praia, quiosques de revistas e jornais com fartura, mercearias e supermercados (mercado fechado e casa de banho públicas fechadas , porquê?), bons restaurantes com preços acessíveis, farmácia de serviço e até esplanadas.
Mas é Algarve e, como a maior parte desse solarengo território, também não é nada de transcendente.
Em época baixa foi bom para recarregar baterias ao sol – não tanto como os ingleses, holandeses e alemães que por ali tostaram mais de 24 horas seguidas...
´Ca gánda bronze levam eles para casa!