quinta-feira, 23 de setembro de 2021

La Rochelle, a cidade branca

 

Entre a baía de Arcachon e a Bretanha (nosso destino) , apontámos para nova paragem: La Rochelle, situada na Nova Aquitânia , no Golfo da Biscaia.

E em boa hora … cidade fabulosa com a sua luminosidade encantadora, o sol a bater no calcário das suas paredes, o azul a refletir-se nas águas. Luz, muita luz.



É cidade de praias, variados museus e ruas simpáticas e animadas. Desde o século XII que o chamado Porto Velho é a porta de entrada para quem chega pelo mar, com as suas torres gémeas ( La Chaîne , com a sua corrente a ligar à gémea St . Nicolas ) e ainda La Lanterne , farol e antiga prisão. Também foi porta de saída, no tempo dos Descobrimentos, para as conquistas no Canadá.



                                                 La Chaîne e St. Nicolas

Hoje é uma cidade cheia de luz, bastante concorrida no verão pelas suas praias, marina , património arquitetónico e histórico, mercados ao ar livre, rua das Arcades (antiga rua de mercado ao ar livre) e a sua jovial animação.






Hotel de Ville





Aconselho a área para AC ( Port -Neuf) -  de bicicleta é um excelente passeio, de autocarro é um ápice (linha 6 a poucos metros da ASA).


domingo, 19 de setembro de 2021

Floresta-areia-água (Dune du Pyla)

 


Sessenta milhões de m3 de areia fina é muita areia! Há quem traga de lá uns saquinhos como souvenir, nas barraquinhas do site também vendem postais com areia e nós também trouxemos alguma … nas meias e dentro dos ténis. Felizmente, tem mais de 40 séculos de História e mais depressa será o degelo a tirá-la dali. Refiro-me à gigantesca duna do Pyla, originalmente Pilat, na Aquitânia francesa, a alguns quilómetros da grande Bordéus.

Este “grande monte” ou pilha de areia (o significado original de Pilat) é a porta de entrada para a baía de Arcachon, ocupa 2,7 km de costa e mede entre 100 a 115 metros de altura, constituindo uma das grandes atrações turísticas do país, inseridas na Rede Natura 2000.

O cenário é: floresta-duna-água mas, para que assim o seja, só subindo ao topo da duna.

Para escalar essa parede de areia íngreme, o homem inventou uma majestosa escadaria. Lá em cima, duna-floresta. 







Mais uns passos e… floresta-duna-água.







A descer todos os santos ajudam: é meter os pés descalços na areia e recuar à infância, descendo ou rebolando.




A baía de Arcachon é famosa pelas ostras e se quiserem degustá-las optem pela sua capital- Gujan Mestras – localidade onde também imperam as diversões – parques aquáticos, desportos radicais , entre outras que esgotam rapidamente o subsídio de férias caso ali fiquem uma semana.

Nós optámos por um passeio de bicicleta de trinta kms (ida e volta), do “nosso “ quintal em Gujan Mestras até à duna (  “Aire de 3 Coccinelles”, um pouco cara , mas com luz e água incluídas e um espaço tranquilizante ao lado de pinhal. Na receção também vendem ostras mas naquele dia não havia … pas de chance).

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

 

Baztán – um pé em Espanha, outro em França

 

Para os fãs da Trilogia de Báztan, de Dolores Redondo, aconselho um saltito até à província de Navarra, nomeadamente a aldeia de Elizondo, cenário natural do livro e da adaptação da série homónima da Netflix. Para os fãs de cenários verdes mágicos o mesmo aconselho.

Este pequeno cantinho de Espanha, entre o país basco espanhol e o francês é, de facto, apetecível. “Aqui não há nada feio”, foi a frase que mais repetimos.




Minto, há um aspeto menos favorável, para nós, viajantes itinerantes de 4 rodas, é que ali ainda não são muito hospitaleiros com as nossas casinhas. Em Elizondo, onde Amaia Salazar pesquisa o famoso crime dos bosque de Baztan, vila de muitas casas nobres, palacetes e casarões, não foi fácil estacionar. Não só porque as ruas são estreitas, mas também porque nos poucos espaços disponíveis, as autoridades responsáveis não são muito acolhedoras. Estacionar:  afastado da vila, pernoita: nem pensar.

Elizondo é tal e qual como Dolores Redondo a descreve: pacata, misteriosa, salutar. Lá está a ponte sobre o rio Baztan onde Amaia tantas vezes pára contemplando as sombras e o rio, lá está a casa da sua tia Engrasi, e até a panificadora da família, com o mesmo nome do livro!


O rio Baztan e a ponte

 


casa da tia Engrasi 



Não só Elizondo é digna de visita, ao seu redor outras aldeias serranas a merecem, como Maya/Amiur, já muito perto de França. Esta distingue-se pelo seu arco que delimita a entrada para o casario, dando-lhe um ar de aldeia privada. O seu ar nobre e digno não permite, talvez por isso mesmo, turismo rolante.






Assim, rolámos antes de jantar dali para fora, à procura de poiso que aliasse ceia e dormida. O escolhido e popular (digo eu, porque estava populoso) local fronteiriço onde muitos vão aos seus shoppings e onde muitas AC pernoitavam gratuitamente, com um pé em Espanha e outro em França, chama-se Dantxarinea  (N 43º 17’ 22’’  W01º 30’ 15’’) e tem vista para os Pirinéus.




terça-feira, 7 de setembro de 2021

Descanso dos heróis I -  Valladolid

 

Como escreveu neste mês de agosto Valter Hugo Mãe, “Viver em PORTUGAL é estar encurralado no fim da terra”. Roubo a frase porque a senti na pele ao atravessar tanta imensidão de terra, esta Península Ibérica, para chegar, em 4 rodas, por exemplo, a França, Suíça, Bélgica…, enfim, no caso era só “ali” até à Bretanha.

Após mais de 400 kms de terra, desde casa até ao 1º destino, contemplando touros reais e outros literalmente de papel, Valladolid pode ser um pouso intermédio bastante razoável para “nuestros hermanos” sobre quatro rodas, ou seja , os irmãos autocaravanistas mesmo MESMO  tuguinhas como nós.

O que tem então Valladolid para oferecer? Uma área para autocaravanas a 15 minutos a pé do centro da cidade, com água, zona de despejos e alguma sombra, tudo pela módica quantia de 6 euros.



E, no centro, para além do conjunto histórico caracteristicamente castelhano, como a Plaza Mayor, uma outra razão de peso: uma fresca de uma caña acompanhada de tapas variadas.

 




São ou não boas razões?


domingo, 27 de setembro de 2020

Trilhar com tonalidade minhota

 


Trilhar, verbo pouco sonante segundo o meu canal auditivo, mas que aqui serve que nem uma luva. É mesmo fazer um trilho!

Nestes tempos em que o rosto deve andar oculto (não, não somos muçulmanos, e com isto não há segundas leituras, não somos, ponto); em que devemos circular pela direita (também não sou de direita, ponto, não que alguém tenha alguma coisa a ver com isso); em que devemos manter distanciamento (tem de ser, não me apetecia, mas ponto), trilhar é uma boa alternativa. Para além do óbvio: lutar contra o sedentarismo, etc e tal, e o mais fascinante, caminhar e estar integrado na Natureza. Já agora, memorizá-la fotografando-a.

Ei-la em várias tonalidades:

Tonalidade minhota:



Ponte da Barca, Minho

Partindo da agradável vila de Ponte da Barca, seguindo o Lima e procurando a foz do Vez, passando por campos de cultivo, labirintos assassinos de milho, regadios, curvas do rio, bar à beira-rio , na direção de Ponte de Lima.




No intervalo, um banho no esconderijo de quem é da terra e conhece os secretos dos patos.


Para terminar novamente na vila, relaxar na relva frente ao Lima, debaixo da sombra e calor de agosto (até as ovelhas o sabem de cor), e finalizar com novo mergulho na piscina fluvial. Bem, talvez aqui a qualidade da água não seja a melhor e o isolamento e silêncio os mesmos. Afinal, tínhamos saído do trilho.




À noite, um concerto (o nosso primeiro no confinamento), com lugares marcados e distanciados, máscara e, ao longe, vozes da terra, uma delas a imitar Leonard Cohen. Estranho… sufocante… “infelizmente, “primeiro estranha-se , depois entranha-se” (falo da cara tapada, ponto).



quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Aldeia poética – Cacelha Velha

 


 

Um pequeno poema visual no sotavento algarvio, assente numa falésia: Cacelha Velha.





É um miradouro para a ria Formosa (quem a batizou sabia), na qual, na maré baixa, se criam piscinas de água tépida por entre caminhos de areia e barcos de pesca ancorados.





É um miradouro para o mar: do lado de lá da ria está o mar e uma extensão enorme de praia, à esquerda Praia Verde, à direita Cabanas de Tavira.

Com a maré cheia, há que pagar ao barqueiro para regressar até ao lado da fortaleza e dos seus muitos degraus.

Chegados à aldeia ou partindo dela, há muito que admirar: a sua pequena igreja, a fortaleza, o pelourinho e a simpática arquitetura algarvia bordada a flores e a cores. 




A aldeia permanece intocável à mão da modernidade, daí o prazer de percorrer placidamente as suas ruelas e sentir a poesia das cores e das formas. Deve ser por isso que as ruas têm nome de poetas, um deles árabe, memória dos tempos da “Cacila” muçulmana.




Claro que, para pagar o preço de tamanha singularidade, o melhor é ir cedo ( falo do mês de agosto, entenda-se) para poder estacionar em paz, à beira da estrada, se viajar, como nós , de casa às costas. Neste agosto 2020, com a pandemia e o dedo legislativo apontado às autocaravanas, Cacela Velha , apesar da sua beleza poética, tinha um verso que destoava: a proibição ao estacionamento de AC no único parque para o efeito.

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Uma escada para o céu – convento da cartuxa, Évora.

 

 



É um caminho de silêncio… solidão… simplicidade. Ou não. Um caminho de diálogo com Deus, ao lado de Deus, de mãos dadas com o essencial e a verdade. No fim, que não é fim, espera-os a escada que os conduzirá ao céu. Scala Coeli. 







Foram assim os anos de missão (idealmente sessenta) daqueles que entre a brancura destas paredes aqui residiram. A brancura das paredes e dos muros, mas também a cerca verdejante de ciprestes a apontar para o céu. Scala Coeli.




No fim, já passando a faixa serena dos oitenta, os últimos quatro monges cartuxos partiram rumo a Espanha.




 

Hoje, antes que cheguem as irmãs Servidoras do Senhor e da Virgem de Matará, da Argentina rumo à planície, este espaço de silêncio é aberto ao público.

Hoje, longe dos monges, dos seus passos delicados, das suas preces ritmadas, ficaram os testemunhos de quem os seguia com o olhar.




Depois, o portão voltará a fechar-se.