terça-feira, 19 de junho de 2012

Roteiro fluvial - S. Simão praia e aldeia



 
Agora que o sol despertou e o calor se aproxima, começa a ser tempo de revelar outro tipo de roteiros turísticos cá dentro.
Esperemos que a crise – pluvial e não financeira – não os tenha extinguido para este verão de 2012. Em 2011 estava lá e bem vivo.
De todos os caminhos percorridos, por campos, praias fluviais e trilhos de Aldeias do Xisto, inauguramo-nos com a praia fluvial de Fragas de S. Simão e aldeia de Casal de S. Simão.

Fica a 8  kms de Figueiró dos Vinhos , (    N 39º54´52.24 W08º 18´59,57’’ ) e o melhor para uma autocaravana é não descer a estrada um bocado a pique até ao parco estacionamento, mas deixá-la cá em cima, ao lado do miradouro. Espreitando do terraço panorâmico para o espelho de água no meio do verde denso, compreende-se porquê.

Vista do terraço panorâmico

O melhor é, pois, ir a pé (a descer todos os Santos ajudam) e deixarmo-nos engolir pelo belo selvagem. Chegados à meta (praia das Fragas) fica-se de queixo caído: uma imensa lagoa no centro dos penhascos, onde se pratica escalada e uma água refrescante e límpida. Apesar de oculta pelo manto verde, no mês de agosto a procura é muita, portanto, se o objectivo é passar o dia com direito a picnic nas mesas, o melhor é ir cedo.




escalada

Para além do cenário natural e selvagem e da perspectiva de uns bons mergulhos, há ainda o atrativo de ficar a poucos quilómetros (a pé) da aldeia de xisto Casal de S. Simão. Calcorreando por um trilho a pé (de   quilómetros), simpático e refrescante por meio de levadas, chega-se, sempre a subir, à simpática e renovada aldeia. Os pormenores encantam e o ar limpo e revigorante também.










e uma porta que não podia faltar...

O trilho está assinalado, é só segui-lo, subir , ver, amar, descer e voltar a um mergulho na praia.

 O dia acaba na esplanada do sítio com uma imperial e uma tapa deliciosa.

sábado, 2 de junho de 2012

INSIDE




Sempre tive o fascínio das JANELAS. São elas os olhos das casas e é por detrás delas que está a alma. Esta, como qualquer alma, não se vê, adivinha-se, imagina-se...Aqui há dias, porém, aconteceu-me o contrário.
Na rua, nem reparei nas janelas (que me lembre era apenas uma porta alta, forte, escura). Quando dei por mim estava dentro da alma, dentro da casa, da “casa dos espíritos”. Cada um deles tinha uma história, cada canto, cada peça, cada partícula de pó, átomo ou célula tinha uma alma.

Realidade ou ficção, os fantasmas por lá andavam, desde o século XVIII até hoje, para onde haviam de ir se aquela é a sua casa? 


Uma “casa com vida própria”, como nos disse o seu atual proprietário. E assim que ele proferiu a frase, o tule transparente dos fantasmas começou nova dança do ventre e o relógio do tempo girou à volta de três séculos de estórias.



Foram os pés dos homens pisando a uva, os tonéis a encherem-se de tinto espumoso a par das vozes dos cantadores até à alvorada.

 Foi o homem do capote que chegou e bebeu mais um copo, aquecendo as mãos no bafo do frio que das paredes e pipas escorria…

Lá fora, na despensa, as mulheres na azáfama. Os cestos prontos para a ronda, o cantil à espera da fonte, o piquenique à espera do cante, os pardais na sua gritaria no limoeiro.



Lá em cima, na cozinha, os bolos crescem nas formas, e o dono da casa, outrora com cinco anos, espera para rapar o fundo do tacho, na mesma cadeira outrora do pai, do avô, bisavô outrora.



 Na sala do fundo passa-se a ferro, uma voz canta, podia ser soprano, podia ser o piano, o vento dispersa o som, as vozes, os pardais. Os fantasmas adormecem, os santos velam pelos vivos e pelos mortos.

   Algures no Alentejo. Uma casa de vidraças viradas para dentro, uma casa de terraço virada para fora.




terça-feira, 15 de maio de 2012

Ervas de cheiro, de ver, de tocar, de comer




Há viagens que são mesmo aqui ao lado, que apesar de curtas são longas e não necessariamente menos boas.
Esta foi ao longo da ecopista de Évora, a pé, pois claro, durante 13 quilómetros, no passado domingo de maio, naquele que está a ser, por estas bandas, um verão antecipado.
Os pretextos envolvidos eram as ervas, a meta final umas sopas à boa moda do Alentejo… com algumas das ditas. Os padrinhos (freguesia do Bacelo) batizaram-na (à viagem) de “passeio das ervas aromáticas.
Partindo da dita ecopista direção Sr. dos Aflitos, a nossa guia foi-nos apresentando, através de três sentidos, ervas como:

- a soagem, mais conhecida por língua de vaca;

- o funcho, com o seu cheiro a anis e altamente digestivo (não confundir com a férula, se uma é o bem a outra o mal).



Chegados a um cruzamento embrenhámo-nos por uma paisagem mais escondida, direitos ao “secreto” aqueduto da Água de Prata, por terras da Quinta de S. Pedro adentro.
O aqueduto, por D. João III “erguido”, está paredes meias com a floresta autóctone, de veia mediterrânica, qual bosque de druidas. Apesar de não os ver, aos druidas, pareceu-me vislumbrar o horizonte do mar. Visões à parte, as árvores e arbustos – carvalhos, medronheiros, sobreiros, loureiros, gilbardeira – eram, pelo contrário, bem palpáveis.


Aqueduto da Água de Prata



Floresta com mar ao fundo...



Mais à frente, a ponte sobre o ribeiro de Pombal. O pobre corria num fio de água, inaudível, quase invisível, apesar do musgo e da frescura do ambiente.
Vulgar e abundante é no entanto a giesta brava, intrusa marroquina que por aqui se instalou e foi ficando.




o ribeiro lá ao fundo...


A humanização começa a seguir, uma quintinha escondida aqui, outra acolá. 




E eis que surge uma hortinha biológica na verdadeira aceção do termo: um “camalho”, lá dentro destroços de madeira, pedras, água, rede, terra; e de lá brotam, sem rega e pesticidas, favas, tremoceiros, tomates, couves….


Qual a fava, qual o tremoço?


O sol esconde-se entretanto, o calor torna-se mais sufocante. É o caminho de regresso, pelo menos mais 4 ou 5 kms. P’lo caminho espreitam cores naturais, civilizacionais e olhares curiosos.


As ervas de cheiro, dos herbários e das fotografias ficam para trás, falta dar uso ao 4º sentido, saboreando-as no prato, na sopa, debaixo de um teto, à sombra.
A ementa apresenta-se: massada de peixe e sopa de tomate. Cheira a orégãos, hortelã da ribeira e sabe o nariz a que mais.



Massada de peixe

Sopa de tomate


Bom proveito, colherada que vai, colherada que vem, o tinto no copo, os corpos novamente quentes, só falta a sesta… com ou sem chaparro. 




segunda-feira, 7 de maio de 2012

Adenda a "E biba o Porto!"

O meu amigo A.D. acrescentou algo às palavras de ontem, que aqui coloco para que conste:

" 
O Porto é uma das Cidades mais antigas do Mundo;

Tem a 3.ª mais bela Livraria do Mundo - Lello
Tem o 6.º mais belo Café do Mundo - Majestic
Tem um dos mais perfeitos e inteligentes edifícios do Mundo - Burgo
Tem uma das melhores salas sonorizadas do Mundo - Casa da Música
Tem o único Parque citadino do Mundo ligado ao Mar - Parque Ocidental da Cidade
Tem uma das maiores construções em ferro do Mundo - Ponte D. Luíz I
Tem um dos maiores arcos em betão do Mundo - Ponte da Arrábida
Tem uma das maiores Torres do Mundo construídas em granito - Clérigos
Temos a atleta com mais títulos conquistados mundialmente - Rosa Mota
Deu o nome ao melhor vinho do Mundo - o Porto
É portuense umas das maiores violoncelistas do Mundo - Guilhermina Suggia

Agora, a Estação de São Bento foi considerada a 16.ª mais bela Estação
Ferroviária do Mundo.

Não há dúvida de que a Cidade do Porto é uma cidade fora do vulgar !"

Portanto, digo eu, a estação de S. Bento não ocupa o 5º lugar mas o 16º!
E biba o Porto, outra vez!

domingo, 6 de maio de 2012

E biba o Porto!



DE cada vez que vou à Invicta fica-me sempre a sensação de incompletude, talvez porque o Porto seja um mundo infinito de diferenças e variedades :


















começando pela musicalidade do linguajar com os seus ditongos a subir e o seu vocabulário – carago! -; passando pelas casas sombrias e fortes; pelas largas avenidas e pelas estreitas ruelas; pelo eclectismo do velho e do novo; pela serra de prédios, pela ribeira e o Douro; pelo passeio pedestre até ao mar; pelo verde aberto do Jardim da cidade… querem mais?


Desta vez  - a anterior já foi há uns anitos, como o tempo voa – foi um passeio diferente mas igualmente alegre e inspirador. Iniciando-se pela zona da Sé , subindo a rua íngreme do Cativo   , contemplando os seus recantos e estabelecimentos de outros tempos – drogarias, ferrarias, lojas de peles, casas de luz vermelha – até à Praça da Batalha.
Também a zona comercial na rua de Santa Catarina para nos infiltrarmos no cosmopolitismo das marcas e modas (até o filho da imigrante que pedia esmola, jogava ao lado na sua PSP).

Também um salto até aos Aliados para respirar largueza e ver passar o eléctrico para a seguir contemplarmos uma das cinco mais belas estações de caminho de ferro da Europa( nas palavras de A.D, perito em viagens pelas linhas férreas ) e não resistirmos a mais um marcador do tempo e a nomes que implicam partidas e chegadas: estação de São Bento.










E, como em “Roma, sê romano”, nada como uma francesinha (não deveria ser portuguesinha?!) para tapar a boca que dá horas do estômago. Seguindo o conselho de uma filha da terra, só no “bufete Fase”, pois então, no centro , logo ali na rua de santa Catarina , em Santo Ildefonso.
Um senão portuense: estacionar autocaravanas não é o mais fácil e prático. Ao longo do rio alguns lugares e espaço, ainda assim sem ter a certeza da segurança. O parque de estacionamento da Alfandega  com sinal de proibição a AC, por isso fomos ao longo do rio até  à Foz onde a Casinha ficou todo o dia sem problemas e onde à noite dormimos o sono dos justos, para no dia seguinte acordarmos, aproveitarmos o sol numa esplanada a ver os barcos passarem e a pôr em dia as conversas do/com o  pisco (entenda-se por pisco o que quiserem, a piada é familiar , o dito pássaro palrador deve perceber se até aqui voar…).







E biba o Porto!



terça-feira, 1 de maio de 2012

Capital europeia II



De Guimarães a Braga é um pulo, quase que daquela se vê esta “por um canudo”. Entremos pois na 2ª capital europeia portuguesa, a da juventude.

Logo à entrada fomos presenteados, na Avenida Pires Gonçalves (perto do pavilhão de Exposições), com um parque de estacionamento simpático e verde, onde já várias autocaravanas olhavam o riacho em frente. Viemos a saber depois no facebook, pelo companheiro A. Resende,  que esta “zona” havia reaberto ao público AC recentemente. Em boa hora!


Dali ao centro é só subir a Av. da Liberdade e em 10 minutos estamos no coração comercial e monumental da cidade da juventude.

Aconteceu isto na Páscoa, por isso, para além das cores naturais da primavera,


a cidade enfeitava-se com a cor da paixão, com as flores dos altares de portas abertas de par em par e ainda com sons e cheiros de uma feira-quermesse logo ali, frente ao café Vianna.




Respirava-se energia que misturava juventude com o espírito da quaresma tão típico desta cidade fortemente católica. A Sé brilhava, por fora animada por canais televisivos que reportavam a iniciativa de parceria entre a polícia portuguesa e a espanhola; por dentro, decorada com flores frescas e centenas de velas. A austeridade do sacristão, para não dizer antipatia, não nos deixou, porém, captar nem uma réstia daquele brilho.
À noite, contudo, o “Ecce Homo” com as suas congregações, hierarquias, pecados capitais e virtudes, Cristos e Marias deixou-se fotografar por crentes, curiosos e turistas. Até espanhóis, como se na sua terra natal não fossem as procissões o “pão nosso de cada dia”, pela Páscoa, bem entendido.